terça-feira, 4 de junho de 2013

Núcleo de Dramaturgia do Oficena (NUDRA)

Priscila Mayer

É carioca, viveu em Duque de Caxias até seus 16 anos e desde os 10 estuda teatro. Veio para Cabo Frio e deixou seus sonhos numa gaveta. Cursou até o 4º período do curso de Sistemas de Informações. Hoje, aos 27 anos, divide seu tempo entre seus textos, e suas artes: Teatro e Artesanato.



Desejos   
(Por Priscila Mayer)

Drama em um ato - duas cenas

Descrição dos Personagens:

Ana: Jovem órfã, trabalha no Castelo Real como arrumadeira. Inocente, delicada, ar angelical.
Laurence: Filho mais novo do Rei Antony. Apaixonado por Ana, aguarda a maioridade da jovem para pedi-la em casamento. Doce, gentil, amado por todos.
George: Filho mais velho, herdeiro do trono. Arrogante, ambicioso e viril.
Erlan: Criado e puxa saco de George.

Cenário: O quarto de George.

Cena 1

(A cena se passa dentro do quarto de George. É noite e como de costume os irmãos estão conversando antes de dormir).

George: Mas mudando de assunto, quando pretendes levar Ana para sua recamara.

Laurence: Sabes muito bem o que penso sobre isso irmão. Ana ainda é uma menina, é tão doce e imaculada. Só será possuída por um homem após o casamento.

George: Bobagem! Não sabes o que dizes galego. Todas as mulheres são meretrizes de nascença e Ana não tem a quem dar honra. Leve-a aos seus aposentos, e se gostares dela, então se casa.

Laurence: Não sou como você irmão! Não sei me aproveitar de moças inocentes usando o nome da nossa família.

George: Faça como quiser só não reclames se outro o fizer.

Laurence: Essa conversa já deu tudo o que tinha que dar. Vou me recolher. Boa noite irmão.
                                   (Laurence sai. George anda de um lado para outro. De repente uma gargalhada).
George: Erlan! Erlan!   *Diz agitado e impaciente

Errlan: Pois não senhor!

George: Vá até Ana e dizes a ela que estou enfermo e que a chamo sem demora. (Diz se jogando na poltrona).

Erlan: Mas o que tens mestre? (Diz se sentando na poltrona ao lado).

George: Não tenho nada, só preciso ficar a sós com Ana alguns instantes e provar para o tonto do meu irmão o quanto ele está errado.

Erlan: O senhor é magnífico!

George: O que está esperando?Ande e fazes como lhe ordenei!
                        (Erlan sai. A iluminação cai e George se esconde atrás da poltrona. Ana entra esbaforida).
Ana: Senhor, o que aconteceu? Erlan disse que estás enfermo?
                        (George Aparece por trás de Ana e a agarra por trás).
George: Estou enfermo de desejos por ti Ana!
                        (George começa a alisar e beijar Ana, que o empurra).
Ana: Componha-se senhor! Estás bêbado?

George: Prepara-te Ana! Hoje serás minha! E você sabe muito bem o que acontece com quem não cumpre minhas ordens. Não quero ouvir nem um resmungo para não perder a vontade.
                        (George se aproveita de Ana toda a noite. Os movimentos seguintes são mostrados por sombra. A luz abaixa até a escuridão total).

Cena 2

                        (Iluminação simulando o amanhecer. George acorda, se veste, olha Ana na beira da cama e eis a constatação):
George: E não é que a galega era mesmo moça? (risada)
                        (Cutucando Ana)
George: Ande, acorde e limpe toda essa sujeira. E nunca mais ouse entrar nos meus aposentos.
                        (George sai do quarto. Ana se levanta chorando, sentindo nojo de si mesma, olhando tudo em volta com medo e repulsa. Laurence entra entusiasmado, mas sua expressão muda ao ver Ana sentada na beira da cama com trajes íntimos. Ela ao ver Laurence, busca se cobrir com um lençol).

Laurence: Ana o que fazes aqui e com esses trajes? Meu irmão tinha razão. Não acredito! Logo hoje que estava decidido a me declarar.
                        (Ana corre e segura o braço de Laurence o impedindo de sair).

Ana: Laurence eu te amo e sempre te amarei. Por favor me escute. Passei sim a noite com seu irmão, mas não foi por querer, acredite em mim.

Laurence: O que estás dizendo Ana?

Ana: Seu irmão me chamou ontem a noite me dizendo estar doente e quando entrei para ver como ele estava, ele me agarrou. (Diz aos prantos).

Laurence: Canalha, como ele pôde?
                        (é tomado pela raiva, abraça Ana fortemente)
Laurence: Se vista Ana.
                        (Enquanto Ana se veste, George entra no quarto e ironicamente)

George: Já a usou também Laurence?

Laurence: Eu tenho nojo de você. Como pôde? Como você teve coragem de fazer isso?

George: Fiz e não me arrependo. Está com peninha? Casa com ela então. Aproveita que está pouco usada.

Laurence: Eu vou te matar! Uma pessoa como você não merece ser o herdeiro do trono.
                        (George com deboche)
George: Eis o filhinho da mamãe mostrando sua verdadeira face! Vamos! Bota para fora esse monstro principezinho da mamãe!
                        (Laurence parte pra cima de George, mas Ana se joga na frente e o impede).
Ana: Por favor, Laurence não vale a pena. O futuro rei não pode ser um assassino.

Laurence: Você tem razão Ana, ele não vale mesmo a pena.
                        (Laurence se vira tentando se acalmar).
George: O romantismo de vocês me dá náuseas. (senta). Saiam já do meu quarto. E a propósito, eu serei o novo rei. (começa a folhear um livro).
                        (Ana abraça Laurence por trás, e num movimento rápido e certeiro, pega a adaga na cintura de Laurence e corta o pescoço de George).

Ana: O futuro rei não poderia ser um assassino, mas a futura rainha pode defender a sua honra.
                        (Laurence sorri aliviado e beija Ana calorosamente. As luzes se apagam).

FIM
                        (Por Priscila Mayer)



Um comentário:

  1. Lendo este texto, me recordo dos meus anos mais românticos, onde eu lia a coleção de SABRINA, JÚLIA, SAMANTA . Que sempre me levavam a romances medievais onde a mocinha podre era arrebatada pelo lorde inglês que a amava e enfrentava tudo para faze-la feliz.
    Obrigada por me levar pra este mundo que hoje esta muito distante de mim. bjsss

    ResponderExcluir