TEATRO PARA DANÇAR

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Enfim Tchecov

Uma boa surpresa para o teatro local de Cabo Frio é, sem dúvida, "Malefícios do Tabaco", do TAT-Trupe Andarilhos, uma feliz realização que trouxe nada menos do que um texto de Anton Tchecov. 

Fabio Carvalho de Freitas, com figurino de 
Nicole Loup e caracterização de Tainá Lasmar
Foto: mundo de MARI.
Anton Pavlovitch Tchecov, foi o dramaturgo russo, nascido em 1860 e falecido em 1904. Deixou uma importante obra e é um dos mais influentes escritores voltados para o teatro, até hoje. Suas peças, são verdadeiro fetiche artístico, sonho de uma boa parte dos atores profissionais que conheço e que, de algum modo, desejam mergulhar no universo realista-naturalista de suas peças. Sua obra é respeitada no mundo todo e das mais montadas no Brasil e no mundo.
Ontem, dia 19 de Fevereiro (2016), o ator Fabio Carvalho de Freitas, nos presenteou com mais um momento, dessa vez, o texto foi "Malefícios do Tabaco". Início, segundo ele, de uma pesquisa e aprofundamento no personagem proposto. Niúkhin, um homem velho, típico personagem tchecoviano, aparece para dar uma palestra sobre os problemas causados pelo uso do tabaco e suas consequências para a saúde. Simples resumo de uma ideia complexa, na verdade, Niúkhin é um grande desafio para a arte de ator e Fabio Carvalho, conhecido no teatro local, por suas inquietações e coragem, fez seu mergulho, levando mais uma lotação ao Teatro Garagem, a refletir, não apenas sobre o tema, surpreendente, mas também, como exercício de mergulho no misterioso universo do fazer teatral.
Em que pese a exigência de Fabio, em querer sempre mais, neste trabalho ele nos deu, uma visão bastante próxima do que seria o sentimento melancólico do universo de Tchecov, não há dúvida que Fabio entendeu a proposta e desenhou a personagem dentro de uma linha que confere fragilidade à figura de Niúnkhin, além de dar grande força à interpretação realista, trabalhada, num conceito de solo narrativo. A junção da linguagem clássica com uma técnica de narrar, de ator, contemporânea, traz vivacidade a um texto que já ultrapassa os 100 anos de existência. Bom ver, que, tanto tempo depois, Tchecov permanece vivo e  presente na alma do teatro de Cabo Frio.
A forma como Fabio montou a peça traz um ambiente bastante sensível, que envolveu a platéia do começo ao fim. Naquele momento, tudo combinava. Até mesmo o barulho do forte vento que batia no beiral do teatro Garagem, fez sentido. Na platéia, a presença de bebês que vez ou outra choravam, não atrapalharam em nada, ao contrário, a interação ficou tão fluida e verdadeira, que parecia ser alguma mãe cuidando do filho, no quarto ao lado, e isso só alimentou o imaginário do público. Em um determinado momento, alguém bateu à porta do teatro. Parecia ser um expectador atrasado para a sessão; Fabio nos fez parecer que era a esposa de Niúkhin, tão falada. Neste momento deu pra sentir, tratar-se de um ator experiente, que utilizou o momento como jogo teatral, e isso causou espanto na platéia, transformando o acontecimento em poesia cênica.
A movimentação, o uso dos objetos de cena e harmonia com o espaço, que, se não era um cenário de época, dava a sensação de ser um momento possível para a platéia, que contemplava a ação a partir de sua perspectiva atual, não sem mergulhar, num mundo distante e presente ao mesmo tempo. A impressão que deu é que, Niúkhin, talvez fosse algum morador de Cabo Frio e que seria possível encontrá-lo, sentado na praça Porto Rocha ou até mesmo, em algum café, perdido na estranha melancolia festiva da cidade.
Durante a execução da cena, foi bonito ver alunos veteranos do OFICENA-Curso Livre de Teatro, assistir um ator de alta performance seguir à risca algumas lições tão comentadas pelo professor Italo Luiz Moreira, nas aulas rotineiras do curso: A concentração da personagem, a montagem da partitura corporal, fluindo como se o corpo do ator fosse o "cavalo" da figura mítica que é a personagem. Fabio, realmente, mostrou porque, está entre os grandes atores, hoje, no estado do Rio de Janeiro.
Fica a recomendação para quem ler este texto, ainda hoje, pois; para nossa alegria, "Malefícios do Tabaco", estará e cartaz, no Teatro Garagem.

(Jiddu Saldanha)

SERVIÇO:

Malefícios do Tabaco
Autor: Anton Pavlovitch Tcheckov
Montagem: Trupe Andarilho de Teatro
Categoria: Solo Teatral
Gênero: Drama
Local: Teatro Garagem - 40 lugares
Hora: 20h. 
Endereço: Rua Américo Ferreira da Silva, n. 08 - Parque Burle - Cabo Frio/RJ



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

TCC - Teatro Cabofriense de Comédia estréia seu novo espetáculo.




