TEATRO PARA DANÇAR

domingo, 19 de novembro de 2017

CRÍTICA : Uma peça infantil que os adultos gostam.

Com uma boa campanha publicitária e performances inesquecíveis,
a peça "Era uma vez... um circo", surpreendeu e agradou!
A peça "Era uma vez... um circo" foi um feliz achado, garimpada na agenda artística de Cabo Frio, este final de semana (18 e 19 de novembro). Com lotação garantida nas sessões planejadas, o grupo, de ultima hora, precisou fazer sessão extra para atender à demanda da procura por ingresso. Uma estreia feliz mas que deixou claro, para o público, o cuidadoso trabalho do elenco, da direção e da equipe envolvida.
O Elenco demonstrou coesão em cena, com dicção apreciável do começo ao fim, foi possível ouvir claramente as histórias contadas. Cada fala corroborou para uma dramaturgia riquíssima e com grandes sacadas de humor. Disposição física, tempo preciso na hora das movimentações corporais, um ritmo frenético, do começo ao fim. Rafaela Solano, sendo a mais experiente do grupo, fez jus à fama de boa atriz. Conduziu o eixo de energia do espetáculo, impondo a qualidade, tanto no impacto de sua voz potente e bem equalizada além de uma elaboração fina de seu personagem.
O rigor, característico nos trabalhos de Rodrigo Sena, diretor da peça, ficou bem claro, ao conduzir o elenco para movimentações criativas que se tornaram confortáveis aos olhos do público. Tornando  a peça, um jogo estético, gostoso de ver do começo ao fim. Não foram poucas as gargalhadas no público de maioria adulto, que, durante uma hora, voltou a ser criança. Havia, diga-se de passagem, sim, algumas crianças na platéia que interagiram muito bem com o espetáculo, confirmando o valor da linguagem.
Visualmente, a peça apresentou, claro, além de elenco bonito, bem maquiado, um figurino primoroso, desenhado por Cesar Valentin. Outro destaque foi o uso de máscaras muito bem construídas e, a surpresa de vê-las pintadas em tons alegres. Algumas máscaras, senão todas, tinham o traçado das famosas máscaras difundidas pelo grupo Moitará, do Rio de Janeiro, porém, a novidade é que as pinturas ousadas deram um tom leve e aproximaram uma linguagem tida como "complexa", de total alcance do público infantil, substituindo o hermetismo por poesia. Destaque para a máscara do "peixe" utilizada pela atriz Raissa Mayo.
A cenografia demonstrou ser, acima de tudo, utilitária, tendo a função de "tapadeira" e se desdobrando em mala de circo. A praticidade e o jogo de cores com um belo letreiro, mostrava quase que num estilo "Joãozinho Trinta" a "pobreza" do circo, mas o luxo poético, necessário para a narrativa do espetáculo. Ponto para Celso Guimarães que, além de ator na peça, concebeu e criou e executou o cenário, assumindo, pela primeira vez, a assinatura de algo tão importante para um espetáculo.
Voltando ao elenco, é importante frisar as características heterogêneas dos artistas em cena, quase todos de escolas diferentes e genuinamente formados pelos diretores e professores atuantes na região. Celso Guimarães, Nadir Pires, Alexya Fernandes e Raíssa Mayo se completavam em cena, conduzidos pela força energética de Rafaela Solano. Ao final, o cansaço do elenco valeu a pena. Uma peça com ritmo e muita diversão do começo ao fim.

Jiddu Saldanha - Blogueiro

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Sobre a Campanha de divulgação da peça, nas redes sociais.

Pela primeira vez, faço questão de incluir, nesta crítica, a campanha publicitária do grupo, nas redes sociais. Banners muito bem bolados e videos de chamada com os participantes do elenco, colaborando. O trabalho do coletivo para chegar ao objetivo principal, levar o público até o teatro, foi determinante para o sucesso do trabalho. Uma prova de que, mesmo com  pouco dinheiro, mas com a boa vontade e foco, de todos, uma peça pode trazer o público sim, e foi isso que deu para notar, no trabalho deste belo elenco. Boa sorte e sucesso para todos.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Rodrigo Sena traz um time de artistas incríveis para estreia no Teatro Quintal.

