terça-feira, 23 de agosto de 2011

Diário do FESQ (Festival de Esquetes de Cabo Frio) - 2011



O tema: “Sustentabilidade” tem no corpo de voluntários o melhor do melhor. Material humano de primeira com pessoas novas chegando e pessoas que já fazem parte da história deste festival. O FESQ é conhecido também, por exportar seu modelo para outros festivais do Rio de Janeiro.
O teatro Municipal de Cabo Frio esteve com 80% da casa cheia, um marco histórico para uma terça feira à noite, afinal, para se ter um público assim, de forma espontânea é preciso ir muito além do improviso e partir para a produção profissional. O segredo do Festival de Esquetes é, sem dúvida, a formação de platéia e um corpo de voluntários antenados e apaixonados pela arte do teatro. É um festival que tem pedigree, afinal, mostra uma forte capacidade de mobilização.
Apesar da falta de financiamento para pagar custos pesados e uma logística complexa, este evento traz para a cidade de Cabo Frio uma jovem geração de artistas que muito em breve estarão, alguns, fazendo sucesso nas principais casas de espetáculo do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outros estados.
O FESQ é um grande presente para a Cidade, pois forma platéia para teatro, contribui para dar sentido à vida dos jovens e, com certeza, tem papel importante na diminuição da violência além de contribuir para a precária economia da cultura por aqui.
Acompanhem aqui, no blog, Teatro Possível, o que vai rolar no FESQ para os próximos dias.

Dia 24 de Agosto de 2011 – Segundo dia de muita diversão.
Uma das tendências do FESQ (Festival de Esquetes de Cabo Frio) este ano é, sem dúvida, a presença de comédias. A Comédia é um gênero de teatro muito forte no Rio de Janeiro, um estilo de teatro que a cidade exporta para todo o país, criando tendências e influenciando a cena popular, desafiando o ator a tornar sua performance sedutora aos olhos do público.
Mas, claro, a presença do teatro engajado estava lá, firme e forte. O teatro de protesto na versão 2011 mostra uma geração antenada discutindo a problemática da existência humana. A inquietação, as bandeiras de luta para questionar a trama social e recriar paraísos aqui na terra. Teve de um tudo.
O Apresentador, Rodrigo Rodriguez, definitivamente mostrou porque é imbatível sua presença na frente do palco, desviando a atenção do público para o prazer da arte sem cair na armadilha da competição.
A Oficina do fotógrafo Alexis Malabi, comendo solta, com gente clicando o festival de todas as pontas possíveis e carismática atriz mineira, Mariana Jacques, dando um toque na cena contemporânea, trazendo a grande novidade do teatro nos últimos 10 anos. O Solo Narrativo, gênero estético que consagrou Júlio Adrião, o mestre da atriz.
Nos debates, o couro comeu, Fábio Fortes e Vivian Sobrino, este ano, trouxeram força e energia, com uma contagiante paixão pelo teatro que está dando o que falar, artistas saíram de olhos brilhando com tanto aprendizado e troca democrática de um conhecimento que, hoje, já não é mais apenas um privilégio dos artistas medalhões da mídia. O teatro popularizado no Festival de Esquetes mostra como sua prática se tornou possível, apesar dos pesares.
Na frente do teatro; antes da coisa toda começar, Alexandra Arakawa e Manu Castilho botando pra quebrar na Mais Ratona, a deliciosa maratona fotográfica, mostrando as obras dos fotógrafos de Cabo Frio.
No arremate, e já esquentando os gogós, a Casa da Poesia de Arraial do Cabo trouxe a literatura para a fila de entrada do teatro, simplesmente um diferencial onde o público, enquanto aguarda, se delicia com a poesia de Vitorino Carriço, um mestre da palavra! Cadê você, Zé Antônio? Cadê você, Rodrigo Poeta, a fila ta parada esperando os artífices da palavra de Cabo Frio, borá lah!

