terça-feira, 24 de junho de 2014

Creche na Coxia monta novo espetáculo que discute a condição do ator.

(foto: Mariana Ricci) / Da esquerda pra direita - Pedro Brandoff, Ivan Alves, Débora Diniz, Silvana Lima, Marcelas Rimes, Ravi Arrabal,Rodrigo Rodrigues e Júlia Lima. Jovens artistas buscando a excelência da cena no espetáculo "Ilíada". 
De uns tempos pra cá, o bochicho no meio teatral local, deixa escapar uma coisa ou outra sobre o espetáculo "Ilíada", mas "ninguém sabe quem falou", "quem disse o quê", "quando vai ser". Outro dia fiz uma cena de ciúmes muito feia com uma atriz do elenco; ignorei-a por quase 10 minutos, mas aí não aguentei, me aproximei, bem falso, e disse logo na lata... "e aí, fia, e o ensaio de Ilíada, desembucha.. logo"? Ela simplesmente abriu um sorriso de felicidade, como que a dizer, "está ótimo, estamos muito felizes e dando duro pra fazer teatro de qualidade". Achei o comentário "desaforado", fui logo procurar a Silvana Lima e me convidei para assistir o ensaio. Silvana, marcou a data e lá estive, domingo passado, dia 22, no Espaço Garagem e me deslumbrei.
O espetáculo "Ilíada", é revisitado por Silvana Lima, que imprime seu olhar dramatúrgico na adaptação do famoso poema épico, supostamente escrito por Homero, um poeta grego que teria vivido na antiguidade clássica, por volta do século 08 a.c.; neste caso, o texto mergulha no mito da guerra de tróia, mas a tecedura do texto tem a marca inconfundível de Silvana, experiente escritora, com diversas peças teatrais escritas e encenadas.
O espetáculo mais aguardado de 2014, com previsão de estréia para Julho, no teatro municipal de Cabo Frio, a julgar pelo ensaio que vi, tem grandes possibilidades de emplacar. Infelizmente, ainda não posso "dar com a língua nos dentes", em função do momento delicado em que a montagem se encontra: definição de algumas marcas, treinamento constante de elenco, etc... O que causou espanto, foi ver que ha um mês da estréia, o grupo já está, praticamente fazendo ensaio geral, quer dizer, que, quando o espetáculo estrear, os atores estarão completamente adaptados à complexa marcação e movimentação cênica e com o texto na ponta da língua.
O que me encantou durante o ensaio é a alegria dos atores, de estar em cena (entenda alegria como concentração e empenho). O trabalho está chegando lá, com ótimas partituras corporais, algumas surpreendentes. Pronto! Não falo mais, quem quiser saber vai ter que ver ao vivo.

Veja que interessante esse vídeo feito pelo próprio grupo!


"Não são poucos os momentos de crise e reconstrução que um grupo de teatro passa, mas observando o trabalho do grupo Creche na Coxia, aprendo sempre que para se conquistar um espaço almejado por muitos é preciso andar com as próprias pernas, dando um pequeno passo de cada vez. Nessa caminhada existe tempestades mas há a clareira e a suavidade dos grandes rios".

Contribuições do grupo Creche na Coxia para o teatro de Cabo Frio.

