TEATRO PARA DANÇAR

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Artistas de Peso farão a festa do Fest Solos III

Com uma vasta experiência como ator e administrador de teatro, Mauro Silveira dá um sim ao Fest Solos. Marcelo Tosta e Daniel Erickson dividirão, também, este grande momento do teatro Cabofriense, com a atriz Claudia Mury. 
Artistas da nova geração como
Beatriz Ebecken e Anna Alves, estarão no palco do Usina 4, a partir do dia 10 deste mês, para mostrar a arte que abraçaram com tanto amor e dedicação.
é isso aí, está chegando o FESTSOLOS III


Atriz totalmente dedicada ao teatro local, Claudia Mury participou de praticamente, todos os movimentos de teatro da cidade. Será a nossa homenageada do Fest Solos III.



Com uma carreira sólida no Rio de Janeiro, Daniel
Ericksson, tornou-se uma pessoa imprescindível no
FesTSolos. 
Parece que foi ontem que a reunião, feita para discutir os festivais de teatro brasileiros, encabeçado pela equipe do FESQ e outros festivais, estiveram presentes e viram nascer a semente que seria a realização do primeiro Fest Solos, em 2014. Um ano antes, num papo com Pablo Alvarez, Yuri Vasconcelos e Fabio Fortes, a frase que ouvi de todos foi curta e grossa: "Cai dentro, Jiddu, se quer fazer um festival, corre atrás, você só precisa começar de algum ponto de partida". A frase, na verdade, fora dita por Yuri Vasconcellos, um incentivador do teatro local. Nos dois anos que se seguiram, na edição 01 e 02, Yuri ajudou a organizar o evento, mas nunca quis assinar como co-autor da ideia. Hoje, na terceira edição que já está pra acontecer, ele assume como parte da equipe de produção e idealização do Fest Solos, trazendo para dentro da famíliam a Ayamô Produções, com um conceito que vai mostrar a nova cara do FesTSolos.
A cada ano, a curadoria precisa se reinventar e descobrir os talentos locais ou que estão no local, como é o caso dos atores Mauro Silveira e Marcelo Tosta; ambos, fazem do mundo seu quintal, e que agora estão aportados na região: Mauro, em Iguaba Grande, e Marcelo Tosta, em São Pedro da Aldeia, seu lugar de origem e de onde sai para conquistar o mundo. O privilégio de ter dois artistas deste naipe, fazendo parte da lista de convidados especiais do evento, traz uma identidade profunda, de fixar a imagem das artes cênicas locais, conectadas com o que temos de melhor para mostrar à nossa comunidade artística local e presencial.
O Fest Solos III, também ganhou sua logomarca definitiva, de Manuella Ellon, a design que está dando o que falar na cidade, pela qualidade de sua arte visual. Também não podemos deixar de lembrar nossa mestra de cerimônias, Kéren-Hapuk, que viverá, pela terceira vez, o pepel da apresentadora Androgina Cianurêta - A Palhaça mais Perigosa do Planeta; com sua forte dose de irreverência e imprevisibilidade, Androgina promente meter os pés pelas mãos e arrancar gargalhadas da plateia que estiver presente. Será um momento inesquecível para o teatro local.
Mauro Silveira, experiência e
generosidade é a sua marca!
As mostras fixas este ano estão de tirar o fôlego, temos de tudo, toda a qualidade do Fest Solos, até aqui, estará presente. Não é à toa que escolhemos para a mostra de abertura, cenas que já tinham participado das edições anteriores, algumas, ovacionadas pelo público de 2014 e 2015, e que agora, ocupam o lugar de honra, na galeria do Fest Solos, tudo para prestigiar e enriquecer, ainda mais, a qualidade dos artistas locais, que merecem todo o nosso carinho, atenção e respeito. Uma nova geração, antenada e conectada com a ancestralidade artística de Cabo Frio.
Este ano, a grande atriz homenageada será, sem dúvida, Claudia Mury, a bela e dedicada atriz, madura, que vem, aos poucos, construindo sua carreira, com paciência e, conquistando, a cada novo momento, o respeito da cidade. Claudia, que já fez inúmeras peças é aluna benemérita do OFICENA com sua dedicação, carinho e respeito, ela atua nas peças de Italo Luiz Moreira, desde o inicio do ano 2.000 e agora, apresentará uma cena incrível, dirigida pela paranaense Lauren Christien. Desde que abraçou a vida artística da cidade, Claudia, de forma tranquila e sutil, fez parte de todos os momentos artísticos da cidade. Tudo que acontecia no teatro, lá estava ela, com sua gargalhada característica, levando alegria e incentivo aos artistas locais. Hoje, somos nós que a abraçamos, com amor.

VEJA NOSSAS MOSTRAS

A mostra de abertura, no dia 20 de maio, sexta, trará as cenas de destaque dos fesTSolos 01 e 02, com artistas da nova geração, ousados, que aceitaram nosso desafio. Abrir um evento dedicado, exclusivamente à arte do ator.























Na mostra do dia 21, sábado, nomes de peso do teatro local estarão garantindo a festa e a qualidade. Consagrada à atriz Claudia Mury, será uma noite com a participação dos bruxos: Mauro Silveira, Marcelo Tosta e Daniel Erickson, além, claro, da nossa homenageada!


A mostra de encerramento, dia 22, domingo, traz: Fabio de Freitas, Beatriz Ebecken e Wernerson Ramalho. Uma verdadeira troca entre nomes que se misturam na paisagem da cena local, capitaneado pelo Bruxo, Fabio de Freitas, que nos deu a honra de sua participação mais que especial...

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segunda-feira, 2 de maio de 2016

7 Diretores de Teatro de Cabo Frio - O que assisti deles!

Nos últimos 10 anos, a cidade de Cabo Frio viveu altos e baixos no movimento de teatro local. Com a maioria de seu efetivo tendo que viajar para cidades maiores, a fim de encontrar trabalho na profissão, tem também, aqueles que migraram definitivamente para outras terras. Mas os que ficaram aqui, nunca deixaram de produzir e criar continuamente, embora com janelas relativamente grandes entre uma produção e outra. Por isso, resolvi fazer esta publicação, homenageando os diretores: Milton Alencar Jr., Rodrigo Sena, Italo Luiz Moreira, Cesar Valentim, José Facury, Silvana Lima, Fabio de Freitas.



