sexta-feira, 28 de março de 2014

O Teatro Lotou!

Comemorando 35 anos de Teatro, a nova geração do "grupo Creche na Coxia"
mantém fidelidade ao grupo e trabalham com amor!
Os artistas profissionais da cidade de Cabo Frio, fizeram por merecer. O teatro lotou sim, obrigado!
O público local, compareceu graças ao empenho da produção, que fez bonito, trabalhou nos detalhes, divulgou bem, e esbanjou simpatia e amor. Sim porque é disso que o público gosta, o carinho e o afago, feitos com amor, mas principalmente com bom teatro. Se a peça é boa e a produção é sagaz, todo mundo vai, e se todo mundo trabalha para lotar o teatro; o público, com sua parabólica sensível, abre mão até da novela!
Dia 27 de março, além de ter sido o dia internacional do teatro, é também o dia em que o grupo "Creche na Coxia" completou 35 anos de existência. Com uma nova geração de artistas, o grupo esbanja qualidade e vigor. Tem jovens fiéis que se dedicam de corpo e alma aos trabalhos e uma nova geração de cabeças com ótima formação trazendo novidades para a linguagem teatral e pesquisa artística que nunca para. É isso, um grupo que se reinventa e segue adiante. Hoje, o Creche na Coxia se orgulha de ser, ao lado do grupo "Sorriso Feliz", de Clarêncio Rodrigues, um polarizador da história teatral local mas que já ganhou asas e hoje leva sua energia para todo o Brasil.
Com união e iniciativa coletiva, os artistas profissionais nos ensinam como lotar um TEATRO!
Outro acontecimento marcante foi a passagem, ainda que discreta, dos 50 anos de teatro de José Facury, nosso atual secretário de cultura. Presente no teatro, a expressão cansada não escondeu a emoção, de ver uma geração inteira de jovens seguindo as pegadas deixadas por Silvana Lima, Ivan Tavares, Tânia Arrabal e Facury. 
Além de uma seleta de artistas profissionais de presente e futuro, a noite dos dias 27 e 28 vão entrar para história, por colocar juntos no palco, alguns dos diretores da nossa região, que estão dando o que falar, os premiados Rodrigo Sena, Fabio de Freitas e Silvana Lima com as peças "Ma Pa Ri Pias Pas", "A Menina Escondida no Baú" e "Cenas de Sangue num Bar". Os trabalhos, juntos, já trouxeram mais de 20 prêmios para a nossa região. Realmente uma  proeza artística.
Em sua quarta edição, a "Mostra D" é um caminho para quem quer ver o
resultado do que se faz na oficina livre de teatro "Ensina Encena".
Mas não há dúvida que a criatividade e espírito de luta está fazendo o teatro do interior do estado do Rio de Janeiro, crescer muito. A ideia da "entrada mais que franca" acessou a generosidade do público local, que, além de lotar o teatro, viu com grande simpatia a ideia de receber um envelope para contribuir para que os grupos (que tem despesas dispendiosas) continuem levando o melhor teatro da nossa região para outras paragens, neste imenso Brasil. No final das contas, Cabo Frio não é apenas uma cidade turística que recebe pessoas do Brasil todo, antes de tudo é um lugar de talento e profissionalismo que exporta seu modelo de teatro cooperativo para fora de suas "fronteiras".
Na fala final de Fabio Carvalho de Freitas, diretor e professor de um dos melhores cursos livres de teatro da região dos lagos, aproveitou para anunciar sua grande novidade de 2014. A tão famosa "Mostra D", do seu curso de teatro "Ensina Encena", e que já está na quarta edição, dessa vez com deliciosas noites de improviso e uma bela homenagem ao famoso grupo inglês da década de 70, "Monty Python".

segunda-feira, 24 de março de 2014

DIA 27 E 28 DE MARÇO DE 2014, TRÊS ESQUETES QUE JÁ DERAM O QUE FALAR.

ENTRADA MAIS QUE FRANCA!

