domingo, 15 de outubro de 2017

Alunos do OFICENA são destaque no 10º Curta Cabo Frio - 2017

"Rubi", de Mario Sales Buzzacchi, recebe o primeiro prêmio do Cinema Local.

Ao Lado de Milton Alencar, Wallace Matheus é saudado
como destaque dos iniciantes do cinema local.
Receber um prêmio do Curta Cabo Fio, não é pouca coisa, considerando a tradição do festival, que já está em sua 10ª Edição e que atrai a atenção do Brasil inteiro. Este ano, em função da crise pelo qual o país passa, o festival foi austero, discreto, mas não perdeu seu charme. Nossa vontade é de explanar a premiação aqui, mas não temos esse direito, já que o festival tem sua própria assessoria e que levará a público no tempo certo, o resultado. 
Aproveitando pra dizer que, na fala de Milton Alencar: "foram 146 filmes inscritos dos quais, 70 selecionados pela curadoria. A premiação vem com parte de um grande esforço que envolve toda a equipe de um festival que não é fácil de organizar. 
A nós, expectadores e apaixonados por cinema, cabe viver o "glamour possível" deste momento singular para a cultura local. Bom ver que gente grossa do cinema nacional, passaram por este festival e melhor ainda é saber que ser premiado num contexto desses é pra nos encher de orgulho, sem qualquer falsa modéstia.
Segue abaixo algumas fotos de celular que tirei despretensiosamente, apenas com o intuito de congratular-me com a equipe do filme "Rubi", que tem praticamente todos os participantes, oriundos do OFICENA - Curso Livre de Teatro do Teatro Municipal de Cabo Frio. Um curso que, além de dedicar-se ao teatro, sempre valorizou o interesse dos alunos pelo cinema e hoje, uma geração de jovens apaixonados por Cinema, foram reconhecidos pelo Festival de Cinema local e isto confere um forte valor artístico ao compromisso de orientar a juventude para as artes cênicas.

Um texto teatral escrito por Nathally Amariá, em 2013 transforma-se em
roteiro de Mario Salles e Rodrigo Cintra e recebe o prêmio de melhor filme
de Cabo Frio em 2017.
Realizadores, premiados e entusiastas do cinema, ao lado de Milton Alencar Jr. Cineasta que exerce grande influência sobre
a produção audiovisual e formação de jovens na área de cinema brasileiro.

10 anos de história pra contar.

Ver a empolgação e energia positiva entre os jovens e adultos tanto na plateia, como no palco e na tela, enche de esperança e fé no futuro do cinema local. A partir de gestos que, mesmo num contexto de crise, num território de constantes embates políticos, a arte vence em todos os quesitos e, num momento assim, não existem inimigos. Apenas sonhadores que buscam o melhor para o mundo da arte que é o que a arte mais precisa, no momento.. O cinema local segue produzindo novos frutos para transformar Cabo Frio num celeiro de produção audiovisual para o Brasil e o mundo. Que venham outros festivais, que o Curta Cabo Frio tenha vida longa!

sábado, 14 de outubro de 2017

Crítica - "Aurora da Minha Vida" - Um libelo contra a opressão e falta de democracia!

Ator Gurstavo Seabra -  Foto: Pedro Brandoff
São muitas coisas que emocionam ao ver um espetáculo como "Aurora da Minha Vida", sem dúvida, muitos acertos como, por exemplo, a impagável atuação de Gustavo Seabra e Tamires Nazareth, que seguram o eixo da peça do início ao fim, não deixando o ritmo cair. O elenco está bem equilibrado como um todo, mas de alguma forma, e em algum momento, cada ator tem a oportunidade de expressar a qualidade se seu trabalho. 
A peça está bem intensa e traz uma densidade oposta à peça "Bailei na Curva", uma das montagens da prática do Teatro Quintal de 2016 e que trazia boa parte do elenco de "Aurora da Minha Vida". Faço a comparação por serem peças de assuntos semelhantes e que foram escritas com 2 anos de diferença, "Bailei" 1983 e "Aurora" 1981. Enquanto "Bailei" mostrou cenas mais leves com um ritmo suave, "Aurora" apresentou um mundo sombrio e pessimista, assinalando, um ambiente melancólico, uma espécie de martírio sofrido por crianças, vítimas de um sistema educacional capenga, careta e preconceituoso. 
Uma geração cada vez mais madura, com um bom repertório de peças no currículo, engrossou o caldo da Prática de Montagem 3, do Teatro Quintal. Jovens que circularam nas mãos de diversos diretores da Cidade, como Italo Luiz Moreira, Silvana Lima e José Facury, agora, experimentam a direção de um dos mais jovens e promissores diretores do teatro local. Dio Cavalcanti conquistou a confiança de seu elenco e demonstrou firmeza na condução e nos desenhos das cenas a que se propôs.
Do ponto de vista de uma visão ampliada do fazer teatral, "Aurora" traz um belo uso do espaço cenográfico, dando ao tearo de bolso um ar, realmente de escola, principalmente pelo uso da janela, ao fundo, como uma ambientação multiuso e que amplia, na imaginação do público, a ideia de uma escola em seus espaços diversos. Também cabe destacar, as cadeiras, expostas de forma incompletas, esqueléticas, com aros aparecendo na parte do apoio. Isto triou a tentação realista da peça, e fez o diretor se divertir pelo mundo do surrealismo e teatro do Absurdo. Os papéis amassados, jogados pelo chão, dão um tom de agonia, delírio e decadência que, moldada pela sonoplastia e uso ativo da iluminação, tudo ganhou um tom triste, melancólico, decadente. Uma paulada no nosso sistema educacional, porém, com uma visão datada, uma escola do passado, onde nenhum aluno batia no professor, apesar de tudo.
No cômputo geral, "Aurora da Minha Vida", aconteceu na estréia e vai continuar acontecendo durante a temporada, a única coisa a lamentar, no momento, é a curta temporada. Apenas 6 apresentações num espaço de 50 lugares. Seria bom se a peça continuasse em Cartaz. Quem sabe, uma conversa entre diretor, produção e elenco, resolva a questão? Para o ator, quanto mais se apresenta uma peça, é melhor. Para o público disperso de Cabo Frio, é um tempo para se achar e encontrar o rumo do teatro local. Para a cidade, uma forma de oferecer turismo cultural para que vem de fora. Porque não?

