quarta-feira, 29 de junho de 2016

Quando o teatro vira festa cultural.

Cada vez mais unido e focado, o grupo teatral "TCC - Teatro Cabofriense de Comédia", faz uma festa junina e se afirma com a proposta de se tornar um grupo coeso e organizado. A caminhada é longa e difícil mas também é prazerosa e divertida. Segundo os integrantes do grupo, está valendo a pena todo esse esforço coletivo!

Disparada, música de Geraldo Vandré é a nova atração do coro cênico do TCC
FOTO: Manuela Ellon
Momentos vividos com grande empenho, amizade coletiva e respeito mútuo são a marca registrada do grupo que já está próximo a completar 2 anos de muita garra e dedicação ao teatro. No dia 25 de julho, o TCC, depois de praticamente um mês de planejamento, realizou sua primeira festa cultural, focada nos folguedos populares da festa junina. Um investimento na tradição culinária, musical e artística, trouxe aprendizado e firmou o compromisso de "aprender no fazer", como diria o grande mestre Guimarães Rosa.
A festa foi bonita e atingiu todos os objetivos propostos pelo grupo. Ofereceu bem estar aos participantes, fez-se alegre nos momentos necessários, e teve uma forte interatividade com os participantes. Foi também o momento em que o grupo apresentou em forma de Flash Mob a performance "Disparada", música inesquecível do compositor Geraldo Vandré e que ficou imortalizada no festival da canção da record, cantada pelo saudoso Jair Rodrigues. Dessa vez, a música ganhou uma charmosa direção vocal de Kéren-Hapuk.
Uma festa focada no mergulho cultural.
Outra novidade foi a primeira formação do grupo de "forró do tcc", mais um mergulho cultural e de aprendizado para lidar com um ritmo muito apreciado no Brasil todo. O forró, na verdade é um modelo de festa que contempla alguns ritmos nordestinos, senão todos, principalmente o baião, o xote e o chachado, são dos mais tocados.
Como não poderia deixar de ser, a QUADRILHA DO TCC, que foi uma bela atração envolvendo toda a festa numa dança divertida, coordenada pela nossa querida Jane Lacerda com a participação animadíssima da atriz bonequeira Tânia Arrabal. Foi um momento de alegria. Uma festa mais que linda, realizada num dos mais belos teatros independentes da cidade, o USINA 4. Espaço que está fazendo história na cidade.
Unidos, focados e responsáveis, o TCC fez bonito. Todos os participantes do grupo trabalharam sem parar e com um nobre objetivo, o de formar um capital coletivo para pagar a viagem para o Rio de Janeiro e fazer duas apresentações no teatro Carlos Werneck de Carvalho, a convite do projeto Bonecos no Parque, coordenado por Susanita Freire. O convite envolve uma logística complicada para um grupo novo e com 10 participantes, mas, graças ao talento para planejar e o espírito coletivo, o grupo venceu a primeira etapa desse processo, que era juntar dinheiro para fazer uma viagem e se apresentar.
A cada momento, cada dia, cada segundo, o grupo vem conquistando a cidade, por prestar um serviço relevante e voluntário para injetar energia artística e cuidar da sensibilidade de sua população. Jovens que descobriram, no OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, uma capacidade além do fazer teatral, organizar-se e otimizar seu talento, gerando ações que ajudem a construir uma sociedade harmonioso e justa. Foi assim que, desde 2014, o grupo invadiu as praças de Cabo Frio e fez diversos shows beneficentes, além de participar de mutirão de bairro e apresentação em teatros, escolas e circos. Agora, próxima parada, o teatro Carlos Werneck de Carvalho, no Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17 de julho.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Cabo Frio, a cultura como combustível.


Se pensarmos que Cabo Frio, como uma cidade de apenas 200 mil habitantes, é de ficar chocado com a vida cultural intensa. Estamos tão mergulhados no fazer artístico-cultural que sequer temos tempo de olhar para nós mesmos e perceber o que realmente está acontecendo e de como podemos usufruir deste combustível palpável que é a vida cultural da cidade.

Com uma vida cultural intensa, Cabo Frio conta com uma nova geração de curiosos e realizadores na arte cinematográfica
local. Um universo rico, fomentado, principalmente, pelo festival de cinema local que já está indo para sua décima edição.