O grupo mais antigo, em atividade na cidade, é de 1979 e chamava-se Ziembinsky, em homenagem a um grande mestre do teatro, nascido na Polônia e que foi um dos reformadores do teatro brasileiro. José Facury, que também faz parte do grupo, fez um relato histórico no capítulo 06 do ensaio ""Cabo Frio - Um Século em Cena", . O ensaio está publicado neste blog, na íntegra (CLIQUE AQUI PARA LER O ENSAIO COMPLETO); mas foi a partir do final dos anos 80 que o grupo passou a ter o nome de CRECHE NA COXIA, resultado dos casamentos entre os artistas, que foram tendo filhos e continuando com a atividade artística; na medida que os bebês nasciam, acabavam sendo levados para os teatros onde eram amamentados e cuidados.
30 anos depois, o grupo segue a todo o vapor e espalha seu legado; um deles é abrir caminho para a profissionalização do teatro local, outro é o investimento em espaço próprio para manter firme a ligação com o teatro e buscar, cada vez mais, a sustentabilidade pois, aqueles bebês antes embalados para que o público não ouvisse o choro durante os espetáculos, hoje tem formação universitária na área humana com foco no teatro, comunicação, música, etc... 
Outro legado importante do grupo, é a capacidade de despertar e consolidar talentos locais; um exemplo disso é a atriz Vivi Medina, que, além de versátil e dedicada, ampliou sua qualidade artística desde que passou a fazer parte das recentes montagens do grupo. Quando conversei com o ator Rodrigo Rodrigues, sobre seu convite para trabalhar em "Iliada", ele não economizou elogios, "trabalhar para o Creche na Coxia, é como fazer um curso completo de teatro, lá a gente lê, estuda e aprende novas linguagens com quem sabe fazer. Ao dizer isso, Rodrigo se refere ha uma prática de oferecer oficinas sobre as diversas habilidades exigidas num espetáculo, ou seja, o ator, leva seu talento para o grupo, mas traz uma bagagem ampliada de conhecimentos e amplia seu repertório pessoal de técnicas e possibilidades para sua carreira. 
O que mais me encanta no grupo é sua linguagem atual, que busca fundamento nas técnicas modernas de teatro, onde a mímica é muito respeitada, o grupo, cada vez mais, distribui a linguagem do texto falado em complexas e poéticas partituras corporais, possibilitadas pela percepção de que o Brasil teatral de hoje, mescla uma dramaturgia tradicional com uma riquíssima e revolucionária linguagem do corpo e da música.



Encontrei no youtube este documentário sobre TRÓIA, a cidade
sitiada pelos gregos, na famosa "Guerra de Tróia", que é o tema 
central do poema épico "Iliada".



Alunos do OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio 
fazem seus depoimentos depois de assistirem ao ensaio geral de "A Ilíada", confira aqui.

Um encontro histórico marca algumas gerações do teatro de Cabo Frio, juntas numa mesma fotografia, contribuição para
a consolidação de laços de união e trabalho pelo TEATRO DA NOSSA CIDADE.



Gabriel Rodrigues -  Turma da noite, 18 anos - Frequenta o NUDRA - Núcleo de Dramaturgia do OFICENA.

"Considero um movimento artístico incrível quando é tão emocionante e intenso que me faz pensar no que foi apresentado, quando o que senti foi tão intenso que preciso produzir sobre. Foi assim sobre A Ilíada, de uma forma geral é um espetáculo impecável, as palavras gritam e a subjetividade em outros momentos nos leva em uma viagem deliciosa, em que cada cena é extremamente prazerosa para a plateia. A magia cênica de transformar objetos simples em coisas tão grandiosas, as fotografias, as musicas fluem com tanta naturalidade e harmonia na cena que domina o espaço e chega ao publico como algo hipnotizante, na realidade acho que talvez esta palavra descreva bem meu estado, senti-me hipnotizado pelas cenas, pela simplicidade e generosidade de cada ator em cena, pela forma como o grupo nos convida a embarcar nessa história. Não tenho muitas palavras para descrever o que senti, só gostaria de agradecer a oportunidade desta primeira experiência e de desejar muita merda nesse espetáculo incrível".

*

Mayra Rodriguez - turma da tarde, 15 anos. Frequenta o NUDRA, núcleo de dramaturgia do OFICENA.


"Ainda estou procurando palavras para tecê - las aqui. Foi tudo tão apaixonante, surpreendente e inesquecível.