SERVIÇO

AURORA DA MINHA VIDA
A 3° Edição da Prática de Montagem do Teatro Quintal 
apresenta um clássico de Naum Alves de Souza.

Texto de Naum Alves de Souza
Adaptação de Silvana Lima
Direção de Dio Cavalcanti

Em cartaz nos dias: 13, 14, 15, 21 e 22/10 às 20:00

Foto by Pedro Brandoff

(Jiddu Saldanha - Blogueiro)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Bruxo de São Pedro da Aldeia irá apresentar o Clube do Teatro II...

Marcelo Tosta, um artista completo!
Um dos fortes nomes das artes em Cabo Frio, Marcelo Tosta é ator, diretor, escritor, artista visual e cineasta. Sua alma fica apertadinha dentro de seu corpo, de tanto transbordamento e energia que produz! Ele mesmo, o "Bruxo de São Pedro da Aldeia", traz a marca dos artistas que tem alma de artista, e sua fluidez criativa transborda em suas páginas nas redes sociais. 
Seus filmes, desvendam a alma humana, na simplicidade e desenho que as palavras propõem. Suas pinturas, belas, fortes, coloridas e únicas, já o seu teatro é denso, encorpado, profundo; transgride e transforma corpo do ator. Este é nosso Marcelo, este cigano sideral que pousou na nave mãe terra. Onde tem Marcelo, tem alegria, tem sinceridade, tem conversa boa, tem sentimento. Por isso o convidamos para ser o apresentador do Clube do Teatro II. Um encontro para jamais esquecermos.
Outro aspecto delirante de seu trabalho, é sua literatura. quem já viu seus textos, percebem uma sutileza e uma busca que vai lá  no vazio da existência, para enchê-la de paixão, de forma, de estrutura. Seus mergulhos entre uma e outra depressão é profundamente criativa, por isso, talvez, ele tenha de ficar tanto tempo recolhido, pensando e fluindo suas novas criações. Vez ou outra, Marcelo precisa estar entre nós, porque ele não é apenas um artista, mas um mensageiro de seu tempo. Um cara que veio pra fazer a gente lembrar que a arte é necessária e o instante é o agora.

Marcelo nos dirá um pouco de si, nesta entrevista exclusiva para o blog Teatro Possível.

"Eu nunca estive fora 
do movimento 
Teatral da cena de 
Cabo Frio, nunca! "

Clube do Teatro II, Encontro marcado entre artista e público!
Jiddu Saldanha - Como é mergulhar no mar de nossa região, pelo viés do teatro? Marcelo Tosta é esse mergulhador abissal da arte?

