sábado, 10 de fevereiro de 2018

A Mímica Tradicional Clássica, continua firme e viva!

Mímica tradicional clássica, emoldurada com palhaçaria e
música. Meus parceiros, Nathally Amariá e Harley em
um momento antes de inciarmos a função no SESC Piracicaba.
 FOTO: Gabi Tejada - 2018
A mostra "O Maravilhoso Mundo da Mímica", do SESC de piracicaba, não é apenas uma agenda que dá aos artistas envolvidos, a dignidade de ter um cachê e boa infra estrutura para trabalhar. Nesta mostra, o SESC se conecta com uma das melhores tradições do fazer artístico nacional, e oferece ao público, a possibilidade de ver o trabalho daqueles que, longe do glamour da mídia, estão por trás de grandes acontecimentos artísticos do país.

*
A mímica vem narrando sua história no Brasil desde a década de 50, quando Ricardo Baneira e Luis de Lima, cada qual na sua esfera, traçaram algumas bases que são seguidas até hoje, embora a juventude, em grande parte, desconheça a raiz histórica que pavimentou o caminho que fez desta arte, uma prática que hoje em dia, envolve centena, talvez milhares de artistas que descobrem, a cada dia, o valor que a mímica confere ao panorama artístico brasileiro.

Prezepio, personagem de "Por Detrás do Silêncio", muitas alegrias e
história pra contar. Foto: Gabi Tejada - SESC Piracicaba - 2018.
Quando me apresentei recentemente, no SESC de Piracicaba, o Iluminador, Guto, funcionário da casa, me contou ser genro do Ricardo Bandeira, um dos grandes mímicos brasileiros, pioneiro desta arte no Brasil. Bandeira foi um desbravador. Talvez, os mímicos brasileiros não se deem conta do quando devem a ele. Sua ousadia, de levar uma arte solitária, da forma mais solidária possível, foi um passo definitivo, para a construção da ecologia da mímica no Brasil. Guto me contou algumas histórias, de forma rápida, incrível é que, enquanto ele falava, minha memória refrescava e eu lembra que havia lido sobre algumas passagens da vida do grande mestre da mímica.  É incrível como tudo se completava e a informação ia se arredondando e tudo parecia fazer sentido. 
Meu único contato com Ricardo Bandeira foi através de um telefonema, em 1994, quando comecei a fazer um catálogo de mímicos, tive uma ótima conversa com ele, lembro que paguei uma conta telefônica bem alta e praticamente não tinha recursos para levar adiante a ideia deste catálogo que, apesar de tanto esforço, malogrou no meio do caminho. Mas deixou a marca de grandes amizades com praticantes desta arte como, por exemplo, a reaproximação com meu mestre Everton Ferre, e construção de uma teia de cumplicidade com os mímicos da minha geração e da geração anterior à minha. Eduardo Coutinho, Fernando Vieira, Lina do Carmo, Alberto Gaus e Vicentini Gomes, só para citar alguns.



No palco do SESC de Piracicaba, a mímica reconectada com sua tradição, através da mostra
"O Maravilhoso Mundo da Mímica". Foto: Gabi Tejada - 2018
A mostra que está sendo realizada no SESC de Piracicaba, durante este mês de fevereiro de 2018, tem forte valor simbólico para a arte da mímica. A curadoria foi feita pelo mímico de São José dos Campos, Carlos Alberto Javkin, que também viveu momentos incríveis e presencial com o mestre Ricardo Bandeira, dividindo com ele, uma vida dedicada à arte. Javkin recriou a linda forma de levar para uma instituição de peso, um pouco do esforço que é, praticar uma arte cheia de mistérios e quase invisível, no Brasil. 

