TEATRO PARA DANÇAR

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Inspetor Geral e O Navio Negreiro, são os dois novos espetáculos do OFICENA - Curso Livre de Teatro.

O Inspetor Geral
de Nikolai Gogol

Cena do Inspetor Geral, turma Infanto-Juvenil, OFICENA
2016. Nova Montagem.
Embora seja uma remontagem modificada, o "Inspetor Geral", de Nikolai Gogol, está sendo levado pela turma infanto-juvenil, do OFICENA - 2016. O texto já fora montado em 2014, com a turma da noite e foi revezando com os estudantes até meados de 2016, chegando a 25 apresentações desde o ano que surgiu. O espetáculo já foi apresentado no Teatro Municipal de Cabo Frio, Faculdade Estácio de Sá, Praça São Benedito, Praça da Cidadania, em Cabo Frio e Teatro Municipal de São Pedro da Aldeia.
"O Inspetor Geral" é um clássico da dramaturgia mundial, escrito pelo ucraniano Nikolai Gogol, que, no entanto, é conhecido como dramaturgo russo, por ter escolhido viver e estudar na Rússia Czarista do século XIX. O autor de "O Capote" e "Diário de um Louco", é prestigiado no meio teatral até hoje. Trazer sua obra para o palco de Cabo Frio, não deixa de ser um fato importante para o desenvolvimento do teatro local.
"O Inspetor Geral" conta a história de uma cidadezinha do interior da Rússia, envolvida fortemente com a corrupção dos políticos e que recebe, em forma de boato, o aviso de que um funcionário do Governo Federal virá fazer uma auditoria na cidade. Para receber, no entanto, o tal inspetor, a cidade precisa construir uma aparência de que funciona normalmente, mas as coisas mudam, quando as máscaras começam a cair. O resultado é uma sucessão de erros e fatos pitorescos que vão deixando a cidade numa saia justa, até o final cheio de surpresas.

SERVIÇO:
Texto: O Inspetor Geral
Autor: Nikolai Gogol
Direção: Italo Luiz Moreira, Yuri Vasconcellos e Jiddu Saldanha
Direção Assistente - Nathally Amariá
Produção: OFICENA - Curso Livre de Teatro
Elenco: Alunos do OFICENA 2016.
Data: 30 de outubro de 2016
Local: Teatro Municipal de Cabo Frio
Hora: Sessão dupla às 17h. e 19h.
Valor do ingresso: R$ 5,00



O Navio Negreiro
de Castro Alves

Cena dirigida por 05 diretores, todos alunos do OFICENA . Um projeto de
autonomia, digno de um grande desafio.
O Navio Negreiro
de Castro Alves
Montagem do OFICENA - Curso Livre de Teatro
turma adulta / noite

Considerado um dos mais importantes poemas escrito em Língua Portuguesa, será a terceira montagem oficial dos estudantes do OFICENA, turma da noite. Dessa vez, com uma grande novidade: A montagem é assinada por 5 diretores-alunos do curso, com supervisão de Yuri Vasconcellos, Nathally Amariá e Jiddu Saldanha.
O texto de Castro Alves permanece atual e traz uma profunda reflexão sobre a condição humana, a partir da histórica luta pelo fim da escravidão no Brasil. Quando foi lançado, em 1869, tornou-se foco de grandes discussões abolicionistas e, sem dúvida, teve seu papel no estímulo à extinção do tráfico de escravos negros no Brasil imperial.
Entendendo o momento em que a exclusão social, somada à falta de oportunidade e completamente sem qualquer esperança de futuro aos jovens, a montagem é um exercício pleno de cidadania, conquistado pelos próprios alunos, que resolveram embarcar numa grande viagem estética para a realização de um poema épico em forma de linguagem teatral.
A montagem de "O Navio Negreiro", também faz parte de um projeto de autonomia dentro do OFICENA, onde a pedagogia é exercida de forma a estimular entre os alunos: O canto, a dança, a discussão e a realização independente de suas criações artísticas teatrais. O processo de montagem desse trabalho, levou os alunos por lugares nunca imaginados, de sua sensibilidade e ampliação de suas próprias ferramentas de realização.

SERVIÇO:
Nome: O NAVIO NEGREIRO
Autor: Castro Alves
Direção: Pedro Carvalho, Mario Sales, Mayra Zobrist Rodríguez, Matheus D'Castro e Jorge Rodrigues.
Supervisão: Yuri Vasconcellos, Nathally Amariá e Jiddu Saldanha
Produção: OFICENA - Curso Livre de Teatro
Data: 29 de outubro de 2016
Local: Teatro Municipal de Cabo Frio
Hora: Sessão dupla às 19h. e 21h.
Valor do ingresso: R$ 5,00

FESQ - Um Olhar Politico.

Arte e política caminham de braços dados, pode até não ser política partidarista, mesmo assim, o artista sempre traz uma visão ampliada sobre questões que envolve cidadania e reflexão. No FESQ 14, não poderia ser diferente.


MACACOS - CIA DO SAL

Clayton Nascimento, além de premiado como melhor ator e melhor esquete
trouxe um discurso contundente denunciando toda a hipocrisia por trás do
racismo vigente no Brasil.
Bastou entrar em cena para que o ator Clayton Nascimento desse uma aula de história sem nenhum pedantismo. Sua destreza e domínio da voz, dramaturgia e geografia de palco, foi suficiente para mostrar que está surgindo um grande ator do teatro brasileiro. Sua energia combativa, sua força de expressão, fez com que ele construísse uma profunda empatia com o público que ficou extasiado com seu trabalho incrível.
"MACACOS" é de arrepiar a alma, trouxe reflexões aprofundas sobre nosso cômodo respirar consumista, nos jogando num abismo de reflexões. Tendo o racismo como foco principal, a cena é uma provocação do começo ao fim. O público permaneceu calado e apreensivo e cada um de seus movimentos em cena e, como numa boa artilha de Bertold Brecht, o momento em que ele convoca a platéia a cantar e refletir sobre a letra da música sobra a proclamação da república, aquele famigerado hino que diz "liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós". Clayton desconstrói a hipocrisia expressa até mesmo num hinos que se propõe ser representativo de uma nação inteira, construída apenas para uma minoria em detrimento do sofrimento da grande maioria. Isto é o Brasil que Clayton retratou com profundidade e uma acurada técnica dramatúrgica e de ator.