Marcelo Tosta - Quando penso em mim, buscando reconhecer no organismo os primeiros raios e registros da arte, penso imediatamente em uma criança sentada no meio da sala, desenhando e escrevendo nas antigas sacolas pardas de mercado para tentar minorar a sua ansiedade. Talvez um traço já constante de que eu precisasse comunicar e tivesse alguma espécie de canal aberto, creio neste canal em todos nós, para poder dizer daquilo que estivesse entre os mundos e entre os entres de nossas esferas, psico esferas. 
Lembro também de mim, trancado no fusca amarelo do meu pai, ouvindo a rádio MEC, mesmo não tendo sido apresentado pela minha família. É da parte da descoberta, do risco e dos frios quatro dedos abaixo do umbigo equidistantes do sexo. É do marejar tendo ainda que como registro, a mãe zelosa demais, gritando para que eu não nadasse para o fundo, para não me afogar no meio das águas da vida.  A arte e o meu trabalho com as possibilidades da arte, não começou exatamente quando numa igreja abandonada na época, emprestava como palco,  o altar para que eu pudesse reconhecer Vivaldi e ler “Sonhos de uma noite e Verão”, me fascinando com Píramo e Tisbe, com Puck, Com Anaïis Nin citada por Artaud e eu nem podia imaginar que pouco tempo depois eu estaria nos palcos dando voz a este homem que trespassado em correrias e gritarias de existência, assim como eu, também gritava. Com 15 anos, comecei a dividir o que eu tinha necessidade de expandir e investigar com um grupo de almas que variavam a mesma idade ou mais que a minha naquela época. E comecei a dirigir a cia de pesquisas teatrais Religare, que até hoje cumpre e compra a briga de existir e insistir, sem financiamento e nem apoios. 
Nadávamos contra a corrente, dos preconceitos, das torpezas e indignações diante da sensibilidade possível e que sempre era motivo de repúdio para que permanecidos na ignorância, fôssemos incluídos nas rodinhas da vida. Eu sempre fui marginal, das figuras que estavam à margem e que aprenderam que era exatamente do lado da borda de fora, que ficava o maior do mundo. Eu poderia falar intensamente sobre meus primeiros registros na arte, já que sempre me sinto renascido todos os dias quando me vejo diante de sensações e de possibilidades de registros, que me são orgânicas e inevitáveis. Eu não evito a sensibilidade e nem excluo de mim o estudo aprofundado da minha existência, das existências, insistências e vontades reverberadas no Nosso mundo. Ainda que me dissessem “NÃO”, eu, do lado de fora, estava dentro do quintal do maior do universo e para isso, Nunca! Um único verso, palavras infinitas.

"Eu não evito a 
sensibilidade e 
nem excluo 
de mim o estudo 
aprofundado da 
minha existência"

JS - Quais os momentos vividos no RJ que vale a pena lembrar?

MT - O Risco do percurso saindo da roça para a cidade de pedras, a vontade celebrada no peito, para poder estudar, sendo pessoa vista como impossibilitada e sem recursos, para investigar o teatro fora da cidade pequena. (suspiro e conto até dez!) A Martins Penna, meus amigos que guardo até hoje no coração, professora magnífica da Romênia, Mona Lazar! Miojo, miojo, miojo! Vontade de voltar para casa para ver TV nas tardes de sábado com a minha mãe. Descobertas de que o riso não era propriedade das pessoas “engraçadinhas” que me julgavam depressivo. Um grande reconhecimento por minha capacidade de fazer comédia, mesmo sendo um ator conhecido por imersões dramáticas e profundas, fazer rir é ter entendimento sem medo do mergulho na dor. Eu não me lembro somente do Rio, me lembro do mundo! O Rio que corre lá, não corre menos aqui, dentro do meu peito e dentro do magnífico movimento que nós, atores, jovens, velhos de alma e ávidos de desejo, fazíamos ser e existir e não apenas pesar sobre a Terra em Cabo Frio. Do Rio ainda tenho muito a colher. Mas muito mais quero plantar pelo mundo. Eu sou do mundo! Eu sou do mundo! Do mundo!

Num clique de Alexandra Arakawa - 2008
JS  - De volta no movimento teatral de Cabo Frio com a cena "O Último Delírio de Van Gogh", quais são suas expectativas?

MT - Eu nunca estive fora do movimento Teatral da cena de Cabo Frio, nunca! Talvez Cabo Frio tenha expelido ou fechado por um tempo de nova semeadura, segregação, reforma, os outros artistas que estavam sempre ali, mas não eram vistos. Não estou falando com arrogância, estou falando com verdade que precisa ser revelada de dentro de mim, diante da pergunta que me foi feita. Vanisse, foi um trabalho que até pouco tempo estava sendo mostrado e vivido com a mesma intensidade de todos os campos e cidades e pastos e  estradas. Em São Pedro, não para nenhuma instituição política, vivemos o incrível “Quilombo de Cal”,  no Rio e também aqui. Muitas coisas aconteciam e eram notificadas pelas redes sociais. Eu não fui a Europa, ainda, mas ela estava conosco aqui, em Cabo Frio e qualquer lugar, estava o Brasil inteiro. O mundo estava aqui, está em mim, eu estava aqui perto com a Cia Religare, bastava que fizessem menos barulho para também  nos ouvir. Tenho aprendido com o tempo, cada vez mais, que é inútil pensar em "contracenação" se não estivermos dispostos a fazer silêncio. 
O Silêncio é sagrado, nele há uma ruidosa e encantadora música e fala milenar do universo, nos dizendo sobre o que o Tempo, pode fazer por nós, agora. Agora quero fazer Van Gogh! E quero fazê-lo com a dignidade que ele merece por sua grandeza, mas antes de tudo, pela sua sensibilidade que só foi reconhecida depois de ter sido esmagada pela falta de olhos que o percebessem e o retirassem desse enquadramento absurdo e violentamente cruel do que chamam de loucura! Então,  tudo que espero é ter competência e humildade para fazê-lo, mesmo que sabendo que ele não precisa de mim para viver, porque permanece vivo e grita suas cores e orelha pelo mundo  muitas vezes, completamente surdo.