Parabéns ao SESC de piracicaba, repetiu um feito só realizado pelo SESC consolação, em 1996. Uma mostra completa, de mímica, com direito a catálogo e informações sobre os praticantes desta arte.
Os mímicos estão aí, fortes e atuantes, o Brasil está na paisagem. A mímica é uma das mais antigas formas de arte teatral, na cultura humana. Uma forma quase primitiva de se expressar artisticamente. Apesar de tantas teorias, tantas técnicas, tantos discursos acadêmicos, o mímico ainda é aquela criatura que cutuca as pessoas de forma quase imperceptível em que  pese tantos ruídos da vida contemporâneo.
Hoje, sinto orgulho de ser Pantomimo Clássico, e pude sentir na plateia do SESC de Piracicaba, o quanto a juventude se fez presente e não perdeu a fé na nossa arte que se expressa através do gesto, do silêncio e dos sons larvários. Ser mímico, não é atingir milhões de pessoas com entretenimento, apenas, ser mímico é um sopro divino, no coração do público, que nos assiste em algum momento e, com ou sem agenda cheia, os mímicos brasileiros estão resistindo e seguem firmes no caminho.


(Jiddu Saldanha - Mímico e Blogueiro).

sábado, 6 de janeiro de 2018

Cia de Teatro Manual e Bando de Palhaços, juntos. Novidades para o início de ano.

Foto:Renato Mangolin
Quem estiver de passagem pelo Rio de Janeiro, fique de olho na agenda da Cia. de Teatro Manual, que vem arrancando aplausos pelo mundo, com seu repertório de peças. Como grupo inquieto, que não para de se reinventar, tá chegando ai, um novo espetáculo que, certamente, vai dar o que falar. E já estamos esperando que eles aportem aqui por Cabo Frio. 

Saiba mais sobre este novo espetáculo:

“A Menina e a Árvore”, primeiro espetáculo para infância e juventude da Cia de Teatro Manual em parceria com o Bando de Palhaços, estreia dia 06 de janeiro no SESC Tijuca e cumpre temporada até 04 de fevereiro, com sessão aos sábados e domingos sempre às 16h. A nova montagem, com dramaturgia e direção de Matheus Lima, segue a mesma linguagem cênica que consagrou o primeiro espetáculo do grupo, “Hominus Brasilis” (2014), e se passa em uma pequena plataforma de madeira retangular com 2 metros de largura por 1 metro de comprimento. Sem cenários ou adereços, os atores - Dio Cavalcanti, Helena Marques, Mariana Fausto e Tiago Quites - fazem uso do teatro físico, da pantomima, da palhaçaria e da sonoplastia vocal ao vivo para contar a encantadora história de uma menina que, cansada de brincar sempre em sua fazenda, decide um dia ir para além do riacho. Durante sua jornada, guiada por sua intuição e pelas pistas que a natureza oferece, encontra uma planta murcha, caída, mas com algo de especial. Daí em diante a menina mergulha em um mar de aventuras na tentativa de salvar a pequena grande árvore.  
Serviço

A Menina e a Árvore
Temporada: 06/01 a 04/02/2018
Local: SESC Tijuca (Teatro I)
Dia|hora: Sábados e Domingos, às 16h
Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539 - Tijuca
Valor: 10,00 (inteiro) / 5,00 (meia-entrada) / 2,50 (associado sesc)
Telefone: 3238-2139
Duração: 50 minutos
Capacidade: 228 lugares
Classificação: livre
Ficha Técnica:
A Menina e a Árvore
Idealização: Cia de Teatro Manual
Parceria: Bando de Palhaços
Dramaturgia e Direção: Matheus Lima
Direção Musical: Helena Marques
Elenco:
Dio Cavalcanti: irmão
Helena Marques: menina
Mariana Fausto: mãe
Tiago Quites: Avô
Colaboração Artística:  Ana Carolina Sauwen, Julio Adrião, Pablo Aguilar e Silvana Lima
Figurino: Camila Nhary
Assistente de figurino: Julia Faria
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Visagismo: Mona Magalhães 
Design Gráfico: Thaís Gallart 
Assessoria de imprensa: Lyvia Rodrigues \ Aquela que Divulga
Fotografia: Renato Mangolin
Direção de produção: Pagu Produções Culturais
Realização: SESC Rio

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Clube do Teatro III, provou mais uma vez que Cabo Frio ama teatro.