As sensações que iam me envolvendo conforme a história se desenvolvia, iam do pavor ao amor, sem perder o tesão pela incrível montagem. O ritmo ia embalando uma conexão entre os atores e o público, deixando todos cada vez mais apaixonados pela arte de atuar. Desde o início o som do bumbo e as vozes já me deixaram totalmente envolta e interessada, os corpos iam se movimentando pelos andaimes, e a música fazia minha alma vibrar de emoção. E quando menos se esperava surgiu Tietes com seu vestido formando ondas, os corpos vivos e inteiros em cena, atores que emprestavam seu corpo e alma por inteiro a cada personagem que ia surgindo, e eu ia me perdendo em cada montagem, em cada movimento, canção, sentindo o pulsar e a paixão pela arte. Estava tão concentrada, que me pegava com os olhos cheios de lágrimas e o corpo arrepiado. Sai dali aquela noite com mais desejo e paixão pela arte, tendo mais certeza que é disso que quero viver. Foi uma explosão de sensações. Para resumir tudo que vi, repito as palavras que um dia ouvi do meu professor: antes ARTE do que nunca. Parabéns pelo trabalho".


*

Celso Guimarães Jr. - Turma da Noite 22 anos - Frequenta o NUDRA, núcleo de dramaturgia e o NUMA, núcleo de maquiagem e adereço do OFICENA

Me senti confortável apesar de estar sendo “massa-de-manobra”, foi uma grande miscelânea de sentimentos e emoções, meu corpo e mente viajavam vendo objetos sem forma e invisíveis ganhando vida através do suor e vontade de cada ator. A entrega era percebida em cada respiração, fui conduzido, modelado, criado, destruído e recriado por aquele espetáculo, “sem pela saquismo”  nunca vi algo igual. A construção dos textos corporais, fotografias, emoções em harmonia com a música e o corpo de todos os atores em sintonia, me fez chorar , rir, ficar apreensivo, sem respirar,  fui conduzido pelos componentes dessa produção para aquela época àquela situação, assisti sem conseguir piscar, sem perder o foco. A surpresas de cada cena me deixaram muito feliz e ansioso pela estreia  e espero realmente conseguir ver aquelas cenas sobre um palco com mais um ator em cena, a luz. Só posso me sentir agradecido por ter sido contemplado por esse espetáculo.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

10 Anos depois, o professor e diretor Italo, tira da gaveta seu texto "Movimentos".

Fiel a suas raízes artísticas e esteticas, Italo é desses mestres que ensina tudo o que sabe, vibra com a paixão dos alunos, mas não passa a mão na cabeça de ninguém. Sua aula é rigorosa e busca sempre a excelência.

Alunos e público atento, Italo conversa sobre seu processo criativo na dramaturgia e oferece uma noite de leitura dramática com rigor, e foco na concentração dos atores.

Dia 02 de junho  os alunos do OFICENA e o público convidado, tiveram uma feliz e grata surpresa; presenciaram a leitura dramática de um dos textos mais emblemáticos do professor e diretor de teatro Italo Luiz Moreira. A peça "Movimentos" contou com a presença de Gustavo Vieira, Claudia Mury e Danieli Gome. De cara, deu pra perceber a qualidade da leitura. Os atores, integrados, concentrados e muito a vontade no palco, mostraram um rendimento acima do esperado. O resultado foi o impacto da leitura, o texto ficou claro e o impacto da história foi na víscera do público, que terminou a noite, completamente energizado, alimentando com o entusiasmo o debate que veio logo a seguir.
O projeto de mostrar o trabalho para o OFICENA faz parte de um conceito pedagógico que chamamos de Aula Prêmio, onde, desloca-se o foco da aula para uma vivência diferenciada, já que temos uma rotina de estudos. Esse deslocamento de foco, para ampliar a visão dos alunos, já foi feito com vários nomes do teatro local e também do Rio de Janeiro. 
Em 2013, o conceito de Aula Prêmio inaugurou com uma palestra de Yuri Vasconcellos e Pablo Alvarez. Eles discorreram sobre produção, detalhes de como fazer um evento artístico dar certo; depois, tivemos a magistral aula do cenógrafo e diretor de teatro (hoje secretário de cultura) José Facury, que nos deu uma aula singular, sobre a composição de personagem a partir dos animais do horóscopo chinês. Uma aula rica em técnica e com uma abordagem que deixou os alunos "plugados" na proposta. Posteriormente, tivemos uma aula prêmio com o professor  Sergio Telles, do Rio de Janeiro, que nos brindou com uma vivência sobre cenografia, a aula foi rica em conteúdo e cheia de curiosidades no entorno da construção de cenário para peças de teatro.