JOSÉ FACURY

Ex secretário de Cultura, José Facury retoma sua vida teatral,
dessa vez, cuidando de seu próprio espaço cultural, o USINA4
José Facury é um dos nomes de ponta de lança da cidade, destacado diretor e cenógrafo, seu trabalho
no teatro local abarca uma gama de ações variadas. Quando cheguei na cidade, em 2004, o primeiro trabalho que assisti foi uma versão adaptada da obra "Pinóchio" de Carlo Collodi, dirigido pelo muito jovem Eduardo Magalhães. Eduardinho, na  época, estava na casa dos 18 anos de idade. Chamou minha atenção, o fato de um ator experiente, como Facury, ser dirigido por um jovem ainda em início carreira. Mas, Eduardinho era um baluarte de sua geração.
Tempos depois, Facury dirigiu e supervisionou diversos trabalhos além de escrever sobre e para o teatro local. Seu trabalho com dramaturgia, abarca, também, o teatro de bonecos e, tive o privilégio de ver nascer o espetáculo "Magia das Águas", do grupo Creche na Coxia, núcleo Tânia Arrabal.
José Facury, dirigiu grande parte dos atores da cidade e um dos seus trabalhos de grande destaque foi "Tempo de Espera" com Cesar Valentin e Marcelo Tosta, dois atores com características bem diferentes, em cena.
Tempos depois, tive o privilégio de ser, também, dirigido por José Facury no espetáculo de João Siqueira, "Auto do Trabalhador", uma remontagem encomendada pela TRIBAL - Associação Tributo à Arte e à Liberdade, e que, 30 anos antes, fizera muito sucesso com o grupo Creche na Coxia, o espetáculo trouxe um elenco novo, mas manteve uma trinca de artistas que já tinham feito a primeira versão, foram eles: Tania Arrabal, José Facury e Ivan Tavares, este ultimo, assumindo a direção musical. A montagem da TRIBAL, reuniu nomes importantes do teatro local, com destaque para atriz Vivi Medina, que circula de boca em boca, por sua ótima e dedicada maneira de atuar.
Em 2014, depois de longos períodos praticamente ausente da direção teatral local, obviamente que, atuando em outras áreas da vida cultural da cidade, José Facury reaparece com a cena "Sem Elas, Esmo" com Manuela de Lelis e Rafaela Solano, atrizes de sucesso, no interior do estado do Rio de Janeiro. O espetáculo fora criado, especialmente para o FESQ - Festival de Esquetes de Cabo Frio, no ano de 2014. Foi neste mesmo ano que tive o prazer de rever, em Cabo Frio a famosa montagem "Minha Favela Querida", um dos mais importantes e premiados espetáculos de animação do País, desta vez, pude conhecer a história bem de perto, vendo e conversando diretamente com os artistas dirigidos por Facury, nesta magnífica obra, dentre os presentes, destaco o mestre Clarêncio Rodrigues, criador de grande parte dos bonecos utilizados no espetáculo.
Recentemente, soube da retomada da parceria entre José Facury e Cesar Valentin, num solo dirigido por "Cezinha" com a atriz Rita Grego, "Mergulho, ou A Menina que Sangrava Poesia". O espetáculo, atualmente em cartaz no Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro, iniciou sua grande viagem ao sucesso, neste ano de 2016. Facury aparece como cenógrafo, atividade principal de sua formação como artista dos palcos. Enfim, existe outras realizações, obviamente, da obra de José Facury, mas esta publicação é restrita aos trabalhos que pude acompanhar mais de perto.


ITALO LUIZ MOREIRA

Com estilo próprio e obcecado por ensaios e mais ensaios,
Italo se afirma como um dos fortes nomes da direção teatral
em Cabo Frio..
Italo é o diretor de teatro local com quem mais trabalhei. Em diversas tentativas de montagem do espetáculo "O Círculo do Jogo", acertamos a mão na montagem definitiva, em 2009, quando ele colocou toda a platéia no palco e fez os artistas representarem pendurados em um tecido. Neste trabalho, fiz a direção corporal, conseguimos um resultado satisfatório. Dois anos antes, em 2008, tentamos criar este trabalho com um elenco de novas atrizes, que incluía a hoje bem sucedida Rafaela Solano, mas não foi possível.
Por volta de 2010, junto com diretor-ator Frederico Araújo, chegamos a discutir a criação de um projeto em torno de "O Arquiteto e o Imperador da Assíria", de Fernando Arrabal. Fizemos uma leitura do texto, mas não conseguimos levar o projeto adiante. Vez ou outra, eu sempre me encontrava com Italo e trocávamos muitas idéias sobre teatro, nossas conversas eram afinadas e tínhamos muitas coisas em comum. Tivemos amigos em comum no Rio de Janeiro, embora não nos conhecêssemos de lá. Lembro que em 1998, meu grupo do Rio de Janeiro, "Trupe do Beijo", fora produzida por ele, numa semana de espetáculos realizados no Teatro Municipal de Cabo Frio, quase 10 anos antes de eu vir morar na cidade.
Em 2013, graças a um diálogo intenso entre Yuri Vasconcellos, José Facury e Italo Luiz Moreira, fui convidado para ser professor do curso de interpretação do Teatro local, em conversas e muitas reflexões com a equipe, criamos o nome de OFICENA para o curso e implementamos uma pedagogia totalmente voltada para o fazer teatral, através de montagens de clássicos da dramaturgia brasileira. Iniciamos com "O Auto da Compadecida" de Ariano Suassuna, a peça inaugural do novo curso de livre de teatro, do teatro municipal de Cabo Frio. 
Paralelo à criação do OFICENA, Italo mergulhou fundo no seu espetáculo conceitua para criança, "A Lenda da Menina...", onde fui convidado para ser o cenógrafo. O trabalho teve duas apresentações apenas, mas foi inesquecível, dele fizeram parte as atrizes Claudia Mury e Mírian Panzer, Miriam, neste mesmo ano, migrou para o Rio de Janeiro, onde continua a carreira de atriz.
Em 2014, realizei junto com Italo, a montagem de "O Inspetor Geral" de Nikolai Gogol e a remontagem de "O Auto da Compadecida", foi neste ano que iniciamos uma série de Leituras Dramáticas, dentre as quais Italo apresentou para o público recém formado no OFICENA, a peça "Relações", com Gustavo Vieira e Claudia Mury. Algum tempo depois, já na  passagem para 2015, decidimos investigar a obra "Bodas de Sangue" de Federico Garcia Lorca e, finalmente, em 2015, Italo dirgiu uma da mais belas leituras dramatizadas de textos que tive o privilégio de assistir; "Bodas de Sangue" teve um grande impacto como leitura, mas por motivos de força maior, não tivemos como fazer a montagem definitiva deste texto, como era a intenção.
No teatro infantil eu e Italo dirigimos um estudo de Cinderela, direcionando os alunos infanto-juvenil, do OFICENA a pesquisar a fundo o conto infantil; e também a peça de sua autoria "Atlantic City", fechando o ano de 2015, com diversos trabalhos em  parceria. Já em 2016, tenho acompanhado a nova montagem do grupo "Andança por um Teatro Livre", onde Italo, depois de promover uma litura dramatizada de "A Farsa do Advogado Patelin", texto famoso, medieval, de autor desconhecido. Inciou um longo processo de ensaio com novos atores ligados à nova e antiga safra de alunos do OFICENA.