Juliana e Juliana - Foto: Marcos Souza
A experiência de viver o clube do teatro tem vários lados: o da platéia, dos artistas e dos realizadores. Não há palavra para descrever o quanto é fundamental proporcionar ao público, um pouco do fazer e do ser teatro. São muitas e muitas gerações aperfeiçoando o caminho, no entanto, agora temos uma plataforma que pretende ser permanente. Um espaço onde simplesmente se faz teatro, apenas isso.
O artista precisa mostrar seu produto, ter um momento para dizer ao público a que veio, por isso, é necessário criar, sempre, uma agenda onde cada um possa exibir e repetir seu trabalho. Tem sido assim, nos últimos 2 anos. 
Festivais novos e locais estão surgindo na cidade, além do próprio habito das escolas livres de teatro de Cabo Frio, construírem suas culminâncias artísticas. Uma prova de que a cada novo ano, a cidade vai firmando o pé no faze teatral, com uma pegada que vai garantir vida longa à cena local. É por isso que criamos o CLUBE DO TEATRO, FESTSOLOS, POESIA DE CENA e tantos outros produtos que ainda estão por vir. O palco é para todos e de todos, basta ter uma ideia na cabeça e coragem no coração.
No último "Clube do Teatro" de 2017, muitas energias se cruzaram no palco. Adolescentes ocuparam, com muito vigor, o espaço disponibilizado no USIN4, uma casa de artes que está dando o que falar na cidade, tanto pela sua beleza, com um belo jardim e um teatro muito charmoso, quanto pela sua acolhida, proporcionado pelos anfitriões da casa: José Facury e Tânea Arrabal. Foi realmente um evento importante e inesquecível e que nos deixou, a todos, esperançosos e cheios de fé na arte do ator, diretor, dramaturgo e tantos outros profissionais que permeiam o fazer teatral. Que venha 2018.

Fluxo de público e artistas, numa busca do fazer teatral de Cabo Frio - Foto: Marcos Souza.


Cenas escolhidas para o Clube do Teatro III - Edição teen.
Foto: Marcos Souza.
Foram 7 cenas e uma performance, escolhidas
pela curadora Nathally Amariá, pra fazer parte 
desta nova e tão significativa edição do clube
do teatro, versão teen.
Uma geração focada nos princípios do fazer
teatral que, aos poucos, vai se acostumando e se aclimatando com o palco.

APRESENTADOR
MATHEUS D'CASTRO

ATÉ O FIM
ATOR: MATHEUS LUAN

Concentração e cena - Foto: Marcos Souza
DIREÇÃO: LUCAS CEDRO

TEXTO: LUCAS CEDRO/POEMAS DE
KÉREN LINO
MINUTAGEM: 12 MINUTOS


BRANCA DE NEVE
ELENCO: BIANCA SANTOS, DOUGLAS MORAIS, 

GABRIELA QUINTANILHA, KAYLANE JANES, 

KAYLANE RODRIGUES E YURI QUINTANILHA
DIREÇÃO: IGOR QUINTANILHA
TEXTO: ADAPTAÇÃO LIVRE POR 
YASMIN FERREIRA
MINUTAGEM: 8 MINUTOS


ENCONTROS E DESPEDIDAS 
ELENCO: GEOVANA BARROS, LETICIA MUZER, 

"A arte é o caminho do coração". Foto - Marcos Souza.
MATHEUS LUAN, PEDRO VITOR E YAILA ROSA. 

