TEATRO PARA DANÇAR

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A Primeira Cia. de Teatro com atores Negros da Região dos Lagos.

A performance "O AMANHÃ" que abordou a questão do
preconceito Linguístico! no dia 26 de Agosto de 2017
 no Galpão da Cultura Negra - Foto: Fernanda Rigon.
Com fortes sinais de maturidade, o teatro de Cabo Frio ganha um novo impulso, desta vez, jovens negros se articulam junto ao Professor e Diretor Ítalo Luiz Moreira, para criar o primeiro grupo de teatro de Cabo Frio, formado com afrodescendentes. É um sinal de que hoje, a sociedade Cabofriense, está mais aberta e pronta para avançar na percepção e no diálogo que a comunidade negra propõe. A Cia. ainda não ganhou um nome definitivo, sabemos apenas que é a  primeira da região e é formada por: Vitor Pires, Nara Lumière, Ju Aguiar, Anderson Souza, Carlos Oliveira, Sarah Silvestre e Rubenig Rodrigues.
Os dados já foram lançados, no dia 26 de agosto de 2017, no Galpão da Cultura Negra, no bairro da passagem, em Cabo Frio, onde o primeiro trabalho falou sobre o preconceito linguístico.
A decisão de criar esta Cia. levou anos para ser tomada, de fato e aconteceu dentro de um contexto onde tudo favorece. O teatro, que antes era uma atividade fortemente articulada pela classe média branca, da cidade, agora tem, na sua ecologia, um número muito maior de negros inscritos em todos os cursos livres da cidade, uma ótima oportunidade para que haja maior procura por um teatro que resgate não só a memória cultural da região, mas também, a questão racial; além, claro, de mergulhar fundo e comprometidamente na obra de mestres como Teixeira e Souza, Lima Barreto, Maria Carolina de Jesus, Elisa Lucinda, Abdias do Nascimento, entre tantos outros.
A Cia. de Atores Negros de Cabo Frio é bem vindo e desejamos a eles, o sucesso para  que, daqui um tempo, esses jovens tenham suas biografias repletas de realizações artísticas, abrindo caminho para os que virão. Também agradecemos pelo fato de terem se conectado com as raízes, para trilhar o caminho aberto mestres como: Benjamim de Oliveira, Rute de Sousa, Abdias Nascimento, Milton Gonçalves e tantos outros...

(Jiddu Saldanha - Blogueiro)

domingo, 1 de outubro de 2017

Crítica: Mergulho ou A Menina que Sangrava Poesia. Com a Atriz Rita Grego.

Dias 29 e 30 de Setembro, o espaço cultural USIN4 fechou o mês com chave de ouro, trazendo a atriz Rita Grego, do Rio de Janeiro para uma gloriosa exibição de seu solo teatral dirigido por César Valentim que já havia emplacado, em Cabo Frio, o Belíssimo "A Viagem de Américo". Segue abaixo, a crítica feito por José Facury.

Rita Grego, conexão com Anne Frank, energia e luz para a humanidade!

O MERGULHO ou a Menina que Sangrava Poesia

Crítica por José Facury Helluy.

Casa Lotada, uma boa pedida para finalizar o mês de setembro
num belo espaço independente, de Cabo Frio.
O Diário de Anne Frank, tem sido um libelo referencial que tem aprofundado por vários momentos a nossa consciência crítica diante do choque do dominador, do fugir, do se esconder, do ser aprisionada e finalmente sucumbir nas mãos da atrocidade de uma ditadura fascista, no caso a do nazismo alemão. Extrair desse quadro lamentável a sua poética, foi o maior desafio do adaptador dramatúrgico do Mergulho, ou A Menina que Sangrava Poesia, oferecendo a si mesmo, agora como diretor, a possibilidade de tecer uma ótima composição que pontuada pelo desdobramento cenográfico continuo do simbólico que permeia as culturas do opressor e do oprimido, se entremeando pela fisicalidade expressiva, ora construindo e desconstruindo os personagens que cercam a dor da menina judia. Ali, por diversos momentos fica quase impossível não se deixar envolver, até porque a interpretação forte, correta, com emoção sempre a flor da pele, mas comedida para não nos deixar levar pelo tom catártico e sim pela técnica da apurada mímese gestual das técnicas  absorvidas pelo estudo e pela pesquisa. Sem nenhum senão, nem na narrativa, nem no embalo das dores sentidas, nem na manipulação dos signos que a direção amarra com firmeza para dar qualidade ao enorme desafio transmitido à atriz nos diversos momentos das transposições dos personagens. O Mergulho então, apesar da sua datação histórica, é tão bem composto na sua atualidade, que nos remete aos factuais contextos de uma Síria, Cabul ou Namíbias ou mesmo nas nossas rocinhas da vida onde crianças passam pelo mesmo choque de desprezo e ódio que nós temos por nós mesmos, levados por ideologias e domínios territoriais desumanos e catastróficos. 