SILVANA LIMA

Silvana Lima, uma das diretoras mais queridas de Cabo Frio

Silvana Lima é uma das diretoras mais queridas de Cabo Frio, seu grupo, Creche na Coxia, tem uma forte tradição local, pelos seus 40 anos de existência e também, principalmente, pela obra realizada. Alguns dos grandes artistas da cidade, hoje, compõe a nova geração do grupo; que mantém-se fiel a praticamente uma ou duas montagens oficiais por ano, fora as montagens voltadas, exclusivamente para festivais, que é onde o grupo mostra sua maior vitalidade. Basta participar de um festival e a premiação é sempre garantida. Festivais espalhados pelo Brasil, já tiveram a honra de receber as peças do grupo, quase todas, escritas e dirigidas por Silvana Lima.
Dela eu assisti, "A Carroça dos Sonhos" e o impactante espetáculo "Iliada", de Homero, com uma adaptação livre da própria Silvana. Desde que cheguei em Cabo Frio, seu grupo nunca parou de produzir. Foram oficinas, vivências e intercâmbios, além de uma forte atuação politica local. Curioso é que, o Creche na Coxia, é o único grupo de teatro, no Brasil, que tem dois núcleos bem produtivos. O núcleo Silvana Lima e núcleo Tânia Arrabal, ambos, com espaços culturais que são um verdadeiro luxo para a cidade. O teatro Garagem e o Espaço Usina 4. Isto mesmo.
O trabalho mais recente do grupo, dirigido por Silvana é "O Velhinho e a Morte", uma cena curta, incrível, com uma perfeição de movimentos corporais e ritmo cênico, de tirar o fôlego. A cena que já recebeu diversos prêmios pelos festivais de teatro Brasil a fora; agrega diversas linguagens cênicas numa simbiose de ações que demonstram claramente o estilo seguro e a forma como ela dirige suas peças. Já estou sabendo da nova montagem do grupo é "A Menina e a Rosa". também fiquei sabendo, diretamente dela que a primeira montagem do Teatro Garagem será a peça "Bailei na Curva", um clássico da dramaturgia brasileira, dos anos 80. Agora é só aguardar porque o Teatro Garagem está a todo vapor.

FABIO DE FREITAS

Fabio de Freitas, diretor que também atua em suas peças.
Fundador do TAT - Trupe Andarilhos de Teatro.
Fabio de Freitas é um dos mais produtivos diretores de teatro, da Cabo Frio, uma coisa que é notória em seu trabalho é o conceito irrefutável de sua linguagem cênica. Dele, tive o prazer de assistir a inesquecível peça "Não Fui Eu", que tinha no elenco nada mais nada menos que as geminianas Vivi Medina e Louise Marrie, Fabio também fazia parte do elenco. Foi um magnífico espetáculo de rua, montado por volta de 2010. Seu grupo, Trupe Andarilhos, leva no próprio nome a essência do teatro que circula pelo Brasil.
Tive o privilégio de ser dirigido por ele, na montagem de um conto do escritor colombiano "Gabriel García Márquez" onde ele colocou para contracenar comigo, nada mais, nada menos do que Débora Diniz e Thainá Lasmar, hoje, duas atrizes afirmadas no teatro local e nacional. O trabalho de Fabio é rigoroso e vigoroso e o que chama a atenção na sua forma de dirigir, sem dúvida, é a maneira como ele transforma-se e transforma os atores que trabalham com ele. Sua linguagem é profundamente formal e exige muita dedicação.
Em 2012, Fabio lançou, no FESQ, a cena "Cenas de Sangue", um trabalho incrível, com Paulo Motta e Thainá Lasmar, trabalho incrível e que lançou, definitivamente o ator Paulo Motta que hoje pode-se afirmar que é uma forte energia local, da nova geração. Em 2011, assisti à cena "Fabulamente", um solo com a atriz Thainá Lasmar, dirigido por Fabio de Freitas, tremendo sucesso, que circulou por diversos lugares, sendo, inclusive o espetáculo inaugural da primeira edição do Fest Solos, evento que já vai para o terceiro ano de realização com grande sucesso.
Em 2015, Fabio fez, junto com Paulo Motta, o perturbador "Ratos e Homens" de Johan Steinbeck, uma cena perturbadora onde Fabio mostra sua habilidade como ator que investe fundo na concepção de maquiagem em suas cenas. É também um mergulho sério na realismo como linguagem, conferindo um peso intrigante à forma de atuação do ator Paulo Motta. O trabalho exibido no FESQ, teve grande repercussão e até hoje é comentado. É provável que a investigação do trabalho com "Ratos e Homens", tenha rendido, um retorno ao realismo com o incrível "Malefícios do Tabaco" de Tchecov. Trabalho onde Fabio, mais uma vez, investe como ator, na ma maquiagem e ambientação do espaço do teatro Garagem. 

CESAR VALENTIM

Cesar Valetin, extravagância na linguagem, não economisa
no visual, seus espetáculos são um verdadeiro Luxo!
Assiti diversos espetáculos do Cesar Valentin como diretor, seu grupo de teatro é bastante atuante na
cidade, o "Fabricarte" e é também, um grupo que investe no trabalho pra Criança. Em 2014, assisti ao belíssimo "No Quintal da Imaginação", que reúne u time de primeira, do teatro local: Rafaela Solano, Manuela de Lelis e Ricardo Amorim. No quintal, foi um dos poucos trabalhos locais, totalmente voltado pra criança, com um resultado satisfatório. Chamou a atenção, a agilidade com que "Cesinha" dirije seus atores.
Por volta de 2009, se não me engano ele fez o espetáculo "Trapezio" com um cenário incrível, gigantesco e bem produzido, infelizmente, o trabalho acabou não indo adiante por dificuldades de transporte, pois, o cenário exigia um aparato de produção, praticamente impossível de mobilizar em Cabo Frio, mas quem viu este espetáculo, iria ficar impressionado com a extravagância da linguagem luxuosa de Cesinha, que não economiza no visual, sempre muito rico também em figurino e maquiagem.
Por volta de 2007, se não me engano, assisti um espetáculo infanto-juvenil com um nome longo e divertido "Prosaicas prosopopéias propaladas por praticantes de prosas, predispostos a polivalência prelecionando para preclaras plateias!" Lembro que a gaiatice era tanta que a própria exposição do nome do espetáculo rendeu uma cena inteira e completa. Era um espetáculo ágil e musical, uma verdadeira proeza saída da imaginação deste tão querido diretor. Ao final de tudo, ficou a sensação de que o ator, nas mãos de Cezinha, vai ganhando corpo e expressão, não é à toa que, por volta de 2010 ou 2011 nascia o incrível espetáculo "Viagens de Américo", talvez, o trabalho mais divulgado do grupo.
Uma coisa interessante é que, "Viagens de Américo", pude assistir 5 vezes e pude perceber a forma lenta e gradativa como o espetáculo foi crescendo. Gosto de diretor com personalidade que mantém seu trabalho no ritmo natural de crescimento, que depende, principalmente, do próprio desenvolvimento natural e técnico do ator. Quando vi a ultima apresentação, em 2015, pude sentir o espetáculo mais radical na proposta visual, sem mudar a estrutura mas com um investimento maior ainda no acabamento artístico que se podia sentir na perfeita caracterização do ator Ricardo Amorim.

