quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Porque é importante formar novos grupos de teatro?

Recentemente, numa discussão sobre formação de grupo de teatro, uma jovem me interpelou dizendo "como podemos formar um grupo de teatro, se ninguém apoia nada e tudo é muito caro"? Minha resposta veio logo em seguida: "Sem novos grupos de teatro, não tem como saber de onde virá o apoio". Na verdade, o teatro é um instrumento poderoso para lidarmos com os mecanismos de exclusão e a "falta de apoio". Através de grupos, o jovem vai se organizando de forma "política" e começa a descobrir formas de acesso aos canais de diálogo com a sociedade. Logo, formação de opinião e mergulho no contexto de sua própria realidade faz com que se avance cada vez mais na direção de conquistas como cidadania, pertencimento e autonomia.

Surgido dentro do OFICENA- Curso Livre de Teatro de Cabo Frio o grupo Entre Palcos faz jus ao próprio nome. Transitando
entre São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, aos poucos está chegando ao seu próprio conceito de grupo e formação de equipe.

Esta tem sido a base das discussões dentro do OFICENA, lidar com uma juventude sedenta por expressar-se e, ao mesmo tempo, querendo muito mais do que apenas se formar numa escola ou encontrar um emprego. O jovem hoje quer entender o mundo de uma forma mais abrangente e precisa descobrir isso estando dentro do debate, de forma lúdica e provocada, sendo assim, não é possível viver numa sociedade sem renovação de quadros artísticos. A ampliação do contato com o teatro, através da formação de novos grupos, vai ditar diretrizes para um teatro onde não só o autoconhecimento e a autonomia estão em jogo, muito mais, trata-se de mergulhar na superfície de si mesmo para chegar ao fundo.
TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, dispõe de repertório
ainda em fase inicial e está buscando a rua para que sua atividade
torne-se sustentável.
Manter força e vigor em sua criação, encontrar sustentabilidade mínima para atuar como grupo amador é sempre um bom início de jornada para os que estão começando. É necessário descobrir a ecologia de sua própria formação de equipe, dentro disso, distribuir o trabalho e focar não apenas na atuação como prática artística, mas também na construção do espetáculo e no desenvolvimento de ações que resultem num impacto, ainda que pequeno, para a comunidade, que também tem seu papel no processo. Acolher da forma como for possível, novos agentes e novas energias geradoras de subjetividade em seu bojo.

Breve Histórico do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.

O TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, surgiu em 2014 e teve sua estreia como convidado do Festival de Esquetes de Cabo Frio - FESQ, com a cena "Ditadura", de Nathally Amariá. O grupo já vinha buscando seu repertório, iniciado nos bastidores do OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, com a cena, "Jana, Pérola do Mar", texto de Nathally Amariá, direção de Jiddu Saldanha, que, posteriormente apresentou-se na primeira mostra de solos teatrais de Cabo Frio, FestSolos. No mesmo período foi produzido e encenado o solo teatral "A Contradição de uma Alma" com texto de Camille Miranda, atuação de Gustavo Vieira e direção de Jiddu Saldanha.
Embora tenha, atualmente, uma equipe coesa e dedicada, o TCC não exige
"fidelidade à sua marca". Acreditando que trabalho em equipe é uma forma
de reciprocidade, o grupo dedica-se a construir seus trabalhos, respeitando
a escolha de seus participantes.
Na busca de formar seu próprio repertório, o grupo começou a buscar no NUDRA - Núcleo de Dramaturgia do OFICENA, a possibilidade de incorporar a seu repertório alguns outros trabalhos escritos e dirigidos por alunos do curso. Foi assim que surgiu a ideia de trazer as cenas: "O Estrelato de Gold", escrito por Kéren-Hapuk e Náthally Amariá e o texto "Os Vampiros Estão com Fome", escrito e dirigido por Kéren-Hapuk.
No início de 2015, mais dois trabalhos foram incorporados ao repertório do TCC, a cena curta "Eu só Liguei pra Dizer que te Amo", texto e direção de Jiddu Saldanha e a primeira montagem longa do grupo, a peça "Piquenique no Front", de Fernando Arrabal, dramaturgo espanhol, consagrado pela sua escrita única e caótica. Com um quadro de artistas, quase todos em início de carreira, o TCC pretende ser um grupo com formação de repertório e pesquisa teatral variada, embora tenha em seu nome a palavra comédia, entendemos comédia, aqui, como uma forma expressiva de levar a arte em todos os seus estilos. Não somos um grupo fechado no gênero humor, mas buscamos a profundidade da "comédia humana", um exercício quase psicanalítico de mergulhar na alma humana e extrair dela o que tem de mais profundo e risível.

O grupo é mais importante do que a legenda.

Muitos jovens se recusam a formar grupos com legenda, marca e rotina, por entender que estarão assumindo um compromisso, algo como um "casamento". Numa sociedade individualista e caótica como a nossa, pertencer a uma "família" pode exigir algum tipo de dedicação que não se tem disponibilidade para realizar. Porém, existem várias formas de "casamento", fazer parte de um grupo "sem compromisso" também é uma forma de atuar. Ajudar os colegas a desenvolver um trabalho em equipe, mesmo que sem estar todos os dias presente, não quer dizer que não seja uma participação importante. O teatro é algo que se faz em grupo e em equipe, e uma equipe não precisa estar o tempo todo "colada" entre si, o mais importante é estabelecer metas e doar-se um pouco para o conjunto, desta forma, o teatro acontece, novos grupos surgirão e todo mundo ficará feliz. Neste contexto, A ARTE AGRADECE!

"Alguns conselhos para quem quer formar grupo de teatro", leia tópico relacionado a este artigo!

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