TEATRO PARA DANÇAR

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Eduardo Magalhães, antena de uma geração - MEMÓRIA É VIDA

Quando cheguei em Cabo Frio, 2004, ele era o jovem que agitava a cidade, junto com sua geração de artistas. Eduardo Magalhães, o EDUARDINHO, não só era visto com muito carinho e simbolizava um misto de entrega e responsabilidade com o teatro, como também, construía cenas cada vez melhores e se tornava um olhar para o teatro, que todo mundo respeitava. Lembro que o primeiro espetáculo que vi no Teatro Municipal, foi dirigido por ele e chamava-se "Gepetto Conta Pinóquio".

(Jiddu)

Eduardo Magalhães (Eduardinho) referência e excelência artística,
a saudade que fica é também estímulo para que o teatro de
Cabo Frio, siga surpreendendo o Brasil.
O FESQ (Festival de Esquetes de Cabo Frio) era um evento praticamente novo na cidade e Eduardinho, na ópoca,  dirigiu a cena "Flores, para quem o amor Passou". Um trabalho com um ritmo alucinante e uma forte integração de elenco, em cena, "flores" levantou o teatro com uma força impactante. Um figurino e maquiagem impecável, os atores pareciam ter saltado de alguma fábula. Neste ano, eu participava, junto com Rodrigo Portela e Fabio Fortes, do Juri, que tinha que distribuir a premiação do Festival.
Dois ou três anos depois, no mesmo festival, Eduardinho surpreendeu com outra esquete ainda mais impactante. "Enquanto as Crianças Dormem". Escrevi sobre este trabalho naquele mesmo ano. Uma coisa que me chamou a atenção, foi a cena se desenrolar num ambiente que em tudo lembrava um filme de Werner Fassbinder, o cineasta que sempre fui reverente, pela estética e profundidade de ambiente e construção dramatúrgica. A peça era praticamente um filme em cena, talvez muito avançado para a época, pois lembro que o elenco ficou estarrecido de ver que seu trabalho não premiou naquele ano, talvez um exemplo de como é complicado lidar com arte em eventos competitivos . 

"Flores, para quem o Amor Passou", cena teatral que marcou época no teatro
de Cabo Frio. Foto do acervo de Luciano Paiva.
Para mim, uma estética daquele nível, só poderia ser dominada por alguém que tivesse muita experiência, no entanto, Eduardinho tinha algo em torno de 18 ou 20 anos, no máximo, quando este espetáculo foi criado. Confesso que foi uma das cenas que mais apreciei no teatro de Cabo Frio, até hoje. Infelizmente, trabalho daquele nível, precisaria ter uma temporada, para que pudesse penetrar o inconsciente coletivo da cidade, algo que, na época, não aconteceu. Mas o lado positivo é que, dos jovens que faziam teatro naquela época, com Eduardinho, praticamente todos continuaram seguindo carreira de ator e, hoje em dia, vejo esse pessoal espalhado pelo Brasil, seguindo seu caminho e sua arte. Dos que ficaram em Cabo Frio, continuam firmes oferecendo sua arte para a cidade.
Também tive a oportunidade de conversar muito com Eduardinho Magalhães, ele sempre me procurava para falar de sua paixão pelo teatro físico, gostava muito de mímica e sonhava fazer espetáculos que bebesse mais na fonte deste gênero teatral, mas eu sempre dizia para ele que já via muito desses elementos em sua linguagem estética, tanto que hoje em dia, percebo que alguns artistas de sua geração e que conviveram com ele, levaram adiante a pesquisa do teatro físico que, hoje, é praticamente uma prática rotineira para muitos desses jovens contemporâneos e cúmplices daquele jovem tão talentoso.
Lutando contra os ventos de desesperança e enfrentando os moinhos de ventos da vida, Eduardinho teve seu destino tragado por uma morte precoce, ninguém se conforma com isso, porém, sua arte permanecerá viva e será sempre honrada por aqueles que estiveram mais perto dele. A coisa é tão séria, que, uma vez, o hoje ator Gustavo Vieira, comentou comigo uma vez, dizendo que "Adoraria ter conhecido Eduardinho", para mim, Gustavo Vieira é quem mais se semelha àquele jovem, em alguns aspectos, embora o tempo e a demanda seja outra.

"Enquanto as Crianças Dormem" - uma obra prima, encenada no
Teatro Municipal de Cabo Frio. Foto do acervo de Leo Cabral

MEMÓRIA É VIDA. NÃO HÁ VIDA SEM PASSADO.

Para que a gente nunca esqueça e, também, para que os jovens que hoje fazem teatro, na faixa de 20 anos de idade, saibam, Eduardo é quase uma entidade. Alguém que, tendo nascido, de algum modo, desfavorecido pelo universo que nem sempre o incentivou a seguir enfrente com o teatro, se tornou uma força vital do teatro Cabofriense, pela sua criatividade, energia, força e coragem. A ele, presto essa homenagem simples, para que a geração OFICENA, veja o quanto já se fez e até onde é possível ir, quando vencemos a mediocridade, substituindo-a por coragem, capacitação artística e determinação realizadora.
Convidei algumas pessoas para falar de Eduardinho segue abaixo alguns comentários de pessoas que conviveram diretamente com ele.

EDUARDO MAGALHÃES VISTO POR SEUS COLEGAS DE GERAÇÃO

RODRIGO SENA
Dramaturgo e Diretor.

"Conheci pouco da pessoa. Tive contato com a genialidade de um rapaz novo, mas com uma alma mais antiga do que se imagina. Ou se viu.
Um talento que tinha muitos a nos ensinar nessa seara teatral. Perdemos... ficamos aqui...
No pouco contato que tive com ele já nos conhecíamos e já nos abraçávamos como amigos de longa data. Sem nunca ter tido alguma conversa mais profunda.
Quando penso no "Eduardinho", eu sinto que perdi um grande amigo, sem mesmo termos sido esses grandes amigos!"