Um encontro soberbo envolvendo uma nova geração de artistas de peso, da cidade, estarão no teatro municipal de Cabo Frio, dias 27 e 28 de março, às 20 horas, apresentando nada mais nada menos que, esquetes premiadas desde 2013, quando estrearam no FESQ (Festival de Esquetes de Cabo Frio) de lá pra cá, os grupos "Creche na Coxia", "Trupe Andarilho de Teatro" e "Grupo Risco Teatral", se unem para dividir generosamente a cena, mostrando o melhor do nosso teatro local.
As cenas curtas serão: MA-PA-RI-PI-AS-PAS, Cenas de Sangue num Bar e A Menina Escondida no Baú.

Teatro municipal de CABO FRIO, não perca, entrada mais que franca!


COMENTÁRIO DOS ESQUETES EXIBIDOS NO DIA 17 DE SETEMBRO NO FESQ - 2013

A Bailarina ou o Inventário dos Guardados da Caixinha de Música.

Grupo – Interferência Teatral

Texto – Rafael Cal

Elenco – Renata Egger



O Texto de Rafael Cal se mostrou maduro, com camadas bem delineadas de uma tensão contida. A interpretação da atriz Renata Egger esteve à altura da proposta, seus traços contidos e sua gestualidade econômica tiveram momentos de explosão na hora certa, destaque para a voz, que apresentou uma boa inflexão e se manteve até o final.

Atentar para a exploração de planos diferenciados durante a cena ao invés de manter o excesso na postura de bailarina de caixinha de música apenas, seria interessante construir uma corporalidade versátil sem perder o signo princial, explorando os planos alto, médio e baixo com mais equilíbrio.



***



Burburinho – O Pássaro do Amor.

Grupo - Alcoviteiros

Texto – Paschoal Meato

Diretor – Paschoal Meato



Ótima releitura resumida de Romeu e Julieta e Otelo, de Shakespeare para uma realidade cômica e gay, mas muito mais focada na diversão do que na propaganda panfletária da preferência sexual das persoanges. Toda a cena transcorre de forma natural, propondo, num certo sentido, uma sociedade sem preconceitos.

Direção ágil, equilibrando bem a caixa cênica e o desempenho dos atores. Destaque para a interpretação istriônica de Pachoal Meato, que dirigiu e adaptou o texto também.

Ficar atento aos estereótipos, megulhar fundo na pesquisa e ensaiar bastante para retirar o máximo de “gordura” do espetáculo, que, em algum momento, pareceu se arrastar.





A Jornada

Grupo – Cia Ratos de Palco

Texto – Diogo Nery

Direção – Diogo Nery



Bom desempenho do elenco, que esteve equilibrado no palco, contando juntos uma bela história que foi capaz de encantar crianças e adultos. A dramaturgia é muito mais em forma de roteiro do que, propriamente um texto teatral, no entanto é um trabalho que flerta com o público, do começo ao fim. Destaque para a ótima intervenção de platéia, onde, a pessoa escolhida do público passa a compor o elenco da peça, do começo ao fim.

O grupo deve ficar atento à vocalização em cena, as vozes, a pesar de falarem por onomatopéia, precisa ser audível e chegar até o público com clareza de intenções.


Madame Perversus

Grupo: Juvêncio Produções

Autor – Fabricio Bitencourt

Diretor – Fabricio Bitencourt



O espetáculo tem ótimos posicionamentos de elenco no palco, utilizando, através de uma cenografia bem prática e útil, várias possiblidades de uso do palco. A composições de entradas e saídas das personagens são ricas e o figurino é condizente com a história contada. A dramaturgia é densa e bem elaborada.

Ficar atento ao ritmo da cena e melhorar o uso da voz, em alguns momentos as falas ficaram inaudíveis, fazendo com que algumas palavras se perdecem o que ocasionou um pouco de confusão na hora de degustar o trabalho autoral. Destaque para a atriz Miliane Bodnarasec que fez uma impactante composição da personagem central da peça.



Entre Amigas

Grupo – Cia Inversus

Texto – Gabrielli Leite

Diretor – Cia Inversus



O grupo funciona bem como um coletivo, conseguindo bons resultados. Destaque para o revesamento de atores interpretando os mesmos personagens, conferindo ao trabalho um ritmo interessante. A Vocalização, entretanto, precisa ser levada em conta, pois, o posicionamento no palco fez com que as vozes, em algum momento desaparecesse e o texto ficasse inaudível.