TEXTO E DIREÇÃO: LUCAS CEDRO
MINUTAGEM: 10 MINUTOS


EU ERA
ATOR: HENRIQUE DE BRAGANÇA

DIREÇÃO: JEAN MONTEIRO 

TEXTO: HENRIQUE DE BRAGANÇA
MINUTAGEM: 3 MINUTOS


PERFORMANCE
POESIA RAP, COM: 

JULIANA VIANA


TUDO VAI FICAR BEM
ATRIZ: JULIANA AGUIAR 

DIREÇÃO: YURI QUINTANILHA

TEXTO: JULIANA AGUIAR
Encontro feliz entre público, artistas e realizadores.
Foto: Marcos Souza
MINUTAGEM: 8 MINUTOS

HOJE VOU BRINCAR DE SER FELIZ
ATRIZ: YASMIN QUINTANILHA
DIREÇÃO: YURI QUINTANILHA
TEXTO: PAULO SACALDASSY
DURAÇÃO: 8 MINUTOS
CLASSIFICAÇÃO: LIVRE

VOCÊ QUER BRINCAR COMIGO? 
ATOR: LUCAS CEDRO 

DIREÇÃO: IGOR QUINTANILHA 

TEXTO: LUCAS CEDRO 
MINUTAGEM: 10 MINUTOS



(Jiddu Saldanha - Blogueiro)


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Rodrigo Sena comenta sobre a culminância do OFICENA - 2017


Rodrigo Sena, diretor teatral e Dramaturgo - São Pedro da Aldeia

Foi com um sorriso no rosto que saí ontem do Charitas em Cabo Frio, onde assisti mais uma culminância do Oficena, curso dirigido pelos amigos Italo Luiz e Jiddu Saldanha, e dessa vez com seu corpo docente estendido pelos artistas Marcos Rogério, Nathally Amariá e Bruno Buzzacchi.
Um elenco bem jovem em "Tribobó City" com suas ótimas músicas e coreografias perfeitamente executadas. Um elenco bem grande, mas dirigido de uma forma que não deixou a desejar a nenhuma companhia mais experiente. 
A farsa de Moliere, "médico a força", representada pela turma adulta apresentou um grupo bem coeso e seguro.
E a leitura dramatizada de "Anjo Negro" apresentada pelo grupo de veteranos do Oficena, trouxe rostos já conhecidos da cena Cabofriense.
Saí pensando sobre o que eu tinha assistido e me lembrei que por outras vezes fui agraciado com espetáculos desse grupo que se renova a cada ano.
O pensamento que me veio foi de uma máxima que sempre se diz por aí: O teatro é vivo!
Percebo isso, cada vez mais, em todos os aspectos dessa arte que me encanta e me surpreende a cada dia.
seja nos processos, nas criações, no público ou mesmo na renovação artística.
E mais uma vez fui surpreendido pelo teatro que se renova. Por um elenco jovem que está iniciando seus passos no teatro e já consegue com tanta força e energia, trazer espetáculos divertidos e muito bem executado em sua completude.
O oficena já formou atores e atrizes que alçaram voo e hoje continuam em cena em suas próprias companhias ou em outras companhias já conhecidas da cidade e, pelo que assisti, acredito que esse movimento continuará e em breve estaremos vendo esses artistas descobrindo e aprimorando o 
fazer teatral.
Eu, como bom espectador, estarei lá conferindo e me divertindo com os trabalhos que estão por vir.
Parabéns atores-alunos, que já considero simplesmente atores e atrizes.
Parabéns aos professores, grandes artistas que se dedicam à continuidade da arte.
Parabéns, Oficena! 
Vida longa e próspera!

Momentos inesquecíveis - Foto: Jidduks
Elencos focados na cena - Foto: Jidduks

Na praça da Cidadania, foram dois dias de muita arte e contato com a população de Cabo Frio. Elenco afinado,
prontos para a estréia - Foto: Jidduks

Final da temporada, no Charitas, depois de duas apresentações na Praça da Cidadania. Presença dos alunos novos, veteranos e ex-alunos, numa foto histórica, tirada por Lorena Martins.



quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O Final de Semana mais teatral de Cabo Frio!

Cabo Frio viverá, neste final de semana, aquilo que é um sonho para a classe teatral local. Todos os equipamentos público e privado, voltados para teatro, vão ter programação para quem quiser levar os filhos para passear e investir na cultura local. Momento único da nossa história, ha mais de 10 anos que a Cidade não vive uma rotina assim. Apresentações paralela e público para todos. Com todos os matizes, gostos e possibilidades. Confira os Banners abaixo e vejam os espaços disponíveis para o FAZER TEATRAL.

