sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Vem aí, Piquenique no Front - de Fernando Arrabal. Teatro de Rua.

Considerado um dos mestres do teatro contemporâneo, Fernando Arrabal, nascido em 1932, na cidade de Melilha, Espanha, tornou-se um dos maiores nomes do teatro mundial. "Piquenique no Front" é, também, a primeira montagem de rua do grupo TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, na tentativa de construir um teatro acessível ao grande público de Cabo Frio, cidade marcada pela presença massiva de turistas.
Da esquerda para a direita, o elenco: Kéren-Hapuk, Beatriz Ebecken,
Celso Guimarães Júnior, Sarah Fortes, Nathalli Amariá e  Guilherme Costa.
Direção: Jiddu Saldanha.
A peça, foi escrita no pós guerra e é uma visão irônica e um recado claro sobre o absurdo da beligerância que separa pessoas por causa de ordens superiores de generais que parecem pensar igual, ainda que o lado escolhido seja o oposto. A peça mostra, além do desperdício de vidas humanas, o imenso vazio em que a juventude é relegada em função da falta de perspectiva de futuro. O tema, embora tratado com humor, é carregado de momentos patéticos, colocando o ser humano em toda a sua paixão, mesmo num contexto de total destruição.
A montagem da peça, pelo TCC, busca, refletir sobre a falta de esperança a que os jovens são submetidos e marca o universo caótico da família, onde a construção de identidade se torna, cada vez mais aplacada pela imensa avalanche do consumismo e a total aniquilação da esperança. Num sentido mais extremo, podemos dizer que a família de Zapo, o soldado que se encontra numa encruzilhada, pois tem que cumprir com suas obrigações num campo de batalha, ao mesmo tempo que precisa da atenção aos pais, que, cansados de esperar que a guerra acabe, resolvem ir à trincheira, para saber se o filho está bem, se precisa de alguma coisa, etc...

Beatriz Ebecken, Guilherme Costa e Nathally Amariá, dedicação
na arte de representar para o público de rua!
O absurdo da situação, se agrava quando Zapo captura um inimigo e descobre que o nome dele é Zepo, além do que, vai percebendo a semelhança entre o inimigo e suas aspirações, até descobrir o absurdo a que foi envolvido, dentro de um contexto onde permanece completamente alienado do sentido da guerra. A peça, "Piquenique no Front", é uma das mais montadas no Brasil e no mundo e a forma como trata a situação da trama, traz o interesse para públicos de todas a idades, daí a decisão de fazer uma montagem para espaços não convencionais, onde o público pode ficar a vontade e descobrir um dos mais belos e singelos textos da dramaturgia mundial.





DATA E LOCAL DE APRESENTAÇÕES
Dias 17 e 18 de Janeiro na Praça da Cidadania - Espaço Zen
Horário: 18h.
Dias 31 de Janeiro e 01 de Fevereiro 
Praça São Benedito - Passagem
às 18h.

ELENCO:
Guilherme Costa, Nathally Amariá, Sarah Fortes, Gustavo Vieira, Kéren-Hapuk, Beatriz Ebecken e Celso Guimarães Júnior.

PRODUÇÃO, MAQUIAGEM E FIGURINOS:
O grupo.

DURAÇÃO: 4O minutos.

CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: lIVRE.

Criado por Gustavo Vieira, a logomarca do TCC já é um
sucesso e breve começará a circular em diversos produtos
do Grupo.
Breve Histórico do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.

O TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, surgiu em 2014 e teve sua estreia como convidado do Festival de Esquetes de Cabo Frio - FESQ, com a cena "Ditadura", de Nathally Amariá. O grupo já vinha buscando seu repertório, iniciado nos bastidores do OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, com a cena, "Jana, Pérola do Mar", texto de Nathally Amariá, direção de Jiddu Saldanha, que, posteriormente apresentou-se na primeira mostra de solos teatrais de Cabo Frio, FestSolos. No mesmo período foi produzido e encenado o solo teatral "A Contradição de uma Alma" com texto de Camille Miranda, atuação de Gustavo Vieira e direção de Jiddu Saldanha.
Na busca de formar seu próprio repertório, o grupo começou a buscar no NUDRA - Núcleo de Dramaturgia do OFICENA, a possibilidade de incorporar a seu repertório alguns outros trabalhos escritos e dirigidos por alunos do curso. Foi assim que surgiu a ideia de trazer as cenas: "O Estrelato de Gold", escrito por Kéren-Hapuk e Náthally Amariá e o texto "Os Vampiros Estão com Fome", escrito e dirigido por Kéren-Hapuk.
No início de 2015, mais dois trabalhos foram incorporados ao repertório do TCC, a cena curta "Eu só Liguei pra Dizer que te Amo", texto e direção de Jiddu Saldanha e a primeira montagem longa do grupo, a peça "Piquenique no Front", de Fernando Arrabal, dramaturgo espanhol, consagrado pela sua escrita única e caótica. Com um quadro de artistas, quase todos em início de carreira, o TCC pretende ser um grupo com formação de repertório e pesquisa teatral variada, embora tenha em seu nome a palavra comédia, entendemos comédia, aqui, como uma forma expressiva de levar a arte em todos os seus estilos. Não somos um grupo fechado no gênero humor, mas buscamos a profundidade da "comédia humana", um exercício quase psicanalítico de mergulhar na alma humana e extrair dela o que tem de mais profundo e risível.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Porque é importante formar novos grupos de teatro?