Ensaio poético visual por Alexandra Arakawa
homenagem a Marcelo Tosta...



"O mundo estava aqui, 
está em mim, 
eu estava aqui perto 
com a Cia Religare"

JS - O teatro tem jeito, tem como revigorar esta arte nesta Cabo Frio, neste Brasil?

MT - O Teatro precisa de coragem! Não se faz teatro sem coragem, sem riscos, sem mar, sem vida, sem fogo nas ventas, nas “partes”, no corisco. Na verdade eu penso que o país precisa do Teatro e que o Teatro precisa ser entendido de uma vez por todas como profissão, como legado, como tarefa absolutamente imprescindível para que aconteça alguma espécie de deslocamento de nossas zonas de conforto nada confortáveis. O teatro precisa de gente abusada, de gente puta, de puta, Salve as putas! De Santos mártires que gozem por Deus! E que entendam que Deus e o diabo, sempre tomam chá, juntos no final da tarde. Não existe esta coisa chata de se trabalhar sem ter ganhos, sejam eles físicos ou secundários. Todo ator merece respeito pelo seu TRABALHO e o teatro não pode deixar de ser considerado como uma grande alavanca possível e próxima de todos nós, para que possamos despertar o mundo do sono da ignorância. O país precisa de nós e não de elitização. O teatro é tão fundamental e urgente quanto a fome. Salve Antonin Artaud! Laroiê!

JS - Quem é Marcelo Tosta por Marcelo Tosta

"E que entendam 
que Deus e o diabo, 
sempre tomam chá, juntos
no final da tarde."


MT - Um homem nu diante do espelho, que não tem a menor pressa em colocar a roupa.


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

OFICENA em Vídeos - desde 2013. Confira!

Um Breve história do OFICENA - Curso Livre de Teatro do Teatro Municipal de Cabo Frio, a partir de 2013 até 2017. Faça sua viagem, viva suas recordações! Vale a pena...

Desfile do OFICENA - Recepção dos novos alunos - 13 de março de 2017




FALAS DO OFICENA 01
Depoimentos de alunos do Curso - 2016



FALAS DO OFICENA 02
Depoimentos de alunos do Curso - 2016


FALAS DO OFICENA 03
Depoimentos de alunos do Curso - 2016



Divulgando O INSPETOR GERAL - 2016


Divulgando o "O NAVIO NEGREIRO" 2016


Vivência coletiva.



Cenas do Oficena - 2016



Não há Tempo Pordido - 2016




III Ciclo de Leitura Dramatizada - 2016



Falas do OFICENA 04 - 2016


Encontro de Grupos do OFICENA - Abril de 2016



Falas do OFICENA - 2016



Mulheres que Fazem Teatro no OFICENA - 08 DE Março - 2016

DESFILE DO OFICENA - 2016




Sa Soraya, Atuará em Aurora da Minha Vida, de Naun Alves de Souza.

Sa Soraya faz parte da 3ª Prática de Montagem do Teatro Quintal.
Impossível contar a história artística de Cabo Frio nos últimos 10 anos, sem reverenciar o nome de uma das pessoas mais atuantes da cidade. Soraya Costa, conhecida como Sá Soraya, por sua atuação no jongo da TRIBAL, responsável, junto com uma geração de cantadores para-folclóricos da região, pelo apoio ao ressurgimento das rodas de canto popular. 
Assídua nos redutos do samba da cidade, ela dá um show quando se fala em cultura popular. Historiadora, estudiosa, mãe de duas filhas, esta "guerreira das artes", agora, vai emprestar seu talento, para a obra de Naum Alves de Souza, "Aurora da Minha Vida", texto teatral que é um verdadeiro marco da dramaturgia brasileira, na terceira montagem da "Prática de Montagem do Teatro Quintal", com direção de Dio Cavalcanti e adaptação de Silvana Lima.
Em 2011 e 2012, Soraya já havia participado do "Auto do Trabalhador" de João Siqueira, mostrando que também podia fazer teatro. Dirigida por José Facury, naquela ocasião, ela dançava e cantava jongo, além de interpretar diversos personagens da peça. Em viagens pela região dos lagos, se apresentando pela cidades, aqui e ali, mesclava seu trabalho artístico com a atividade de tesoureira da associação TRIBAL. Depois, tornou-se PRESIDENTA da mesma, onde mergulhou nas ações burocráticas, até entregar o cargo para sua sucessora, Christianne Rothier. 
Cansada, pediu um tempo e foi se dedicar à contação de história, à cantiga popular e agora, também, ao teatro. Seu idealismo e luta pela libertação da mulher, em todos os sentidos, encontra nela uma força que traz muita energia e arte, um exemplo de que a vida está aí para ser domada pela força do caráter, mas também, pela expressão da arte.