ADASSA MARTINS
Atriz
"Coisa mais iluminada. Um cara gênio, generoso, de muita força e empenho. Uma das pessoas mais inspiradas e inspiradoras que conheci."

BRUNO SILVA
Ator e diretor teatral
"Eduardinho para mim era antes de tudo uma figura engraçada, divertida e sempre disposta a ajudar. Nos conhecemos nas quadras jogando handebol e, quem diria, que nos encontraríamos na vida tetral?! No palco virava gênio. Conseguia criar de uma forma absurda. Tinha uma linguagem que tocava na alma. Sinto falta do amigo e desse artista maravilhoso."

JOSÉ FACURI
Cenógrafo, gestor cultural.
"Não precisaria dizer mais nada.. O único e oportuno reconhecimento que eu fiz ao completar meus 40 anos de teatro, foi escolher artistas das artes cênicas de várias gerações de Cabo Frio com mais talento para a montagem comigo. Dentre eles, eu escolhi como diretor do espetáculo Eduardo Magalhães, ou seja um talento máximo com idade mínima (20 anos) para dividir comigo a montagem do espetáculo Gepeto Conta Pinóquio."

LEO CABRAL
Ator, professor.
"Eduardo foi e sempre será para mim, além de irmão e melhor amigo, uma referência de profissional e ser humano. Um homem, travestido de menino, meio moleque, meio juiz. Guardava dentro de si a inquietação consigo mesmo e o mundo que o cercava.
Poeta marginal que sabia o que queria dizer e fazer, através da arte, de forma tão grandiosa, purgando seus demônios. Nem sei como cabia tanta gente com tanta bagagem dentro daquele corpo fisico com seus1,59 de altura! Um monstro, um bicho, uma mulher, um deus, um louco, um santo, um doce, ..."

PABLO ALVAREZ
Produtor
"Grande menino pequenino ... Grande no fazer teatro, grande no ensinar teatro, grande no escrever teatro, grande no amor e grande na amizade. É... Pequeno só na altura mesmo!"

NATACHA GASPAR
Atriz
Único Peculiar Atemporal Amigo, amado Extraordinário, inigualável, simplesmente Eduardo Magalhães!

IVAN TAVARES
Diretor Musical
"Eduardo Magalhães, meio doce e meigo amigo, irmão, filho. Quanta saudade de nossas risadas em nossas viagens teatrais. Rir talvez tenha sido seu maior legado entre nós. Nosso pacto de pararmos de fumar, logo que saísse do hospital. Não deu. Sinto muito a sua falta. Te amo".

FABIO CARVALHO DE FREITAS
Ator, diretor e produtor.

"E"nquanto lembro de ti "D"e toda gargalhada que ficou "U"ma gratidão se apossa de mim "A"h quanta coisa ficou "R"elembrar é mais que honra, um prazer "D"epois que plantantastes em nós "I"nesquecíveis flores para um amor que nunca passou "N"em nunca passará "H"aja o que hover "O" rastro da sua luz ainda ilumina minha alma".

YURI VASCONCELLOS
Ator, Artista Visual, Gestor Cultural.
"Eduardo Magalhães, um gênio em corpo de criança, na agilidade e criatividade, em uma cabeça de um ancião de imensos valores e saberes teatrais... Foi como um trovão anunciando sua Arte pra todos os que conviveram e tiveram a oportunidade de ver suas obras, sempre pontuadas com muito carinho, pesquisa e um sorriso de quem sabia o que estava fazendo... Um raio na rapidez que veio e se foi, mas uma tempestade em nossos corações!!!"

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INTENSAS VIDAS CURTAS 
Por José Facury

José Facury, na peça "Gepetto conta Pinóquio",
Direção de Eduardo Magalhães, eduardinho,
uma montagem de 2004.
   
     Nestes dez anos de vida do Teatro Municipal de Cabo Frio, dois Eduardos deixaram referências na vida cultural da cidade por terem passado por lá em suas curtas vidas, marcadas por existências singularmente breves. Para eu que acompanhei tais trajetórias bem de perto, muitas das vezes sendo até referência das suas dúvidas cênicas, só readquiri forças para traçar estas linhas por conta da necessidade de extravasá-la do meu combalido coração e dividir um pouco com leitor a perda do segundo Dudú com apenas seus vinte e três anos de idade. Os dois chegaram lá na época em que eu o coordenava artisticamente.