Recentemente, numa discussão sobre formação de grupo de teatro, uma jovem me interpelou dizendo "como podemos formar um grupo de teatro, se ninguém apoia nada e tudo é muito caro"? Minha resposta veio logo em seguida: "Sem novos grupos de teatro, não tem como saber de onde virá o apoio". Na verdade, o teatro é um instrumento poderoso para lidarmos com os mecanismos de exclusão e a "falta de apoio". Através de grupos, o jovem vai se organizando de forma "política" e começa a descobrir formas de acesso aos canais de diálogo com a sociedade. Logo, formação de opinião e mergulho no contexto de sua própria realidade faz com que se avance cada vez mais na direção de conquistas como cidadania, pertencimento e autonomia.

Surgido dentro do OFICENA- Curso Livre de Teatro de Cabo Frio o grupo Entre Palcos faz jus ao próprio nome. Transitando
entre São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, aos poucos está chegando ao seu próprio conceito de grupo e formação de equipe.

Esta tem sido a base das discussões dentro do OFICENA, lidar com uma juventude sedenta por expressar-se e, ao mesmo tempo, querendo muito mais do que apenas se formar numa escola ou encontrar um emprego. O jovem hoje quer entender o mundo de uma forma mais abrangente e precisa descobrir isso estando dentro do debate, de forma lúdica e provocada, sendo assim, não é possível viver numa sociedade sem renovação de quadros artísticos. A ampliação do contato com o teatro, através da formação de novos grupos, vai ditar diretrizes para um teatro onde não só o autoconhecimento e a autonomia estão em jogo, muito mais, trata-se de mergulhar na superfície de si mesmo para chegar ao fundo.
TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, dispõe de repertório
ainda em fase inicial e está buscando a rua para que sua atividade
torne-se sustentável.
Manter força e vigor em sua criação, encontrar sustentabilidade mínima para atuar como grupo amador é sempre um bom início de jornada para os que estão começando. É necessário descobrir a ecologia de sua própria formação de equipe, dentro disso, distribuir o trabalho e focar não apenas na atuação como prática artística, mas também na construção do espetáculo e no desenvolvimento de ações que resultem num impacto, ainda que pequeno, para a comunidade, que também tem seu papel no processo. Acolher da forma como for possível, novos agentes e novas energias geradoras de subjetividade em seu bojo.

Breve Histórico do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.

O TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, surgiu em 2014 e teve sua estreia como convidado do Festival de Esquetes de Cabo Frio - FESQ, com a cena "Ditadura", de Nathally Amariá. O grupo já vinha buscando seu repertório, iniciado nos bastidores do OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, com a cena, "Jana, Pérola do Mar", texto de Nathally Amariá, direção de Jiddu Saldanha, que, posteriormente apresentou-se na primeira mostra de solos teatrais de Cabo Frio, FestSolos. No mesmo período foi produzido e encenado o solo teatral "A Contradição de uma Alma" com texto de Camille Miranda, atuação de Gustavo Vieira e direção de Jiddu Saldanha.
Embora tenha, atualmente, uma equipe coesa e dedicada, o TCC não exige
"fidelidade à sua marca". Acreditando que trabalho em equipe é uma forma
de reciprocidade, o grupo dedica-se a construir seus trabalhos, respeitando
a escolha de seus participantes.
Na busca de formar seu próprio repertório, o grupo começou a buscar no NUDRA - Núcleo de Dramaturgia do OFICENA, a possibilidade de incorporar a seu repertório alguns outros trabalhos escritos e dirigidos por alunos do curso. Foi assim que surgiu a ideia de trazer as cenas: "O Estrelato de Gold", escrito por Kéren-Hapuk e Náthally Amariá e o texto "Os Vampiros Estão com Fome", escrito e dirigido por Kéren-Hapuk.
No início de 2015, mais dois trabalhos foram incorporados ao repertório do TCC, a cena curta "Eu só Liguei pra Dizer que te Amo", texto e direção de Jiddu Saldanha e a primeira montagem longa do grupo, a peça "Piquenique no Front", de Fernando Arrabal, dramaturgo espanhol, consagrado pela sua escrita única e caótica. Com um quadro de artistas, quase todos em início de carreira, o TCC pretende ser um grupo com formação de repertório e pesquisa teatral variada, embora tenha em seu nome a palavra comédia, entendemos comédia, aqui, como uma forma expressiva de levar a arte em todos os seus estilos. Não somos um grupo fechado no gênero humor, mas buscamos a profundidade da "comédia humana", um exercício quase psicanalítico de mergulhar na alma humana e extrair dela o que tem de mais profundo e risível.