Last Dance - Um tapa na cara dos "relacionamentos
abusivos", uma cena belíssima, com profunda
poesia no melhor estilo Pina Bauch.
LAST DANCE 

Outra cena que chamou muito a atenção, causando, inclusive, sentimentos de participação intensa do público, foi o trabalho Last Dance, com um elenco afinadíssimo, e bem compenetrado. Por trás de uma temática politicamente provocativa, a performance Last Dance investiu pesado no Teatro Dança. Uma dramaturgia que fala de relacionamento abusivo traz, na proposta de direção a junção de técnicas muito bem articuladas nas mãos, pés e voz dos artistas: Henrique Cordoval e Lorena Tófani.
Com uma energia vigorosa, engajamento corporal, fluidez de movimentos, o trabalho levou o público por caminhos de experimentação. Uma abordagem quase lírica para um tema tão impactante mexeu com todos, até mesmo no debate onde até mesmo eu, comovido com tudo o que ouvi, senti vontade de investigar meu próprio machismo. O debate, foi comovente, delicado e profundo, nos fez pensar, refletir e investigar a própria questão pessoal no bojo desse acontecimento artístico tão singular que é o FESQ de Cabo Frio.
Lorena e Henrique, foram pródigos em mostrar que conhecem bem as técnicas que praticam, sua cena está bem construída e tem grande potencial.
Segundo Henrique, a investigação e a proposta cênica de seu trabalho, mostra também uma tendência de alguns grupos teatrais de Belo Horizonte, não só na mescla de linguagem como também nas temáticas cada vez mais mergulhadas em discussões e reflexões referente ao tempo que vivemos. Uma nova tendência, talvez, do teatro engajado. Cada vez indo para uma discussão onde a estética e a ética confrontam o panfletismo, abrindo caminho para um discurso que atinja toda a sociedade, independentemente de quaisquer ideologia.

A PASTORA DO LIXÃO 

foto: Mariana Ricci. A atriz Jéssika Menkel, que já havia encantado em 2015
com uma excelente caracterização na peça "Meu Nome é Ernesto", este ano
veio com o solo "A Pastora do Lixão", uma cena inspirada no
monumental filme "ESTAMIRA" de Marcos Prado.
Os primeiros minutos de cena já oferece um panorama inspirado no monumental filme "Estamira" de Marcos Prado. O grande encanto, para os fãs do filme, é ver Jéssika dar vida a uma personagem que existiu, de fato, e que tem uma legião de fãs, desde que o filme foi lançado, em 2004. O gancho político da peça é, justamente, apresentar um ser social, com uma fé complexa e uma abordagem da vida humana a partir de sua condição social. A vida num lixão, essa praga que nunca foi resolvida no Brasil e que, traz sua própria ecologia. No entorno do lixão, existe uma legião de seres humanos, com suas crenças, costumes e economia. Um lugar que mostra claramente o submundo da civilização, colonizada, no caso do Brasil, por uma visão fortemente influenciada pela mídia e os falsos profetas de plantão, vendendo todo tipo de opressão através de sua "fórmula de eternidade".
A pesquisa de Jéssika, no entanto, vai além e traz a marca de sua interpretação impecável, tanto que arrebatou o  prêmio de melhor atriz no Fesq XIV - A Resistência, de 2016. Em 2015, Jéssika interpretou uma velhinha de 80 anos numa belíssima história chamada "Meu Nome é Ernesto" e que também lhe valeu o prêmio de melhor atriz. O que chama atenção no seu trabalho, são suas caracterizações, valorizando a maquiagem como elemento fundamental da cena. O domínio de técnicas clássicas e contemporâneas, são, também, evidentes em sua abordagem artística, no entanto,
O teatro, quando feito de forma abrangente, pegando tradições fortes como o uso da caracterização e da maquiagem, tem uma força e traz ao público uma visão de acabamento e cuidado com um trabalho, em toda sua extensão. Dominar o fazer artístico é um projeto de vida inteira, ainda mais quando se vai fundo em aspectos que ainda são bastante restringidos no Brasil, apesar de termos um forte histórico no fazer teatral enquanto exposição de habilidades outras, que não só a de atuar.


"O Sexto Céu de Júpiter" a dramaturgia de Matheus Macena, e a competência
da atriz Priscila Verginaud / Foto: Mariana Ricci
O SEXTO CÉU DE JÚPITER  Priscila Verginaud

Uma atriz com performance precisa e impactante, Priscila investiu sua energia para criar uma personagem quase mítica, a prostituta que se transfigura na imagem da mulher atingida em cheio pelo preconceito da sociedade. O texto, construído com habilidade, por Matheus Macena,  assunto que vamos abordar com mais detalhe, depois, quando vamos falar sobre dramaturgia e os dramaturgos presentes no FESQ 2014.
Como a própria foto da Mariana Ricci, já diz, Priscila utiliza a riqueza de sua técnica corporal e o impacto de seu corpo forte em cena, para dar vida e oferecer metáforas e muita estética para a figura de sua personagem. Seu trabalho, que também falou do machismo na sociedade, foi comovente, e jogou todo o público na reflexão, não sem colocar de forma direta a interlocução feminina, de forma mais específica, criando uma grande empatia com as mulheres da platéia. Priscila é uma atriz de combate, seu corpo em cena traz vigor e ao mesmo tempo uma sensibilidade que deu força e energia estética ao trabalho. O resultado foi o encantamento e que nos fez ver em seu trabalho algo para se pensar, de verdade. O debate nos jogou no centro de uma proposta de impacto, um teatro até certo ponto engajado, sem partidarismo, ponto para a busca de fortes transformações sociais na vida da mulher.

Aguarde os próximos artigos onde irei abordar o uso da luz e o mergulho no Claro-Escuro, trabalhos que ficaram evidentes nas cenas "Procura-se Profundidade" e "Panchito González".

Jiddu Saldanha - Blogueiro





sábado, 17 de setembro de 2016

Os jovens e o Teatro de Cabo Frio - O que fazer?

Findando sua etapa de formação livre de jovens para o Teatro, em Cabo Frio, o OFICENA como tudo o que respira numa cidade de interior, prepara-se para uma grande dúvida. Como ficará, a partir do ano que vem, dentro de outra conjuntura política, a vida teatral da cidade?
Essa é uma pergunta que todos os jovens fazem e que não cabe a nós, responder, senão, tecer uma breve reflexão sobre as novas gerações do teatro local e sua inserção na ecologia artística atual da cidade.