      O primeiro, José Eduardo Santos, com vinte e nove anos, recém formado da UniRio e com idéias cênicas revolucionárias. Para ele o importante no teatro seria instigar o espectador, tirá-lo da pasmaceira acomodada da poltrona e colocá-lo dentro da ação. Como eu já havia visto esse filme, apontava-lhe sempre que naquele momento estávamos formando platéia e que seria preciso pegar leve para não afugentar o público. Mas ele não poderia escutar um conselho tão conservador, e os realizava da sua forma, sem ligar a paradigmas tradicionais. Eu como estudioso do teatro admirava todos os seus trabalhos e via ali uma genialidade indomável. Zé Eduardo, já sabia no seu íntimo artístico que sua vida seria curta e só pude entender toda essa impulsão criativa quando um assassino covarde, até hoje não desvendado pelas autoridades policiais, cortou a sua trajetória com três tiros em julho de 2002.
    O segundo, Eduardo Magalhães, nos veio com quinze anos de idade em 1999, fruto do segundo Festival Estudantil de Teatro onde apresentou uma peça infantil, engajou-se em produções como ator, fez o curso básico do Teatro, aprendeu também, discutindo e vendo muita coisa. Arvorando-se em escrever e montar os seus próprios trabalhos começou a mostrar o seu exuberante potencial criativo. 
    Na comemoração dos meu quarenta anos de teatro em 2004, realizei um projeto chamado Gepeto Conta Pinóquio, onde, uni quatro gerações abaixo da minha: com a autora Silvana Lima, o músico Ivan Tavares e a aderecista Tânia Arrabal, companheiros de longas aventuras cênicas; com o César Valentim de geração abaixo das delas; o meu filho Tamer, então com nove anos fazendo o Pinóquio. E, para dirigir-nos, optamos pelo mais talentoso jovem da cidade: Eduardo Magalhães e navegamos por muitas águas teatrais nos entregando à sua estética.
     Aceitou desafios dificílimos de serem realizados como o de montar espetáculos de qualidade com estudantes de escolas do primeiro grau, menores carentes e com eles ganhou vários prêmios nos festivais estudantis e de esquetes. Não se contentou com isso, e foi sem nenhuma condição financeira estudar na Escola de Teatro Martins Pena no Rio, onde este ano estaria se formando. Até que outro assassino, desta feita um cirurgião dentista tira-lhe irresponsavelmente três sisos deixando-lhe como herança uma hemorragia que o levou a contrair uma leucemia até então desconhecida o fazendo encontrar a morte na semana passada. 
     Os Dudus se foram e o que ficará será a lembrança eterna das suas passagens e a efemeridade das suas artes, que eles em tão curto tempo, souberam realizar. A essas alturas celestiais, se elas existirem, os dois estarão se encontrando e rindo das nossas tragédias vivenciais. E para você, querido Eduardo Magalhães onde estiveres ilumine-nos com a luz jovem da sua criatividade explosiva nos encharcando da tua arte em nossos corações

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Reviver momentos de arte e intensidade é o que dá sentido à nossa vida artística, o teatro não sobrevive sem sua memória e sua história deve ser contada para que o esquecimento não nos torne vítimas de uma sociedade que não conhece a si mesmo. 
Eduardo Magalhães foi e será um grande exemplo, sua obra, embora breve, é, no fundo, a grandeza de uma geração que até hoje continua firme, trazendo luz para o teatro local de Caob Frio e do Brasil e, porque não dizer, do mundo. O teatro faz parte do acervo de memória da humanidade...

Jiddu Saldanha - Blogueiro

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Dramaturgia em Cabo Frio, anatomia de uma nova resistência.

Com uma produção de mais de 100 textos em 3 anos, o NUDRA - Núcleo Livre de Dramaturgia de Cabo Frio, busca o apoio incondicional dos jovens, para se afirmar como uma possível vertente de produção e criação de novos textos teatrais. Tarefa difícil, que envolve um intenso e lento despertar, mas que não é impossível.

Estudantes de teatro do OFICENA lendo textos de novos dramaturgos no
Segundo Ciclo de Leitura Dramatizada, realizado em 2015, no Teatro
Municipal de Cabo Frio.
Lembro uma vez, no final da década de 80, o ator Emílio Pitta, um dos monstros sagrados do teatro do Paraná, numa conversa sobre arte, falava com gosto sobre a arte da dramaturgia. Revelava sua paixão por Gianfrancesco Guarneieri e Plínio Marcos e, já na época, reclamava que não havia mais dramaturgos no Brasil e por isso, os artistas famosos acabavam sempre montando textos estrangeiros. Já naquela época, devido à burocracia, diversos grupos de teatro começaram a escrever e montar seus próprios textos. De um lado, tínhamos os dramaturgos jovens que, praticamente não eram levados a sério, já que a dramaturgia havia caído em total descrédito no Brasil.
Na década de 90, o Brasil começou a divulgar timidamente, os textos do Mauro Rasi, que escrevia comédias e dramas familiares e depois passara a escrever para televisão. Em meados dos anos 2.000, surgiu um forte movimento de dramaturgia com a entrada em cena de Jô Bilac, a partir daí, voltou-se a falar mais abertamente de dramaturgia. O Brasil pareceu sair de um vácuo de mais de 20 anos. Não que não houvesse novos escritores pra teatro, mas a falta de apoio e discussão sobre essa forma artística de produzir, levava sempre nossos melhores atores a mergulhar na produção de textos estrangeiros já ha muito tempo ultrapassados. A falta de opção por um lado e o obscurantismo da produção por outro, fazia com que todos achassem que no Brasil, os dramaturgos fossem uma "espécie em extinção".
Em Cabo Frio, com surgimento do OFICENA - Curso Livre de Teatro do Teatro Municipal de Cabo Frio, resolvemos criar o NUDRA - Núcleo Livre de Dramaturgia de Cabo Frio, com o intuito de estimular a produção de mais textos teatrais. A partir de uma carpintaria simples e que marcasse a ação cênica como elemento principal do texto, jovens começaram a perder o medo e escrever mais. Imaginar suas ações e criar contextos para a cena, de onde pudemos ver surgir já, alguns nomes que se destacaram nessas forma de escrever. Alguns textos, foram levados à cena e fizeram grande sucesso dentro do curso OFICENA mas também fora, como as peças "OsVampiros Estão com Fome" de Kéren-Hapuk e "Urânio Tóxico", de Larissa Gomes. Foi a partir da NUDRA que algumas pessoas passaram a produzir textos regularmente para serem montados, como "Ditadura" de Nathally Amariá, que acabou virando peça de repertório do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.

