TEATRO PARA DANÇAR

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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Canto para Teatro, três nomes de Cabo Frio.

Ivan Alves - Muita entrega muita pesquisa, credibilidade
e essência são a marca de seu trabalho musical.
Parece que foi ontem que fizemos o incrível "Auto do Trabalhador", de João Siqueira, uma montagem da TRIBAL, em 2011. Este mesmo espetáculo fora realizada 20 anos antes, pelos integrantes do grupo Creche na Coxia, uma história de peso e carregada de emoção, já que o diretor musical foi Ivan Tavares. Trabalhar com Ivan foi uma experiência incrível, focado, principalmente na disciplina e mergulhado num aprendizado que é fundamental para o ator. Cantar.
Voltando um pouco mais no tempo, o grupo "Bicho de Porco", do Bruno Peixoto, e que eu era, na época diretor artístico, teve a honra de ter o poema "Os Lusíadas" de Camões, trabalhado em vozes, no estilo rap, também, por Ivan Tavares. Essa aproximação com uma forma diferenciada de cantar, mantém, em Cabo Frio, um arsenal de possibilidades. O próprio grupo Creche na Coxia em seu imenso repertório, sempre usou a música, o canto, como forma cênica, razão pela qual, o grupo desenvolveu excelência nesse quesito.
Em 2014, o espetáculo Ilíada, configurou como um marco do novo teatro Cabo Friense, além de reunir uma nova geração de artistas, colocou o canto cênico como foco. As temporadas do espetáculo Ilíadas, encheram Cabo Frio de um frescor que, a muito tempo, o teatro local não vivia. Foram temporadas cheias de energia e graça, com plateias lotadas e viagens para apresentar em outra cidade. O trabalho que encantou as novas gerações e que também tinha um elenco formado por novos e antigos integrantes do Creche na Coxia, chamou a atenção, um jovem, tímido, que ainda estava começando sua carreira mas que já era um talento reconhecido por todos, Ivan Alves.
Creche na Coxia, o grupo mais antigo de Cabo Frio, hoje conta com um timaço
de artistas e uma musicalidade que reúne, Ivan Tavares, Ivan Alves e
Dio Cavalcanti, no mesmo time. Foto: Dona Mariana Fotografia
Ivan Alves, músico desde criança, por vocação mas que, abraçou o oficio a partir de 2011, aproximadamente, na verdade já era compositor e tinha um repertório musical de sua própria lavra, chamava a atenção a criatividade de suas canções, a inventividade e a referência variada de seus temas. Sempre criativo, Ivan passou a confeccionar bonecos com uma habilidade incrível, criou seus próprios personagens e, numa oficina de Contação de Histórias, ministrada por mim, em 2012, no espaço LD, começou a flertar com o teatro. Entrou para o núcleo Silvana Lima, do Creche na Coxia, e passou a se dedicar a cenas curtas. Passou a fazer parte do repertório do grupo. Em 2014, com a estréia de Ilíada, Ivan Alves faz parceria com Dio Cavalcanti e Ivan Tavares. Começa então, uma forte relação com o canto para teatro.  Generosamente, Ivan Alves ofereceu, em 2015, algumas aulas avulsas, de canto, para o OFICENA, conquistando o interesse de todos, pelo seu belo trabalho.
Sexta-Feira, dia 08 de Julho de 2016, haverá, no espaço LD, a primeira aula da OFICINA DE CANTO PARA TEATRO, de Ivan Alves. Nem precisa dizer do sucesso que aguarda esta vivência, mas também, da oportunidade que consiste, um trabalho assim, para o ator local. Cantar é uma arte delicada e que exige o domínio da paciência, e também da explosão da cena. Um espetáculo que se apropria de recursos musicais para além da sonoplastia, acaba entrando no imaginário poético e o público nunca esquece. É por isso que a OFICINA de IVAN ALVES é altamente recomendada para atores que queiram descobrir ou até mesmo ampliar sua capacidade musical em cena. Uma oficina de CANTO PARA TEATRO está chegando em Boa Hora.

O Canto Cênico do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.