Teatro Quintal - Um novo point na cidade, com programação sequenciada e muitos projetos de aperfeiçoamento para
atores de Cabo Frio e Região dos Lagos.
Durante o período que foi de 2005 a 2012, o teatro Cabofriense viveu uma grande agonia. Com jovens recém formados nos cursos livres da cidade, uma profunda divisão política jogou os principais realizadores artísticos em em lados opostos da política autofágica local. Naturalmente e sem se entenderem, começou um longo período de devoração que culminou com o teatro vazio e algumas programações vindas de fora. O FESQ - Festival de Esquetes ainda conseguiu absorver até 2007 uma forte energia criativa do teatro local, porém, com a falta de uma política mais focada no fazer teatral e a demolição do Festival Estudantil, Cabo Frio acabou perdendo seu entusiasmo e a prática artística desse segmento foi minguando. O FESQ passou a trazer poucos grupos de Cabo Frio para sua teia competitiva mantendo a robustez da programação e premiação para os grupos vindos de fora, entretanto, e graças a este grande evento, o entusiasmo pelo teatro sempre se manteve, ainda que aos trancos e barrancos.
Mas a cidade nunca parou, os grupos consolidados como Creche na Coxia e Sorriso Feliz, mantiveram suas portas abertas, neste mesmo período, a TRIBAL também passou a atuar no seguimento de danças e cultura popular, trazendo para a rua aquilo que o historiador Ricardo do Carmo, chamou, no filme de Lucas Müller, "O Rei do Sagrado", de "Teatro dos Acontecimentos". Foi em 2011 que a TRIBAL montou o "Auto do Trabalhador" de João Siqueira e levou o trabalho até 2013, com diversas apresentações num caminhão palco. A Cidade manteve, também, a fabulosa encenação anual da Paixão de Cristo, que sempre levou a população local para ver o grande espetáculo, patrocinada pela igreja católica. 
Os fatos ligados ao teatro apontam para o trabalho de resistência de alguns nomes da cidade como Cezar Valentin, Italo Luiz Moreira, Frederico Araújo, Guilherme Guaral, Anderson Macleyves, Bruno Peixoto, Vivi Medina, Fabio de Freitas, Marcelo Tosta e Rodrigo Sena, esses dois últimos de São Pedro da Aldeia mas com uma atividade artística ligada a Cabo Frio. Nesse período o grupo Creche na Coxia, núcleo Silvana Lima, iniciou uma grande reforma em sua casa/sede que se tornou, hoje, o Teatro Quintal e que antes fora chamado de Espaço Garagem.
Em 2013, José Facury, então secretário da cultura de Cabo Frio, junto com o recém empossado diretor do Teatro Municipal de Cabo Frio, Yuri Vasconcellos e o diretor teatral Ítalo Luiz Moreira, se juntam para retomar o curso de teatro do teatro municipal de Cabo Frio, em seguida, fui convidado para integrar a equipe e criamos um conceito que passamos a chamar de OFICENA. E foi a partir da refundação do curso de teatro e sua nomeação, que passou-se a viver um grande boom do teatro local, com a reconstrução de alguns parâmetros que iriam, nos próximo anos, definir alguns caminhos para vida teatral da cidade.

Quatro anos depois, a turma Ifanto-Juvenil entra no âmbito das grandes dramaturgias do OFICENA, montando uma nova
concepção de "O Inspetor Geral", espetáculo que faz parte do repertório do curso.
Quatro anos depois

Quatro anos depois da retomada do teatro no Teatro Municipal, uma nova geração, passou por uma imersão na vida teatral da cidade. Os grandes realizadores da cidade, recuperaram seu fôlego e começaram a oferecer diversas oportunidades, na verdade, muitos cursos surgiram a partir de 2010 e 2011, mas ganharam revitalização a partir da reedição do Festival Estudantil, principalmente o de 2014, que agregou uma primeira geração do OFICENA e trouxe cursos de peso como a LD e o Ensina Encena, neste período, o colégio Miguel Couto, retomou sua agressividade teatral, agregando novos artistas em seu festival interno que se entrecruzou com a turma do OFICENA. O grupo Creche na Coxia, fez uma leitura rápida da situação e começou atuar com mais força, na militância do teatro local. 
Eu e o professor Italo passamos a pensar, de um ponto de vista bem prático uma ação de impacto no OFICENA, de um lado, Yuri fazendo contatos na cidade para inserir o curso, criando a Mostra de Escolas de Teatro com grande sucesso e participação de todos os cursos livres da cidade. Também definiu-se o papel do OFICENA no festival estudantil e posteriormente, a partir de 2014, no FESQ. A criação de espetáculos como "O Auto da Compadecida", 2013 e "O Inspetor Geral", 2014, deu fôlego e preparou os estudantes para absorver uma avalanche de novidades que começou a surgir, tornando o curso uma espécie de "movimento cultural na cidade". Desde posto de troca de livros, varal artístico, cenas curtas, criação de novos grupos de teatro, festivais internos e turbinagem de público nos eventos locais, o OFICENA passou a fazer parte da rotina artística de Cabo Frio.

Rupturas e novas descobertas

Yuri Quintanilha - Cada vez mais experiente, ator é conhecido pela sua
pegada bem humorada e dedicação ao seu grupo teatral "Operários do Teatro".
Longe de estar desgastado, o modelo de ação e trabalho do OFICENA se desdobra para novas possibilidades, em 2016, Yuri Vasconcellos decide separar os alunos mais antigos formando uma grupo de estudos para aprofundar outras formas de teatro, depois de ter trabalhado aproximadamente 3 meses com esses estudantes, os mesmos começaram a se interessar pela oficina de montagem do Teatro Quintal, a primeira turma absorveu um grupo de alunos já bastante presentes no curso. A nova turma, no entanto, dividiu uma parte dos alunos velhos e novos do OFICENA, ao nosso ver, algo bem saudável, ampliando a oferta de estudos e possibilitando aos estudantes fazerem escolhas que vão além dos cursos já tradicionais na cidade, o resultado é uma ampliação de oferta de oficinas e consolidação do trabalho dos novos grupos de teatro, novas alianças e aqueles que até então foram alunos, agora, passam, também a ser realizadores e formadores de opinião dentro do fazer artístico da cidade.
Com a ativação do Teatro Quintal, novos professores de teatro surgem na cidade, com filosofias próprias, cada um de acordo com suas tradições. Dois nomes que vale a pena citar é Dio Cavalcanti e Vivi Medina, que, juntos com Silvana Lima, Matheus Lima e Ivan Tavares, formam um timaço de criação e influência artística para as novas gerações, e, com isso, pode-se dizer que gente que já estava um pouco afastada do teatro, voltaram a exercer essa prática, destaque para a atriz Jane Lacerda Lacerda, que já é possível ver em alguns cursos livres pela cidade. 
Enquanto isso, no Espaço Usina 4, Tânia Arrabal começa a entrar com seus cursos livres, na área de teatro de máscaras e boneco, além de confecção de adereços com oficinas de máscaras, papietagem, etc... também chega a notícia de que o núcleo Tânia Arrabal do Creche na Coxia, se junta a Yuri Vasconcellos e Anna Luiza Barbosa, para a criação de um novo espetáculo de teatro de bonecos. Vem coisa boa por aí.