Uma lista de 21 textos serão lidos no Terceiro Ciclo de Leitura Dramatizada, é possível que, um dia, tenhamos pessoas
produzindo muito mais para alimentar a cadeia produtiva do Teatro de Cabo Frio e, quem sabe até, nacional e internacional.
Durante o ano de 2013, os alunos frequentadores do NUDRA passaram a fazer leituras de seus próprios textos para os estudantes atores do OFICENA, o que resultou no primeiro festival interna CENAS DO OFICENA, foram 17 trabalhos, quase todos escritos pelos alunos participantes do NUDRA. Em agosto de 2014, a produção do NUDRA ganhou um evento aberto no teatro. Fez o primeiro ciclo de leitura dramatizada, com total sucesso e em maio de 2015, ouve um novo encontro, dessa vez, com platéia lotada e curiosa para conhecer os novos dramaturgos e suas férteis imaginações artísticas. 
A partir de 2016, o NUDRA tornou-se um núcleo livre e desvinculado do OFICENA, passando a receber estudantes também de fora, mas a ideia não tinha dado certo, vimos que os participantes que vinham de fora, o fazia muito mais por causa de sua produção de contos e poemas, muitos, por não conhecer o teatro, resistiam em produzir especificamente para teatro. O núcleo de dramaturgia entrou em declínio e a proposta de escrever textos teatrais, abriu-se para quem quisesse escrever, de forma totalmente livre. Percebemos que a produção, embora viva e pulsante, não seguia qualquer regra minima, os jovens escreviam seus textos apenas com a intenção de vê-los no palco, de preferência por amigos, gente com quem tivesse afinidade, jogando um balde de água fria na ideia de construir um caminho real para a dramaturgia em Cabo Frio.

Uma Luz no Fim do Túnel.

A falta de produção de textos começou a deixar os novos escritores da cidade, sem contato com os atores, para discutir sua produção. Eventos de leitura dramatizada aconteceram de forma aleatória, apenas para mostrar o texto de autores consagrados. O sonho de criar um time de dramaturgos locais pareceu estar morto. Foi numa reunião às pressas com a equipe do OFICENA, decidimos reabrir o NUDRA. Com total apoio de todos iniciamos um plano emergencial para reagrupar os alunos que tinham latente, dentro de si, o desejo de escrever pra teatro.
A Leitura de autores consagrados como Federico García Lorca e seu tão
famoso texto "Bodas de Sangue" são valorizados nos eventos de dramaturgia,
nesta foto, o trabalho de direção de Italo Luiz Moreira, deu grande força e
prendeu o público até o último minuto.
Uma oficina livre de dramaturgia, realizada nos dias 11 e 12 de junho, ajudaram a criar a energia que impulsionou, novamente, a produção de textos. Os que não puderam comparecer, enviaram foram lidos por aqueles que estiveram presentes, assim, o primeiro encontro livre de 2016, do NUDRA, contou com a leitura e discussão de quase 11 textos teatrais. Com o replanejamento da agenda do OFICENA conseguimos colocar o quarto encontro "Cenas do Oficena", vinculado ao terceiro encontro de "Leitura Dramatizada", que irá acontecer no dia 02 de julho.
Para o momento, podemos dizer que conseguimos resguardar o espaço para novos dramaturgos, mas ainda é algo incipiente. O hábito de montar peças de forma intuitiva, sem escrever textos ou trabalhar apenas com um rascunho na mão, faz parte de uma "destradição", que se contrapõe ao mergulho formal na arte de escrever para teatro, talvez, por falta de abordagem proativa da própria mídia e por não termos um sistema de educação que realmente valorize o teatro. Os jovens tem idéias mas quase sempre pensam e realiza-la de forma cinematográfica ou televisiva, que são formas de dramaturgia mais popularizadas hoje. Em Cabo Frio, no entanto, parece surgir uma luz no fim do túnel, há uma geração mais velha do teatro local, que sempre valorizou a dramaturgia. Silvana Lima, José Facury, Marcelo Tosta, Cesar Valentin, Anderson Macleyves e Italo Luiz Moreira estão no olho desse furacão, acompanhados de Rodrigo Sena e Manuela de Lelis, esses últimos, da mesma geração do Eduardo Magalhães, o Eduardinho, como era conhecido de todos e que fora um forte despertar não só como diretor mas, também, como criador de textos para ser encenados.

por Jiddu Saldanha - Blogueiro

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Quando o teatro vira festa cultural.

Cada vez mais unido e focado, o grupo teatral "TCC - Teatro Cabofriense de Comédia", faz uma festa junina e se afirma com a proposta de se tornar um grupo coeso e organizado. A caminhada é longa e difícil mas também é prazerosa e divertida. Segundo os integrantes do grupo, está valendo a pena todo esse esforço coletivo!