Sofisticada e extravagante, Kéren-Hapuk é diretora musical do TCC
além de ter retomado seu trabalho musical com seu mestre, o maestro
Budega. Foto: Manuela Ellon
Quando o OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, surgiu, em 2013, uma das atividades propostas foi a criação do NUDRA, Núcleo Livre de Dramaturgia. E a ideia principal era a criação de textos teatrais sob o ponto de vista de quem estava chegando ao mundo do teatro. Gente nova, sangue novo, aprendendo a carpintaria de construção de textos para incrementar o universo artístico-estudantil dos novos alunos atores, que vinham para o curso aos borbotões. No meio do fogo cruzado de tanta informação, uma aluna, tímida, mas muito focada na linguagem musical, me perguntou se eu sabia como se escrevia uma peça de teatro musical. Levei um choque com a pergunta, pois, a única informação que eu tinha é que, fazer musicais não era para principiantes. Entretanto, uma estudante aparece com essa pergunta e me põe contra a parede. Curioso que sou, comecei a pesquisar tudo o que foi possível sobre teatro musical e fiz diversas publicações no grupo, para estimular os alunos a mergulhar nessa forma artística. Um dia, o professor Ítalo me chamou num canto e disse: "estimule os alunos de dramaturgia a escrever pelo menos um musical". E foi assim que surgiu "O Estrelato de Gold", um musical com apenas 6 minutos de duração, escritos por aproximadamente 7 estudantes mas que tivera as músicas compostas por Nathally Amariá e Kéren-Hapuk; esta última, a jovem estudante tímida que indagou sobre o Teatro Musical.
Com a estréia do "Estrelato de Gold", no primeiro "Cenas do OFICENA", EM 2013, nasceu o desejo de explorar a musicalidade de forma mais profunda. Foi quando o professor Ítalo Luiz Moreira, mais uma vez, fez uma provocação radical. Declarou à equipe do OFICENA que e espetáculo "O Inspetor Geral", de Nikolai Gógol, um clássico da dramaturgia mundial, deveria ser montado em forma de opereta musical. Disse isso sem qualquer parcimônia e entregou o texto nas mãos das irmãs Andrav; Nathally e Kéren-Hapuk, o resultado foi uma quase-opereta, quase musical e que deu uma noção mais densa sobre a importância da musicalidade no teatro. Diversos estudantes atores, agradeceram a oportunidade de poder mergulhar num universo mais complexo do fazer teatral, cantar em cena. Tarefa que requer muito treinamento e cuidado redobrado para encaixar a encenação ao conceito de voz cantada. Por outro lado, o OFICENA revelou, talvez, aquela que viria a ser, também, uma força do teatro musical na cidade, a jovem Kéren-Hapuk.