Medos e Frustrações

Jovens que optaram por seguir carreira, ainda que dividindo seu tempo entre faculdade, emprego e tempo para se dedicar a seus grupos, estão descobrindo a imensa dificuldade que um artista enfrenta para se tornar um profissional de fato. Também parecem, alguns, bem decepcionados com a falta de apoio oficial e da iniciativa privada, para levar seus projetos adiante. Tudo isso já era algo apontado por nós, professores e diretores teatrais, desde que esses jovens nos procuraram,em 2013 e 2014. Dosar a vida criativa e artística com a expectativa de uma sociedade voraz e focada apenas na economia de finanças e bens materiais, atinge o coração do jovem, em cheio. Muitos não desejam dinheiro, mas vêem no teatro uma forma de dar um significado mais lúdico a suas vidas, além de poder trocar energias com sua geração, podendo se aproximar mais do fazer artístico e das relações fundadas, principalmente, num tipo de qualidade de vida onde a arte é o único meio de tornar a vida possível.

Movimentação líquida pelo universo da cultura local.

Celso Guimarães e sua grande empatia para lidar com grandes públicos. No Cine Mosquito, tornou-se referência de sua
geração, apresentando o cinema nacional e local além de fazer ótima animação cultural durante o sarau do mosquito.
Desde que iniciou sua atividade, em 2013, o OFICENA foi fazendo surgir uma geração que passou a se mover de forma líquida, pela vida cultural da cidade. Alguns jovens foram pra noite, dedicar sua vida à música ou prestigiar o mundo da música, alguns descambaram pelo mundo da palhaçaria e do circo e outros passaram a se encontrar em seus próprios grupos. Jovens como Guilherme Carvalho e Yuri Quintanilha, debandaram para a criação de seu próprio espaço artístico com o grupo "Operários do Teatro", que investe numa identidade própria. Já a jovem Kéren-Hapuk, hoje, dirige musicalmente e cada vez mais o TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, além de começar a tomar iniciativa e direção ao caminho da performance que tanto lhe apraz. 
A jovem Nathally Amariá, é um exemplo de quem quer realmente tornar a atividade artística como uma possível fonte de profissionalismo. Desde que o OFICENA surgiu, em 2013, ela passou a atuar com auxiliar de produção e depois produção propriamente dita, lidando diretamente com a economia do fazer artístico e participando de planejamentos e propondo alguns caminhos. A partir de 2015 passou a fazer faculdade de Artes Visuais e deu uma cara nova à sua atividade artística ao criar o Varal do Beijo, que passou a fazer parte de eventos do OFICENA, Fest Solos, Cine Mosquito e NUDRA - Núcleo Livre de Dramaturgia.
O Movimento artístico do teatro de Cabo Frio, chamou a atenção de uma jovem designer, Manuela Ellon que passou a fazer parte de um grupo de teatro, com o intuito de dar uma cara visual ao TCC - Teatro Cabofriense de Comédia; hoje, Manu, como carinhosamente a chamamos, deu uma cara visual para diversos projetos: Cine Mosquito, Cidade de Palhaços e Fest Solos são alguns deles, trazendo para o teatro local, suas técnicas de abordagem visual, importantes para garantir marcas e descobertas no universo do teatro.
Com a fusão de novas participações e acontecimentos no meio artístico, o teatro de Cabo Frio se prepara para enfrentar o futuro incerto das mudanças políticas, agora é torcer para que todas as energias concentradas num trabalho focado e com continuidade nos últimos 4 anos, siga dando "frutos saborosos" para a nossa cidade.

sábado, 6 de agosto de 2016

O espetáculo não pode parar! Mas a saudade e o gostinho de quero mais, sempre ficará.

Um dos momentos mais plenos de autonomia do OFICENA, ocorre no exato momento em que praticamente todo o segmento de teatro de Cabo Frio busca sua própria autonomia. 
Depois de 4 anos de ação continua, a única certeza que temos é que do "futuro incerto", para isso e por isso, o maior empenho é se livrar do apego e investir pesado em autonomia artística. 


Um espetáculo totalmente criado e organizado por alunos sedentos por
autonomia artística e entendimento das complexidades de um possível
futuro, OFÍCIO, quem sabe?
Oferecer aos jovens um gostinho de quero mais e, torcer para que a ação continua do teatro na cidade se construa a partir de ações independentes e ousadas. Há muito que fazer, mas também já podemos comemorar. A união de alguns nomes de peso da cidade, para criar mais oportunidades para o teatro local, se não vingou totalmente, ao menos conseguimos um grande intento. Despertar novas gerações. E isto não é pouco.
Hoje e amanhã (Sábado dia 06 e domingo, dia 07), será mais um marco histórico do teatro local, mais uma vez, o CENAS CURTAS DO OFICENA 4, vai mostrar a que veio, só que desta vez, o estudante de teatro é o dono do espetáculo. Todas as cenas escritas, planejadas, dirigidas e pesquisadas por eles mesmos, que se articularam e se organizaram, para garantir a festa que, hoje, será aberta ao público. Foram muitas as manifestações de amor ao teatro, descobertas que adolescentes e jovens estão fazendo, como se fosse o primeiro amor de suas vidas. Empenhando-se, cada vez mais, num fazer complexo, que exige disciplina e respeito mútuo; companheirismo e paixão. 
No teatro, é possível desenvolver grandes habilidades individuais, mas tudo precisa estar a serviço do coletivo, porque não existe "teatro de uma pessoa só", o teatro foi criado para juntar as massas e conectar os coletivos, em forma de grupos por afinidade e compromisso e é disso que a tradição se sustenta e é por isso que o legado GREGO permanece até hoje. O tempo vai passando e o desejo de mostrar a arte de ator para o público, só aumenta, e que pese todas as dificuldades da vida, comum, no momento que esta geração está passando, mas fluida e pródiga em desejo de construção e reconexão com o próprio existir.