Artistas oriundos de diversas ecologias, todos amadurecidos pela luta do fazer teatral em nossa região, agora, reunidos num único espetáculo, com Rodrigo Sena, um diretor que tem a marca de seu próprio jeito de contar histórias. É o resultado de muita pesquisa e ensaios, que faz dele, um diretor inquieto. Com certeza, vamos poder assistir uma nova geração de artistas contracenando ao lado de quem já faz teatro a muito tempo, como, por exemplo, Rafaela Solano, com quem Rodrigo já trabalhou outras vezes. 
Para a região, esta construção coletiva e importante e faz toda a diferença, pois, vai fazer o teatro crescer com encontros que precisam acontecer no plano simbólico e prático, garantindo, assim, a continuidade e a prática de se buscar o palco de forma profissional.
O que mais chama atenção no elenco de Rodrigo Sena é o fato de conseguir juntar pessoas com experiência desenvolvida a partir da retomada da ação teatral diversificada na cidade, e também por serem jovens que estão ajudando a construir a cadeia produtiva do teatro local; logo, juntar um elenco que já trabalhou com, praticamente, todos os diretores históricos da cidade de Cabo Frio e São Pedro da Aldeia, como Nelson Yabêta, Marcelo Tosta, Silvana Lima, José Facury, Dio Cavalcanti, Italo Luiz Moreira, Cesar Valentin, Vivi Medina, entre outros, é uma tarefa que contribui para a construção de possibilidades outras e que resultarão num exemplo para quem está chegando, jovens e adolescentes que, não param de bater à porta do mundo do teatro da região dos lagos com força e decisão para entrar no mundo artístico.

SERVIÇO:

"Era uma vez... um circo"
Texto e Direção : Rodrigo Sena
Elenco: Celso Guimarães, Alexya Fernandes, Rayssa Mayo, Nadir Pires, Rafaela Solano.
Data e horario: Dia 18 (Sábado) 20h. Dia 19 (domingo) 18h.
Local: Teatro Quintal

domingo, 5 de novembro de 2017

A Palavra Teatral de Camões.

"Por Mares Nunca Dantes Navegados", de Camões,
com direção de Angelah Dantas.
Quem viu, viu, quem não viu, perdeu. Um dos trabalhos mais surpreendentes dos últimos tempos, em Cabo Frio. O poeta, professor, escritor e ator Geraldo Chacon, abrilhantou nossa noite. Já tinhamos tido um gostinho quando ele apresentou uma versão resumida deste trabalho no FesTSolos IV. Um evento de solos teatrais que aconteceu nos dias 07, 08 e 09 de Julho. Foi uma apresentação que deixou um gostinho de quero mais e este quero mais aconteceu, justamente, neste final de semana, dias 03 e 04 de Novembro no espaço cultural USIN4.
Geraldo fez uma estilosa triangulação em cena. O espetáculo não tinha uma "gordurinha". Foi uma ótima execução técnica, com boa iluminação e ambientação sonora de primeira. O texto livremente adaptado da obra "Os Lusíadas", de Camões, chegou bem aos ouvidos do público. Com uma maestria que poucas vezes vi. Sem dúvida, um grande desafio. Havia, também, no espetáculo, um humor fino e intelectual, é desses trabalhos que chama as pessoas de inteligente por tabela. O público sai se sentindo melhor e com orgulho da nossa pátria mãe portuguesa. Não é sempre que se tem um espetáculo consagrado à língua, bem falada, por excelência. E tudo sem ser chato, professoral ou pedante.
Angelah Dantas, arrasou na direção. Deixou Geraldo solto em cena e com proposta de movimentação bem definida. As transições das personagens foram suaves e o ator manteve uma palheta vocal que não passava cansaço ou ansiedade. O trabalho terminou na hora certa e rendeu um gosto de quero mais. Depois, teve um bate papo onde, Geraldo, deixou fluir sua generosidade. Distribuiu livros ao público que logo foi convidado pelos donos do espaço USIN4 a curtir uma rodada de conversa degustando as delícias da cantina Catatempo". 
Parabéns para toda a equipe "camoniana", voltem sempre! Cabo Frio espera ainda ver mais deste tipo de linguagem. Quem sabe no "Poesia de Cena" de 2018? 
Vamos aguardar.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A Cobra vai Fumar no Teatro Independente de Cabo Frio. Quintal e USIN4.