Com direção musical de Kéren-Hapuk, o espetáculo Balaco de Baco, ganhou
inserções musicais que deram grande energia ao elenco, sob a direção musical
de Kéren-Hapuk. Foto: Manuela Ellon
Em 2014, Kéren lançou sua cena curta "Os Vampiros Estão com Fome", onde explorou, seu trabalho musical a partir de suas próprias idéias originais, dando alguns destaques vocais na construção da cena, onde ela atuou como diretora artística e musical. A peça, que era para ser encenada apenas no OFICENA acabou ganhando uma agenda maior, sendo, inclusive, apresentada no FESQ 13, em 2015 a convite do "TCC-Teatro Cabofriense de Comédia". Ainda em 2015, sua direção musical do espetáculo "Balaco de Baco", teve grande impacto, mostrando uma jovem segura em suas propostas para o grupo, do qual é, também, fundadora. O espetáculo "Balaco de Baco", conferiu ao elenco um grande avanço musical e, aproveitando esta oportunidade, o grupo passou a ensaiar números e cenas musicais, dirigidos por ela e que teve, inclusive, o incentivo do músico Azul Casu, muito gentil, e que, inclusive, ofereceu participação do TCC em seu show musical realizado no Teatro Municipal de Cabo Frio.
Foi no mesmo ano, 2015, que surgiu um convite para o espetáculo "Por Detrás do Silêncio", de Jiddu Saldanha, para fazer uma participação como convidado do Festival Estudantil de Teatro de Cabo Frio, o FESTUD XI, teve a participação de Kéren-Hapuk, estreando sua palhaça, "Hermetinha", inspirada em Hermeto Pascoal, o grande nome da música brasileira. Foi nos bastidores da apresentação da "Estúpida Trupe", formada inicialmente por Gustavo Vieira, Kéren-Hapuk, Daniel Harm, Jiddu Saldanha e Nathally Amariá, que a jovem musicista confessou que estava mesmo muito inclinada a dedicar-se a um tipo de teatro onde a música service como gancho. Em meados de 2016, Kéren-Hapuk deu ênfase ao trabalho musical, ampliando e melhorando os cortejos de abertura das peças "Piquenique no Front", "A Notícia" e, já como diretora cênico-musical, do espetáculo "Palhaçada à Brasileira", uma encenação com pesquisa na música lúdica-palhascesca, um gênero despojado, que colocou nas mãos de todo o elenco, instrumentos musicais, os mais variados, para que pudéssemos viver de forma deliciosamente ingênua, a relação espontânea com a música.
Tcc- Teatro Cabofriense de Comédia, o uso de instrumentos e
musicalidade espontânea e bem ensaiada. Foto: Manuela Ellon
Enquanto o grupo desenvolvia sua musicalidade e ia apostando mais no canto cênico, também, como proposta para um teatro voltado para o musical. Kéren-Hapuk retoma a parceria com seu mestre, o maestro Budega, e passa a cantar no evento Quintas Musicais no MART, com inserções que mostram não apenas seu canto voltado para o teatro mas, também, como  pesquisadora e cantora, buscando, cada vez mais, um mergulho na essência musical brasileira, foco de dedicação e entrega do Maestro Budega. Atualmente, Kéren-Hapuk, dá aula como voluntária em diversos lugares, como OFICENA e IFFCENA, e é professora contratada do projeto "Cidade de Palhaços", onde desenvolve seu trabalho de "musicalização para palhaços", um despertamento para quem quer perder o medo e a resistência com instrumentos e musicalidade espontânea. Como profissional, é também diretora musical do "TCC - Teatro Cabofriense de Comédia", onde, atualmente, desenvolve o projeto "Papel Celofane", uma proposta de pesquisa musical cênica, com desdobramentos ainda estudados pelo grupo, e que, sem dúvida, amplia possibilidades significativas para o Teatro Musical.
Na primeira festa junina do TCC, Kéren-Hapuk, fez a direção do primeiro Flash Mob do grupo, com a canção "Disparada" de Geraldo Vandré, um exercício que teve a aprovação maciça do público presente. A pegada cênica com "ataques" musicais inesperados, emocionou a platéia, tornando confortável o desconforto e a dificuldade natural que o ator encontra neste tipo de linguagem, mas que, ao mesmo tempo, é depositário de prazer e crescimento artístico.
Diretora de cena, diretora musical, além de cantora com repertório próprio e voz única, Kéren-Hapuk tem uma legião de fãs pela cidade. Seu nome corre como pessoa dedicada ao que faz, além de buscar, constantemente, o aprimoramento de sua arte.

Jiddu Saldanha - Blogueiro

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Dramaturgia em Cabo Frio, anatomia de uma nova resistência.

Com uma produção de mais de 100 textos em 3 anos, o NUDRA - Núcleo Livre de Dramaturgia de Cabo Frio, busca o apoio incondicional dos jovens, para se afirmar como uma possível vertente de produção e criação de novos textos teatrais. Tarefa difícil, que envolve um intenso e lento despertar, mas que não é impossível.

Estudantes de teatro do OFICENA lendo textos de novos dramaturgos no
Segundo Ciclo de Leitura Dramatizada, realizado em 2015, no Teatro
Municipal de Cabo Frio.
Lembro uma vez, no final da década de 80, o ator Emílio Pitta, um dos monstros sagrados do teatro do Paraná, numa conversa sobre arte, falava com gosto sobre a arte da dramaturgia. Revelava sua paixão por Gianfrancesco Guarneieri e Plínio Marcos e, já na época, reclamava que não havia mais dramaturgos no Brasil e por isso, os artistas famosos acabavam sempre montando textos estrangeiros. Já naquela época, devido à burocracia, diversos grupos de teatro começaram a escrever e montar seus próprios textos. De um lado, tínhamos os dramaturgos jovens que, praticamente não eram levados a sério, já que a dramaturgia havia caído em total descrédito no Brasil.
Na década de 90, o Brasil começou a divulgar timidamente, os textos do Mauro Rasi, que escrevia comédias e dramas familiares e depois passara a escrever para televisão. Em meados dos anos 2.000, surgiu um forte movimento de dramaturgia com a entrada em cena de Jô Bilac, a partir daí, voltou-se a falar mais abertamente de dramaturgia. O Brasil pareceu sair de um vácuo de mais de 20 anos. Não que não houvesse novos escritores pra teatro, mas a falta de apoio e discussão sobre essa forma artística de produzir, levava sempre nossos melhores atores a mergulhar na produção de textos estrangeiros já ha muito tempo ultrapassados. A falta de opção por um lado e o obscurantismo da produção por outro, fazia com que todos achassem que no Brasil, os dramaturgos fossem uma "espécie em extinção".
Em Cabo Frio, com surgimento do OFICENA - Curso Livre de Teatro do Teatro Municipal de Cabo Frio, resolvemos criar o NUDRA - Núcleo Livre de Dramaturgia de Cabo Frio, com o intuito de estimular a produção de mais textos teatrais. A partir de uma carpintaria simples e que marcasse a ação cênica como elemento principal do texto, jovens começaram a perder o medo e escrever mais. Imaginar suas ações e criar contextos para a cena, de onde pudemos ver surgir já, alguns nomes que se destacaram nessas forma de escrever. Alguns textos, foram levados à cena e fizeram grande sucesso dentro do curso OFICENA mas também fora, como as peças "OsVampiros Estão com Fome" de Kéren-Hapuk e "Urânio Tóxico", de Larissa Gomes. Foi a partir da NUDRA que algumas pessoas passaram a produzir textos regularmente para serem montados, como "Ditadura" de Nathally Amariá, que acabou virando peça de repertório do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.