RODRIGO SENA

Rodrigo Sena, o mais "outsider" dos diretores locais, como a própria foto diz
nunca se sabe quando seu próximo trabalho vai acontecer, mas quando
acontece, há sempre uma boa surpresa.
O diretor mais "outsider" de todos os que conheço no local, Rodrigo é meio misterioso, caladão.
Aparece "do nada" com seus novos trabalhos e sempre surpreende. Se for mostra competitiva, ele premia logo de cara. Tive o prazer de assistir sua peça "Segredos do Campo de Girassóis" e foi impressionante a empatia com o público, no Fesq de 2008. A cena ficou famosa pela "cena do beijo", depois de um percurso profundamente metafórico do começo ao fim, o elenco todo feminino se beija em cena e causa um misto de espanto e poesia, que levou o público a uma grande e sensível viagem. Este tipo de abordagem é rara, no teatro local, já que a região é infestada de igrejas e propaga um puritanismo irritante. Rodrigo, entretanto, conseguiu extrair muita arte de seu premiado elenco.
No fest-solos de 2015, assisti a uma cena incrível, "Seu Coisinha", trabalho meticuloso que afirmou as qualidades do ator Wenerson Ramalho. Neste trabalho, Rodrigo deu muita alma à sua inventividade, oferecendo ao ator, diversas possibilidades cênicas. O trabalho foi muito bem recebido e aplaudido, tanto que, foi convidado para reapresentação no III FesTSolos, agora, em maio de 2016.
No final de 2014, Rodrigo apresentou, junto do curso LD, um estudo teatral chamado "Cacos", realizado com alunos do curso, apresentando um resultado que, rendeu um ótimo debate. Neste espetáculo-estudo, Rodrigo fez questão de explicar que direcionava-se, naquele momento, para alguns estudos da arte do ator e punha em prática o processo como resultado. Ao final, um debate incrível com a presença dos alunos do OFICENA, visitando o espaço LD. Encontro inesquecível.
Uma das cenas que gosto de recordar é, sem dúvida "A Menina Escondida no Baú", que revelou qualidades interpretativas incríveis, da atriz Anna Fernanda. Rodrigo soube esculpir cada gesto e criar um ambiente perturbador, indo fundo na psique humana, marca registrada de sua linguagem como diretor.

MILTON ALENCAR JR.

Focado no cinema, Milton Alencar Jr.
também dirige teatro.
Embora produza pouco no teatro local, não tem como não lembrar do trabalho de Milton Alencar "A Armadilha", realizado em 2006, com Guilherme Guaral, Vivi Medina e Italo Luiz Moreira no elenco. No espetáculo, Milton criou um clima sufocante, mesclando uma harmoniosa, embora perturbadora, cena em que utiliza o audiovisual, sua marca, pois, Milton é um reconhecido diretor do cinema nacional, com diversas obras realizadas destacando o filme "Garrincha" onde coloca uma boa quantidade de artistas locais na telona.
Cor-responsável pela criação do festival Curta-Cabo Frio, foi muito bom ver a forma como ele trabalha com atores, quando, em 2015, o TCC - Teatro Cabo Friense de Comedia participou do projeto TELETEATRO, dirigido por ele e Bruna Pozzebon. Sua habilidade e concentração para lidar com atores mostrou não apenas a larga experiência de um profissional, como também, a força criativa e o ótimo orientador de atores no SET. Milton não produz muito para o teatro local. Ter assistido seu espetáculo "A Armadilha" deu uma noção clara, para mim, de sua pegada como diretor, também da cena teatral. 

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Entrevista com o ator e diretor Marcelo Tosta

Vez ou outra encontro Marcelo Tosta pela estrada da vida. O artista mergulhado no mais profundo da arte, sempre me impressiona. A princípio você o encontra na simplicidade da vida. Ele troca algumas idéias, fala de coisas profundas, conta o que está fazendo o que está lendo, o novo quadro que pintou, mas nunca é arrogante, nunca se diz dono da verdade e não se sente melhor do que ninguém.
É que Marcelo é desses caras que não consegue ser superficial, sentar ao lado dele sempre vai ser uma viagem para um desconhecido qualquer. Ele não vive apenas uma vida de quem é comum, ele vive a vida do ouvido pra dentro, num submerso de si mesmo, num delírio "artaudiano" e "vangoguiano". Este é o motivo desta entrevista, eu quero mostrar aqui, um recorte de sua pessoa, sua figura, seus ideais, mas visto por suas palavras, narradas pelo seu coração.
Com vocês, MARCELO TOSTA!


Artaudiano e Vangoguiano, Marcelo Tosta é cidadão do
mundo. O mundo é seu quintal...
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"Eu nunca estive fora 
do movimento 
Teatral da cena de 
Cabo Frio, nunca! "

Jiddu Saldanha - Como é mergulhar no mar de nossa região, pelo viés do teatro? Marcelo Tosta é esse mergulhador abissal da arte?

Marcelo Tosta - Quando penso em mim, buscando reconhecer no organismo os primeiros raios e registros da arte, penso imediatamente em uma criança sentada no meio da sala, desenhando e escrevendo nas antigas sacolas pardas de mercado para tentar minorar a sua ansiedade. Talvez um traço já constante de que eu precisasse comunicar e tivesse alguma espécie de canal aberto, creio neste canal em todos nós, para poder dizer daquilo que estivesse entre os mundos e entre os entres de nossas esferas, psico esferas. 
Lembro também de mim, trancado no fusca amarelo do meu pai, ouvindo a rádio MEC, mesmo não tendo sido apresentado pela minha família. É da parte da descoberta, do risco e dos frios quatro dedos abaixo do umbigo equidistantes do sexo. É do marejar tendo ainda que como registro, a mãe zelosa demais, gritando para que eu não nadasse para o fundo, para não me afogar no meio das águas da vida.  A arte e o meu trabalho com as possibilidades da arte, não começou exatamente quando numa igreja abandonada na época, emprestava como palco,  o altar para que eu pudesse reconhecer Vivaldi e ler “Sonhos de uma noite e Verão”, me fascinando com Píramo e Tisbe, com Puck, Com Anaïis Nin citada por Artaud e eu nem podia imaginar que pouco tempo depois eu estaria nos palcos dando voz a este homem que trespassado em correrias e gritarias de existência, assim como eu, também gritava. Com 15 anos, comecei a dividir o que eu tinha necessidade de expandir e investigar com um grupo de almas que variavam a mesma idade ou mais que a minha naquela época. E comecei a dirigir a cia de pesquisas teatrais Religare, que até hoje cumpre e compra a briga de existir e insistir, sem financiamento e nem apoios. 
Nadávamos contra a corrente, dos preconceitos, das torpezas e indignações diante da sensibilidade possível e que sempre era motivo de repúdio para que permanecidos na ignorância, fôssemos incluídos nas rodinhas da vida. Eu sempre fui marginal, das figuras que estavam à margem e que aprenderam que era exatamente do lado da borda de fora, que ficava o maior do mundo. Eu poderia falar intensamente sobre meus primeiros registros na arte, já que sempre me sinto renascido todos os dias quando me vejo diante de sensações e de possibilidades de registros, que me são orgânicas e inevitáveis. Eu não evito a sensibilidade e nem excluo de mim o estudo aprofundado da minha existência, das existências, insistências e vontades reverberadas no Nosso mundo. Ainda que me dissessem “NÃO”, eu, do lado de fora, estava dentro do quintal do maior do universo e para isso, Nunca! Um único verso, palavras infinitas.


"Eu não evito a 
sensibilidade e 
nem excluo 
de mim o estudo 
aprofundado da 
minha existência"

JS - Quais os momentos vividos no RJ que vale a pena lembrar?