O Elenco rendeu bem, mas pode treinar e coreografar mais cada momento para que o trabalho ganhe mais ritmo.


Os Rumos da História

Cia – Sem Lenço

Autor – Max Oliveira

Diretor – Max Oliveira



O texto tem uma ótima quebra em seu ritmo que, no início, parece maçante (propositadamente) até o elenco se rebelar contra o narrador, a peça faz uma leve referência ao teatro de Pirandelo e dá ao público uma boa degustação de uma dramaturgia bem construída. O público acolheu bem o trabalho que se comunicou de forma criativa.

Faltou pesquisa de figurino e usar melhor os recursos do teatro (iluminação) em alguns momentos o trabalho pareceu se arrastar. O grupo investiu claramente num tipo de investigação cênica mas correu pareceu ter abandonado a cena no meio do caminho. Fica a sugestão para que a ideia central da direção não se perca.



Desgosto de Filha

Grupo - Cia Psicoloucos

Autor – Oscar Calixto

Diretor – Oscar Calixto



Trabalho bem estruturado na dramaturgia e composição cência, com boas marcas, ótimos desenhos e boa movimentação no palco. O elenco equilibrado e bem diverso só enriqueceu a comédia. A cena fez um bom uso da iluminação, compondo um ótimo visual no palco. Destaque para a surpresa do texto que usou o recurso da “grande virada” e assim, romper com o estereótipo da sexualidade como tabu.

A peça se insere numa máxima Junguiana: “Quando o estereótipo age ao contrário, o imaginário vai ao infinito”. Ao mexer com o imaginário do público a platéia se sentiu valorizada e passou a ver o que parecia ser apenas uma comédia, como alguma coisa para se pensar a mais. O tom provocativo acabou reforçando todo o trabalho que fechou bem.

O grupo pode melhorar o trabalho de vocalização e deve ficar atento aos objetos usados, na cena do jantar a comida é verdadeira, o que pode mexer na concentração do ator, por isso, o trabalho não pode cessar nuca.



(Jiddu Saldanha – Debatedor.


sexta-feira, 21 de março de 2014

Núcleo de Dramaturgia do Oficena (NUDRA)


Kéren-Happuk 
estudou magistério no colégio Professora Ismar Gomes de Azevedo, atualmente faz faculdade de letras na UNOPAR. Frequenta o OFICENA (Curso Livre de Teatro de Cabo Frio) desde março de 2013 e faz parte do NUDRA (Núcleo de Dramaturgia do Oficena). É poeta e haicaísta, além de atriz, autora.

É membro fundadora do grupo de teatro "Entre Palcos" onde atua na peça "Auto da Compadecida" de Ariano Suassuna, direção de Ítalo Luiz Moreira e Jiddu Saldanha. Como aprendiz de dramaturgia já escreveu mais de 7 cenas curtas.

"OS VAMPIROS ESTÃO COM FOME"
De Kéren-Hapuk

PERSONAGENS: # FAMÍLIA REMPSON, FAMÍLIA DE VAMPIROS, CONSTITUÍDA POR:
-ROMANO(PAI) – NEURÓTICO, OLHO ARREGALADO. TEM A FALA NERVOSA, METÓDICA, MANÍACA E PAUSADA. O CORPO OSCILA ENTRE CURVADO E ERETO.
-MARGÔ (MÃE) - DESPROVIDA DE RACIOCÍNIO LÓGICO/INTELIGÊNCIA
-ALBEC (FILHO) - ADOLESCENTE, SÉRIO, APÁTICO, INDIFERENTE.
-DIANA (FILHA) - ADOLESCENTE, DEVASSA, IRÔNICA , DEBOCHADA, FALA EM ESPANHOL PARA SER SEXY.
-BECCA (FILHA) - CRIANÇA. TRÊS A SEIS ANOS. CHORONA, VIVE COM SUA BONECA NO COLO.TODA VEZ QUE ELA CHORA ESCANDALOSAMENTE, EM POUCOS SEGUNDOS SE ACALMA.
-JENOR (PAI DE ROMANO) -VELHO RABUGENTO, MAL HUMORADO.
# ENTREGADOR DE PIZZA – UM HOMEM GORDO, ALTO E FORTE.
CENÁRIO: CASTELO - Residência da família Rempson, sala de estar. Decoração clássica. 


