terça-feira, 10 de julho de 2012

Uma delícia em discussão!


“Cenas Curtas”, “Esquetes” ou “Sketch”  A pergunta que não quis calar durante o  “5° Niterói em Cena” (Festival de teatro realizado na terra de Araribóia) era o fato de o festival ser de   “Cenas Curtas” ou “Esquetes”.  Cada vez que o assunto era discutido por alguém, o papo, sempre muito divertido, colocava em cheque a visão acadêmica, fechada e resumida de uma idéia que há mais de 10 anos vem ganhando novos contornos no cenário artístico teatral brasileiro

A Atriz Mariana Jacques na cena "Flicts", ela define seu
trabalho como "Solo Narrativo", pequisa feita a partir de
oficinas ministrada pelo ator e diretor Júlio Adrião.
Inspirado na palavra “sketch” sua originária em inglês, Aurélio Buarque, a dicionarizou em português como “Esquete: Pequena cena de revista teatral, rádio ou televisão, quase sempre de caráter cômico”.  Nos deparamos com um conceito definido, resumido, claro e fora da realidade teatral contemporânea!
A definição de Aurélio Buarque dá  “pano pra manga”, considerando que na terra brasilis, lidar com conceitos não é o forte, além do que, as escolas de teatro discutem mas não o aprofundam o conceito. O Brasil, como tudo indica, não é um país “formador de conceitos” antes os adota, considerando cânones originários do velho mundo.
Do lado de cá do atlântico, esquete é entendido como “teatro de curta metragem”, logo, a cena tanto pode ser curta porque nasceu de uma dramaturgia especificamente de fôlego curto como pode ser um corte, a partir de trabalhos grandes, ou seja; na prática, a idéia de “esquete” é flutuante e é captada a partir de vários referenciais tais como: O grupo de teatro, retira de um espetáculo já pronto, com mais de 50 minutos de duração uma cena, dá a ela um acabamento novo e mostra-a em um festival onde o tema é peças com tempo exigido entre 6 a 15 minutos, mais ou menos. 

"O Cuco Nurueguês" - André Rodrigues e Letícia Medella, assumem a improvisação e o jogo  como conceito. 
Mas atualmente os festivais já apresentam uma terceira vertente e até uma quarta, digamos, a terceira se refere aos grupos de mímica, másacara e palhaçaria que, apoiados em outras formas de ver o teatro, trazem cenas improvisadas ou testadas e algumas vezes apenas roteirizadas para mostrar as habilidades do ator, estabelecendo um jogo com a platéia e o júri que não passam pela visão acadêmica que é, muitas vezes, inspirada no teatro romântico francês da época de Moliére. E a quarta, a que eu me referia é mais radical ainda. Estão migrando para o teatro, artistas plásticos de escolas conceituais, a maioria “não atores” levando para o palco uma mistura de cena corporal de ator com uso de vídeoinstalação.
Trupe de Teatro AfroReggae com a cena curta "REI" retirada de um
espetáculo longo e recriada para o formato de cenas esquetes do 5º
Niterói em Cena - 2012.
Dentro deste variado perfil temos todo tipo de “esquete” onde o fator mais preponderante é respeito ao tempo permitido, mais do que um conceito estabelecido. O mais importante, na minha percepção, é que os festivais de teatro consagrado a cenas curtas estão levando um grande número de pessoas curiosas e atentas ao teatro, pessoas de todas as classes e profissões, formando um público renovador e ajudando a encher as casas de espetáculos que estão, aos poucos, revendo seu modo “tradicional” de encarar o teatro.

Um comentário:

  1. Minha opinião pessoal, pela experiência nesses debates de festivais dessa vertente, é de que deve haver "início, meio e fim". Isto é, como você bem sintetizou: "teatro de curta metragem".

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