O grupo é mais importante do que a legenda.

Muitos jovens se recusam a formar grupos com legenda, marca e rotina, por entender que estarão assumindo um compromisso, algo como um "casamento". Numa sociedade individualista e caótica como a nossa, pertencer a uma "família" pode exigir algum tipo de dedicação que não se tem disponibilidade para realizar. Porém, existem várias formas de "casamento", fazer parte de um grupo "sem compromisso" também é uma forma de atuar. Ajudar os colegas a desenvolver um trabalho em equipe, mesmo que sem estar todos os dias presente, não quer dizer que não seja uma participação importante. O teatro é algo que se faz em grupo e em equipe, e uma equipe não precisa estar o tempo todo "colada" entre si, o mais importante é estabelecer metas e doar-se um pouco para o conjunto, desta forma, o teatro acontece, novos grupos surgirão e todo mundo ficará feliz. Neste contexto, A ARTE AGRADECE!

"Alguns conselhos para quem quer formar grupo de teatro", leia tópico relacionado a este artigo!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Declare guerra ao tédio e faça teatro nas férias!

Jovens do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia,
um basta no tédio, férias muito bem aproveitadas!
Neste momento, centenas de milhares de jovens estão em casa assistindo TV, navegando na internet, trocando "figurinha" no whatsapp, curtindo as fotos dos "gatinhos e gatinhas" no facebook enquanto pensam no futuro. Provavelmente, muitos desses jovens estão de férias, passaram o ano estudando, sentados, individualmente numa cadeira escolar. Aqueles de melhor condição intelectual e oportunidades, desfrutam de um estresse ligado à alta performance exigidas em suas escolas de preparação para o mercado de trabalho. A grande maioria, no entanto, está entediada, esperando as aulas recomeçarem, para também viver o tédio do sistema educacional brasileiro. Sem laser, sem arte, precário e cheio de regras aprisionadoras da criatividade. Só me resta dar um conselho a esse jovem: FAÇA TEATRO!
A única saída é fazer teatro nas férias. Isso mesmo, "faça teatro nas férias". O teatro é uma válvula de escape para o prazer reprimido. Uma diversão barata que sociabiliza, testa nossas inteligências e nos abre as portas para um mundo mágico, não só, guiado pelas personagens das peças teatrais, vai além disso; o espaço criativo do teatro, permite que jovens falem sobre livros, namorem, descubram sua real identidade e se reinventem por algum tempo, pelo menos enquanto o "sistema educacional" não o convoque novamente para sua vida individualista. 
O jovem gosta de viver em grupo, trocar idéias, debater, discordar, polemizar, ações que parecem estar proibidas nas escolas, já que a rotina de se preparar para provas não oferece nada de criativo e, paradoxalmente contribui para criar uma geração cada vez mais alienada de si mesma e focada no consumismo de produtos, produtos e mais produtos.  Já o teatro é um prazer dentro do prazer de viver. O jovem que se dedica ao exercício criativo do fazer teatral, está focado na alegria e na descoberta do mundo do outro, já que "a personagem de uma peça" é o outro, encarnado na figura do ator amador, principiante ou profissional, que vai dando voz a conteúdos nunca explorados antes. Comparar a existência real com a da ficção e ir além, trocar energias com outros e transformar a dor e a solidão, em potência criativa e crescimento pessoal é uma forma, no mínimo interessante, de se viver a vida.
O teatro é um exercício de liberdade, que nos devolve a "honra" de ser quem somos, e num sentido mais amplo, nos dá a chance de repensar pensares e de recriar momentos e situações para alargar as possibilidades, não só da comunicação, como também, das descobertas da vida e do vivenciar e simular a própria vida. Já o futuro, todos sabemos o que esperar dele. As pessoas vão ficando adultas e chatas, começam a jogar suas frustrações nos filhos, proibindo-os de serem felizes em nome da construção de uma sociedade consumista, pobre de valores e sem nenhum companheirismo. Pessimismo à parte, todos já sabemos o que esperar do mundo adulto, mas o presente, dedicado ao teatro, à descoberta dos prazeres proporcionados por esta forma de existir, este presente, pode sim, mudar nosso futuro, nos dar uma luz sobre como interferir no mundo, já que não podemos evitá-lo.
Vá ao teatro, faça teatro e seja feliz. Aproveite as férias para ser protagonista e não um mero expectador de novelas.