CENA I

Castelo. Sala. Jenor está sentado em uma poltrona.
Margô, Albec, Diana e Becca, sentados no sofá. Romano em pé.


Albec – Por que uma reunião de família, papai? Nós nunca fizemos uma reunião de família.

Diana – Si, papi. Por que una (irônica) reunion de família?

Romano - Acalmem-se crianças. Uma reunião de família é extremamente importante. Especialmente esta.

Becca – Paipaipai, a Lili faz parte da família também, não é?

(Romano fita a boneca) – Sim, Becca, minha filha querida.

(Jenor se levanta nervoso) – Não faz, não! Uma família deve ser alimentada, e não podemos alimentar uma boneca. Aliás, mal podemos nos alimentar.
Becca chora escandalosamente.


Romano – Exatamente isso, papai. Não podemos nos alimentar. Por isso convoquei essa reunião.

Jenor – Pois devia de ter convocado um jantar, um jantar não, um banquete. Pescoços suculentos para todos os lados. (todos lambem os lábios) Olhe. Veja bem, como estou amarelado, seco igual os pescocinhos das vítimas que você me traz, com aqueles sangues aguados. O que essas garotas comem?

Albec – O que elas não comem, vovô. Papai não sabe escolher as vítimas.

Diana – (provocando, rindo ) Papi, papi, papi, só traz tica magrita, anorexita. Papi, podem ser as mais bonitas, mas não alimentam.

Jenor – Você é um cabeça oca, não sabe escolher vítima, como vai alimentar sua família? Até a minha geração nós fazíamos jus ao nome Rempson. Você é uma decepção, derrotou o nosso nome.

Margô – Na verdade, seu Jenor, essa família já estava derrotada. Foi quando o senhor começou a vender sangue alcoólico para os vampiros.

Jenor – (cortante) Mulher burra, caluniadora. Aqueles vampiros morreram porque eram alcoólatras e não sabiam beber. Bebiam e bebiam até cair e morrer.

Romano – (nervoso) Chega! Não quero saber desse veneno, não quero saber de boneca, não quero saber do nome da nossa família. (ansioso) Acontece que nós não podemos caçar na cidade, pois na cidade tem detector de vampiros, que por sinal tem um som de alarme gritante, horripilante, devastador. E depois que a humanidade descobriu os vampiros, as pessoas não andam mais em lugares desertos. Não passa uma alma sequer por aqui...

Albec – Vampiros não são demônios que se alimentam de alma. Precisamos de pessoas vivas, com sangue pulsando na veia.
(todos lambem os lábios)

Margô - Por que não caçamos uns animais? Aqueles que vêm da mata e passam por aqui?
(todos horrorizados, nauseados, exceto margô) AARGH

Jenor – Mas o que é isso! Que mulher burra. Não sabe que sangue de animal não dá pra se beber?!

Romano – Sangue de animal é pior que o sangue alcoólico do papai.

Margô – Então por que não pedimos uma pizza ?
(Romano fita o ar, rindo, iluminado por uma ideia)

Jenor – (grita) Pelo amor dos deuses das presas, pare de falar! Só sai besteira dessa boca.
Becca chora escandalosamente.

Margô a pega no colo, acalmando-a.

Romano – Margô. Meu amor. meu amorzinho. Que ideia maravilhosa. Você é genial. Excepcional. Albec, ligue para a pizzaria, peça uma pizza, e peça que mandem o entregador mais forte que eles tiverem.

Jenor – Você está louco? Por acaso vai pedir uma pizza de sangue?

Diana – (zombando, irônica e rindo, faz sinal de telefone com a mão.) Olá, eu quero pedir uma pizza carregada de sangue. De preferência tirado do pescoço da vítima agorinha.

Romano – (à Diana, cortante) Pare de implicar, petulante.

Margô – (à Albec) Meu filho, peça umas quatro pizzas, uma só não será suficiente. Seu avô tomou tanto sangue alcoólico que queimou o estômago. para ele se sentir satisfeito, precisa de uma só para ele. Coitado...