Danieli Gomes, Claudia Mury e Gustavo Vieira, leitura concentrada e focada na qualidade do texto, sem perder a individualidade de cada interpretação, prenúncio da montagem de "Movimentos", ainda para este ano.
Em 2014, nossas aulas prêmios foram se diversificando Um ano depois de muita atividade, os alunos do OFICENA estão amadurecendo, oferecem uma estrutura psicológica para os novos alunos e ao mesmo tempo, começam a dar voos necessários, na busca da definição de um trabalho voltado para a construção de uma psicologia vivencial de um teatro que começa a gerar frutos, dentro da cidade.
Desde a primeira aula prêmio, quando ainda estávamos engatinhando no que sonhávamos para o OFICENA, até a leitura dramática da peça "Movimentos", passaram-se um ano e meio, e nesse período, o nascimento de um curso livre, ajudou também a construir a figura do diretor professor, com uma visão que engloba o aprender e o fazer teatro, mas também o inspirar, o vislumbre, como costuma dizer nosso mestre Italo Luiz Moreira, "UMA POSSIBILIDADE".

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Autonomia. Um sopro de esperança no teatro local.

Ator da nova geração, Paulo Motta, surpreendeu como ator
e hoje é um dos instrutores do curso Ensina Encena.
Para que o teatro em nossa região não fique refém dos ventos instáveis da política, só existe um caminho: a AUTONOMIA e, acredito que essa seja uma "briga" de toda a nossa região. Nossos teatros estão mudando de perfil; o público, que antes não comparecia, agora está começando a reclamar seus direitos. E os artistas (de teatro), que antes estavam "escondidos" em seus "feudos", agora estão começando a correr na direção do que lhes pertence, talvez, facilitado por um momento histórico que, se não ajuda (pela tradicional falta de recursos), pelo menos não atrapalha, o que já é um grande avanço.
Desde que o OFICENA surgiu, na paisagem artística de Cabo Frio, o curso agregou jovens numa quantidade nunca antes esperada, uma fúria juvenil vinda de todos os cantos de Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Arraial do Cabo, compareceram para exercer um direito intransferível, o de acessar os conhecimento da arte teatral, orientada por alguns artistas da cidade. Em um ano, o curso teve que absorver uma demanda enorme de pessoas, (mais de 200 alunos já passaram por lá) criar dois horários para atender faixas de idade diferentes e lidar com uma lista de espera que só faz crescer.
Para atender a essa demanda, os gestores culturais da cidade, liderados pelo secretário de Cultura José Facury, se mobilizaram para retomar com urgência, as atividades do teatro. O resultado foi, casa lotada todos os finais de semana e uma demanda de eventos para azeitar a prática da arte de ator em Cabo Frio, atraindo companhias de outras regiões e inspirando cidades vizinhas a criarem seus próprios cursos.  Mas isso tudo está criando uma demanda que está redirecionando a prática do teatro. Como vamos lidar com tudo isso?
O Surgimento do FestSolos como forma de proporcionar um evento que congregue os novos e os velhos artistas da cidade, foi uma das soluções, mas o caminho aponta para atividades já realizadas com grande sucesso no teatro, como o aparecimento da Caiçara Artes, com uma proposta de produção colegiada, inspirada na relação direta com o público, cirando o conceito de ENTRADA MAIS QUE FRANCA, que proporcionou grande sucesso na união dos artistas que se reuniram para fazer as três cenas curtas mais premiadas em festivais. "3 X TEATRO" foi um evento de grande inspiração, cujo modelo foi copiado pelo FestSolos e impulsionou a cena local.