(José Facury Helluy) - 2017

Yuri Vasconcellos - Arte como nunca.

Quem conhece Yuri Vasconcellos sabe o quando ele é um militante ativo da cultura local, tanto como gestor e produtor, quanto como artista. Este é um cara que, podemos dizer, e realmente multimídia. Conhece a fundo vários "fazeres artísticos" e é profundamente participativo nas artes de Cabo Frio. Por isso, sou seu fã de carteirinha. Gosto da pessoa e do artista. Mas tem também o lado político, disso, já não entendo muito, mas sei que Yuri é um guerreiro que nunca abandona seu posto!

Junto com José Facury e Italo Luiz Moreira, ele foi um dos arquitetos do atual OFICENA, lutou como pode, passou a bola e a fila seguiu, mas o que é mais bonito, na história deste grande artista, é sua criação e reinvenção estética; e só por isso, ele merece um grande abraço de aniversário, ainda que um pouco fora do prazo!
Seu trabalho como artista gráfico está cada vez mais maduro e sempre limpo, com traços que segue o melhor da tradição brasileira, muita poesia e percepção, para registrar momentos que só ele sabe ver, com seu olhar único. Seu traço registra a crônica cotidiana da cidade, onde ele publica na sua badaladíssima página COLETIVO SOLO, da qual sou fã... 
Também curto muito o seu trabalho como PALHAÇO MEIXIRICA, que tem um dos mais belos figurinos de palhaço que já vi. Caprichado, com um olhar cênico estético único, o Mixirica é um palhaço que se impõe como um alter ego do próprio Yuri, o Mexerica pinta o 7, literalmente, um palhaço que além de belíssimas e inventivas gags, faz de sua performance, um exercício de habilidades que só ele tem.
E por último, seu trabalho como Contador de Histórias é um dos melhores que já vi. Boa memória, ele traz para o palco o que Mari Damasceno traz para os livros. É muito bonito ver alguém tão apaixonado por uma cidade. O polêmico Yuri é também um agitador cultural que produz eventos como FESQ e FESTSOLOS, sua atitude diante da arte é sempre um exemplo a seguir.

(Jiddu Saldanha - Blogueiro)

Van Gogh - Um mergulho na vida e arte de Rafael Mannheimer.

"O Último Derlírio de Van Gogh" - Texto e Direção - Jiddu Saldanha
Ator: Rafael Mannheimer foto: Marcelo Valle - Espaço Cultural Travessia.
2017.
O Ator Rafael Mannheimer, demonstrou entrega, sensibilidade e muita disposição para dialogar com a platéia que o assistiu na cena seguida de bate papo "O Ultimo Delírio de Van Gogh". Foi um momento inesquecível, em que, a troca de energia com este que é um dos mais peculiares atores de teatro, da sua geração.
Rafael não economizou nos argumentos, se desnudou para o público que aproveitou o momento para pintar junto com ele, isso mesmo, enquanto se concentrava, uma cliente do instituto Nise da Silveira, apropriou-se de pincéis e tintas e fez questão de pincelar a tela junto com Van Gogh, personagem de Rafael. Foi um momento de muita energia criativa e ternura.
Ricamente fotografado por Marcelo Valle, que também é o gestor do espaço Travessia, o contato entre os dois artistas, um da fotografia e outro do teatro, resultou numa impactante troca onde, arte e público, saíram vencedoras. 
Aproveito para sugerir que todos os artistas se doem a este espaço único, da arte, e que traz a energia da poderosa e revolucionária Nise da Silveira, um lugar onde o exercício da criação e mais importante do que tudo, uma forma de libertação de toda a essência humana, por excelência.