Hoje e amanhã, sexta e sábado, termos Geraldo Chacon
no espaço cultural "USIN
"Por Mares Nunca Dantes Navegados"

Os entusiastas do teatro da Região dos Lagos tem motivo de sobra para se vangloriar da variedade da programação artística na cidade. As duas casas de espetáculo teatral mais badaladas da cidade vão estar com programação intensa. Corram porque ingresso não cai do céu e quem quiser se divertir e ampliar seu cabedal de conhecimento com muita arte, corre atrás porque tá vindo Chumbo Grosso por aí. Estou falando dos espetáculos "Por Mares Nunca Dantes Navegados" do escritor e ator Geraldo Chacon, que vai nos dar de presente o tão sonhado "Os Lusíadas" de Camões, altíssimo nível. Espetáculo para degustar como se fosse uma trufa, lá no USIN4. O grupo "Operários da Arte", vem de Araruama, direto para Cabo Frio, afim de mostrar sua linguagem onde o teatro é da palavra por excelência. Palavra poética. 
Tivemos o prazer de degustar uma trecho deste espetáculo no FesTSolos IV e foi bonito de ver a forte energia fluindo através da garganta e sensibilidade de um escritor-ator e, dirigido pela queridíssima Angela Dantas, uma força do teatro de nossa região!

"Hominus Brasilis" está de volta.

Tem também o impagável, hilariante e divertidíssimo "Hominus Brasílis" espetáculo impressionante não só pela linguagem ousada, muita mímica corporal e teatro físico, como também, um enredo de tirar o fôlego. Poético e crítico. O que esta rapaziada faz com o corpo é de se tirar o chapéu e ainda tem mais, é o único espetáculo brasileiro que agradou dois "inimigos mortais e históricos", China e Estados Unidos, isto mesmo, Gregos e Troianos, sentados lado a lado. Na china eles se apresentaram no "Beijing Comedy Week", na cidade de Beijing (Pequin) e nos
EUA, se apresentaram no "Chicago Phisycal festival" na belíssima cidade de Chicado. Também estiveram na Argentina mostrando para os hremanos a linguagem incrível da Cia. de Teatro Manual, "FETI - Festival Efimero de Teatro".

Três Damas Negras do Teatro, da Região dos Lagos.

Rafaela Solano - Experiência, continuidade e dedicação
ao teatro da Região dos Lagos.
Rafaela Solano. Quem conhece seu histórico, seu trabalho, sabe o quanto ela se dedica ao teatro, não apenas de Cabo Frio, mas da região toda, com destaque para São Pedro da Aldeia, cidade onde mora. Lembro dela, sempre focada e com uma agenda bem vibrante, para o padrão da região e já tive o privilégio de vê-la ser premiada em alguns festivais.
Por aqui, ela já trabalhou com quase todos os diretores: Já fez teatro com Silvana Lima, no grupo Creche na Coxia, com Rodrigo Sena, Italo Luiz Moreira, Marcelo Tosta e, claro, mantém parceria duradoura com Cesar Valentin, com quem divide o grupo FABRICARTE. Comigo ela já fez um filme, digo, um videoclipe. A canção "Maria das Quimeras", poema de Florbela Espanca, musicado e cantado pela capixaba Andra Valladares, traz em sua ficha técnica a presença estupenda desta atriz tão amada.
Rafela Solano sempre sempre circulou pela ecologia artística de Cabo Frio e, faz questão de dizer, que gosta de experimentar diversos estilos e conhecer formas diferentes de fazer teatro. Quando a gente menos espera, ela surge sempre com uma novidade. Ela já tem um fã-clube de pessoas que sempre esperam seu novo trabalho acontecer. 
Em 2016, Rafa, como a chamamos carinhosamente, estreou um lindo trabalho de palhaçaria com Dio Cavalcanti, o hilariante e divertidíssimo "Ambulatório de Palhaços", com quem criou performances muito bonitas e se descobriu palhaça, embora esta arte, ainda esteja um pouco restringida na cidade, mas já vai dando sinais de robustez, principalmente pelo trabalho do querido palhaço Rufino Rufino e a Cidade de Palhaços.