Com estréia marcada para o próximo dia 31, domingo. TCC - Teatro Brasileiro de Comedia, leva à cena seu primeiro espetáculo de 2016. Abrindo o ano com teatro de rua, uma nova tendência na vida teatral local. O espetáculo "Palhaçada à Brasileira" é resultado de muita pesquisa e empenho, por parte do grupo.

Palhaçada à Brasileira
Tcc - Teatro Cabofriense de Comédia.

O TCC é um dos mais novos grupos de teatro de Cabo Frio, surgiu em 2014, a partir da reunião de alguns alunos do curso OFICENA - Curso Livre de Teatroi de Cabo Frio. De lá pra cá, o grupo nunca mais parou. Já criou 3 espetáculos grandes, e performances e um Sarau. Todos com agenda fixa e itinerante dentro da própria cidade de Cabo Frio. O TCC tem animado a cidade nos ultimos 2 anos, com suas atividades constantes, tanto no teatro como nas praças da cidade.
Primeiro espetáculo do grupo em 2016; "Palhaçada à Brasileira" visita a arte da palhaçaria teatral com total liberdade de criação. Neste trabalho, inclui-se a linguagem da mímica teatral e do texto espontâneo criado pelo próprio ator, onde a cena, totalmente focada no jogo, busca um exercício de linguagem lúdica. Como nos velhos tempos, onde o ator medieval, utilizava apenas um roteiro de ações para mergulhar sua técnica desenvolvida em observação aguçada e muito ensaio.
O eixo principal, da narrativa de "Palhaçada à Brasileira" é o jogo da manipulação social e política, através de conflitos instantâneos entre os personagens que vão surgindo em pequenos arquétipos como "O Homem da Flor", "O Eterno mal Humorado", a "Bailarina Perdida"; figuras que vão se repetindo num jogo eterno e incompreensível para si mesmos, mas que fica claro sua função servil, numa sociedade dominada por sonhos aparentemente inatingíveis.
O espetáculo foi dirigido e roteirizado por Jiddu Saldanha e conta com o apoio do palhaço profissional Dio Jaime Vianna, na preparação do elenco. A dramaturgia é coletiva, e o elenco é formado por: Keren-Hapuk, Celso Guimarães Jr., Beatriz Ebecken, Nathally Amariá, Jean Monteiro, Sarah Fortes, Matheus Neves, Danilo Tavares e Patrick Magalhães

SERVIÇO:

NOME DO ESPETÁCULO:  PALHAÇADA À BRASILEIRA
DATA: Estreia Nacional: Dia 31 de Janeiro
LOCAL: Praça da Cidadania Espaço Zen -
HORA: 18H.

FICHA TÉCNICA

Direção e Roteiro - Jiddu Saldanha
Dramaturgia - O Grupo
Direção Musical - Kéren-Hapuk
Preparação de Palhaçaria - Jiddu Saldanha e Dio Jaime Vianna
Maquiagem e figurinos - O Grupo
Produção: O Grupo
Fotografia: Manuela Paiva Ellon
Design Gráfico - Laboratório Criativo

ELENCO: 

Celso Guimarães Júnior: Palhaço Xurúmi
Kéren-Hapuk: Palhaça Hermetinha
Nathally Amariá: Palhaça Tizinha
Jean Monteiro: Palhaço Batata Verde
Matheus Neves: Palhaço Nevaska Palhaça
Patrick Magalhães: Palhaço Cuzcuz
Beatriz Ebecken: Palhaça Bordosa
Sarah Fortes: Palhaça Kimona
Danilo Tavares: Palhaço Risôto

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Teatro de Rua. Uma nova esperança

Está renascendo, em Cabo Frio, uma nova onda. Jovens oriundos do OFICENA - Curso livre de teatro de Cabo Frio, escolas públicas onde o teatro é incentivado, coletivos variados da cidade e artistas já fixados em Cabo Frio, começam a perder o medo e investir em apresentações na rua. É um recomeço cheio de entusiamo, esperança e muita união. Numa cidade que depende do turismo para seguir adiante, a arte de rua pode trazer um ar renovado e oferecer uma outra faceta mais cultural local e, assim, consolidar postos de trabalho para quem produz e faz arte local!

No dia 19 de Dezembro de 2015, o OFICENA ocupa a rua pela primeira vez com o intuito de levar o trabalho dos alunos e mostrar o elenco novo do "O Inspetor Geral", peça de seu repertório. Com isso, o curso passa a repensar sua própria visão de repertório, abrindo para o trabalho dos alunos, já consolidados e que passam a repetir cenas, criando uma visão de permanência e experimentalismo cênico, importante para a arte do ator.