MT - O Risco do percurso saindo da roça para a cidade de pedras, a vontade celebrada no peito, para poder estudar, sendo pessoa vista como impossibilitada e sem recursos, para investigar o teatro fora da cidade pequena. (suspiro e conto até dez!) A Martins Penna, meus amigos que guardo até hoje no coração, professora magnífica da Romênia, Mona Lazar! Miojo, miojo, miojo! Vontade de voltar para casa para ver TV nas tardes de sábado com a minha mãe. Descobertas de que o riso não era propriedade das pessoas “engraçadinhas” que me julgavam depressivo. Um grande reconhecimento por minha capacidade de fazer comédia, mesmo sendo um ator conhecido por imersões dramáticas e profundas, fazer rir é ter entendimento sem medo do mergulho na dor. Eu não me lembro somente do Rio, me lembro do mundo! O Rio que corre lá, não corre menos aqui, dentro do meu peito e dentro do magnífico movimento que nós, atores, jovens, velhos de alma e ávidos de desejo, fazíamos ser e existir e não apenas pesar sobre a Terra em Cabo Frio. Do Rio ainda tenho muito a colher. Mas muito mais quero plantar pelo mundo. Eu sou do mundo! Eu sou do mundo! Do mundo!

Num clique de Alexandra Arakawa - 2008
JS  - De volta no movimento teatral de Cabo Frio com a cena "O Último Delírio de Van Gogh", quais são suas expectativas?

MT - Eu nunca estive fora do movimento Teatral da cena de Cabo Frio, nunca! Talvez Cabo Frio tenha expelido ou fechado por um tempo de nova semeadura, segregação, reforma, os outros artistas que estavam sempre ali, mas não eram vistos. Não estou falando com arrogância, estou falando com verdade que precisa ser revelada de dentro de mim, diante da pergunta que me foi feita. Vanisse, foi um trabalho que até pouco tempo estava sendo mostrado e vivido com a mesma intensidade de todos os campos e cidades e pastos e  estradas. Em São Pedro, não para nenhuma instituição política, vivemos o incrível “Quilombo de Cal”,  no Rio e também aqui. Muitas coisas aconteciam e eram notificadas pelas redes sociais. Eu não fui a Europa, ainda, mas ela estava conosco aqui, em Cabo Frio e qualquer lugar, estava o Brasil inteiro. O mundo estava aqui, está em mim, eu estava aqui perto com a Cia Religare, bastava que fizessem menos barulho para também  nos ouvir. Tenho aprendido com o tempo, cada vez mais, que é inútil pensar em "contracenação" se não estivermos dispostos a fazer silêncio. 
O Silêncio é sagrado, nele há uma ruidosa e encantadora música e fala milenar do universo, nos dizendo sobre o que o Tempo, pode fazer por nós, agora. Agora quero fazer Van Gogh! E quero fazê-lo com a dignidade que ele merece por sua grandeza, mas antes de tudo, pela sua sensibilidade que só foi reconhecida depois de ter sido esmagada pela falta de olhos que o percebessem e o retirassem desse enquadramento absurdo e violentamente cruel do que chamam de loucura! Então,  tudo que espero é ter competência e humildade para fazê-lo, mesmo que sabendo que ele não precisa de mim para viver, porque permanece vivo e grita suas cores e orelha pelo mundo  muitas vezes, completamente surdo.

Ensaio poético visual por Alexandra Arakawa
homenagem a Marcelo Tosta...



"O mundo estava aqui, 
está em mim, 
eu estava aqui perto 
com a Cia Religare"

JS - O teatro tem jeito, tem como revigorar esta arte nesta Cabo Frio, neste Brasil?

MT - O Teatro precisa de coragem! Não se faz teatro sem coragem, sem riscos, sem mar, sem vida, sem fogo nas ventas, nas “partes”, no corisco. Na verdade eu penso que o país precisa do Teatro e que o Teatro precisa ser entendido de uma vez por todas como profissão, como legado, como tarefa absolutamente imprescindível para que aconteça alguma espécie de deslocamento de nossas zonas de conforto nada confortáveis. O teatro precisa de gente abusada, de gente puta, de puta, Salve as putas! De Santos mártires que gozem por Deus! E que entendam que Deus e o diabo, sempre tomam chá, juntos no final da tarde. Não existe esta coisa chata de se trabalhar sem ter ganhos, sejam eles físicos ou secundários. Todo ator merece respeito pelo seu TRABALHO e o teatro não pode deixar de ser considerado como uma grande alavanca possível e próxima de todos nós, para que possamos despertar o mundo do sono da ignorância. O país precisa de nós e não de elitização. O teatro é tão fundamental e urgente quanto a fome. Salve Antonin Artaud! Laroiê!

JS - Quem é Marcelo Tosta por Marcelo Tosta

"E que entendam 
que Deus e o diabo, 
sempre tomam chá, juntos
no final da tarde."


MT - Um homem nu diante do espelho, que não tem a menor pressa em colocar a roupa.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Paulo Hugo - A Oficina

Vejo com certo regozijo a iniciativa do jovem ator, 
bonequeiro e contador de histórias, Paulo Hugo, agendado 
para uma oficina de animação num novo point cultural 
da cidade; Casa Ancorada. 

Paulo Hugo, desenvolvimento com o Teatro de Animação.
Paulo Hugo responde por uma das mais sólidas tradições do teatro de animação do estado do Rio de Janeiro. A família de Clarêncio Rodrigues, que tem levado para o Brasil e o mundo, muito da arte do teatro de Bonecos, estimulando um olhar e uma tradição, no mínimo, orientadora de caminhos de grande aprendizado no mundo teatral.
Paulo Hugo, a transmissão de seu olhar para a arte
da animação.
Enquanto me dirigia ao teatro municipal para mais um dia de labuta artística, encontro o "Paulinho", entusiasmado e feliz por ter sido convidado para levar seu experimento estético para quem quiser conhecer mais sobre a arte da animação, por um valor simbólico de apenas R$ 10,00. Eu particularmente acho que Cabo Frio precisa disso. Já que a cidade praticamente não tem investimentos na área teatral, para que um artista possa trabalhar aqui, é ir criando uma demanda no entorno de seu trabalho, aprendendo e ensinando o que sabe e, nesta caso, parabenizo a iniciativa de todos os envolvidos nesta oficina.
Paulo Hugo praticamente nasceu no mundo do teatro de bonecos, ele é a pessoa certa para trocar conhecimentos com a juventude que hoje busca novos conhecimentos e despertamento artístico, através de linguagens diferenciadas. O teatro de animação é um conhecimento tático para o ator. A médio e longo prazo, transforma o ator num ser meticuloso e perceptivo de camadas do fazer teatral que não é possível de outra forma. Todo ator deveria vivenciar um momento com esta linguagem, principalmente aqueles que vivem uma relação com a arte da palhaçaria e da mímica, por exemplo.
Foram muitos os momentos em contato com esta arte em Cabo Frio, quem aqui não esteve no Bonecart? Importante evento ligado à animação e que tem forte tradição na cidade. O Bonecart revelou muitos artistas desta arte, nacionalmente, mas também trouxe profissionais inesquecíveis que ocuparam o palco do Teatro Municipal e levaram essa energia em extensão para o espaço Sorriso Feliz, lugar de formação de berço para o artista Paulo Hugo.



terça-feira, 26 de abril de 2016

Fotógrafos que fotografam TEATRO em Cabo Frio.