Disparada, música de Geraldo Vandré é a nova atração do coro cênico do TCC
FOTO: Manuela Ellon
Momentos vividos com grande empenho, amizade coletiva e respeito mútuo são a marca registrada do grupo que já está próximo a completar 2 anos de muita garra e dedicação ao teatro. No dia 25 de julho, o TCC, depois de praticamente um mês de planejamento, realizou sua primeira festa cultural, focada nos folguedos populares da festa junina. Um investimento na tradição culinária, musical e artística, trouxe aprendizado e firmou o compromisso de "aprender no fazer", como diria o grande mestre Guimarães Rosa.
A festa foi bonita e atingiu todos os objetivos propostos pelo grupo. Ofereceu bem estar aos participantes, fez-se alegre nos momentos necessários, e teve uma forte interatividade com os participantes. Foi também o momento em que o grupo apresentou em forma de Flash Mob a performance "Disparada", música inesquecível do compositor Geraldo Vandré e que ficou imortalizada no festival da canção da record, cantada pelo saudoso Jair Rodrigues. Dessa vez, a música ganhou uma charmosa direção vocal de Kéren-Hapuk.
Uma festa focada no mergulho cultural.
Outra novidade foi a primeira formação do grupo de "forró do tcc", mais um mergulho cultural e de aprendizado para lidar com um ritmo muito apreciado no Brasil todo. O forró, na verdade é um modelo de festa que contempla alguns ritmos nordestinos, senão todos, principalmente o baião, o xote e o chachado, são dos mais tocados.
Como não poderia deixar de ser, a QUADRILHA DO TCC, que foi uma bela atração envolvendo toda a festa numa dança divertida, coordenada pela nossa querida Jane Lacerda com a participação animadíssima da atriz bonequeira Tânia Arrabal. Foi um momento de alegria. Uma festa mais que linda, realizada num dos mais belos teatros independentes da cidade, o USINA 4. Espaço que está fazendo história na cidade.
Unidos, focados e responsáveis, o TCC fez bonito. Todos os participantes do grupo trabalharam sem parar e com um nobre objetivo, o de formar um capital coletivo para pagar a viagem para o Rio de Janeiro e fazer duas apresentações no teatro Carlos Werneck de Carvalho, a convite do projeto Bonecos no Parque, coordenado por Susanita Freire. O convite envolve uma logística complicada para um grupo novo e com 10 participantes, mas, graças ao talento para planejar e o espírito coletivo, o grupo venceu a primeira etapa desse processo, que era juntar dinheiro para fazer uma viagem e se apresentar.
A cada momento, cada dia, cada segundo, o grupo vem conquistando a cidade, por prestar um serviço relevante e voluntário para injetar energia artística e cuidar da sensibilidade de sua população. Jovens que descobriram, no OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, uma capacidade além do fazer teatral, organizar-se e otimizar seu talento, gerando ações que ajudem a construir uma sociedade harmonioso e justa. Foi assim que, desde 2014, o grupo invadiu as praças de Cabo Frio e fez diversos shows beneficentes, além de participar de mutirão de bairro e apresentação em teatros, escolas e circos. Agora, próxima parada, o teatro Carlos Werneck de Carvalho, no Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17 de julho.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Cabo Frio, a cultura como combustível.


Se pensarmos que Cabo Frio, como uma cidade de apenas 200 mil habitantes, é de ficar chocado com a vida cultural intensa. Estamos tão mergulhados no fazer artístico-cultural que sequer temos tempo de olhar para nós mesmos e perceber o que realmente está acontecendo e de como podemos usufruir deste combustível palpável que é a vida cultural da cidade.

Com uma vida cultural intensa, Cabo Frio conta com uma nova geração de curiosos e realizadores na arte cinematográfica
local. Um universo rico, fomentado, principalmente, pelo festival de cinema local que já está indo para sua décima edição.

Cabo Frio possui salas de cinema, centros culturais, academias de dança, música, corais e é uma das poucas cidades do Brasil que ainda mantém intacta a Folia de Reis. Existe hoje, em Cabo Frio um grupo forte de jongo, chamado Griot e ainda tem sazonalmente o jongo da TRIBAL que já foi muito forte e que ainda marca presença no cenário artístico da cidade. E agora começa a surgir o "Jongo de Cena"; são os artistas de teatro que querem abraçar, também, essa forma cultural que representa uma forte retomada na construção da autoestima dos moradores. 
Temos oito novos grupos de teatro amador que vieram somar com os grupos históricos da cidade. São grupos que ainda estão no começo, mas já dão o ar da graça, muitos se apresentam em escolas e passam o chapéu nas praças, e tem também os artistas independentes que estão fazendo história. Gente como o incrível palhaço Rufino, experiente e o músico "Homem Banda", Harley de Bragança, que se apresentam, também,  nas praças da cidade. No circuito dos bares da cidade, o Saldade e o Bar do Horto, completam uma riquíssima presença na vida noturna, mas também tem outros bares com uma vitalidade que dão aos músicos uma agenda de trabalho inconfundível.
Foram abertos quatro novos espaços culturais com infra estrutura simples mas forte dinâmica e muita injeção de arte. "O Usina 4" e o "Teatro Garagem" já existiam, mas agora estão funcionando a todo o vapor, oferecendo cursos, oficinas, vivências e agendando eventos de forma continuada. O espaço "Casa Ancorada" segue firme com sua proposta de ser o primeiro espaço criado pela nova geração de artistas da cidade. Aqui temos um curso livre de teatro público e gratuito; e 5 cursos livres, pagos; todos com estudantes matriculados, onde acontece oficinas de palhaçaria, circo e já se inaugurou até uma lona circense, o "Meu Vizinho Trapezista", que traz um diferencial para crianças, o que ainda estava faltando.
A vida cultural de Cabo Frio é impressionante para seu tamanho! 
Outra notícia incrível é a produção cinematográfica da cidade. Cabo Frio já realizou, somente em 2016, pelo menos 70 filmes curtas metragens e audiovisuais de qualidade e com artistas e realizadores locais. Só não vê quem não quer! Sementes disseminadas a partir do Festival de Cinema da cidade que já está indo para a décima edição, além do cineclubismo esporádico mas sempre presente, tendo como principal ação cineclubista, do momento, o Cine Mosquito, que é o mais antigo e duradouro cineclube da cidade, com 56 sessões realizadas. A universidade Veiga de Almeida, está injetando audiovisual de qualidade com um geração de jovens que estão fazendo filmes de referência, atualmente, na cidade. Um dos grandes talentos dessa nova safra de cineastas é a jovem Fernanda Rigon, que além de fazer seus filmes é colaboradora de diversas ações artísticas dentro da cidade.
E ainda nem detalhei a questão de patrimônios e museus, ações mais robustas e encabeçadas por uma ação mais oficial, envolvendo a municipalidade, o estado e a federação. Cabo Frio é, sem dúvida, palco de experimentação artística em feiras, saraus e eventos os mais diversos com ou sem fins lucrativos.
No circuito de saraus, temos o Sarau do TCC e o novíssimo sarau "Flores Literárias", organizado pela escritora Jaqueline Brum. O sarau "Clube do Poeta", criado pelo diretor de teatro Fabio de Freitas, com a co-fundação pelo poeta, já falecido, Seu Paulo. Atualmente, dois nomes que se destacam na poesia de Cabo Frio é André García e Miguel Lima, com suas verves apontadas para o social, mas também, buscando fortalecer o mundo literário local, como porta de entrada para a juventude criativa. No teatro de bonecos, cabo frio se mostra como uma das mais fortes tradições desta arte. Aqui temos o espaço Sorriso Feliz e o núcleo Tania Arrabal no espaço "Usina 4". E agora a cidade tem um mascareiro dedicado que está ampliando a relação com o teatro de máscara, Ivan Alves, que já estando o que falar, com seu talento e capacidade de conectar pessoas nesta forma tão antiga de teatro. Sem contar os núcleos de mímica que estão incubando mas já dão fortes frutos na cidade... Cabo Frio não tem limites... aqui "O CÉU NÃO É O LIMITE"!
*
Empresários de Cabo Frio, acordem. Ajudem mais, participem mais, sejam otimistas e dividam com os artistas, professores e produtores locais a responsabilidade pela difusão cultural. Contribuam mais, a cidade precisa do apoio de vocês!