SERVIÇO
Texto: Naum Alves
Adaptação: Silvana Lima
Direção: Dio Cavalcanti

Local: Teatro Quintal - Rua Américo Ferreira da Silva, n°3, Parque Burle.
Data - 13, 14, 15, 21 e 22/10 

Hora: as 20h 

Circuito Tribal das Artes - Um retorno em alto estilo...

Jane Lacerda do grupo HI-ATO, retorno
aos palcos como atriz e produtora.
Depois de um longo inverno, a TRIBAL retorna com suas atividades artísticas. Na verdade, os espetáculos que estão sendo feitos no USIN4, são uma forma de agradecer por tantos anos de luta e apoio de uma associação que já viveu de um tudo. 
Quando de sua fundação, em 2004, uma multidão de jovens se aglomeraram em torno de um grande sonho idealista, agregar os artistas da cidade em prol de um ideal mais profissional. Fazer eventos, discutir política cultural e desenvolver ações comunitárias e artísticas para trazer, cada vez mais, a arte e a cultura como uma ação do cotidiano.
Assim, surgiu a "Noite Cultural da Tribal", o "Ciclo de Leitura", o "Jongo da Tribal", a "Ciranda Tribaleira", o "Ponto de Cultura da Tribal", o "Tribal Total", e até mesmo a montagem da peça "Auto do Trabalhador" de João Siqueira, que virou um clássico e teve mais de 20 apresentações por toda a região.
Durante 5 anos, a partir de uma debandada de quadros bem treinados e gestores que foram viver suas vidas de "adulto" e não puderam mais se dedicar à associação, viveu-se um período de apoio aos eventos da cidade, oferecendo equipamentos gratuitamente, na maioria das vezes, para ajudar os eventos independentes da cidade a darem certo.
Em 2017, a associação parecia cansada, mas não esmoreceu. Ensaiou um lindo espetáculo de cultura popular e apresentou na UFF de Niterói, mostrando muita energia criativa. A partir deste momento, as reuniões passaram a ser mais assíduas até chegar-se ao "Circuito Tribal das Artes", um evento que é a cara da associação.
Abriu com o espetáculo de mímica "Por Detrás do Silêncio" de Jiddu Saldanha, passando pelo espetacular "Títeressamba" de Clarêncio Rodrigues, e agora, já está na terceira apresentação: "Em Terra de Cego quem tem um Olho é Rei", de Jane Lacerda, uma contação de história que fala da diferença em três momentos, com cantigas e intervenções da plateia também. Todas as histórias narradas são de domínio público e da tradição oral brasileira além de um cordel de Eduardo Telles. 
2017 é motivo de festa para tribal e para o Teatro Cabofriense, por marcar a volta de Jane Lacerda para os palcos da cidade. Jane, professora do município, ficou alguns anos afastada dos palcos, mas em 2016, começou a marcar presença nos cursos da cidade e sua energia pulsante de atriz, diretora e produtora, voltou à luz e hoje, ela está na ecologia artística da cidade a todo vapor, mostrando seu talento e arte, para deleite das novas gerações.

(Jiddu Saldanha - Blogueiro)



sábado, 7 de outubro de 2017

Aurora da Minha Vida - de Naum Alves de Souza, no Teatro Quintal...

Foto: Pedro Brandoff
Design Carteirinhas: Thays Luz
Design Cartaz: Gustavo Vieira 
A forma criativa de apresentar o elenco e uma bonita campanha pelo mundo digital, marca a terceira montagem do Teatro Quintal, Cabo Frio, aguardando para ver a estréia de "Aurora da Minha Vida" de Naum Alves de Souza, um clássico da dramaturgia brasileira.

*
A Pratica de Montagem do Teatro Quintal é um curso que tem o objetivo de proporcionar aos alunos uma instigante vivência através da montagem de um espetáculo teatral  e todos os elementos que a compõem, como: estudo de texto, cenografia, expressão corporal, figurino, direção e atuação cênica. O curso foi criado em 2016, pelos artistas Silvana Lima, Dio Cavalcanti e Vivi Medina e desde então montou os textos "Bailei na Curva" e "Querelas Liras e Jagunços". Em Outubro a Prática apresenta sua terceira montagem intitulada "Aurora da minha vida" de Naum Alves de Souza com direção de Dio Cavalcanti. 

Sinopse

Pense num carro da década de 50. Agora pense nos carros de hoje. Pense num televisor da década de 60. Agora se lembre da TV que está na sua casa. Lembre do celular da década de 80 e pense neste que está no seu bolso. São diferentes? Agora pense na escola de todas essas décadas e a escola de hoje. São diferentes?
O texto “Aurora da Minha Vida” de Naum Alves de Souza é um clássico da dramaturgia brasileira escrito em 1981 no final da ditadura militar e que infelizmente se faz absurdamente atual. 
A Pratica de Montagem III do Teatro Quintal traz à cena essa ácida denúncia sobre a educação e as relações de poder existentes no ambiente escolar.