Jenor – Está zombando de mim mulher ? Me respeite.

Romano – (irritado) Silêncio! Como vocês são...são... (mudando de humor) Nós não vamos comer a pizza... Vamos comer... O entregador.

BLACKOUT


CENA II
Castelo. Sala. Jenor, Diana e Albec.

Jenor – Que demora. Ligamos há um século e essa pizza ainda não chegou.

Diana – Mi abuelo, mi querido abuelo, um século es la idade que tienes o señor. (gargalha)

Jenor – Acontece que tenho três séculos e sessenta décadas,(irônico) querida netinha.

Albec – (à Diana) Vá rever seus conceitos de graça.
[Sai Diana]

Jenor – Como você aguenta sua irmã? Ela é maluca, e fica falando em espanhol...

Albec – Ela não sabe falar em espanhol, é maluquice dela. Aliás, todos nessa casa são malucos. Para começo de conversa, nós somos vampiros, e como se esse fato não bastasse...(olhar distante) O único lugar onde a sanidade habita, nesta casa, é em minha vampiresca pessoa.
[Sai Albec]

Jenor – Garoto estranho. Realmente essa é uma família de loucos.
A campainha toca.

Jenor – (arregala os olhos, ansioso) Chegou, chegou. Demorou mas chegou.
Entra Romano correndo.
Romano – Ouvi a campainha tocar. Ouvi, não ouvi? Ouvi, não ouvi ?
Romano abre a porta.
Romano – Ora, ora, ora. Boa noite. Seja muito bem vindo.
Entregador – Boa noite, senhor.
Romano – (pegando a pizza, coloca sobre uma mesa) Sim! Foi daqui que pediram a pizza. Você não quer entrar?
Entregador – Não, senhor. Obrigado. Eu só entrego a pizza, recebo o dinheiro e entrego mais pizza.
Romano – (puxa-o para dentro, fecha a porta) Ora, vejam só. Pare com sua timidez, homem.
Jenor – Sim. Fique tranquilo, nós não mordemos. (a Romano) Ele não é muito magrinho? Meio anêmico ?
Entregador – Sou o que? Eu só estou fazendo meu trabalho. Tentando fazer o meu trabalho. Os senhores por favor, acertem a conta e me liberem porque eu ainda tenho muita entrega para fazer.
Entra Diana com Becca no colo. Becca segurando com uma boneca sem cabeça.
Diana – Papi, a Becca está comendo as cabeças das bonecas novamente. Está achando que são bebês de verdadade. Coitada...
Vendo o entregador, deixa Becca com rapidez e desleixo
no colo do avô e se exibe para o entregador.
Diana – (indo até o entregador, esfregando o corpo nele) Hola, tico, como estás?
O entregador reage com indiferença, impaciente.
Romano - (puxa Diana) Ora, criatura desavergonhada. Se dê o respeito. Respeite a presença de seu pai, de seu avô. Respeite (ênfase) o nome da nossa família.
Diana da uma risada. Tira a boneca da boca de Becca. Implica com seu avô fazendo
carinho na cabeça dele. O avô briga com ela, retirando a mão dela de sua cabeça.
Becca vai comer a pizza.
Diana senta no sofá e fica mexendo no cabelo seduzindo o entregador.

E você, seu entregadorzinho de pizza, respeite minha família. Não olhe assim para minha filha. Tenha modos em minha casa.
O entregador ia responder, interrompendo entra,
Margô bêbada com uma garrafa com sangue alcoólico na mão.


Margô – Huuul! (cambaleando até Romano) Romano ano, meu amor, minha vida, minha crosta de sangue doce, meu amor... (Avista o entregador muda a entonação.) Mmmmm...(Cochicha com nervosismo no ouvindo de Romano. Porém em alto e audível voz. Todos escutam) Romano, (aponta para a porta com movimentos repetidos) olha na porta... Nosso jantar... Que lindo. Ele parece suculento. (cambaleando até o entregador, examina seu rosto) Mmm... Sangue saldável, muita proteína, vitamina A, B, C, D e fartura de gordura hidrogenada...