Quando cheguei em Cabo Frio, em 2004, me impressionou a quantidade de fotógrafos que iam ao teatro, registrar a atividade teatral local.  São registros inabaláveis, de momentos que não se vive mais, a não ser, no recôndito do coração. Por isso, resolvi fazer esta publicação em homenagem a alguns fotógrafos que pude conhecer e trabalhar junto, de alguma forma!


Ravi Arrabal, clicado por "Dona Mariana Fotografia", durante
preparativos da peça "A Ilíada" do grupo Creche na Coxia.

MARCELAS RIMES - Quem quiser viver e ver momentos inesquecíveis do teatro de Cabo Frio, basta fazer uma visita na sede do Creche na Coxia e ver as belíssimas fotos tiradas por Marcelas Rimmes, a fotógrafa que criou, por volta de 2005 ou 2006, se não me engano, o Loft Fotográfico. Ela já registrava a atividade artística da cidade mas decidiu seguir carreira e hoje, dobra sua atividade como atriz do grupo Creche na Coxia e dedicação total ao seu ofício de fotógrafa. De lá pra cá, as fotos de Marcelas circularam pela rede social, construindo uma narrativa inesquecível do teatro local, embora este, não fosse seu foco principal como fotógrafa. Nos anos que se seguiram, Marcelas dedicou e dedica grande parte de seu olhar, a registrar momentos e sonhos de pessoas que querem viver seus momentos eternizados num clique fotográfico que valoriza a autoestima.

ALEXANDRA ARAKAWA - Quando cheguei em Cabo Frio, em 2004, a primeira fotógrafa com quem travei contato foi com ela, que todos chamam carinhosamente de Sandrinha. Seu trabalho foi de uma multiplicidade incrível, trabalhando no audiovisual, nas artes plásticas e no teatro. Seu trabalho nas artes cênicas tinham uma forte pegada conceitual. Sandrinha era daquelas pessoas que, quando cismava com um ator, registrava-o de diversas formas. Sua seleção de imagens do ator e diretor Marcelo Tosta é inesquecível. Focada na vida teatral da cidade, Sandrinha fez registros incríveis de grupos de teatro da cidade. Além de trabalhar na curadoria do FESQ, um dos mais importantes eventos de teatro do Brasil, ela também cuidava de fazer registros precisos de todas as ações possíveis durante este evento.

ANDRÉ AMARAL - André Amaral teve ótima atuação até por volta de 2012, fazendo registros esporádicos da cena teatral local, mas um de seus momentos marcantes foi fotografar o projeto 4x4, evento organizado por Fabio de Freitas e Bruno Peixoto, que marcou época na cidade. Posteriormente, Andre foi, também, o fotógrafo preferido do extinto grupo "Bicho de Porco". Vez ou outra, fazia seus registros de alguns trabalhos lúdicos da associação TRIBAL, como filiado. Seu trabalho, o entanto, se dividia entre fotografar teatro e cinema, além de belas fotografias experimentais com o tema natureza e ecologia. Sem dúvida, o olhar de André Amaral, deixou saudade. Por onde andará este grande artista dos cliques?


Irreverente, e muito focado, Marcos Homem trabalha por sua arte como
ninguém. Oferece oficinas de qualidade e tem discípulos espalhados pelo
Brasil a fora!
MARIANA RICCI - Conheci o trabalho de Mariana Ricci no festival de cinema de Cabo Frio, onde pude perceber seu trabalho sensível, com uma precisão lúdica e limpa. Sua imagem é, até hoje, uma dança poética. No teatro, Mariana somou ao movimento por volta de 2006, onde passou a registrar diversos acontecimentos no teatro da cidade. De todos, Mariana foi a fotógrafa que mais deu continuidade à sua narrativa. Durante a ultima década, pude vê-la fotografando videoclipes, pessoas, ensaios diversos e uma constante atuação no FESQ, festival de teatro mais antigo da cidade, além de contribuir muito com cliques para o grupo Creche na Coxia e, também, o Fest Solos, festival de teatro mais recente, surgido em 2014.
Mariana Ricci, olhar dedicado e presente no Teatro.

MARCOS HOMEM - Fotografo irreverente, brincalhão, amigo além de ser um excelente profissional. Marcos Homem costuma dar seu ar da graça, fotografando eventos no teatro e sua contribuição para o movimento local, aconteceu algumas vezes em espetáculos que estive envolvido, mas também, nas primeiras edições do FESQ. Ele também foi o criador do belíssimo e irreverente evento Pinga Foto, iniciado nas antigas instalações da casa dos 500 anos. Marcos, além de ótimo professor, com muitos discípulos espalhados pelo Brasil, e também um fomentador da atividade do fotógrafo enquanto profissão. Seu trabalho com a Mala da Fama é pioneiro, dentro do projeto, e sua linguagem como um esteta da fotografia, mostra que, além de seu domínio artístico, ele se comunica de forma direta com seu público e sua arte.

PAULO MAINHARD E MANU CASTILHO - O Casal de fotógrafos, tive a honra de conhecê-los desenvolvendo trabalhos de audiovisual na cidade, colhendo depoimentos de artistas locais que, posteriormente se tornariam videos documenteis. Com uma prática profissional intensa, não foram poucas as vezes em pude vê-los atuando no FESQ e também no Festival de Cinema de Cabo Frio. Colegas de trabalho que depois formaram família, casando-se e migrando para o Rio de Janeiro onde, hoje, estão mergulhados em projetos ligados a fotografia e montagem para cinema e audiovisual. Mais do que artistas dos cliques, Paulinho e Manu, eram incentivadores e fomentadores da atividade visual na cidade. Era eles que, junto com a fotógrafa Alexandra Arakawa (Sandrinha), faziam um belíssimo evento de fotografia, estimulando os fotógrafos locais a soltarem sua fúria criativa para o desfrute da cidade.


FLAVIO PETCHINICHI - Multi artista, o inquieto Flavio, deixou sua marca, fazendo registros memoráveis do trabalho da TRIBAL, com destaque para as rodas culturais e os eventos organizados pela associação. Flavio fez ótimos registros das ações no teatro e foi  também um incentivador da atividade artística em espaços alternativos da cidade, enfrentando uma época de fortes polarização política, mas nunca se deixou abater. Seus cliques eram focados tanto na estrutura cênica dos trabalhos em si, mas também, na atividade do artista em si. Seus ensaios nômades realizados com aristas de peso da cidade como, Letícia Marques e Tatiana Prota, são inesquecíveis. Um olhar profundamente tribaleiro e de grande impacto. Flavio partiu para outras terras, junto com seu grande amor, ou amores, mas deixou uma energia positiva e um exemplo perfeito de guerreiro focado na luta o tempo todo.


Sofisticada e profissionalíssima, Marcelas Rimes, também se dedica à
atividade de atriz junto ao grupo Creche na Coxia.
THIAGO ANDRADE (TCHÚ) - Basta você encontrar o "Tchú" e perceber que seu silêncio e seu sorriso tranquilo, revela a figura de um fotógrafo atento com seu olhar sutil. Somando ao trabalho da empresa "Dona Mariana Fotografia", Thiago começou seu trabalho por volta de 2010, se não me engano e passou a fazer registros da cena teatral de Cabo Frio com total dedicação. Muito do que se realizou na cidade, nos ultimos 5 anos, sempre tem um toque do nosso querido e dedicado "Tchú". Em 2015, ele fotografou o Fest Solos, junto com sua esposa, Mariana Ricci, e contribuiu para a riqueza do evento. Recentemente, Thiago voltou seu olhar para nova geração de artistas da cidade e acompanhou o grupo "Imaginário" praticamente durante seu nascimento, abrindo para um grande momento do teatro local.