SERVIÇO

Texto: Naum Alves de Souza
Adaptação: Silvana Lima
Direção: Dio Cavalcanti 
Quando: OUTUBRO 13,14,15,20,21 e 22 
Sextas, sábados e domingos às 20hs
Onde: Teatro Quintal 
Rua Américo Ferreira da Silva, 03 Parque Burle (atrás da UPA)
Quanto: Ingressos R$ 20,00
Antecipados R$10,00 no Love Salad (ao lado da galeria do cinema)

Maneira criativa de apresentar o elenco, com carteirinhas confeccionadas digitalmente por Thays Luz












segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Entrevista com Vivaldo Franco e Crítica do espetáculo METAMORFOSE PRIMEIRO AMOR!

Tenho visto Vivaldo Franco, esporadicamente, nos palcos da vida e algo me chama atenção neste cara. Seu profissionalismo, e sua ação artística focada nos objetivos da profissão. Professor da famosa escola de Rio das Ostras, ONDA, ele está trabalhando sua arte como legado estético e político, e isso não é pouco. Por isso fiz questão de entrevistá-lo para o blog Teatro Possível. (Jiddu Saldanha - Blogueiro)

Breve Biografia.

Vivaldo Franco iniciou sua carreira artística em 1978 no grupo Tafetá de Teatro Popular na periferia do Rio de Janeiro. Em 1983 ingressa na UNIRIO formando-se em Artes Cênicas.  Pós graduado em Teoria da Arte pela UERJ e em Docência do Ensino Superior pela USAM.  Ator, diretor,  produtor cultural, tem mais de 30 montagens em seu currículo. Foi diretor de palco do Teatro Ziembinski e produtor cultural do departamento de cultura da UERJ. Trabalha na Fundação Rio das Ostras de Cultura, desde 2006 ocupando a função de professor de Artes Cênicas e coordenador técnico no Centro de Formação Artística – ONDA. Conselheiro Municipal de Cultura de Rio das Ostras  (2017/2018). Atualmente dirige e atua no espetáculo METAMORFOSE PRIMEIRO AMOR, adaptação dos textos de Franz Kafka e Samuel Beckett.


Entrevista

Teatro Possível - Na tua percepção, o que é necessário para ser artista de teatro?

Vivaldo Franco - Vocação.  Para ser artista precisa ter vocação. Talento é importante mas não é fundamental.  Você pode ser um artista com recursos limitados e pouco talento mas se você tiver vocação você vai sobreviver da sua arte. De uma maneira ou de outra.  Você pode desenvolver técnicas para isso. Mas sem vocação não adianta.  Conheço muita gente talentosa que não sobreviveu.  Virou dona de casa ou caixa de banco.

TP - Você se considera um artista engajado? Como você percebe o ofício, face às questões políticas que o Brasil vive, hoje em dia?

VF - Totalmente.  Não acredito na Arte pela Arte. Toda Arte é política.  Neste sentido acredito que todo verdadeiro artista é um ativista político,  seja de esquerda seja de direita. Ou ainda um alienado a serviço de um ou de outro mas ainda assim um agente político. Para mim não existe Arte puramente para diversão,  entretenimento.  Isso é parque de diversão.  Para mim o artista que diz que faz arte e não faz política ou é um grandessíssimo filho da puta ou é um analfabeto político que acha que a sua “não participação “ o isenta dos acontecimentos políticos do país e do mundo .

TP - Kafka e Becket num mesmo espetáculo, como surgiu esta idéia? Porque?

VF - Há alguns anos vinha pensando em montar um espetáculo solo que me possibilitasse viajar, participar de festivais,  mostrar mais o meu trabalho de ator. Nestes 40 anos de carreira tenho produzido e dirigido mais do que atuado, embora tenha começado como ator. Então comecei a procurar monólogos.  Já conhecia A METAMORFOSE do Kafka mas não via como adaptar para um solo. Quando li o PRIMEIRO AMOR de Beckett há três anos atrás descobri uma relação extremamente forte entre os dois textos. Foi instantâneo. A partir daí passei a pesquisar mais profundamente sobre a obra dos dois autores para fazer uma adaptação.


METAMORFOSE PRMEIRO AMOR, inspirado em Kafka e Beckett!
TP - Que tipos de limites você teve que romper, para chegar à concepção deste espetáculo. É muito cansativo? É preciso muita dedicação?

VF - Foram três anos de trabalho até a estreia. Muita leitura. Muita pesquisa. Muitas versões. Queria me impor algo completamente diferente do que já havia feito como diretor e ator. Tive que ter uma disciplina corporal rigorosa.  Tive que experimentar linguagens corporais e vocais ainda não experimentadas.  Tive que vencer medos e vaidades. Foi um processo sofrido. Fisicamente sofrido. As apresentações são extenuantes e meu corpo sofre. Mas estou muito feliz em ter conseguido chegar até aqui. O processo continua. Vamos ver até onde vou aguentar. Tive a ajuda de muitos amigos mas duas pessoas foram fundamentais para o resultado : Marcellus Machado que vem acompanhando todo o processo desde o inicio e Polyana Lott que fez um treinamento corporal que me ajudou muito.