O MUTIRÃO DA GRATIDÃO

Alunos compartilhando material de limpeza e acessórios para cuidar de sua casa de espetáculo, um gesto de amor à casa que
sempre o acolheu.
4 anos funcionando dentro do teatro municipal de Cabo Frio, o OFICENA sempre ajudou a cuidar do teatro, quer seja, zelando por suas instalações ou, mais ainda, formando plateias para prestigiar todos os tipos de eventos que por lá passaram até agora. Sempre, e de forma feliz e espontânea, o aluno fez o possível para estar presente no calendário artístico do teatro local e de fora. Mas agora, num momento de crise econômica, que assola não apenas Cabo Frio, mas o mundo inteiro, os estudantes de teatro, sem perder sua visão crítica da realidade, entendeu que era o momento de contribuir para manter a "casa limpa" e, por isso, realizaram, juntos um dos mais belos atos coletivos que até hoje tive a alegria de presenciar. A limpeza do Teatro Municipal de Cabo Frio. 
Foi bonito de ver, jovens e adolescentes, se acotovelando pelos bastidores do tearo, compartilhando acessórios e material de limpeza, fazendo escala e organizando o trabalho para esperar o público que virá, sábado e domingo, assisti-los em suas criações mais variadas. Todos felizes, acreditando no melhor e dando o seu melhor, para obter, em troca, o sorriso e a paixão que só o público, neste momento, pode dar. O público é a razão da arte, é para ele que levamos nosso melhor e é dele que esperamos o melhor, sempre com consciência e vontade de crescer e melhorar cada vez mais.

SAUDADE DO PROFESSOR ITALO

Afastados por questões de força maior, o professor Italo Luiz Moreira, deu o melhor de sua vida artística ao OFICENA, deixou uma marca e ajudou a construir o resultado artístico que hoje a cidade vive. Não são poucos os jovens que lhe são gratos, e que buscam, de forma ativa e produtiva, honrar a relação vivida com o nobre mestre do teatro local, conhecido pelo seu rigor técnico e pela maneira profunda como busca construir e distribuir sua arte.


A conquista da autonomia exige um longo caminho de troca, organização
e doação de si para a construção de um sonho que é de todos.
TURMAS INFANTO-JUVENIL E JOVEM UNIDAS NUMA MOSTRA INESQUECÍVEL.

Desde 2013, se reunindo sempre as segundas e terças feiras, das 14 às 17h. e das 19 às 22h. O OFICENA construiu uma rotina de ocupação do teatro municipal, semanalmente, que contribuiu para a ecologia artística da cidade. Muitos jovens escreveram novas linhas em seus destinos e estão empenhados nesta busca maior, por um teatro de qualidade. São notícias boas que não param de chegar, como a criação de espaços independentes para a manifestação da arte e construção de novos grupos de teatro. Além de grupos de estudos que vão, aos poucos, delineando uma ecologia mais potente no teatro local. Muito jovens ainda se perguntam o que estão fazendo, enquanto alguns outros já estão, simplesmente, inventando o futuro que desejam para si. A arte é um projeto de invenção de si e não apenas de repetição de fórmulas. Parabéns a esta geração.
VEM AÍ, MAIS UM "CENAS CURTAS DO OFICENA", EDIÇÃO NÚMERO 4.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

CENAS DO OFICENA, BAILEI NA CURVA E ENSINA ENCENA - A RESPIRAÇÃO FORTE DO TEATRO DE CABO FRIO.

Quem, nesta segunda-feira, dia 31 de julho, esteve no TEATRO QUINTAL, pode assistir a um belo momento de teatro interativo com o pessoal do Ensina Em cena. Um belo momento onde os jogos de improvisação para teatro, reuniu três professores convidados, junto à equipe do curso em si.
Isso a menos de uma semana da primeira agenda paralela de Cabo Frio, onde, as agendas do Teatro Quintal e Teatro Municipal de Cabo Frio, não estarão competindo pelo mesmo público e sim, criando uma diversidade de procura para ambas as casas, o que mostra a maturidade do teatro local, chegando em tempos de grande impulso

Débora Diniz, Bruno Silva e Jiddu Saldanha (este que vos escreve) estiveram, a convite de Fabio Carvalho de Freitas, do Ensina Encena - Curso Livre de Teatro, para viver um momento de rara emoção, envolvendo estudantes infanto-juvenis e adolescentes, junto a seus familiares para uma divertida viagem pelo mundo da improvisação teatral. Técnicas modernas de conhecimento precioso na arte do ator, capitaneados pelo idealizador do Curso Mais antigo de teatro de Cabo Frio, o professor, diretor e produtor Fabio Carvalho de Freitas.
Ver as famílias dos estudantes, vibrando e felizes por ter seus filhos, assistidos por uma equipe competente e dedicada, mostrou que o teatro é mesmo, sem sombra de dúvida, uma forte vocação de Cabo Frio voltada para todas as classes sociais. Poder contribuir, através da arte, para a educação dos filhos é uma tarefa dura, assumida pelo Ensina Encena mas que, depois de tanta luta, vem dando os frutos que o curso merece. Organização, e muita energia positiva não faltou, além de um ótimo serviço oferecido pela equipe do novo e moderníssimo teatro particular que está dando a Cabo Frio, muita energia de amor à arte. O teatro quintal, que, pelo que pude sentir, é, também, a nova sede onde o curso está se instalando.
Fabio explicou para o público o porque de convidar professores de outros cursos para fazer parte daquele evento, ao mesmo tempo que ofereceu à sua clientela, diversão de qualidade, também construiu um caminho bonito e iluminado para que a sociedade cabofriense soubesse quem são alguns dos professores e facilitadores que contribuem para passar o conhecimento básico do teatro para as gerações que estão chegando.

Bailei na Curva, um Clássico do Teatro Brasileiro, em cartaz o Teatro Quintal.