Espaço USIN4



 Lona "Meu Vizinho Trapezista"



Teatro Quintal.


OFICENA - Curso Livre de Teatro do Teatro Municipal de Cabo Frio.







sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Matheus D'Castro apresentará o Clube do Teatro III - Mostra Teen.

Jovem dedicado ao teatro da região dos lagos, Matheus D'Castro, com 22 anos de idade, já passou, pelo menos, metade de sua vida, dedicando-se ao fazer teatral. Comunicador natural, artista focado na busca do profissionalismo como ator, foi convidado para apresentar o Clube do Teatro III - Mostra Teen, no dia 16 de dezembro. Vamos conhecer um pouco de sua história.

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Matheus faz Teatro desde os 12 anos. Em 2012 foi aluno de Dio Cavalcanti, na escola Atila Costa, em São Pedro da Aldeia. No ano seguinte, 2013, entrou para o OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio onde começou a entender o teatro como um possível ofício. "Entendi que teatro não é só decorar um texto e subir no palco, é muito mais que isso. É estudo, é dedicação, é choro, é dor, é raiva, mas passamos tudo isso para sentir o maravilho frio na barriga quando as cortinas se abrem".
Foi o OFICENA, segundo ele, que lhe deu várias oportunidades. Lá dentro, sob orientação do professor Italo Luiz Moreira, foi aprendiz de ator, contrarregra e até diretor.  Em 2014, viveu seu maior desafio teatral, fazer uma Gueixa. "Foi o papel que mais mexeu comigo. Pois além de decorar o texto, tive que estudar a cultura de outro país, conhecendo um pouquinho da cultura japonesa. Foi o maior presente que o OFICENA me deu". 
No OFICENA, participou de quase todo o repertório do curso, desde 2013: "O Auto da Compadecida" de Ariano Suassuna, "O Inspetor Geral" de Nikolai Gogol e "O Navio Negreiro" de Castro Alves, neste último, foi um dos diretores da cena, em 2016, numa proposta de autonomia dos alunos, coordenado por Jiddu Saldanah e Yuri Vasconcellos.
Em 2014, afastou-se do OFICENA para trabalhar com Nelson Yabeta na peça "Acorda Alice". Sentiu-se feliz por conhecer um diretor que mexe na sua zona de conforto literalmente. Um diretor que "viaja" e faz o artista viajar junto de um modo super incrível, proporcionando experiências inesquecíveis.
Retornando ao OFICENA, Matheus frequentou, esporadicamente o NUDRA - Núcleo Livre de Dramaturgia e em 2017, foi surpreendido com o prêmio de melhor texto original, no festival do SATED - RJ, no teatro Átila Costa, de São Pedro da Aldeia. A partir deste incentivo, passou a estudar mais a fundo, também, a arte da dramaturgia.
No entanto, se perguntarem o que ele mais gosta de fazer, em teatro, ele responde apaixonadamente que é o Teatro Musical, ao qual pretende se dedicar de corpo e alma durante o trajeto de sua carreira pelo mundo artístico. No dia 10 de dezembro, Matheus fará a leitura dramatizada "Anjo Negro" segundo ato da peça de Nelson Rodrigues, para coroar seu ano com chave de ouro.
Atualmente, prepara o projeto de uma web-série, algo que Matheus guarda a sete chaves mas já garante que a surpresa virá em 2018. 

Perguntado pelo TEATRO POSSÍVEL sobre o que a arte de atuar significa em sua vida, ele respondeu com segurança:

“Teatro pra mim é a arte do tocar, do sentir, do viver, de se entregar. Hoje eu tenho certeza absoluta que eu não sei fazer outra coisa na vida que não seja atuar. É disso que eu quero viver, e é isso que me faz viver.”


domingo, 19 de novembro de 2017

CRÍTICA : Uma peça infantil que os adultos gostam.