TP - Quais são seus planos e sonhos para a circulação de Metamorfose - Primeiro Amor?

VF - Quero mostrar esse trabalho para o maior número de pessoas. Quero viajar.  Espero poder ficar com este trabalho por alguns anos.

TP - Quem é Vivaldo Franco por Vivaldo Franco?

VF - Sou de capricórnio.  Terra. Chão.  Sou um pessimista nato que acredita que no fim tudo vai dar certo ou não. Tenho orgulho de ser gauche na vida. Sou canhoto.  Sou artista.  Sou ateu. Sou de esquerda.  Sou petisca de alma e coração.  Sou bissexual.  Sou amoral. Sou METAMORFOSE. 
































Crítica de Metamorfose Primeiro Amor
Por José Facury

Quando se procura algo que fale sobre Kafka e Beckett em qualquer enciclopédia, aparece inevitavelmente a " teoria do fracasso "...E é o que está contido filosoficamente na obra literária destes dois fabulosos autores que, incompreendidos por muitos alavancaram notório sucesso em poucos e exigentes pesquisadores da nossa vanguarda, literária e teatral...O que precisa ser crivado, não sei se para entendê-los, mas muito mais para sentirmos o rastejamento animal da transposição humana dos  personagens de um e a completa auto anulação do agir do outro, até eles serem carcomidos  na dor pelo desejo exaustivamente reprimido. Muito do que pessoas da nossa sociedade atual vivem, quando trocam a realidade vivencial pela virtual...Em A Metamorfose de Franz Kafka e O Primeiro Encontro de Samuel Becket estes estados são transparentes. Uni-los em uma encenação solo, interpretá-los e ao mesmo tempo se auto dirigir exige do encenador, ator e cenógrafo um domínio pleno em pesquisas, tanto literária como nas partituras dramatúrgicas corporais que terá que construir e desconstruir para metamorfosear os estados de consciência e inconsciência  de si e da contextualização metafórica dos personagens. O banco de praça que desenvolve um "trouvaille" cenográfico, mesmo descontextualizado da locação das duas cenas e o nú, o mijar em cena, aponta no sentido do libertarem-se daqueles seres que se auto flagelam por não suportarem mais aquelas peles que os sufoca. Uma grande interpretação para uma belíssima concepção cênica que precisa ser vista por todas as almas sensíveis. (José Facury Helluy)
















Com a palavra, o ator-diretor.

APRESENTAÇÃO

Encenar um monólogo é sempre um desafio para aqueles que “amam a Arte que há em você e não você na Arte”, para citar o grande Mestre Stanislavski. Para esses é sair da zona de conforto. É reconhecer os limites e tentar superá-los. É (re)aprender sempre.
Para comemorar 40 anos de carreira – completados agora em 2018 – resolvi desafiar-me. Nada melhor para isso do que encenar um texto do TEATRO DO ABSURDO. Ou melhor ainda: impor-se o supremo desafio – e porque não dizer extremamente pretensioso – de adaptar, não só uma, mas duas novelas da literatura do absurdo.
E já que era para ser desafiador porque não escolher os melhores?
A METAMORFOSE, de Franz Kafka, já era minha conhecida desde há muitos anos, dos tempos de faculdade. Já PRIMEIRO AMOR, de Samuel Beckett, eu o descobri há uns três anos, quando a idéia de um SOLO começou finalmente a tomar forma dentre os meus desejos.
A bem da verdade não se trata de traduções ou mesmo adaptações ipsis litteris dos textos originais. Eu classificaria mais como uma releitura livremente inspirada nos personagens que habitam essas histórias.
Há em Kafka e Beckett um fatalismo quase niilista. Uma desesperança vital que leva seus personagens a seguir em frente mesmo que este caminho sempre leve ao mesmo ponto de partida, num círculo vicioso digno de Sísifo.
Há nestes dois protagonistas uma inerente inadaptação ao mundo que os cerca. Eu diria mesmo que à própria vida. Uma estranheza e um estranhamento (no sentido brechtiano) intrínsecos aos seus olhares e também aos olhares dos que os olham e que os forçam a fugir, a refugiarem-se, a metamorfosearem-se em outros. Em solitários insetos.
O mesmo sentimento que me tem acompanhado durante toda a minha vida e, particularmente nestes tempos sombrios em que vivemos. Tempos que são reveladores e assustadores tanto pela ignomínia coletiva a que estamos sujeitados quanto pela inércia e impotência a que estamos nos submetendo.
(Fora Canalhas de Todas as Estirpes!)
A genial Cacilda Becker e o grande Sergio Britto tiveram como último trabalho teatral uma peça de Samuel Beckett. Longe de mim comparar-me aos grandes mas estas histórias de maldições teatrais são instigantes e inspiradoras. Como um labirinto do qual não se conhece a saída.
Enfim, é com grande prazer e dor que apresento este trabalho a vocês. Que ele possa de alguma maneira ter algum significado.