Jiddu Saldanha - Blogueiro.

domingo, 8 de maio de 2016

CLASSIFICADOS - Mostra Livre de Solos dias 21 e 22 de Maio - 2016

ATENÇÃO: Data para marcação de palco, luz e som no espaço USINA4.
QUINTA-FEIRA, dia 19 a partir das 15h às 20h.




Mostra Livre - Dia 21 (sábado) 15h às 17:30h


  • Antítese - Bianca França
  • Astrolouco - Jean Monteiro
  • Como Tudo Deveria Ser - Kalil Zarif
  • Confissões de uma Drag - Joás Teodora
  • Correndo com Lobos - Diego Vivas
  • Flor e Silêncio - Dandara Melo
  • Heterofobia - Igor Quintanilha
  • Lucicleide Em: Acabou-se o Que Era Doce - João Pedro Papini
  • O Fim das Minhas Férias - Danilo Tavares
  • O Sequestro - João Monk
  • Querida, Eu Sou um Duende - Caio Danarim
  • Sabrina 24 - Yuri Quintanilha
  • Um Copo de Vinho - Pablo Rodrigues
  • Uma Flor Para Evita - Larissa Gomes
  • Você Escuta o Que Eu Escuto? - Vitor Oliveira

Mostra Livre - Dia 22 (domingo) 15h às 16:30h


  • A Elfa - Sarah Fortes A Espera - Ana Clara Ribeiro
  • Análise - Lucas Cedro
  • A Jornada - Douglas Filipe
  • Cazuza - Tom Zahir
  • De Como Abrir Um Cofre - Patrick Magalhães
  • Estudos de Hedionda - Wesley Abreu
  • Geni e o Zé Pelin Gigante - Ludmila Lopes
  • Nego-Preto - Gustavo Vieira
  • Palavras Apenas - Thayanne Teixeira





Participantes que farão parte da festa do Fest Solos III, mais um momento de pura arte num evento que a cada ano cresce mais em participação e com muita procura. Parabéns aos classificados!
*
Sarah Fortes, Ana Clara Ribeiro, Carlos Luna, Artur do Amaral Gurgel, Lucas Cedro, Douglas Filipe, Bianca França, Danilo Tavares, Cleiton Fernades, Jean Monteiro, Gabriella Tejada,Tom Zahir, Kéren-Hapuk, Kalil Zarif, Matheus D’castro, Joás Teodora, Wesley Abreu, Johnny Almeida, Diego Vivas, Patrick Magalhães, Wisner Fraga, Celso Guimarães JR,
Dandara Melo, Ludmila Lopes, Chico Buarque de Holanda,
Igor Quintanilha, Kim Racoo Shields, João Pedro Papini, Gustavo Vieira, Paulo Motta, Dib Carneiro Neto, João Monk
Direção: Mario Buzzacchi, Mario Buzzacchi e Paulo Motta, Thayanne Teixeira, Daphine Araujo e Yan Ferreira, Caio Danarim
Direção: Duda Machado, Caio Franco, Yuri Quintanilha, Jiddu Saldanha, Yasmin Quintanilha, Pablo Rodrigues, Jean Monteiro, Larissa Gomes, Nathally Amariá, Vitor Oliveira 


A ELFA
Atriz: Sarah Fortes
Direção: Nathally Amariá
Texto: Jiddu Saldanha
Duração: 8 minutos
Classificação Livre

A ESPERA
Atriz: Ana Clara Ribeiro
Direção: Carlos Luna
Texto: Artur do Amaral Gurgel
Duração: 8 minutos
Classificação Livre

ANÁLISE
Ator: Lucas Cedro
Direção: Douglas Filipe
Texto: Lucas Cedro
Duração: 10 min
Classificação

ANTÍTESE
Atriz: Bianca França
Direção: Danilo Tavares
Texto: Bianca França
Duração: 10 minutos
Classificação: 12 anos

A JORNADA
Ator: Douglas Filipe
Grupo: Sem Foco
Direção: Cleiton Fernades
Duração: 3 minutos
Classificação Livre