Dia 25 de agosto de 2011, experimentalismo, sofisticação e caos poético.
Momentos de “tensão poética”, com cenas diversas e estéticas variadas.  Podemos dizer que o Fesq (festival de esquetes de Cabo Frio) são vários festivais dentro de um único festival. Além de mostras com variedades artísticas locais.
A presença do experimentalismo na comédia é uma das grandes novidades do Fesq este ano, além do retorno do teatro engajado que, embora, ainda seja visto como “panfletarismo”, a nova geração vem trazendo um teatro político de grande poder comunicativo e empatia com o público.
Discussões em torno da violência urbana, diversidade sexual e cidadania estiveram nas entrelinhas de alguns trabalhos e escancarados em outros. A noite do dia 25 de Agosto mostrou, como sempre, a diversidade de linguagem estéticas com variedades de atores de diversos naipes e correntes de pensamento do teatro.
Foi também uma noite de consagração do apresentador Rodrigo Rodrigues, que, com sua verve artística e imensa capacidade de improvisar, arrebatou o público com tiradas de grande fôlego humorístico mas não menos reflexivo. Por traz da personagem  “infantil”, Rodrigo, arrasou, sempre de forma humorística, mostrando as mazelas de uma infância completamente “perdida”.
Foram momentos de encantamento, reflexão e muita adrenalina no palco, mostrando que a arte de ator segue com grande poder comunicativo e muita empatia com a platéia crítica e formada já há 9 anos, pela diversidade do Fesq. Um dos mais importantes festivais de cenas curtas do Brasil.

Dia 26 de Agosto, uma noite com muitos artistas iniciantes.

Trabalhos não tão maduros com artistas iniciantes foi praticamente o mote da ultima noite do Fesq, antes da classificatória final das peças escolhidas pelo Júri. A apresentadora da noite foi Monayra Manon, personagem do genial ator Rodrigo Rodrigues que já apresenta o evento pelo quarto ano consecutivo. Monayra deu um show, como sempre, desta vez trazendo uma grande novidade, parte do seu figurino criado por Nicolle Loup, especialmente para ela.
Após a apresentação das esquetes tivemos a exposição dos resultados do Júri, como sempre, tensão na platéia muita gente feliz algumas pessoas tristes, o resultado nunca é uma unanimidade mas o Júri é soberano na sua decisão.
A surpresa, talvez, foi o fato de ter 3 comédias na final, realmente, um resultado diferente e que consagrou, este ano, a comédia como um dos gêneros teatrais mais exibidos durante o festival. A final não teve nenhum solo escolhido pelo Júri e a própria curadoria, este ano, dentro de 28 peças, classificou poucos solos, priorizando o teatro  de grupos maiores e com números mais substanciais de atores em cena. Coincidência? Tendência? Fica a pergunta.
O trabalho voluntário dos participantes do Fesq, este ano, como em todos os outros, vem fazendo bonito e, num ritmo de muita organização, trabalham se preparam para um final apoteótico, hoje, dia 27 de Agosto de 2011, um sábado.



Dia 27 de Agosto. A apoteose!

O ultimo dia do Fesq foi emocionante, claro que esta é uma frase chavão para descrever um evento que juntou 28 esquetes com trabalhos vindos de diversas localidades do Brasil, destacando, este ano Minas Gerais e Rio de Janeiro. O festival teve o debate como um de seus pontos altos mas não faltou energia positiva, muito amor e muito humor durante todo o trajeto do festival.


Depois de uma emocionante virada na hora da premiação, onde nem todos os prêmios era o que se esperava, surpreendendo por um lado, gerando polêmica por outro, o que ficou foi a marca de um Fesq onde a comédia foi reconhecida pelo Júri atual que decidiu contemplar o gênero que veio com fortes ventos de renovação. As cenas “Banzai”, “Enjaulados de La Pasion”  e “Acontecia em 1950” tiveram tons de comédia cada uma numa trilha diferenciada de pesquisa, mas os trabalhos “Sobre Viventes” aprofundou a questão do drama, numa tonalidade ácida, desafiante mas que arrancou fortes gargalhadas do público. Já a esquete “Nem o Pipoqueiro” poderia ser chamada de comédia dramática com uma forte pegada multimídia. Apenas “Inquérito Poético” ofereceu um contexto mais mergulhado no drama. Realmente tivemos surpresas neste encontro, mas o resultado, coincidindo ou não com as expectativas dos artistas presentes, teve sua lógica própria indo na direção de trabalhos mais leves.