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Camila Teodoro - Creche na Coxia, Prática de Montagem e
muito amor ao teatro.
Camila Teodoro. A atriz do grupo Creche na Coxia, está sempre presente, embora discreta, na cena teatral da cabofriense. Sempre que vou ver algum trabalho interessante, ela está lá, presente e muitas das vezes, no palco. 
Não é muito chegada a badalação, quase não aparece nas noitadas, mas isso não importa, é óbvio que o palco é seu lugar. Já assisti alguns trabalhos com ela: A cena curta "O Velhinho e a Morte", de Silvana Lima, montagem de 2015, onde Camila executou complexa partitura corporal e contracenou com atrizes experientes como Júlia Lima, Vivi Medina e Marcelas Rimes. 
O trabalho produziu encanto e rendeu muitos prêmios ao grupo Creche na Coxia, além de uma apresentação extra, numa programação especial de 2016, numa troca de figrurinha com o TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.
Na prática de montagem do Teatro Quintal, pude vê-la brilhar no inesquecível "Bailei na Curva", de 2016, e, recentemente no impagável "Aurora da Minha Vida", de Naum Alves de Souza, onde atuou em diversos personagens, mostrando não apenas a capacidade camaleônica de se desdobrar no palco, como também, seu caráter artístico, típico de quem está se fortalecendo cada vez mais, conforme vai pegando novos desafios pela frente. Assisto Camila Teodoro desde sua adolescência, bom vê-la desabrochar na arte da atuação e, hoje, ela é uma jovem focada no ofício.
Certamente, orgulho da comunidade negra de Cabo Frio, uma atriz de grande futuro.

Nara Lumière - Teatro com Temática Negra, videoclipes
 e cinema. 
Nara Lumière - A jovem Aldeense, estudante do OFICENA, causou sensação, em 2016, quando passou a frequentar o teatro municipal de Cabo Frio. Seu carisma, presença e paixão arrebatou uma legião de fãs, junto aos realizadores da cidade. No mesmo ano, 2016, foi destaque na peça "O Navio Negreiro" de Castro Alves, dirigida por mim e Yuri Vasconcellos. Uma montagem que mexeu na estrutura do curso livre do teatro municipal, na época. Logo em seguida, Nara passou a frequentar a vida teatral da cidade, iluminando-a com sua presença carismática e forte.
Em 2016, ela arrancou aplausos e suspiros de toda uma geração presente no "Poesia de Cena", evento lítero-teatral, que acontece a cada dois anos. Neste evento, Nara mostrou dois poemas de sua autoria, com interpretação própria, mostrando sua forte energia e verve de atriz. Já no início de 2017, abriu o ano fazendo parte de dois videoclipes do projeto Cinema Possível: "Alma Lavada" de Paulo Ciranda e "Eu Quero o que Era Meu" de Daniel Guerra, onde fez brilhantíssimas performances. 
Recentemente foi convidada pelo professor Italo Luiz Moreira, a fazer parte do primeiro grupo de teatro com artistas e temática eminentemente negras, da região. Muita pesquisa e preparação para trabalhos que estão chegando por aqui, inclusive um filme com um diretor de São Pedro da Aldeia, mas não posso dar detalhes, por enquanto.
Nara esta construindo sua história com amor e, por onde passa, sempre deixa a marca da sua presença forte. Focada. Comprometida não só com a arte mas, também, com questões referentes ao povo negro e à militância contra todos os tipos de preconceito.