Jenor – (arrancando a garrafa da mão de Margô) Onde você achou isso, mulher?
Jenor aprecia a garrafa, se afasta, se aliena e saboreia a bebida,
Margô abre a boca para falar, interrompendo entra Albec.
pouco bêbado com uma garrafa de sangue alcoólico na mão.

Albec – Vovô, como pode esconder isso por tanto tempo? Com que coragem o fez? Isso é esplendoroso, é divino, é lírico. Eu nunca bebi algo tão...tão...
Diana grita

Diana - Becca?! Mami, olha, a Becca comeu la pizza toda e morreu. Becca, Becca.
Margô desmaia nos braços do entregador, ele a mantém em seus braços.

Romano - (pega Becca no colo) Oh deuses das presas! Nãããão.

Albec – A Becca não está morta. (pausa) Uma pizza não vai mata-la, vai apenas deixa-la com mais fome. Ela faz isso para chamar a atenção. Vocês que nunca perceberam. (à Becca) Becca, chega, (coloca a garrafa no nariz dela) sabemos que você não sofreu uma síncope.
Becca chora escandalosamente.

Albec – (avista o entregador e vai até ele)Olá! Então você é o famoso entregador?! Sim, está famoso por aqui. Estamos todos famintos e você é a nossa salvação. (oferece a bebida para ele, ele aceita)
O entregador se apaixona por Albec.

Romano – Albec, pare de ser estranho. (ao entregador) Não dê muita atenção, ele é um pouco alheio.(tira Margô dos braços do entregador) E solte minha esposa. (coloca a esposa no sofá)

Albec – Papai. Diana. Senhor Jenor. Senhor Jenor. (Se reúnem) Primeiro, não se preocupem com a mamãe, ela faz isso para chamar atenção. Em breve ela acordará e saberá que Becca está bem. Pois bem , já sei como vamos matar nossa fome. Vejamos! (dissimulando) O que Becca? Quer água ? Oh queridinha, claro. (ao entregador) Como é mesmo o seu nome ?

Entregador – (sorrindo) Osvaldo.

Albec – Mmm... Osvaldo?! Belo nome. Então, Osvaldo, minha irmãzinha Becca, precisa de água. Você poderia fazer a gentileza de acompanha-la até a cozinha e servi-la? Eu o acompanho logo em seguida.

Diana – (brincando pega a garrafa da mão do avô e levando até a menina) Temos água aqui. Toma Becca.
Jenor – (pega a garrafa da mão de Diana) Dê-me isso, menina irresponsável, deixa de maluquice.

Albec – (à Diana) Nós estamos famintos, famintos, muito famintos. (todos lambem os lábios) Essa é nossa chance de ouro, não a estrague com suas brincadeiras sem graça. ( Ao entregador) Osvaldo, você pode
fazer essa gentileza?

Sai Osvaldo com Becca.


CENA III
Romano – Mas meu filho, não entendi sua estratégia.

Albec – Eu explico! Percebi a bandeira que ele deu. Então usei isso ao nosso favor. Tem esse estereótipo firme, sério e grosseiro, porém, não passa de uma Maricota. Eu conheço esse tipinho. Escandaloso. Eu não sei se vocês sabem, mas os Julians também estão famintos, aqueles vampiros escassos de inteligência, e por isso, invadiram a cidade, matando um número considerável de humanos. E por isso, A polícia e os caçadores de vampiros estão fazendo ronda até Vila Rainha, ou seja perto do nosso castelo. Concluindo, quando atacarmos o entregador, na certa ela fará um escândalo que será ouvido de Vila Rainha e os policiais e caçadores viram nos matar.

Romano – Meu filho, que orgulho. Você é um gênio. Esqueci que na cozinha temos o sistema de isolamento de som.

Diana – Claro, papi, aquelas vítimas que o señor nos trazia. Aquelas garotita magrita, anorexita.

Jenor – É meu filho, não sabe mesmo escolher as vítimas. Eu por exemplo, para fazer o sangue alcoólico só uso sangue de...

Romano – Está bem, papai, está bem . Vamos logo para a cozinha. Vamos acabar logo com isso.
Margô grita escandalosamente, os outros se assustam e olham. Becca está andando suja de sangue, com a cabeça do entregador na mão, chupando o pescoço.


FIM

KÉREN-HAPUK

O grupo "Entre Palcos" entra em cena.