Uma lista de 21 textos serão lidos no Terceiro Ciclo de Leitura Dramatizada, é possível que, um dia, tenhamos pessoas
produzindo muito mais para alimentar a cadeia produtiva do Teatro de Cabo Frio e, quem sabe até, nacional e internacional.
Durante o ano de 2013, os alunos frequentadores do NUDRA passaram a fazer leituras de seus próprios textos para os estudantes atores do OFICENA, o que resultou no primeiro festival interna CENAS DO OFICENA, foram 17 trabalhos, quase todos escritos pelos alunos participantes do NUDRA. Em agosto de 2014, a produção do NUDRA ganhou um evento aberto no teatro. Fez o primeiro ciclo de leitura dramatizada, com total sucesso e em maio de 2015, ouve um novo encontro, dessa vez, com platéia lotada e curiosa para conhecer os novos dramaturgos e suas férteis imaginações artísticas. 
A partir de 2016, o NUDRA tornou-se um núcleo livre e desvinculado do OFICENA, passando a receber estudantes também de fora, mas a ideia não tinha dado certo, vimos que os participantes que vinham de fora, o fazia muito mais por causa de sua produção de contos e poemas, muitos, por não conhecer o teatro, resistiam em produzir especificamente para teatro. O núcleo de dramaturgia entrou em declínio e a proposta de escrever textos teatrais, abriu-se para quem quisesse escrever, de forma totalmente livre. Percebemos que a produção, embora viva e pulsante, não seguia qualquer regra minima, os jovens escreviam seus textos apenas com a intenção de vê-los no palco, de preferência por amigos, gente com quem tivesse afinidade, jogando um balde de água fria na ideia de construir um caminho real para a dramaturgia em Cabo Frio.

Uma Luz no Fim do Túnel.

A falta de produção de textos começou a deixar os novos escritores da cidade, sem contato com os atores, para discutir sua produção. Eventos de leitura dramatizada aconteceram de forma aleatória, apenas para mostrar o texto de autores consagrados. O sonho de criar um time de dramaturgos locais pareceu estar morto. Foi numa reunião às pressas com a equipe do OFICENA, decidimos reabrir o NUDRA. Com total apoio de todos iniciamos um plano emergencial para reagrupar os alunos que tinham latente, dentro de si, o desejo de escrever pra teatro.
A Leitura de autores consagrados como Federico García Lorca e seu tão
famoso texto "Bodas de Sangue" são valorizados nos eventos de dramaturgia,
nesta foto, o trabalho de direção de Italo Luiz Moreira, deu grande força e
prendeu o público até o último minuto.
Uma oficina livre de dramaturgia, realizada nos dias 11 e 12 de junho, ajudaram a criar a energia que impulsionou, novamente, a produção de textos. Os que não puderam comparecer, enviaram foram lidos por aqueles que estiveram presentes, assim, o primeiro encontro livre de 2016, do NUDRA, contou com a leitura e discussão de quase 11 textos teatrais. Com o replanejamento da agenda do OFICENA conseguimos colocar o quarto encontro "Cenas do Oficena", vinculado ao terceiro encontro de "Leitura Dramatizada", que irá acontecer no dia 02 de julho.
Para o momento, podemos dizer que conseguimos resguardar o espaço para novos dramaturgos, mas ainda é algo incipiente. O hábito de montar peças de forma intuitiva, sem escrever textos ou trabalhar apenas com um rascunho na mão, faz parte de uma "destradição", que se contrapõe ao mergulho formal na arte de escrever para teatro, talvez, por falta de abordagem proativa da própria mídia e por não termos um sistema de educação que realmente valorize o teatro. Os jovens tem idéias mas quase sempre pensam e realiza-la de forma cinematográfica ou televisiva, que são formas de dramaturgia mais popularizadas hoje. Em Cabo Frio, no entanto, parece surgir uma luz no fim do túnel, há uma geração mais velha do teatro local, que sempre valorizou a dramaturgia. Silvana Lima, José Facury, Marcelo Tosta, Cesar Valentin, Anderson Macleyves e Italo Luiz Moreira estão no olho desse furacão, acompanhados de Rodrigo Sena e Manuela de Lelis, esses últimos, da mesma geração do Eduardo Magalhães, o Eduardinho, como era conhecido de todos e que fora um forte despertar não só como diretor mas, também, como criador de textos para ser encenados.