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Curta Rafaela Solano no videoclipe 
MARIA DAS QUIMERAS


Curta Nara Lumière no videoclipe
ALMA LAVADA





Lembrando Adassa Martins.

Adassa Martins, uma atriz que saiu de Cabo Frio para o Mundo.
Foto: Juliana Chalita.
Lembro desde que cheguei em Cabo Frio, em 2004, a dedicação da atriz Adassa Martins, ao teatro local. Sua geração florescia. Era um grupo fortíssimo e dedicado. Circulando pelo fazer artístico da cidade, criando uma forte energia agregadora, com muita fé no teatro. Foram muitos os momentos em que a vi no palco, mas, sem dúvida que a mais inesquecível é sua atuação em "Flores, Para quem o Amor Passou", de Eduardo Magalhães, quem teve o privilégio de assistir aquela peça, jamais a esquecerá!
A cena era praticamente de coro, não havia destaque individual, senão a excelente dramaturgia e a estupenda direção do "Eduardinho", que, na época, tinha algo próximo de 20 anos de idade. Um acontecimento artístico, estético que a gente nunca esquece. E lá estava ela, uma jovem pulsante, sensível, devotada ao teatro. Foram muitos os momentos em que a encontrei nos bastidores do Teatro  Municipal de Cabo Frio, dedicando-se ao que ela escolheu como ofício. 
Depois de tantas voltas que o mundo deu, tive o privilégio de conversar com a jovem atriz, numa festa si FESQ, na casa de sua família, e ela então me contou que estava orgulhosa porque saiu de Cabo Frio para fazer teatro e estava conseguindo. Seu nome não parava de circular pelos teatros da vida; em elencos diversos, pelas casas de espetáculos do Rio de Janeiro e depois, pelo Brasil a fora; Sempre havia um pouco de sua energia espalhada pelos rincões da arte, deste imenso pais.
"Se eu Fosse Iracema" com Addassa Martins - Foto: Julio Melo.
Recentemente, com a explosão dos espaços independentes de Cabo Frio, ela reaparece com seu solo "Se eu Fosse Iracema", a atriz profundamente sensível e técnica, dava lugar a uma energia, que vai muito além da arte, algo espiritual, um sentimento de contribuição para nossos povos indígenas. 
Adassa é a compaixão em pessoa, nem quero mais falar dela como atriz, mas da pessoa que fez do teatro um lugar, também, para o exercício do amor, da paz, da reflexão e da liberdade de expressão. 
Quando esteve em Cabo Frio, teatro lotado, um espetáculo esmerado, sem glamour, apenas reflexão e pensares, um mergulho na alma humana, inesquecível.

Veja aqui a crítica escrita por José Facury sobre a peça 
"Se eu Fosse Iracema"

Pegar um discurso em defesa de uma etnia e colocar em cena, mesmo pautado em testemunhos reais, pode ser uma tarefa interessante como exercício intelectual para extração de possíveis conflitos. Agora, ao ponto de aguçar o interesse do espectador, geralmente o faz permanecer no nível da leitura panfletária, principalmente se a narrativa for entregue a um interprete branco. Tudo isso poderia trair uma empreitada, mas não é o que se vê no espetáculo Se Eu Fosse Iracema, em cartaz no Teatro Quintal, interpretada pela meticulosa e carismática atriz Adassa Martins que, juntamente com a minuciosa e criativa direção de Fernando Nicolau constrói e desconstrói momentos de rara beleza. Ali, o excesso narrativo é diluído em partituras que se complementam com máscaras e vocalizações muito bem elaboradas entre o butoh, o coloquial e o distanciamento brechtiniano que nos é servido ao redor de um tronco cenográfico serrado, plantado no palco onde emanam as dores das perdas silvestres, juntamente com a dos silvícolas que ali fazem suas oferendas e purgações a cada dia. Se eu fosse Iracema, é um solo magistral amarrado na historia dos sentimentos poéticos de uma velha índia contadora que desenvolve transições em outras personagens que fazem o contra ponto ás vezes criveis e em outras de provocadora ironia, para extrair daí o conflito, que foca muito mais na narrativa por ela mesma, do que nos possíveis e imaginários coadjuvantes, como é comum nos solos físicos. Enfim, experiencias que somente o teatro pode expressar quando desenvolve os relatos viscerais das nossas perdas históricas colocando essa obra em uma instigante encenação na plêiade dessa técnica. E mais que justa a indicação da nossa atriz ao Prêmio Shell.
José Facury Helluy