Vivaldo Franco – Diretor e Ator

A Primeira Cia. de Teatro com atores Negros da Região dos Lagos.

A performance "O AMANHÃ" que abordou a questão do
preconceito Linguístico! no dia 26 de Agosto de 2017
 no Galpão da Cultura Negra - Foto: Fernanda Rigon.
Com fortes sinais de maturidade, o teatro de Cabo Frio ganha um novo impulso, desta vez, jovens negros se articulam junto ao Professor e Diretor Ítalo Luiz Moreira, para criar o primeiro grupo de teatro de Cabo Frio, formado com afrodescendentes. É um sinal de que hoje, a sociedade Cabofriense, está mais aberta e pronta para avançar na percepção e no diálogo que a comunidade negra propõe. A Cia. ainda não ganhou um nome definitivo, sabemos apenas que é a  primeira da região e é formada por: Vitor Pires, Nara Lumière, Ju Aguiar, Anderson Souza, Carlos Oliveira, Sarah Silvestre e Rubenig Rodrigues.
Os dados já foram lançados, no dia 26 de agosto de 2017, no Galpão da Cultura Negra, no bairro da passagem, em Cabo Frio, onde o primeiro trabalho falou sobre o preconceito linguístico.
A decisão de criar esta Cia. levou anos para ser tomada, de fato e aconteceu dentro de um contexto onde tudo favorece. O teatro, que antes era uma atividade fortemente articulada pela classe média branca, da cidade, agora tem, na sua ecologia, um número muito maior de negros inscritos em todos os cursos livres da cidade, uma ótima oportunidade para que haja maior procura por um teatro que resgate não só a memória cultural da região, mas também, a questão racial; além, claro, de mergulhar fundo e comprometidamente na obra de mestres como Teixeira e Souza, Lima Barreto, Maria Carolina de Jesus, Elisa Lucinda, Abdias do Nascimento, entre tantos outros.
A Cia. de Atores Negros de Cabo Frio é bem vindo e desejamos a eles, o sucesso para  que, daqui um tempo, esses jovens tenham suas biografias repletas de realizações artísticas, abrindo caminho para os que virão. Também agradecemos pelo fato de terem se conectado com as raízes, para trilhar o caminho aberto mestres como: Benjamim de Oliveira, Rute de Sousa, Abdias Nascimento, Milton Gonçalves e tantos outros...

(Jiddu Saldanha - Blogueiro)

domingo, 1 de outubro de 2017

Crítica: Mergulho ou A Menina que Sangrava Poesia. Com a Atriz Rita Grego.

Dias 29 e 30 de Setembro, o espaço cultural USIN4 fechou o mês com chave de ouro, trazendo a atriz Rita Grego, do Rio de Janeiro para uma gloriosa exibição de seu solo teatral dirigido por César Valentim que já havia emplacado, em Cabo Frio, o Belíssimo "A Viagem de Américo". Segue abaixo, a crítica feito por José Facury.

Rita Grego, conexão com Anne Frank, energia e luz para a humanidade!

O MERGULHO ou a Menina que Sangrava Poesia

Crítica por José Facury Helluy.

Casa Lotada, uma boa pedida para finalizar o mês de setembro
num belo espaço independente, de Cabo Frio.
O Diário de Anne Frank, tem sido um libelo referencial que tem aprofundado por vários momentos a nossa consciência crítica diante do choque do dominador, do fugir, do se esconder, do ser aprisionada e finalmente sucumbir nas mãos da atrocidade de uma ditadura fascista, no caso a do nazismo alemão. Extrair desse quadro lamentável a sua poética, foi o maior desafio do adaptador dramatúrgico do Mergulho, ou A Menina que Sangrava Poesia, oferecendo a si mesmo, agora como diretor, a possibilidade de tecer uma ótima composição que pontuada pelo desdobramento cenográfico continuo do simbólico que permeia as culturas do opressor e do oprimido, se entremeando pela fisicalidade expressiva, ora construindo e desconstruindo os personagens que cercam a dor da menina judia. Ali, por diversos momentos fica quase impossível não se deixar envolver, até porque a interpretação forte, correta, com emoção sempre a flor da pele, mas comedida para não nos deixar levar pelo tom catártico e sim pela técnica da apurada mímese gestual das técnicas  absorvidas pelo estudo e pela pesquisa. Sem nenhum senão, nem na narrativa, nem no embalo das dores sentidas, nem na manipulação dos signos que a direção amarra com firmeza para dar qualidade ao enorme desafio transmitido à atriz nos diversos momentos das transposições dos personagens. O Mergulho então, apesar da sua datação histórica, é tão bem composto na sua atualidade, que nos remete aos factuais contextos de uma Síria, Cabul ou Namíbias ou mesmo nas nossas rocinhas da vida onde crianças passam pelo mesmo choque de desprezo e ódio que nós temos por nós mesmos, levados por ideologias e domínios territoriais desumanos e catastróficos. 

(José Facury Helluy) - 2017