RICARDO AMORIM - Ainda que excelente fotógrafo, Rick, como é carinhosamente chamado pelos amigos na cidade de Cabo Frio, é um artista com grande esmero e dedicação e, durante sua presença na cidade, ele foi uma das pontas de lança do audiovisual alternativo na cidade. Com uma sólida formação e um treinamento quase obsessivo, Ricardo chegou ás raias da perfeição com suas narrativas visuais durante quase todas as edições do Fesq. Seu trabalho com montagem e fotografia de audivisual, fez dele um dos nomes mais requisitados da região, graças, principalmente a seu olhar e a qualidade técnica de seu trabalho. Ele deixou um forte rastro de seu profissionalismo por aqui e, até hoje, os eventos de teatro da cidade, seguem seu exemplo.

MANUELA ELLON - Manu, como é conhecida no meio artístico local, é ao lado de Marcos Homem, talvez, a mais excêntrica dos profissionais da fotografia local. O trabalho de Manuela Ellon, tem grande impacto, pela sua forma narrativa. Ela faz questão de editar as fotos, aplicando elementos e conceitos visuais da Pop Arte, conferindo ao objeto fotografado, um certo tom extravagante e  poético. Seu trabalho, atualmente, está focado em narrar, visualmente as atividades do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia; mas pode-se dizer que em fotografia ela já fez um pouco de tudo na cidade. Já fotografou o FESQ, o FesTSolos, peças e eventos de dança, além de ser uma das referências, atualmente, em fotografar eventos teatrais pelas ruas e praças de Cabo Frio.


Excêntrica e Sofisticada, Manuela Ellon é conhecida por sua narrativa focada
na tropicalização da Pop Art.
ALEXIS MALABI - Foram inúmeros os momentos em que pude encontrar Malabi, nas dependências do teatro, fazendo fotografias para o FESQ e outros eventos na casa de espetáculos da cidade. Inesquecível é seu jeito solidário de trabalhar, lembro que ele fazia questão de conversar detalhadamente com o dono do evento e fazia uma ponte segura entre os fotógrafos locais, para a distribuição dos mesmos, pelo evento em questão. Sua narrativa, seu clique, sempre certeiro, poético e suave. Uma vez, ele levou seus alunos de fotografia para uma inesquecível narrativa visual do FESQ, acho que por volta de 2012. Com resultados incríveis e belos. Saudades deste grande artista e amigos.

LARA ROTHIER - Talvez a mascote das fotógrafas e fotógrafos da Cidade, Lara fez alguns registros espontâneos durante algumas edições do FESQ e registrou, também, as primeiras ações do OFICENA - Curso Livre de Teatro, onde, praticamente foi fotógrafa exclusiva da primeira fase do curso, em 2013. Registrou com grande sensibilidade os espetáculos "Auto da Compadecida", "O Inspetor Geral" e o "Cenas do OFICENA" por dois anos consecutivos (2013/2014). Mas foi durante o Fest Solos que ela soltou seus cliques e amadureceu seu olhar para o Teatro, cobrindo o evento durante as duas primeiras edições. Lara, deixou uma marca de seu olhar e até hoje é lembrada por pessoas que experimentaram seu clique.


Manu Castilho e Paulo Mainhard, juntos, uma produção de arte, filhos e
muita poesia visual...
FELIPE HENRIQUES - Amalgamado na vida artística da cidade, Felipe Henriques está mergulhado em diversas atividades da cidade. Seu trabalho no primeiro Fest Solos, mas sobre tudo, sua narrativa em parceria com Fabio de Freitas, em eventos como o Clube do Poeta. Atualmente, ainda que trabalhe com a imagem parada, Felipe tem buscado um olhar dinâmico, a partir da fotografia documental de alguns parceiros de arte da cidade, principalmente, ligados à musica e o teatro.

ANA LUIZA BARBOSA - Ana Luiza e Yuri Vasconcellos, criaram, recentemente a "AYAMO" um selo para trabalhar sua parceira visual focada, principalmente, na fotografia. Com uma linguagem peculiar e pessoal, Anna tem feito registros importantes nos últimos dois anos. Acompanhando o Fest Solos desde o nacimento, hoje, ela é responsável pela direção fotográfica do evento. Atualmente, é uma das fotógrafas que mais tem se dedicado ao teatro das novas gerações. Registros de eventos importantes como apresentações de rua e junção de novos grupos de teatro, fazem dela, uma vertente nova na paisagem dos fotógrafos locais.


De passagem...

Generoso, Lucas Rocha gosta de ajudar sempre.  Um talento da nova geração
de quem ainda vamos ouvir falar muito.
Cabo Frio deve muito a seus fotógrafos. Estes artistas do olhar, fazem sua narrativa da cidade a partir da arte mas também ajudam a construir uma imagem positiva da cidade, expondo, não apenas suas belezas naturais, sua arte, mas também suas mazelas, sua história e seus mistérios. 
Hoje, fico pensando, existe uma nova geração de fotógrafos, sendo preparados na cidade? O fato é que, o teatro já não os atrai tanto, já que, com tanta tecnologia nova, o próprio público utiliza dispositivo que fazem registros, também interessantes, embora instantâneo e sem uma construção narrativa de longo prazo.
Dentro disso, gostaria de citar alguns nomes, de pessoas, que vez ou outra, percebo sua presença no teatro: Anna Paula Azevedo, que já esta se afirmando com seus cliques continuados. Daniel Arm, embora seja conhecido como ator, palhaço e músico, também empresta seus cliques em alguns eventos na cidade. Cleiton Fernandes, que faz alguns registros espontâneo em ações do OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio. Lucas Rocha, este, um nerd, conhecido na cidade pela sua generosidade e capacidade de interação com as novas tecnologias; lucas é autor de algumas proezas como, editar filmes e dar aulas de fotografias focadas no evento em si, reúne um time de jovens aspirantes ao exercício do Olhar e, dale cliques! Havia também uma jovem muito dedicada que circulava pelos bastidores da vida teatral da nova geração, seu nome, Nayara Alves, por onde andará?
Recentemente, dois nomes estão somando no trabalho visual com fotografia na cidade: Fernanda Rigon, cineasta, conhecida por seus trabalhos de qualidades incríveis e Mario Buzacchi, também cineasta e que, por vezes, também faz sua narrativa fotográfica, embora, seu foco principal seja o audiovisual. Emfim, esperamos que novos fotógrafos surjam e contribuam para a narrativa séria, da vida teatral da cidade, que, ainda com uma representatividade econômica precária, mas com uma robustez e organização cada vez mais forte.


sábado, 23 de abril de 2016

Quando os Grupos se Encontram.

Desde 2013, com a tentativa de formação de novos grupos na cidade de Cabo Frio, a vida tem seguido um misterioso fluxo até o atual encontro de sensibilidades, pelo qual a cidade vem passando. Depois de um longo e tenebroso inverno, onde as produções se resumiam ao trabalho de 4 ou 5 grupos, a turma que faz teatro está se mobilizando cada vez mais, para reinscrever a cidade, na paisagem do teatro nacional.