Curta este Bate Papo e Saiba mais sobre este belíssimo espetáculo!


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

OFICENA Encerrará o ano com Maria Clara Machado, Nelson Rodrigues e Molíère!

A dramaturgia é a arte do teatro por excelência, com um bom dramaturgo, fica praticamente "fácil" contar uma boa história e é isto que o OFICENA fará, neste final de ano. Dias 08, 09 e 10 de dezembro, o retorno do OFICENA à praça da Cidadania para mostrar ao público de Cabo Frio a obra de Molière (Médico à Força) e Maria Clara Machado (Tribobó City) e uma leitura dramatizada de Nelson Rodrigues, texto ainda a escolher.
Desde a retomada, em 2013, muita coisa boa acontecendo no mundo do teatro de estudante de Cabo Frio, o OFICENA, dando sua contribuição, se reinsere na tradição do teatro local, buscando sempre uma dramaturgia de peso, para dar aos jovens e adolescentes, acesso ao que se produz de melhor, no mundo dos escritores de teatro. Por isso optamos, desta vez, por três nomes de peso e os alunos, contra toda forma de dificuldade, se aprimoram a cada dia. Será um belo encerramento de ano. 
TODOS ESTÃO CONVIDADOS, anotem em suas agendas.

Maria Clara Machado: Mineira, de Belo Horizonte, nasceu em 1921 e faleceu em 2001, considerada a maior dramaturga e diretora de teatro infantil, é, também, fundadora do Tabalado, escola por passaram alguns dos grandes nomes do teatro brasileiro. Escolhemos a peça "Tribobó City". Trabalho cheio de energia, muita sensibilidade e criatividade. Os alunos do OFICENA - Turma da Tarde, estão ensaiando com muito afinco.

Alunos da tarde, preparativos para apresentar "Tribobó City" de Maria Clara Machado.
Marco da dramaturgia infanto-juvenil.


Molière - Jean-Baptiste Poquelin: Nascido na França, em 1622 e falecido em 1673, Molière é considerado um dos grandes nomes do teatro mundial, tanto como ator, diretor e dramaturgo, Foi autor das peças que representou, com sua Cia. de Teatro. Dizem que morreu no palco e o é atribuído a ele o famoso cumprimento do teatro "Merde" referindo-se à quantidade de cavalos enfrente ao teatro, o que poderia significar casa cheia e, portanto, prosperidade para os artistas. Dele, o OFICENA escolheu a peça "Médico à Força".


Alunos de 2017, turma da Noite, depois de mergulhar na leitura da obra de Molière, preparativos para levar ao palco: "Médico à Força".

Nelson Rodrigues - Nascido em 1912 e falecido em 1980, Considerado, por muitos, como o maior dramaturgo brasileiro, sua obra é polêmica e mergulha fundo nas neuroses da classe média carioca. Embora seu teatro tenha um ar bem carioca, ele nasceu em Pernambuco, em 1912, passou grande parte da vida no Espírito Santo e realizou sua obra no Rio de Janeiro, onde influenciou profundamente o teatro brasileiro a partir da década de 50. Os alunos ainda estão votando qual de suas peças sera montada. Depois de um mergulho na leitura de sua obra completa, a dúvida paira no ar. Optamos por montar "O Anjo Negro", uma peça de 1946, cuja temática permanece mais que atual.

Alunos do Núcleo Avançado, preparam uma leitura dramatizada de Nelson Rodrigues, qual será a peça mais votada?