Pratica de Montagem do Teatro Quintal traz o espetáculo "Bailei na Curva".
um clássico da dramaturgia nacional.
Outra feliz estréia e com os ingressos praticamente esgotados para este final de semana, a montagem-escola, do primeiro espetáculo realizado no curso de Montagem, do Teatro Quintal, um estilo diferenciado de oficina onde o aluno aprende a fazer, fazendo. Com uma time de alunos aplicados somados a artistas experientes do grupo Creche na Coxia, a nova montagem reúne um verdadeiro arsenal artístico para recriar uma obra monumental do teatro brasileiro; a peça gaúcha "Bailei na Curva" de Julio Conte. 
Lembro, quando esta peça esteve em Curitiba, por volta de 1984 e já havia ganho os principais prêmios nacionais da época, viajava o Brasil e emocionava plateias e revelando os porões dos anos de chumbo, vividos pelos gaúchos, sede do 3º Exército e, de onde partiu a força repressora que comandara a ditadura militar brasileira. A peça, "Bailei na Curva", tornou-se um clássico nacional e um dos espetáculos mais montados da história do teatro brasileiro, principalmente, por grupos iniciantes. Passou a ser um dos principais impulsos das escolas de teatro dos anos 90 e que contribuiu para alertar os jovens sobre o que fora o regime de exceção no Brasil.

SERVIÇO:
"Bailei na Curva"
Direção: Silvana Lima
Autor: Julio Conte
local: Teatro Quintal
Endereço: Rua Américo Ferreira da Silva nº 3 - Parque Burle - Cabo Frio / RJ
TEL: (22) 2645-2476
Ingressos antecipados e na hora: R$ 10,00

"Cenas do Oficena 4" - Uma usina de criação onde os alunos protagonizam a festa.

Autonomia em cena, na criação de um espetáculo todo
pensado e criado por alunos do OFICENA - 2016.
Depois de instalado, em 2013, o OFICENA ocupou uma boa parte da agenda teatral da cidade de Cabo Frio, com atividade impactante no teatro local, o curso foi idealizado para realizar a retomada da atividade livre de teatro e envolveu uma logística complicada para chegar até a juventude das periferias e cidades vizinhas. Tem sido uma espécie de iniciação à pratica do teatro enquanto fazer, tanto artístico quanto técnico. O resultado foram 4 anos de profunda investigação e mergulho num fazer que envolveu as cabeças pensantes do teatro da cidade. Dando passos importantes, o OFICENA se afirmou como um espaço não só de estudo mas também de fomento humano para as atividades cênicas da cidade. 
O "Cenas do Oficena 4" é a quarta versão do encontro anual, onde os alunos mostram seu talento e seu fazer teatral, dessa vez, a novidade é autonomia completa dos estudantes para criar suas obras e mostrar ao público de Cabo Frio. Desde a criação das peças ao modelo de espetáculo que será mostrado ao grande público, nada escapou à participação dos pupilos, que estão felizes com mais esta realização. Em tempos difíceis, onde o destino do curso está em suspenso, todos estão abraçando a causa para contribuir de forma efetiva para as artes locais.

SERVIÇO:
"CENAS DO OFICENA 4"
local: Teatro Municipal de Cabo Frio
Endereço: R. Aníbal Amador do Vale, s/n - Algodoal, Cabo Frio - RJ
Hora: 18h.
Ingressos na hora: R$ 5,00

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Um Sonho de Liberdade: TCC libertando as asas para voar.

Desde que foi criado, em 2015, o espetáculo "Palhaçada à Brasileira", vem revelando uma arte que se descortina no coração de cada artista do TCC. Descobertas e aventuras. A vida que começa e que vai, aos poucos, moldando um sentido e uma busca mais profunda com a arte de um coletivo organizado e focado. Um espetáculo que nasceu da delicadeza e paixão, para se tornar um grande amor e abrir portas para "Um sonho de liberdade"! Agora, indo para o Rio de Janeiro, no Teatro Municipal Carlos Werneck de Carvalho, o grupo vai mostrar aquilo que tem de melhor. Delicadeza, respeito à arte e afinação em cena!

Sarah Fortes, atriz irreverente e cheia de descobertas no TCC.
Guimarães Rosa, em uma de suas frases monumentais, fala que todo ser humano precisa encontrar algo como "um descanso no meio da loucura". Assim tem sido a rotina do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia. Um grupo que junta sucesso e cicatrizes e que faz de cada momento, motivo a mais para dar, sempre, a volta por cima. Ninguém disse que seria fácil e, quando as coisas parecem realmente querer nos lançar no escuro, cada participante do grupo se enche de uma força guerreira e, apenas com atitudes, vão dizendo sutilmente "sim, não é fácil, mas é isso que estamos fazendo e vamos dar o nosso melhor."! 
Composto por 11 integrantes, hoje; o grupo começou, na verdade, com 16 participantes. Tanta coisa mudou em 2 anos, que, às vezes e de forma inconsciente, talvez, as lágrimas apareçam nos olhos de cada um, de forma suave e é de saudade daqueles que partiram para sonhar outros sonhos. Nós estamos por aqui, sonhado nosso sonho e sempre grato a todos os que contribuíram para a construção dessa história. Talvez, por isso, a viagem ao Rio de Janeiro, para a próxima apresentação, está mobilizando amigos que vieram de longe, amigos do Rio de Janeiro e familiares, num exercício que mistura expectativa, emoção e orgulho, afinal, fazemos aquilo que amamos e isso, não é pouco. 
Nos últimos 2 anos, o TCC realizou uma campanha de aproximação com os grandes espaços culturais de Cabo Frio, voltados para teatro: O Garagem, o Usina 4 e o LD, além de dedicar-se, com amor ao OFICENA, no Teatro Municipal de Cabo Frio e abraçar, principalmente e com vigor, as praças, ruas e espaços alternativos da cidade. No bojo da prospecção de mercados para trabalhar, o grupo encontrou, também, a lona "Meu Vizinho Trazpezista", onde está podendo exercer a potência de sua pesquisa voltada para a arte da palhaçaria. No afã de sempre ajudar, participar e construir, o grupo abraçou, também, o  cinema local, participando do principal festival de Cinema da Cidade. Como sua vocação são as artes cênicas, o grupo participou como convidado do FESQ - Festival de Esquetes, e tambémm do Fest Solos onde, exerce parceria constante com os realizadores do evento.
Descobrindo a forma de levar seu trabalho a públicos diversos, o TCC não abre
mão do "Espetáculo da Gratidão", que já faz parte de sua agenda.
No coletivo Cidade de Palhaços, o TCC vem sendo peça chave para ajudar na formação de uma ecologia voltada para a palhaçaria teatral, na cidade. A diretora musical do Grupo, Kéren-Hapuk soma em parceria com a Design Manuela Ellon e os diretores do projeto, para que, de forma sutil, a palhaçaria se espalhe entre todos, através de oficinas de iniciação a esta arte tão singular e que abre perspectivas para novas descobertas e um fôlego a mais para a juventude da Região. 2016 está sendo um ano ímpar para o grupo, que tem que se reinventar a cada instante, criando eventos como o TCCEXTA, um sarau para revelar talentos e promover o encontro entre gerações da arte de Cabo Frio.
No exercício constante da arte, o grupo, não deixa de exercitar aquilo que mais dá sentido à vida. A gratidão. Com tantas batalhas cotidiana para se manter de pé, o grupo encontra tempo para fazer seus "espetáculos da gratidão", levando sua arte para projetos sociais, ocupações e creches em estado de necessidade para construir pontes que possam conectar a essência humana, que, afinal, é o sentido mais pleno da arte. Dia 16 e 17 de julho, no Rio de Janeiro, o TCC levará, ao teatro municipal Carlos Werneck, muito mais do que o currículo de conquista de um dos mais significativos espaços para o Teatro Carioca, lá, vamos dividir com a platéia, sonhos e reflexões sobre nosso fazer teatral.