por Jiddu Saldanha - Blogueiro

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Voluntariado no Teatro: Porque os festivais de teatro conseguem sobreviver a tudo?

Artistas, público, estagiários e produtores superam a ausência do poder público através do voluntariado.
No FESQ, o "merdão", reúne artistas e voluntários para
dizer alto e em bom som a palavra que consagra a ação
coletiva do teatro M E R D A!
Uma das grandes forças do festival de esquetes de Cabo Frio (FESQ), é, sem dúvida a energia de seu voluntariado. Pessoas de diversas profissões, jovens e adultos de classes sociais diferentes, ajudam este festival a dar certo. Com isso, o FESQ conseguiu se inserir como uma das grandes vertentes deste tipo de evento no Brasil!

Não foram poucas as idéias que surgiram no evento e foram transplantadas para outros da região e até de outros estados, são festivais que buscam agregar o maior número possível de artistas com a cumplicidade da comunidade local. Uma paulada para o poder público que, focado no embate político, acaba perdendo o bonde da história.
Recentemente, no Niterói em Cena, pude conferir, de perto, o poder dos voluntários, executado, em sua maioria, por estudantes de produção cultural. O evento, que ofereceu horas de estágio para esses estudantes, pode contar com uma equipe eficiente, coordenada por  Yuri Vasconcelos.
A equipe, concentrada na montagem das cenas que iriam entrar logo em seguida, fazia um papel determinante no festival, criando para os artistas, o conforto necessário para mostrar da melhor forma possível o seu trabalho.
Pascoal Carlos Magno (1906-1980) foi o maior voluntário
do teatro Brasileiro, seu legado sobrevive até hoje.
Em São Pedro da Aldeia, 2011, vi a mesma disposição voluntária e fiquei contente de constatar que, como se costuma dizer por aqui “a fila andou/anda”  mesmo que os produtores e articuladores tenham que contar com uma ajuda mínima ou praticamente ausente dos representantes da cultura local, indicados por políticos que foram eleitos pelo voto popular e deviam dar mais atenção ao teatro da região.
A História do voluntariado no Brasil é recente e conta com uma atuação mais determinante a partir dos anos 60, quando o país começou, de fato, a mergulhar nas grandes causas e a lutar pela restituição democrática na busca de resolução para seus problemas. O país teve que enfrentar a pior de todas as suas ditaduras, perpetrada por militares, fazendo assim, uma silenciosa mas eficiente mobilização mobilização da própria população! Com a evolução desta prática o Brasil ainda é um país desproporcional em seu corpo de voluntários e, no teatro, a ação voluntária ainda é pequena, embora, não neguemos que ela sempre existiu e contribui para fazer a diferença.
Talvez, a figura que podemos dizer que foi um verdadeiro voluntário do teatro é, sem dúvida, Pascoal Carlos Magno que devotou  toda sua ação de vida para a melhoria da classe teatral. Ele é responsável pela criação da Aldeia de Arcozelo, em Paty de Alferes, no Rio de Janeiro, um verdadeiro templo de fomento ao teatro amador.

Para conhecer mais sobre a história do voluntariado no Brasil, CLIQUE AQUI.
Conheça um pouco da vida e obra de Pascoal Carlos Magno.

O MERDÃO no 5º Niterói em Cena - 2012

O Merdão no 9º FESQ - Cabo Frio - 2011