ASTROLOUCO
Ator: Jean Monteiro
Direção: Gabriella Tejada
Texto: Gabrilla Tejada
Duração: 5 minutos
Classificação Livre

CAZUZA
Ator: Tom Zahir
Direção: Kéren-Hapuk
Texto: Jiddu Saldanha
Duração: 10 minutos
Classificação: 12 anos

COMO TUDO DEVERIA SER
Ator: Kalil Zarif
Direção: Matheus D’castro
Texto: Matheus D’castro
Duração: 10 minutos
Classificação: 14 anos

CONFIÇÕES DE UMA DRAG
Ator: Joás Teodora
Direção: Wesley Abreu
Texto: Johnny Almeida
Duração: 10 minutos

CORRENDO COM LOBOS
Ator: Diego Vivas
Direção e Coreografia : Diego Vivas
Duração:
Classificação Livre

DE COMO ABRIR UM COFRE
Ator: Patrick Magalhães
Direção: Patrick Magalhães
Texto: Wisner Fraga, adaptado por Patrick Magalhães
Duração: 8 minutos
Classificação Livre

ESTUDOS DE EDIONDA
Ator: Wesley de Abreu
Direção: Celso Guimarães JR.
Texto: Wesley de Abreu
Duração: 10 minutos
Classificação: 14 anos

FLOR SILÊNCIO
Atriz: Dandara Melo
Direção: Celso Guimarães Jr.
Texto: Dandara Melo
Duração: 10 minutos
Classificação: 14 anos

GENI E O ZÉ PELIN GIGANTE
Grupo: Atos Imaginados
Atriz: Ludmila Lopes
Direção: Ludmila Lopes
Texto: Chico Buarque de Holanda
Duração: 5 minutos
Classificação:

HETEROFOBIA
Grupo: OTB – Operários do Teatro Brasileiro
Ator: Igor Quintanilha
Direção:Igor Quintanilha
Texto: Igor Qintanilha (Baseado no vídeo de Kim Racoo Shields)
Duração:
Classificação:

LUCICREIDE EM: ACABOU-SE O QUE ERA DOCE
Ator: João Pedro Papini
Direção: João Pedro Papini
Texto: João Pedro Papini
Duração: 5 minutos
Classificação Livre

NEGO-PRETO
Grupo: Cia. Vapor
Ator: Gustavo Vieira
Direção: Paulo Motta
Texto: Dib Carneiro Neto
Duração: 10 minutos
Classificação 12 anos

O FIM DAS MINHAS FÉRIAS
Ator: Danilo Tavares
Direção: Danilo Tavares
Texto: Danilo Tavares
Duração: 10 minutos
Classificação Livre

O SEQUESTRO
Grupo: Grupo de Pesquisa da Casa
Ator: João Monk
Direção: Mario Buzzacchi
Texto: Mario Buzzacchi e Paulo Motta
Duração: 10 minutos
Classificação: 12 anos

PALAVRAS APENAS
Solista: Thayanne Teixeira
Coreografia: Daphine Araujo e Yan Ferreira
Duração: 5 minutos
Classificação Livre

QUERIDA, EU SOU U DUENDE
Ator: Caio Danarim
Direção: Duda Machado
Texto: Adaptação por Caio Franco de “Querida, Eu Sou um Leprechaum”
Duração: 5 minutos
Classificação Livre

SABRINA 24
Ator: Yuri Quintanilha
Direção: Yasmin Quintanilha
Texto: Yuri Quintanilha
Duração: 8 minutos
Classificação:

UM COPO DE VINHO
Ator: Pablo Rodrigues
Direção: Jean Monteiro
Texto: Jean Monteiro
Duração: 10 minutos
Classificação Livre

UMA FLOR PARA EVITA
Atriz: Larissa Gomes
Direção: Nathally Amariá
Texto: Jiddu Saldanha
Duração: 10 minutos
Classificação Livre

VOCÊ ESCUTA O QUE EU ESCUTO
Dançarino: Vitor Oliveira
Coreografia: Vitor Oliveira
Duração: 8 minutos
Classificação Livre

sábado, 7 de maio de 2016

O Sorvete promete uma viagem pelo universo de Drummond.

O poeta Carlos Drummond de Andrade foi uma das grandes esperanças de um prêmio Nobel de literatura para a Língua portuguesa. Se ele tivesse ganho este prêmio, teria antecipado em quase 20 anos a proeza realizada por José Saramago. Quando vi o ensaio de "O Sorvete", duas surpresas: O mergulho preciso no universo Drumondiano e a remontagem de um trabalho que fora mostrado no FESQ, praticamente 7 anos depois. O que mudou no espetáculo e quais as perspectivas que esta empreitada nos traz?


