segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Espetáculo de Dio Cavalcanti arrebata o público.

Dio Cavalcanti em "Viés de Mim", teatro Municipal de
Cabo Frio - 25 de outubro de 2014.
O espetáculo "Viés de Mim", de Dio Cavalcanti, trouxe para o palco de Cabo Frio, uma convergência de diversas linguagens e no foco principal a música. A palhaçaria, a teatralidade e a dramaturgia fizeram a música autoral ganhar um espaço raro no palco principal da cidade. É indiscutível a qualidade dos músicos de Cabo Frio, entretanto, o mercado local estimula a música muito mais como um objeto de consumo, do que como um farol estético que permita discutir a subjetividade e o inconsciente coletivo da cidade, suprimindo a oportunidade do artista, de levar para o palco a sua própria linguagem, e expor seu material de invenção.
Dio Cavalcanti, seguiu a trilha de Azul Casu, um músico local, que sempre se preocupou em fazer do show musical um ambiente para circular o pensamento artístico e não apenas o virtuose e a execução deste ou daquele instrumento, acompanhado por uma voz afinada. Foi por isso que gostei do espetáculo "Viés de Mim". Mesmo sabendo que Dio Cavalcanti é um compositor experimentado, com formação sólida e experiência com plateias, na verdade, seu espetáculo é também um fortalecimento para aqueles que buscam expressar sua linguagem além de portador de reflexões que vão da ética ao brado em favor da independência criativa e defesa de um ofício artístico.
O espetáculo trouxe, entre outras delícias, uma trupe de palhaços com um tipo de interpretação voltada para o intimismo, afinal, trata-se de palhaços treinados para trabalhar em hospitais, que, diga-se de passagem, era o ambiente onde o espetáculo acontecia. O roteiro, mostrava Dio e seus convidados, como possíveis loucos que viviam presos num hospício e aproveitavam o tempo em que os "médicos palhaços" se ausentavam para interpretar músicas de autoria própria. O resultado, foi o arrebatamento do público, que ficou concentrado em cada detalhe do acontecimento cênico-musical.
Foi dentro deste ambiente lúdico que Dio mostrou a nata de sua produção musical, suas criações poéticas acompanhadas por uma banda bem sensível e musicalmente bem integrada.
A vibração positiva da platéia, ficava evidente a cada interação dos palhaços e em cada música que Dio nos mostrava, sempre acompanhada de sua performance de ator. A presença de músicos importantes da cidade como convidados  - Azul Casu, Ivan Alves e Paulo Mou  - contribuiu para o clima ainda mais profissional. No fim, era olhar no rosto de satisfação do público. Um espetáculo com uma hora e quarenta de duração, teatro praticamente lotado e aplausos emocionados. Dio é mais um pássaro de asas robustas que levantam voo em direção ao sucesso.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dio Cavalcanti em Cabo Frio.

Conheço Dio Cavalcanti desde 2004, quando vim morar em Cabo Frio, durante os últimos 10 anos, pude acompanhar seu crescimento artístico e hoje, Dio é protagonista de sua carreira. Com uma linguagem atraente para todas as idades, ele conseguiu uma proeza. Seu canto é recheado de cena artística e sua linguagem vai do virtuose à composição além de uma pegada diferenciada na música. Um show que vai juntar visual e arte, palhaçaria e teatro e tudo com uma seleção musical de seu riquíssimo repertório. Agora, estamos todos, esperando com muita fúria, a chegada de seu novo show, com uma estréia retumbante em Cabo Frio.

Dio Cavalcanti em “Viés de Mim”
(Press Release)

“De perto ninguém é normal”, “De gênio e louco todo mundo tem um pouco”, “Louco é quem me diz que não é feliz”. Essas são expressões que relativizam este tão famoso estado de alma. Mas o que é loucura? O que é Utopia? Digamos que tudo que nos foge à realidade, que se esquiva do comum, que escapa do que é ordinário – ordinário no sentido de cotidiano – é considerado uma insanidade e, portanto, extra-cotidiano. “Pra mim a loucura é apenas um estado de ação. Ela pode ser altamente libertadora. ou limitadora. E essa resolução depende de muitos fatores.” No espetáculo “Viés de mim” Dio pretende trabalhar sobre a sutileza, a singeleza e a poesia da loucura, utilizando este lugar extra-cotidiano como mote para uma abertura lírica e poética sobre o tema. Nesta nova empreitada ele utilizará música, teatro e clown para viver e cantar sua visão de mundo. As composições são todas autorais. São criações que ao longo de 12 anos ele acumula. O cenário é de um manicômio estilizado. As cenas terão como alicerce as linguagens que ele pesquisa como ator, principalmente a do clown. 
O show terá a participação de três palhaços do núcleo de pesquisa “Ambulatório de Palhaços” que o próprio Dio coordena. Além da participação de três compositores da cidade. São eles: Azul Casu, Ivan Alves e Paulo Mou. “Os palhaços serão os ‘cuidadores’ desse manicômio estilizado que será montado no palco. O palhaço por si só já é uma figura transgressora que se expõe ao ridículo para flagrar, denunciar ou apenas insinuar suas próprias mazelas e conseqüentemente as mazelas da sociedade.” Dio. A grande cartada do espetáculo é tratar o tema da loucura através da relação desses ‘cuidadores-palhaços’ com o eu lírico do Dio trancado neste ambiente comprimido e ao mesmo tempo avassalador.