SERVIÇO:
Espetáculo: Palhaçada à Brasileira
Data: 16 e 17 de Julho
Local: Teatro Carlos Werneck
Hora: 11h.
Endereço: Praia do Flamengo, altura do número 300.

Jiddu Saldanha - Blogueiro.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Canto para Teatro, três nomes de Cabo Frio.

Ivan Alves - Muita entrega muita pesquisa, credibilidade
e essência são a marca de seu trabalho musical.
Parece que foi ontem que fizemos o incrível "Auto do Trabalhador", de João Siqueira, uma montagem da TRIBAL, em 2011. Este mesmo espetáculo fora realizada 20 anos antes, pelos integrantes do grupo Creche na Coxia, uma história de peso e carregada de emoção, já que o diretor musical foi Ivan Tavares. Trabalhar com Ivan foi uma experiência incrível, focado, principalmente na disciplina e mergulhado num aprendizado que é fundamental para o ator. Cantar.
Voltando um pouco mais no tempo, o grupo "Bicho de Porco", do Bruno Peixoto, e que eu era, na época diretor artístico, teve a honra de ter o poema "Os Lusíadas" de Camões, trabalhado em vozes, no estilo rap, também, por Ivan Tavares. Essa aproximação com uma forma diferenciada de cantar, mantém, em Cabo Frio, um arsenal de possibilidades. O próprio grupo Creche na Coxia em seu imenso repertório, sempre usou a música, o canto, como forma cênica, razão pela qual, o grupo desenvolveu excelência nesse quesito.
Em 2014, o espetáculo Ilíada, configurou como um marco do novo teatro Cabo Friense, além de reunir uma nova geração de artistas, colocou o canto cênico como foco. As temporadas do espetáculo Ilíadas, encheram Cabo Frio de um frescor que, a muito tempo, o teatro local não vivia. Foram temporadas cheias de energia e graça, com plateias lotadas e viagens para apresentar em outra cidade. O trabalho que encantou as novas gerações e que também tinha um elenco formado por novos e antigos integrantes do Creche na Coxia, chamou a atenção, um jovem, tímido, que ainda estava começando sua carreira mas que já era um talento reconhecido por todos, Ivan Alves.
Creche na Coxia, o grupo mais antigo de Cabo Frio, hoje conta com um timaço
de artistas e uma musicalidade que reúne, Ivan Tavares, Ivan Alves e
Dio Cavalcanti, no mesmo time. Foto: Dona Mariana Fotografia
Ivan Alves, músico desde criança, por vocação mas que, abraçou o oficio a partir de 2011, aproximadamente, na verdade já era compositor e tinha um repertório musical de sua própria lavra, chamava a atenção a criatividade de suas canções, a inventividade e a referência variada de seus temas. Sempre criativo, Ivan passou a confeccionar bonecos com uma habilidade incrível, criou seus próprios personagens e, numa oficina de Contação de Histórias, ministrada por mim, em 2012, no espaço LD, começou a flertar com o teatro. Entrou para o núcleo Silvana Lima, do Creche na Coxia, e passou a se dedicar a cenas curtas. Passou a fazer parte do repertório do grupo. Em 2014, com a estréia de Ilíada, Ivan Alves faz parceria com Dio Cavalcanti e Ivan Tavares. Começa então, uma forte relação com o canto para teatro.  Generosamente, Ivan Alves ofereceu, em 2015, algumas aulas avulsas, de canto, para o OFICENA, conquistando o interesse de todos, pelo seu belo trabalho.
Sexta-Feira, dia 08 de Julho de 2016, haverá, no espaço LD, a primeira aula da OFICINA DE CANTO PARA TEATRO, de Ivan Alves. Nem precisa dizer do sucesso que aguarda esta vivência, mas também, da oportunidade que consiste, um trabalho assim, para o ator local. Cantar é uma arte delicada e que exige o domínio da paciência, e também da explosão da cena. Um espetáculo que se apropria de recursos musicais para além da sonoplastia, acaba entrando no imaginário poético e o público nunca esquece. É por isso que a OFICINA de IVAN ALVES é altamente recomendada para atores que queiram descobrir ou até mesmo ampliar sua capacidade musical em cena. Uma oficina de CANTO PARA TEATRO está chegando em Boa Hora.

O Canto Cênico do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.