Dia 29 de de Março de 2014, no Teatro Municipal de São Pedro da Aldeia, será um dia importante para a garotada que resolveu encarar a empreitada de levar a diante a semente do primeiro grupo de teatro amador a se formar em Cabo Frio nos últimos 10 ou 15 anos!

O OFICENA, é resultante de uma sucessão de sementes lançadas em Cursos anteriores, que já aconteceram no Teatro Municipal de Cabo Frio. O curso, se confunde com a história do próprio teatro e já teve vários professores. A começar pelos fundadores, José Facury e sua equipe da época, tendo como um dos últimos mestres o inesquecível Frederico Araújo, o Fred. Que hoje, por reconhecimento à sua imensa luta por permanência de um curso livre na cidade, ganhou, no próprio teatro, uma sala com seu nome. A sala Frederico Araújo é um espaço de reflexão artística e acolhe professores de diversas áreas artisticas, é utilizada para reuniões e tem uma biblioteca diversificada em temas variados mas, principalmente, focado, em estudo de teatro.
       Em 2013, o curso teve sua retomada, com a figura de Italo Luiz Moreira, diretor de teatro, e que, criou o grupo de teatro "Andança, por um Teatro Livre", (o grupo ANDANÇA completará 16 anos, no mesmo ano em que o teatro municipal de cabo frio completará 17). Já, Yuri Vasconcellos, escolhido pela atual administração, para ser o diretor do teatro, em sintonia com o secretário de cultura, José Facury, decidiram pela retomada do curso de teatro no teatro da cidade. O resto é a história que se está construindo.
A formação de novos grupos de teatro na cidade, está restringida a pelo menos 10 anos. Considerando algumas ações recentes como "Bicho de Porco", um grupo que já existia e que se transferiu para Cabo Frio e manteve 3 anos de atividade. Tem o caso também da "Trupe Andarilhos de Teatro", que se formou em Volta Redonda, atuou no Rio de Janeiro e agora está sediada em Cabo Frio, fora isso, uma formação sólida de um novo grupo na cidade, com pessoas locais, não acontece a pelo menos 10 anos, para não dizer, 15. Podemos afirmar, até, que, é provável que o único grupo sólido, de fato, na cidade, seja o "Creche na Coxia", hoje um grupo profissional, com a base de sua liderança formada em escola de teatro,que, mesmo tendo sido formado no Rio de Janeiro, ganhou nome definitivo em Cabo Frio e praticamente incubou uma geração nascida nas "entranhas do teatro local".

Com um elenco de alunos destacados no curso OFICENA, o "Entre Palcos" inicia sua atividade com os atores: Hugo Leal, Roberto Pedra, Vânia Petra, Fátima Pessanha, Nathally Amariá, Kéren-Happuk, Ednaldo Alves, Anna Knneip, Claudia Mury, Herold Lino, Matheus D'Castro, Gustavo Vieira e Daniela Barbosa.
    O grupo "Entre Palcos", nasce, no olho do furacão. Num momento histórico para o teatro local. Exatamente num momento em que a cidade parece acenar com alguma política viável para o teatro, se comprometendo, de alguma forma, com o fato de que, assim como uma cidade constitui grupos de hip hop, dança clássica e contemporânea, é natural que tenha um movimento espontâneo de teatro amador com raízes fincadas na localidade. Neste sentido, é possível e provável, que o grupo "Entre Palcos" represente mais uma possibilidade, nesse imenso caldeirão cultural que é a cidade de Cabo Frio.