Sensível e criativo, o ator Gustavo Vieira surpreendeu a todos e está com a agenda cheia. Trabalha para o grupo Andança, de Italo Luis Moreira, é um dos fundadores do Entrepalcos e ainda achou tempo para participar
da primeira montagem do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, com o texto "A Contradição de uma Alma" da jovem dramaturga, Camille Miranda.
Dentro da estrutura do OFICENA, vários artistas explodiram para fora do processo buscando rapidamente sua própria forma de se mover, um exemplo é a formação da Cia. Entrepalcos, que, pelo jeito, vejo mesmo pra ficar, são jovens destemidos que já estavam impregnados de um sentimento de iniciativa que,  pudemos ver na histórica peça "O Auto da Compadecida" que estreou como um trabalho da "Incubadora da Cena", do curso de teatro e que logo fez duas apresentações já por iniciativa do próprio elenco hoje, a própria Cia. 
Com artistas de Cabo Frio e São Pedro da Aldeia, o Entre Palcos foi um feliz acontecimento recente na busca da autonomia do teatro da nossa região, com o elenco saído da salas de estudos do OFICENA, o grupo se prepara para dar vôos mais altos.
Daniela Barbosa é uma explosão de
talentos, versatilidade na arte da mímica,
palhaçaria, atriz e dramaturga, é uma
das grandes promessas despertada
nas aulas do OFICENA.
Outro exemplo é o "TCC - Teatro Cabofriense de Comédia", que pretende trabalhar um conceito de grupo, valorizando  os trabalhos gestados por jovens dramaturgos do NUDRA (Núcleo de dramaturgia do OFICENA), buscando levar para a experimentação como prática de grupo amador, onde jovens se reunirão apenas para praticar o exercício do fazer teatral, ampliando a relação e o aprofundamento dessa prática.
No mais, temos os cursos particulares da cidade a todo vapor, a "LD" que já está completando quase dois anos com seu curso de teatro, atendendo à clientela de crianças, adolescentes e jovens, além de sua já experiente prática artística independente, buscando um modelo humanizador de fazer teatro com recursos e parcerias feitos com a iniciativa privada e editais públicos.
Já o Ensina Encena, completa 5 anos de atividade, sendo que sua famosa "Mostra D" está na quarta edição e está de vento em popa, num fazer teatral que traz, agregado, o singular trabalho da TAT (trupe andarilhos de teatro) que está fazendo um sucesso retumbante nos festivais de cenas curtas pelo Brasil, pelo genial trabalho "Cenas de Sangue", que traz no elenco, jovens formados pelo curso Ensina Encena, além de seu próprio diretor e também ator, Fabio Carvalho de Freitas.


Débora Diniz e Ivan Alves, são nomes recentes do teatro Cabofriense quem vêm se afirmando cada vez mais junto ao
grupo Creche na Coxia. A nova geração, buscando a excelência artística sem deixar de fazer teatro local.

Dentro dos grupos teatrais locais, não podemos deixar de citar o grupo Creche na Coxia, que está inovando mais uma vez. Além de investir numa nova linguagem teatral, buscando um flerte mais frontal com o teatro físico, atualmente, tem se dedicado à tarefa de despertar e aprofundar novos talentos locais. O grupo conseguiu reunir jovens talentosos num mesmo lugar e quase todos, com formação universitária em diversas áreas. Dio Cavalcanti na música, Matheus Lima, com um mergulho aprofundado na arte da mímica (teatro físico), além de formação completa na UNIRIO e Júlia Lima, que estudou Produção Cultural na UFF e dedica-se a atividades ligadas a circo. Mas não há dúvida que uma forte contribuição do grupo Creche na Coxia é ter ajudado a lançar no mercado local a jovem atriz Débora Diniz e o ator, músico e compositor, Ivan Alves. Dois nomes que ainda vão dar muito que falar no teatro e, pelo que se pode perceber, pretendem dedicar-se ao ofício.

domingo, 1 de junho de 2014

FestSolos, aconteceu e veio pra ficar.