Cabo Frio possui salas de cinema, centros culturais, academias de dança, música, corais e é uma das poucas cidades do Brasil que ainda mantém intacta a Folia de Reis. Existe hoje, em Cabo Frio um grupo forte de jongo, chamado Griot e ainda tem sazonalmente o jongo da TRIBAL que já foi muito forte e que ainda marca presença no cenário artístico da cidade. E agora começa a surgir o "Jongo de Cena"; são os artistas de teatro que querem abraçar, também, essa forma cultural que representa uma forte retomada na construção da autoestima dos moradores. 
Temos oito novos grupos de teatro amador que vieram somar com os grupos históricos da cidade. São grupos que ainda estão no começo, mas já dão o ar da graça, muitos se apresentam em escolas e passam o chapéu nas praças, e tem também os artistas independentes que estão fazendo história. Gente como o incrível palhaço Rufino, experiente e o músico "Homem Banda", Harley de Bragança, que se apresentam, também,  nas praças da cidade. No circuito dos bares da cidade, o Saldade e o Bar do Horto, completam uma riquíssima presença na vida noturna, mas também tem outros bares com uma vitalidade que dão aos músicos uma agenda de trabalho inconfundível.
Foram abertos quatro novos espaços culturais com infra estrutura simples mas forte dinâmica e muita injeção de arte. "O Usina 4" e o "Teatro Garagem" já existiam, mas agora estão funcionando a todo o vapor, oferecendo cursos, oficinas, vivências e agendando eventos de forma continuada. O espaço "Casa Ancorada" segue firme com sua proposta de ser o primeiro espaço criado pela nova geração de artistas da cidade. Aqui temos um curso livre de teatro público e gratuito; e 5 cursos livres, pagos; todos com estudantes matriculados, onde acontece oficinas de palhaçaria, circo e já se inaugurou até uma lona circense, o "Meu Vizinho Trapezista", que traz um diferencial para crianças, o que ainda estava faltando.
A vida cultural de Cabo Frio é impressionante para seu tamanho! 
Outra notícia incrível é a produção cinematográfica da cidade. Cabo Frio já realizou, somente em 2016, pelo menos 70 filmes curtas metragens e audiovisuais de qualidade e com artistas e realizadores locais. Só não vê quem não quer! Sementes disseminadas a partir do Festival de Cinema da cidade que já está indo para a décima edição, além do cineclubismo esporádico mas sempre presente, tendo como principal ação cineclubista, do momento, o Cine Mosquito, que é o mais antigo e duradouro cineclube da cidade, com 56 sessões realizadas. A universidade Veiga de Almeida, está injetando audiovisual de qualidade com um geração de jovens que estão fazendo filmes de referência, atualmente, na cidade. Um dos grandes talentos dessa nova safra de cineastas é a jovem Fernanda Rigon, que além de fazer seus filmes é colaboradora de diversas ações artísticas dentro da cidade.
E ainda nem detalhei a questão de patrimônios e museus, ações mais robustas e encabeçadas por uma ação mais oficial, envolvendo a municipalidade, o estado e a federação. Cabo Frio é, sem dúvida, palco de experimentação artística em feiras, saraus e eventos os mais diversos com ou sem fins lucrativos.
No circuito de saraus, temos o Sarau do TCC e o novíssimo sarau "Flores Literárias", organizado pela escritora Jaqueline Brum. O sarau "Clube do Poeta", criado pelo diretor de teatro Fabio de Freitas, com a co-fundação pelo poeta, já falecido, Seu Paulo. Atualmente, dois nomes que se destacam na poesia de Cabo Frio é André García e Miguel Lima, com suas verves apontadas para o social, mas também, buscando fortalecer o mundo literário local, como porta de entrada para a juventude criativa. No teatro de bonecos, cabo frio se mostra como uma das mais fortes tradições desta arte. Aqui temos o espaço Sorriso Feliz e o núcleo Tania Arrabal no espaço "Usina 4". E agora a cidade tem um mascareiro dedicado que está ampliando a relação com o teatro de máscara, Ivan Alves, que já estando o que falar, com seu talento e capacidade de conectar pessoas nesta forma tão antiga de teatro. Sem contar os núcleos de mímica que estão incubando mas já dão fortes frutos na cidade... Cabo Frio não tem limites... aqui "O CÉU NÃO É O LIMITE"!
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Empresários de Cabo Frio, acordem. Ajudem mais, participem mais, sejam otimistas e dividam com os artistas, professores e produtores locais a responsabilidade pela difusão cultural. Contribuam mais, a cidade precisa do apoio de vocês!

Jiddu Saldanha - Blogueiro.