Com o espetáculo "Auto da Compadecida", dirigido por Italo Luiz Moreira e Jiddu Saldanha, o grupo Entre Palcos, inicia uma jornada em direção à sua própria história.
Com um elenco de alunos destacados no curso OFICENA, o "Entre Palcos" inicia sua atividade com os atores: Hugo Leal, Roberto Pedra, Vânia Petra, Fátima Pessanha, Nathally Amariá, Kéren-Happuk, Ednaldo Alves, Anna Knneip, Claudia Mury, Herold Lino, Matheus D'Castro, Gustavo Vieira e Daniela Barbosa. Dia 29 de de Março, será um dia importante para a garotada que resolveu encarar a empreitada de levar adiante a semente do primeiro grupo de teatro amador de Cabo Frio nos últimos 10 ou 15 anos. O que, a princípio parecia um delírio, um salto no meio do nada, provou-se não ser nada disso. Na verdade, é uma geração de jovens buscando autonomia e buscando experimentar, de forma mais profunda, a relação com um tipo de arte que só se faz coletivamente, com muito trabalho e, sobretudo, gerenciando o próprio destino.
O elenco do "Auto da Compadecida", demonstrou competência, surpreendendo a equipe
de professores e público presente. Ali já estava lançado o dado do destino, aquele elenco seria, a
formação do "Entre Palcos" primeiro grupo de teatro nascido das aulas do OFICENA; 
VEJA O VÍDEO.

 
     
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Quando o espetáculo "Auto da Compadecida" 
estreou, no TEATRO MUNICIPAL DE CABO FRIO, 
José Facury, atual secretário de cultura
escreveu essas palavras. 
A estréia, que foi um compromisso de montagem 
do OFICENA (Curso Livre de Teatro do Teatro Munciipal de Cabo Frio), 
hoje é administrado praticamente pelo mesmo elenco
que ensaiou e participou do espetáculo, 
e que passou a formar o grupo "Entre Palcos"!

SUASSUNA EM TOM MAIOR
Por José Facury Heluy

Um curso de teatro sem as características de formação especificamente aprofundada para dar certo necessita de vetores importantes que se chamam conhecimento superficial e muita paixão. A prática teatral é uma arte que não necessita no seu exercício de montagem de maiores conhecimentos técnicos. Estes são muito mais aprendizados que vão se incorporando a partir da prática para sedimentar os conhecimentos adquiridos nas repetidas experiências, movidas pela paixão em aglutinar talentos e fazê-los entender seus limites. Tudo, mas tudo o mesmo possível para mergulhar e expressar no universo do autor a ser montado.Um curso se torna de excelência com apenas uma premissa que, ao final das suas etapas, os aprendizes consigam expressar a energia dramatúrgica buscada pelo autor.
O Oficena, curso regular gratuito do Teatro Ina Azevedo Mureb que inicia de maneira brilhante o seu circuito de aprendizado fez isso com sobras. Primeiro, apresentou no meio do ano um resultado parcial onde coletivizou as turmas menores e apresentou lindas cenas curtas onde autor e atores originais se mesclavam munidos por uma paixão excêntrica.Já via-se ali onde poderiam chegar.A empreitada era maior...O AUTO DA COMPADECIDA do mestre de todos nós, nordestinos desgarrados, que ainda se arrepiam vendo ou fazendo teatro, Ariano Suassuna.
São mais de quarenta atores em cena e uns vinte, já com excelências interpretativas que seguram os personagens da Compadecida com o pé e não os largam de jeito nenhum com destaque para os atores que fizeram os inenarráveis João Grilo e Chicó, um pouco buscando os tons da última montagem televisada da obra, mas dando-lhes uma roupagem própria.O ponto alto do espetáculo, ao meu ver, é o diabo interpretado pelas três, já prontas atrizes que através de partituras corporais, dão também uma leitura a mais naquilo que a obra se propõe. E como o teatro é belo por nos trazer tantas possibilidades de leituras.
O cenário, a iluminação e a musicalidade embalada pelo corpo de tantas vozes estão ali a serviço da cena cumprindo seus papéis como sempre devem cumprir. Sem mais, nem menos. E os mestres do Oficena...Sei que não é fácil!Tem uma hora que se acha que não vai dar certo. Mas vocês conseguiram, assim como no passado Mães de Aluguel e Faca de Dois Gumes também fizeram os noviços atores emanarem beleza e arte e estarem até hoje se aperfeiçoando na arte de interpretar.Cabe agora fazer um circuito de apresentações para entenderem os meandros dessa arte ainda mais, e, cada um, solidificar o aprendizado com ou a partir destes belos mestres que vocês tiveram nessa primeira empreitada cênica.(JFH)

SE QUISER CONHECER MAIS SOBRE O OFICENA (Curso Livre de Teatro do Teatro Municipal de Cabo Frio) acompanhe a página do curso pelo facebook!