Surgida do OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, a atriz
Kéren-Hapuk,  com sua personagem, a  palhaça Androgina Cianureta,
revelou  seu talento como apresentadora do FestSolos - 2014.
Desde 2013 estamos assistindo um renascimento do teatro de Cabo Frio, não que este estivesse morrido, longe disso, o teatro local sempre respirou, através de seus grupos mais históricos, entretanto, a falta de política pública para o teatro, deixou a cidade vivendo de seu próprio repertório, sem despertar para novas possibilidades. Isso não foi de todo ruim, mas a vida segue e precisamos abrir espaço para que novas gerações se apropriem do teatro local e o conduzam aos rumos necessários, condizentes com uma sociedade livre. Tem sido assim desde que o mundo é mundo e, nesse sentido, Cabo Frio não é diferente.
Precisamos pensar e viver um teatro que vá além da competição e premiação. É preciso que os novos artistas encarem a oportunidade como um prêmio em si e, dentro disso, se sintam motivados para criar sua linguagem, pesquisar sua estética sem uma banca examinadora dizendo o que é e o que não é bom.
Aparte isso, entendemos que os festivais de teatro, competitivos ou não, ajudam, e muito, a construir um universo favorável ao artista, e, dessa forma, o FestSolos, veio para contribuir, e contribuiu. 

Quebrando um Jejum de 10 anos, diretores emblemáticos do Teatro Local, junto com atores, e atrizes da nova geração
encontraram-se numa mesa redonda, para falar de teatro, para uma platéia jovem e interessada.
Foram mais de 40 artistas envolvidos entre mostra profissional, mostra livre, debate e oficina. Um evento nada tímido, que congregou um fazer artístico independente onde, as novas gerações, aliadas aos mais velhos, estão aprendendo e reaprendendo a fazer tudo. Encontrar um ponto comum entre o desejo de se mostrar para um público, com a necessidade de produzir e apontar caminhos, foi o que fez do FestSolos, mais uma possibilidade de definição de uma nova era do teatro de Cabo Frio.

O Voluntariado foi de grande ajuda para a realização deste evento.


Voluntariado presente e dedicado, fez toda a
diferença.
A presença maciça de jovens ligados ao OFICENA - Curso livre de Teatro de Cabo Frio, foi decisiva para tornar o FestSolos viável. Graças ao apoio da equipe do FESC, o festival mais antigo de Cabo Frio, com 10 anos de continuidade ininterruptas arrancamos a capacidade necessária para fazer com que este evento tivesse seu nascimento, cumprindo algumas normas importantes para a realização de um evento desta natureza. Sem dúvida que a participação da Caiçara Arts, definiu os parâmetros de produção que estávamos precisando para este pontapé inicial. Agora, é colocar a mão na massa e começar a pensar o FestSolos 2015 e com ele, continuar disparando um processo de fomento nas artes locais, formatando novas oportunidades dentro de modelos não competitivos de abordagem em encontros de teatro.
No mais, fica aqui nossos mais sinceros agradecimentos a todos os que apostaram nesse novo formato de evento teatral para a cidade e que, de alguma forma, mesmo não estando presenta, vibraram a favor, fazendo com que o fluxo dos acontecimentos na vida teatral de Cabo Frio, tenha ganhado mais um capítulo na possibilidade ampliar novos acontecimentos que amparem as novas gerações de artistas da cena.