Sofisticada e extravagante, Kéren-Hapuk é diretora musical do TCC
além de ter retomado seu trabalho musical com seu mestre, o maestro
Budega. Foto: Manuela Ellon
Quando o OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, surgiu, em 2013, uma das atividades propostas foi a criação do NUDRA, Núcleo Livre de Dramaturgia. E a ideia principal era a criação de textos teatrais sob o ponto de vista de quem estava chegando ao mundo do teatro. Gente nova, sangue novo, aprendendo a carpintaria de construção de textos para incrementar o universo artístico-estudantil dos novos alunos atores, que vinham para o curso aos borbotões. No meio do fogo cruzado de tanta informação, uma aluna, tímida, mas muito focada na linguagem musical, me perguntou se eu sabia como se escrevia uma peça de teatro musical. Levei um choque com a pergunta, pois, a única informação que eu tinha é que, fazer musicais não era para principiantes. Entretanto, uma estudante aparece com essa pergunta e me põe contra a parede. Curioso que sou, comecei a pesquisar tudo o que foi possível sobre teatro musical e fiz diversas publicações no grupo, para estimular os alunos a mergulhar nessa forma artística. Um dia, o professor Ítalo me chamou num canto e disse: "estimule os alunos de dramaturgia a escrever pelo menos um musical". E foi assim que surgiu "O Estrelato de Gold", um musical com apenas 6 minutos de duração, escritos por aproximadamente 7 estudantes mas que tivera as músicas compostas por Nathally Amariá e Kéren-Hapuk; esta última, a jovem estudante tímida que indagou sobre o Teatro Musical.
Com a estréia do "Estrelato de Gold", no primeiro "Cenas do OFICENA", EM 2013, nasceu o desejo de explorar a musicalidade de forma mais profunda. Foi quando o professor Ítalo Luiz Moreira, mais uma vez, fez uma provocação radical. Declarou à equipe do OFICENA que e espetáculo "O Inspetor Geral", de Nikolai Gógol, um clássico da dramaturgia mundial, deveria ser montado em forma de opereta musical. Disse isso sem qualquer parcimônia e entregou o texto nas mãos das irmãs Andrav; Nathally e Kéren-Hapuk, o resultado foi uma quase-opereta, quase musical e que deu uma noção mais densa sobre a importância da musicalidade no teatro. Diversos estudantes atores, agradeceram a oportunidade de poder mergulhar num universo mais complexo do fazer teatral, cantar em cena. Tarefa que requer muito treinamento e cuidado redobrado para encaixar a encenação ao conceito de voz cantada. Por outro lado, o OFICENA revelou, talvez, aquela que viria a ser, também, uma força do teatro musical na cidade, a jovem Kéren-Hapuk.

Com direção musical de Kéren-Hapuk, o espetáculo Balaco de Baco, ganhou
inserções musicais que deram grande energia ao elenco, sob a direção musical
de Kéren-Hapuk. Foto: Manuela Ellon
Em 2014, Kéren lançou sua cena curta "Os Vampiros Estão com Fome", onde explorou, seu trabalho musical a partir de suas próprias idéias originais, dando alguns destaques vocais na construção da cena, onde ela atuou como diretora artística e musical. A peça, que era para ser encenada apenas no OFICENA acabou ganhando uma agenda maior, sendo, inclusive, apresentada no FESQ 13, em 2015 a convite do "TCC-Teatro Cabofriense de Comédia". Ainda em 2015, sua direção musical do espetáculo "Balaco de Baco", teve grande impacto, mostrando uma jovem segura em suas propostas para o grupo, do qual é, também, fundadora. O espetáculo "Balaco de Baco", conferiu ao elenco um grande avanço musical e, aproveitando esta oportunidade, o grupo passou a ensaiar números e cenas musicais, dirigidos por ela e que teve, inclusive, o incentivo do músico Azul Casu, muito gentil, e que, inclusive, ofereceu participação do TCC em seu show musical realizado no Teatro Municipal de Cabo Frio.
Foi no mesmo ano, 2015, que surgiu um convite para o espetáculo "Por Detrás do Silêncio", de Jiddu Saldanha, para fazer uma participação como convidado do Festival Estudantil de Teatro de Cabo Frio, o FESTUD XI, teve a participação de Kéren-Hapuk, estreando sua palhaça, "Hermetinha", inspirada em Hermeto Pascoal, o grande nome da música brasileira. Foi nos bastidores da apresentação da "Estúpida Trupe", formada inicialmente por Gustavo Vieira, Kéren-Hapuk, Daniel Harm, Jiddu Saldanha e Nathally Amariá, que a jovem musicista confessou que estava mesmo muito inclinada a dedicar-se a um tipo de teatro onde a música service como gancho. Em meados de 2016, Kéren-Hapuk deu ênfase ao trabalho musical, ampliando e melhorando os cortejos de abertura das peças "Piquenique no Front", "A Notícia" e, já como diretora cênico-musical, do espetáculo "Palhaçada à Brasileira", uma encenação com pesquisa na música lúdica-palhascesca, um gênero despojado, que colocou nas mãos de todo o elenco, instrumentos musicais, os mais variados, para que pudéssemos viver de forma deliciosamente ingênua, a relação espontânea com a música.
Tcc- Teatro Cabofriense de Comédia, o uso de instrumentos e
musicalidade espontânea e bem ensaiada. Foto: Manuela Ellon
Enquanto o grupo desenvolvia sua musicalidade e ia apostando mais no canto cênico, também, como proposta para um teatro voltado para o musical. Kéren-Hapuk retoma a parceria com seu mestre, o maestro Budega, e passa a cantar no evento Quintas Musicais no MART, com inserções que mostram não apenas seu canto voltado para o teatro mas, também, como  pesquisadora e cantora, buscando, cada vez mais, um mergulho na essência musical brasileira, foco de dedicação e entrega do Maestro Budega. Atualmente, Kéren-Hapuk, dá aula como voluntária em diversos lugares, como OFICENA e IFFCENA, e é professora contratada do projeto "Cidade de Palhaços", onde desenvolve seu trabalho de "musicalização para palhaços", um despertamento para quem quer perder o medo e a resistência com instrumentos e musicalidade espontânea. Como profissional, é também diretora musical do "TCC - Teatro Cabofriense de Comédia", onde, atualmente, desenvolve o projeto "Papel Celofane", uma proposta de pesquisa musical cênica, com desdobramentos ainda estudados pelo grupo, e que, sem dúvida, amplia possibilidades significativas para o Teatro Musical.
Na primeira festa junina do TCC, Kéren-Hapuk, fez a direção do primeiro Flash Mob do grupo, com a canção "Disparada" de Geraldo Vandré, um exercício que teve a aprovação maciça do público presente. A pegada cênica com "ataques" musicais inesperados, emocionou a platéia, tornando confortável o desconforto e a dificuldade natural que o ator encontra neste tipo de linguagem, mas que, ao mesmo tempo, é depositário de prazer e crescimento artístico.
Diretora de cena, diretora musical, além de cantora com repertório próprio e voz única, Kéren-Hapuk tem uma legião de fãs pela cidade. Seu nome corre como pessoa dedicada ao que faz, além de buscar, constantemente, o aprimoramento de sua arte.

Jiddu Saldanha - Blogueiro