(Jiddu Saldanha - Blogueiro).

Cenografia Construtivista, pela primeira vez uma oficina assim, em Cabo Frio!

"Um dia de plenitude teatral no nosso próprio espaço cultural Usin4, com o encerramento do curso de Cenografia Construtivista, o resultado da prática, a entrega de certificados, a confraternização e fechamento geral com as duas casas lotadas para aplaudir o espetáculo Mergulho ou A Menina Que Sangrava Poesia com a minha excelente pupila e atriz Rita Grego com direção do amigo Cesar Valentim que se debruçaram sobre a minha escrita cenográfica, o veículo simbólico da encenação. Um dia de um TUDO que um mestre pode almejar." (J. Facury).

"Cenografia Construtivista" - Oficina ministada por José Facury
no espaço USIN4 - 2017
O inquieto mestre do teatro local, José Facury, mais uma vez dá o ar de sua graça e generosidade, desta vez, ensinando para os jovens artistas da cidade, o que ele tem de melhor, em seu repertório de criação: A cenografia. Isso mesmo. Juntar pessoas para falar da construção estética e material de uma cena teatral, a partir do cenário, com isso, ganha-se, mais um precioso conhecimento para que novos grupos e os já existentes na cidade, possam seguir criando seus trabalhos já com uma percepção construtiva da cena.
O encerramento da oficina, mostrou uma conexão e presença de pessoas que foram além de suas ideologias para trabalhar, acima de tudo, o teatro, que é uma mãe que acolhe todas as diferenças e ninguém mais que José Facury, permanece tão focado nesta construção de coletivos que vão além de rótulos e bandeiras, seja lá quais forem. O mais importante é o teatro e sem o compartilhamento deste conhecimento, tudo se perde.
Parabéns a todos os participantes, que venham mais...

(Jiddu Saldanha - Blogueiro)

CRÍTICA - Os Sete Gatinhos, direção de Bruce Gomlevsky - Junta gerações do teatro.

Karen Coelho, frente (Aurora)e Louise Marrie,
ao fundo (Silene) Foto: Chico Lima
Sem dúvida, um encontro de gerações, capitaneado pelo impagável Tonico Pereira, a peça "Os Sete Gatinhos" de Nelson Rodrigues, escrita em 1957, completa 60 anos, em 2017. Está em cartaz  no teatro Nelson Rodrigues, no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal. Segue abaixo, minhas impressões críticas.

CRÍTICA
(por Jiddu Saldanha)