Agregando jovens do OFICENA, mas com total independência, o grupo "Artilharia" esta mergulhando na conquista de
seu espaço para representar a cidade que o acolhe.
"O OFICENA não é apenas um curso de teatro e sim um movimento cultural na cidade"; disse uma vez, a jovem Pamela Davis, ex-estudante de teatro. Há uma forte mobilização por parte de adolescentes e jovens, empenhados na formação de seus grupos. São notícias boas que não param de chegar. São grupos estimulados pelo FESTUD, um festival que abre as portas e o coração para jovens que queiram afirmar sua identidade artística fazendo fluir o melhor de sua energia criativa e produtiva.
Grupos: Artilharia, TCC, Operário do Teatro Brasileiro, Sem Foco, Imaginário, Homem Banda e a turma do OFICENA,
fazendo o teatro acontecer na cidade, num contato mais direto e pleno com a população.
Cada grupo investe na sua própria dramaturgia, não sem buscar referências e ampliar o conhecimento sobre o fazer cotidiano e a conquista de uma nova rotina de vida. Durante o processo de formação é necessário desenvolver uma diversidade de ações que vão resultar naquilo que de essencial cada grupo precisa, para afirmar sua identidade e transforma-la em ações. Dentro desse padrão e espírito de união, os grupos são colaborativos. Evitam a competição entre si e trocam figurinha o tempo todo, o que os faz ficar cada vez mais forte.
Novos talentos despertam e a cidade vai seguindo seu
rumo artístico!
Participar de um grupo de teatro é algo fundamental, principalmente para quem quer transformar a ação artística em profissão, de fato. São muitos afazeres, dezenas de ações que precisam ser "ensaiadas", para além da construção da cena de teatro em si. Lapidar o artista que vai dentro de si, depende de um conjunto de atitudes que passa, principalmente, pela relação com o outro e isso depende exclusivamente de dedicação, empenho e senso coletivo. Teatro não é uma profissão no sentido frio do termo. Teatro é uma construção, um estilo de vida, um jeito de olhar para as coisas e um investimento constante na autoestima.
A organização do nosso "Primeiro Encontro de Grupos de Teatro Surgidos do OFICENA", foi um mega-sucesso, acalentou a criação de muita gente e deu um toque todo especial, como parte da retomada do crescimento artístico da cidade. Os grupos construíram a pauta do evento e fizeram bonito. Capitaneados pelo corpo docente, fizeram acontecer o melhor da arte e construíram um evento repleto de participação colaborativa. A partir dessa fonte criativa e inventiva de desenvolvimento e construção, sera possível definir, num futuro mais que breve, uma sólida presença de novos grupos de teatro, voltados, principalmente, para a sedimentação de um possível mercado de trabalho. Mas isso ainda levará tempo.
Com uma nova geração de artistas batendo à porta, a fim de afirmar seus conceitos de vida e teatro, Cabo Frio garante seu passo em direção a um fazer teatral mais pleno. A construção de possibilidades novas, o desejo de afirmar linguagens tem um impacto forte e seguro na cidadania. Em um sistema onde o cidadão parece virar mercadoria, dá pra sentir um respiro, uma sensação de que a luta tá valendo a pena, a despeito de tantas injustiças permeando a vida de todos nós...

Jiddu Saldanha - Blogueiro
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sábado, 16 de abril de 2016

TCCexta 02 - O Sarau do TEATRO.

O TCCEXTA é uma ópera vivida por dentro. Existe um roteiro presumido e um roteiro que se constrói a partir da harmonia das relações e do trabalho conjunto do TCC-Teatro Cabofriense de Comédia e a equipe do Teatro Garagem.

Espaço aconchegante, corpos instalados para a fruição divina da arte.
Foto: Manuela Paiva Ellon

O Teatro Garagem é um espaço construído a partir da força de trabalho de um grupo e uma filosofia. Sementes plantadas muitos anos antes e que, hoje, é um sonho tornado realidade. E é dentro deste contexto que a equipe do TCC atua e interage. A presença de Silvana Lima e Ivan Tavares, traz para o evento um sentimento de que o teatro vive plenamente sua tradição e sua força e se prepara para seu papel mais profundo e primordial: O mergulho na alma, partindo para uma construção sólida de raízes bem fincadas no solo da criação artística. Poder ouvir Ivan Tavares, falar apaixonadamente para uma nova geração, sobre a aflição causada pelo momento crítico que vivemos na política nacional e, ao mesmo tempo, uma palavra de esperança e fé na arte do ator. Ao Final, Ivan canta uma canção símbolo para quem faz teatro. A música do inesquecível espetáculo "Bailei na Curva", do grupo "Do Jeito que Dá", que abriu as energias do teatro nos anos 80, indo fundo nos porões da ditadura, uma década antes.
Muitas coisas mágicas aconteceram, o próprio evento se reconfigurou, fazendo uma leitura viva do espaço garagem. A partir da segunda parte, o próprio espaço virou palco cedendo seu relevo à fúria do poeta Miguel Lima, por exemplo. Vê-lo em pé, sobre a contenção da piscina, recitando sua poesia com uma chuva de indignação e arte, uma passagem direta, sem atalhos, para o olho do furacão da arte, aliás, o dia 15 de abril foi o dia Mundial da Arte. Miguel não estava só. 

"Coração do Mar", uma performance feita com detalhismo e cuidado, aprovadíssima pelo plateia presente.


Celso Guimarães, costurava a presença de convidados com sua intervenção bem humorada e criativa, levando coragem para os jovens poetas que camuflavam seus poemas em smartphones e guardanapos, esperando a hora de subverter a timidez e confrontar os olhares gulosos da platéia. Em algum momento, Jorge Rodrigues, "declarou" seu poema, com uma fluência incrível, levando o público a repetir as falas como num refrão de música. Também nos emocionamos com a presença do poeta André García, que abriu a noite, com sua poesia corrosiva, mostrando um profundo dom de comunicar sua estética com força e muita energia criativa. Logo em seguida, Mery Damasceno, com toda sua irreverência, mostrava para a platéia lotada, os causos e histórias envolvendo Cabo Frio e Região, e depois, numa bonita interação com Mauro Silveira, dava ênfase à vida teatral da cidade, que ela conhece tão bem, com histórias que recolhe no seu magnífico trabalho de memorialista. Yuri Vasconcellos, não deixou por menos, mostrou claramente porque, hoje, é uma das grandes forças de renovação das artes visuais no estado do Rio de Janeiro. Sua obra consistente, tomou de assalto os olhares e deixou um rastro de luz por cada acontecimento do TCCexta 2.
A abertura, com exibição de audiovisual e a bela canção "Coração do Mar", interpretada pelo TCC, numa magnífica criação coletiva que fez o público se conectar com as forças energéticas provindas das sensibilidade do grupo, que esteve impecável e viveu plenamente, todos os estágios de desenvolvimento de um evento complexo mas não menos prazeroso de se fazer. Enfim, o TCCEXTA veio pra ficar e agora, é afinar a ferramente-arte para recriar e reinventar momentos como este. Momentos que nos faz dar um sentido ritualístico para o fazer artístico.

Jiddu Saldanha - Blogueiro