Com uma boa campanha publicitária e performances inesquecíveis,
a peça "Era uma vez... um circo", surpreendeu e agradou!
A peça "Era uma vez... um circo" foi um feliz achado, garimpada na agenda artística de Cabo Frio, este final de semana (18 e 19 de novembro). Com lotação garantida nas sessões planejadas, o grupo, de ultima hora, precisou fazer sessão extra para atender à demanda da procura por ingresso. Uma estreia feliz mas que deixou claro, para o público, o cuidadoso trabalho do elenco, da direção e da equipe envolvida.
O Elenco demonstrou coesão em cena, com dicção apreciável do começo ao fim, foi possível ouvir claramente as histórias contadas. Cada fala corroborou para uma dramaturgia riquíssima e com grandes sacadas de humor. Disposição física, tempo preciso na hora das movimentações corporais, um ritmo frenético, do começo ao fim. Rafaela Solano, sendo a mais experiente do grupo, fez jus à fama de boa atriz. Conduziu o eixo de energia do espetáculo, impondo a qualidade, tanto no impacto de sua voz potente e bem equalizada além de uma elaboração fina de seu personagem.
O rigor, característico nos trabalhos de Rodrigo Sena, diretor da peça, ficou bem claro, ao conduzir o elenco para movimentações criativas que se tornaram confortáveis aos olhos do público. Tornando  a peça, um jogo estético, gostoso de ver do começo ao fim. Não foram poucas as gargalhadas no público de maioria adulto, que, durante uma hora, voltou a ser criança. Havia, diga-se de passagem, sim, algumas crianças na platéia que interagiram muito bem com o espetáculo, confirmando o valor da linguagem.
Visualmente, a peça apresentou, claro, além de elenco bonito, bem maquiado, um figurino primoroso, desenhado por Cesar Valentin. Outro destaque foi o uso de máscaras muito bem construídas e, a surpresa de vê-las pintadas em tons alegres. Algumas máscaras, senão todas, tinham o traçado das famosas máscaras difundidas pelo grupo Moitará, do Rio de Janeiro, porém, a novidade é que as pinturas ousadas deram um tom leve e aproximaram uma linguagem tida como "complexa", de total alcance do público infantil, substituindo o hermetismo por poesia. Destaque para a máscara do "peixe" utilizada pela atriz Raissa Mayo.
A cenografia demonstrou ser, acima de tudo, utilitária, tendo a função de "tapadeira" e se desdobrando em mala de circo. A praticidade e o jogo de cores com um belo letreiro, mostrava quase que num estilo "Joãozinho Trinta" a "pobreza" do circo, mas o luxo poético, necessário para a narrativa do espetáculo. Ponto para Celso Guimarães que, além de ator na peça, concebeu e criou e executou o cenário, assumindo, pela primeira vez, a assinatura de algo tão importante para um espetáculo.
Voltando ao elenco, é importante frisar as características heterogêneas dos artistas em cena, quase todos de escolas diferentes e genuinamente formados pelos diretores e professores atuantes na região. Celso Guimarães, Nadir Pires, Alexya Fernandes e Raíssa Mayo se completavam em cena, conduzidos pela força energética de Rafaela Solano. Ao final, o cansaço do elenco valeu a pena. Uma peça com ritmo e muita diversão do começo ao fim.

Jiddu Saldanha - Blogueiro

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Sobre a Campanha de divulgação da peça, nas redes sociais.

Pela primeira vez, faço questão de incluir, nesta crítica, a campanha publicitária do grupo, nas redes sociais. Banners muito bem bolados e videos de chamada com os participantes do elenco, colaborando. O trabalho do coletivo para chegar ao objetivo principal, levar o público até o teatro, foi determinante para o sucesso do trabalho. Uma prova de que, mesmo com  pouco dinheiro, mas com a boa vontade e foco, de todos, uma peça pode trazer o público sim, e foi isso que deu para notar, no trabalho deste belo elenco. Boa sorte e sucesso para todos.