Bruno Silva e André Jotha, elenco coerente e bem ensaiado.
7 anos depois da primeira apresentação deste espetáculo tudo mudou. Os atores Bruno Silva e André Jotha, mais maduros, óbvio. Suas técnicas de atuação melhorada em todos os sentidos e a conquista de um diretor de peso, Dio Cavalcanti, trazendo para o trabalho um ritmo e uma proposta cuidadosa que vai povoar o imaginário do público, no espaço Garagem. Aliás, o Garagem está lindo. Com reforma ampliada, cortinas para teatro, dinamizado para receber a nova e velha geração de artistas da cidade. Foram muitos anos para chegar ao conceito quase definitivo de espaço, generoso e disponível
para engrandecer as artes locais.
Dio Cavalcanti - Buscando sua afirmação como um forte nome da direção
teatral em Cabo Frio.
Sempre fui apaixonado pela obra de Drummond, estive por diversas vezes na cidade do poeta e lá, pude percorrer sozinho e a pé, o famoso "Caminho de Drummond", em diversas vezes, estando na cidade, fiquei hospedado no famoso Hotel Itabira, que nada mais é do que a casa onde o poeta nasceu e viveu até mudar-se para o Rio de Janeiro. Drummond é um poeta, dos mais melancólicos de nossa literatura. Lembro que, em Curitiba, nos anos 70, eu era um menino que mal sabia ler e já andava com seus livros debaixo do braço. Aquela literatura falava direto ao meu coração.
Recentemente, eu e meu grupo de teatro, o TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, fomos convidados para assistir a um dos ensaios gerais da peça "O Sorvete" e, de quebra, fizemos um belo bate papo com o elenco e a direção. Ali, comentamos sobre a remontagem do trabalho e pudemos ver a concentração búdica dos atores, André e Bruno. O trabalho promete comover. Pelo que pudemos ver no ensaio, o clima é totalmente drumondiano. A peça, do começo ao fim, se mantém num ritmo que dialoga fundo com nosso coração.
Assisti este espetáculo, a 10 anos atrás, com o mesmo elenco. Era uma cena curta, para o FESQ - Festival de Esquetes de Cabo Frio. De lá pra cá, muita coisa mudou. O Trabalho saltou de 15 minutos para uma hora de duração, os atores estão mais maduros nas técnicas utilizadas e com muita experiência. A cena, que a 10 anos atrás não era ruim, agora está bem melhor, cresceu em todos os sentidos e, o que pra mim é melhor ainda, mantém o clima profundamente drumondiano. Com uma linguagem que mescla o teatro físico ao teatro narrativo, temos uma conjunção de cenas que abraçam uma proposta multimídia, o público, tenho certeza, irá gostar. É o teatro de Cabo Frio atingindo seu auge e ganhando, cada vez mais, a força de seus artistas mais expressivos.

SERVIÇO:
Peça: O Sorvete
Local: Teatro Garagem - Cabo Frio
Data: 14 e 15 de Maio - 2016
Hora: 20h.
Valor do ingresso - R$ 10,00

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Teatro Narrativo com Yuri Vasconcellos

Com um conhecimento especifico de uma forma incrível do fazer teatral, Yuri Vasconcellos mostra porque se apaixonou pelo Teatro Narrativo, a forma artística que tem como maior nome, o italiano Dário Fo e que, no Brasil, é praticado por Denise Stoklos, Júlio Adrião e Mariana Jacques, além de tantos outros  nomes neste tão especial jeito de narrar, do ator.

Grupo de Trabalho, do OFICENA, depois de uma sessão do espetáculo
"A Descoberta da América", de Júlio Adrião. Contato com uma forma refinada
de mostrar a arte de ator.
Desde o sucesso retumbante de Julio Adrião, com a peça "A Descoberta da América", o teatro narrativo entrou na pauta e nas discussões acaloradas das rodas artísticas brasileiras. Julio completou uma década com seu espetáculo e, de lá pra cá, formou vários artistas, que se destacaram nesta forma de fazer teatral. O teatro narrativo não é uma técnica específica, e sim, uma forma de ver o teatro, uma maneira de encarar a arte do ator. Julio é responsável por influenciar uma nova geração de atores, uma delas, a atriz Mariana Jacques, fez muito sucesso com a peça "Flicts", do Ziraldo. Em Cabo Frio, Mariana deu diversas oficinas de solo narrativo, para muitos atores locais.
Uma oficina diferenciada que muito acrescentará na arte de atuar...
Desde a década de 80, Denise Stoklos, a atriz paranaense que correu mundo, difundiu um tipo de teatro narrativo ao qual ela chamou de Teatro Essencial, referência ao fato de que no teatro pode faltar tudo mas não pode faltar o ator. Denise provou isso, criando mais de 10 espetáculos solos, um verdadeiro prodígio em nossa arte, já que, um artista sozinho no palco sempre corre o risco de se repetir. Não é o caso e, talvez, a repetição até seja necessária. Num mundo globalizado, um artista precisa se afirmar, impor seu estilo e apresentá-lo sob vários aspectos, talvez, construindo um mosaico de espetáculos para percorrer e afirmar uma única linguagem. Ou não.
Em Cabo Frio, não há dúvida que Yuri Vasconcellos é quem abraçou a causa do teatro narrativo, de corpo e alma. Discípulo confesso de Júlio Adrião, não foram poucos os momentos em que pude trocar idéias com ele. Dá pra sentir seu olhar aguçado e sua percepção refinada do que seria uma forma narrativa de, o ator, se colocar no palco. Yuri apresenta dois espetáculos solos em seu repertório pessoal, "A História das Invenções" de Monteiro Lobato e "Causos de Cabo Frio" a partir da obra memorialista de Meri Damasceno. Nesses dois trabalhos, Yuri propõe, mais do que uma visão do fazer teatral em si, mas também um mergulhos na essência de um teatro focado exclusivamente na investigação do ator.
No Fest Solos III, Yuri prepara uma oficina, onde irá construir alguns caminhos para esta forma de expressão. Conhecer o teatro narrativo é mergulhar fundo num conceito aprofundado de uma linguagem que não tem limite em criatividade e inventividade. Bom saber que dentro da cidade, temos pessoas capacitadas para um mergulho em tão importante modo de ver, sentir e transmitir a linguagem teatral para os curiosos, aprendizes e atores de plantão! 

SERVIÇO:
Oficina de Teatro Narrativo
Facilitador: Yuri Vasconcellos
Data: 21 e 22 de Maio
hORA: das 09 às 13h.
local: Teatro Municipal de Cabo Frio
Investimento: R$ 70,00 
desconto para estudantes de teatro dos cursos de Cabo Frio.