A primeira cena mostra a atriz Karen Coelho (aurora) contracenando com Gustavo Damasceno (Bibelot), ambos, exibindo boa técnica de atuação, ágeis, divertidos e com uma movimentação bem encaixada, o que já imprimi ritmo ao espetáculo. A cena se desenvolve na ribalta e platéia, na minha percepção, proporcionando o uso inteligente do próprio teatro em si, que vira cenário, já que a personagem, Auroral, logo de cara, entra pela platéia.
Ao abrir a cortina, vê-se o cenário como se fosse um antiquário, repletos de objetos, móveis e utensílios que remete às décadas 50/60, dispostos numa construção visual que lembra esculturas/pinturas cubista, dando ao público uma percepção de época, algo como um engajamento do passado, no presente. Neste contexto a atriz Alice Borges (D. Aracy) e seu modo histriônico de atuar, se harmoniza com todo o contexto da cena, mostrando, como sempre, ter o domínio da cena teatral e a concentração precisa de sua personagem, e é neste contexto inicial da peça, que entra em cena um dos personagens mais hipócritas de toda a produção rodriguiana, Seu Noronha, interpretado por um dos maiores nomes do teatro atual, Tonico Pereira.
A entrada de Tonico Pereira, na Cena, traz o frescor da boa arte de interpretar, o ator, com sua vibração carismática, arrebata, logo de cara, pela sua forma e estilo. Uma espécie de desapego do personagem, que faz com que sua leitura cênica, permita ao público um certo olhar crítico, de ir percebendo, aos poucos, quem é, verdadeiramente, o "escroto" Noronha. Tonico sabe administrar as nuances de seu personagem e vai dando-o de presente em pequenos detalhes, como a cena em que ele bebe o cafezinho no pires, uma cena tão rápida mas que traz a marca de quem sabe trazer o olhar do publico para o momento certo.
A partir daí, como é comum nas peças de Nelson Rodrigues, cada personagem vai aparecendo aos pucos, com composição completa e complexa, como, por exemplo, o Seu Saul, interpretado por Jaime Leibovitch, que é mostrado numa cena entre Patricia Callai (Debora) e Luiza Maldonado (Hilda). Sem perder o ritmo e com marcas bem definidas, a peça vai envolvendo o público até chegar ao seu momento final.
Destaco aqui, a atriz Louise Marrie, que está convincente, no papel de Silene, e, também, por ser uma atriz da nova geração, mostrando grande propriedade ao contracenar com atores experientes como Tonico Pereira, Jaime Leibovitch e Luiz Furlanetto. Quero também destacar a atriz Ingrid Gaiguer, no papel de Hilda, que, na cena em que "recebe santo", dá um show à parte, e se destaca pela incrível e partitura corporal e trabalho vocal com que desempenha seu papel, destacando, neste momento, a maestria e detalhismo da luz criada por Eliza Tnadeta.
Ao final, podemos dizer que é um espetáculo "fechadinho", com congruência de linguagens e que proporciona ao público, uma gloriosa entrada no mundo rodriguiano. Toda a equipe está de parabéns, pois, espetáculo como este, faz muita falta aos palcos cariocas. Que venham outros mais...

(Jiddu Saldanha - Blogueiro)

Eles foram para a China!

A menos de duas semanas atrás, se você perguntasse em uma conversa de bar ou de curso, onde está a Cia. de Teatro Manual, a resposta seria, no mínimo, exótica. "Eles estão na China". Não é incrível? A China parece ficar tão longe, em todos os sentidos. Uma civilização diferente, um lugar distante, um povo peculiar e é habitada por mais de um bilhão de comunistas! Mas então, o que eles foram fazer lá? A resposta é simples: Teatro. 

Matheus Lima, Helena Marques, Patricia Ubeda e Dio Cavalcanti, um elenco que aprofunda, cada vez mais, inúmeras técnicas de atuação. Teatro Físico, pantomima, música, palhaçaria, teatro acadêmico, enfim, pode-se dizer que, ao escolher esta ou aquela linguagem, o grupo faz TEATRO e encanta, por onde passa.
E estamos falando de teatro universal, já que o espetáculo Hominus Brasilis (sucesso de público, crítica e mercado) circula pelo Brasil desde 2014, com uma história que desperta a admiração de quem quer fazer teatro sério. De lá pra cá, uma circulação que inclui, de vez enquando, uma passada por Cabo Frio, cidade onde o espetáculo nasceu, para ganhar uma forte identidade fluminense e alcançar públicos que variam de idade, sexo e cultura, além e, principalmente, nacionalidade, já que o grupo tem uma grande vocação para botar o pé na estrada.

Brasileiros no "Beijing Comedy Week" na China, recebem flores e 
são saudados em Mandarin, o Idioma oficial da china.


Sobre o espetáculo "Hominus Brasilis".

Hominus Brasilis é o primeiro espetáculo da Cia de Teatro Manual. Estreou em 2014 no Rio de Janeiro e no mesmo ano foi indicado ao prêmio Shell de direção e ao Prêmio na categoria Especial do CESGRANRIO. De lá pra cá a peça já fez 118 apresentações, 5 temporadas, 8 circulações nacionais, 5 festivais nacionais e 3 festivais internacionais, dentre eles o Beijing Comedy Week na China. 
Beijing Comedy Week é um festival internacional de teatro que ocorreu no mês de setembro e que contou com mais de 60 trabalhos de todo o mundo. A Cia de Teatro Manual representou o Brasil na capital chinesa fazendo 3

apresentações no Super Theatre e tendo a honra de encerrar o festival sendo


recebidos pelo Comitê de Cultura de Pequim.


(Jiddu Saldanha - Blogueiro)