Desde que o OFICENA surgiu, em 2013, a palavra de ordem sempre foi AUTONOMIA. Adolescentes e jovens vindos de diversos bairros de Cabo Frio fizeram do Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb, um ponto de encontro para suas criações. Se apropriaram do espaço público e foram ganhando confiança, entretanto, por ser o único teatro da cidade, e com uma diversidade de produções, os estudantes, orientados pelos professores Italo Luiz Moreira, Jiddu Saldanha e Yuri Vasconcellos, começaram a ganhar as ruas. 
A praça da cidadania tornou-se uma espécie de teatro a céu aberto, onde aconteceram aulas e ensaios públicos, oficinas e vivências, além de local para passar o tempo na convivência permanente com a arte do teatro. A atividade intensa, foi chamando a atenção das pessoas que passavam e logo, o público começou a aparecer. Alguns estudantes, perceberam uma oportunidade para exercitar a tão falada autonomia, um desejo forte da equipe de gestores, professores e estagiários do curso. Com isso, lançou-se novas sementes para o teatro de rua, em Cabo Frio.

"Rua da Arte", no dia 20 de dezembro de 2015, na praça da Cidadania reuniu vários grupos e solistas para marcar presença no Teatro de Rua da cidade. O movimento juntou artistas históricos da cidade, junto à nova geração, com isso, uma guinada no teatro de rua, em Cabo Frio. Surge um movimento.


Em 2015, aconteceu a grande explosão. Primeiro, o TCC - Teatro Brasileiro de Comédia, fundado em agosto de 2014, lança em janeiro de 2015, sua primeira produção pensada especialmente para a rua. O espetáculo "Piquenique no Front" de Fernando Arrabal, ensaiado em janeiro de 2015, atravessou o ano com 33 apresentações na rua e duas no Teatro Municipal, estava firmada a tendência de se construir uma cena de rua em Cabo Frio, seguindo a trilha dos grupos históricos da cidade, o Creche a Coxia, o TAT - Trupe Andarilhos de Teatro e a TRIBAL - Associação Tributo à Arte e Liberdade.
Em meados de novembro de 2015, surge o grupo IMAGINÁRIO, capitaneado por Gustavo Vieira, um dos fundadores do TCC, em parceria com Anna Alves, atriz versátil, com participação em diversos projetos locais.  Tanto Gustavo como Anna, fazem parte do coletivo de artistas Arte em Si Bemol, um grupo voltado para diversas formas de expressão artísticas e que já vai completar 3 anos.

No dia 15 de setembro, na praça Porto Rocha, o TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, foi convidado pela equipe do FESQ para apresentar o "Piqueinique no Front". O FESQ foi a única janela formal para o teatro de rua, nos ultimos 10 anos.


Conforme o curso OFICENA foi acontecendo, com diversas intervenções de rua a partir de seu repertório principal, formado por alunos da turma da noite; aconteceu um fator que mudou radicalmente o rumo e a energia da forma de de fazer teatro no OFICENA. Alunos, ainda adolescentes, da turma da tarde, resolveram se organizar, de forma espontânea para participar do FESTUD, um festival estudantil que ressurgiu em 2014, portanto, em boa hora. Com o fortalecimento de parcerias que renderam ótimas participações e indicação de prêmios, e até mesmo, premiações. Com este estímulo, surgiram alguns grupos novos: OPERÁRIOS DO TEATRO BRASILEIRO, SEM FOCO, NÓS SOZINHOS e o grupo ARTilharia TEATRAL - GTA.
O curioso nos grupos acima, é que quase todos levaram seus trabalhos para a rua, embora fossem cenas criadas especialmente para palcos, muitos grupos já haviam conquistado, também, o espaço nas escolas, facilitando o experimentalismo diversificado de público, com isso, o  ganho de experiência, fez com que os trabalhos se adaptassem facilmente para a configuração de cena de rua, durante o mês de dezembro. De forma paulatina, os grupos começaram a afluir para a praça da cidadania, nos espaços CAPOEIRA e ZEN e depois para outras praças, tais como a PORTO ROCHA e o BOULEVARD CANAL.

Investindo na arte da mímica associada á contação de história, o grupo Imaginário, foi uma iniciativa que nasceu com uma linguagem apropriada para diversos espaços não convencionais, uma autêntica formação de Teatro de Rua.
No dia 20 de dezembro de 2015, um coletivo de artistas, envolvendo os grupos: IMAGINÁRIO, palhaço RUFINO, palhaço MIXIRICA, grupo SEM FOCO, o coletivo ARTE EM SI BEMOL e o ator DANIEL ARM, fizeram um bonito encontro na praça da cidadania, no espaço CAPOEIRA, um fato que mexeu com a comunidade de teatro, principalmente os atores da nova geração. Com uma multidão indo para a praça da cidadania, saudar o primeiro espetáculo colegiado de artistas de rua, que já não acontecia a mais de 10 anos em Cabo Frio. A experiência do teatro de rua, na cidade, só acontecia por apoio do FESQ, um importante festival nacional, focado na atividade teatral, dentro do teatro, mas que começou a oferecer oportunidades para a arte teatral na rua. Fora a ação do FESQ, tínhamos esporádicas intervenções do CRECHE NA COXIA, do TAT - Trupe Andarilho de teatro e
posteriormente da TRIBAL, uma associação de artistas que chegou a criar um espetáculo para ruas e praças; o Auto do Trabalhador, de João Siqueira.

Mixirica, Rufino Rufino, Florzinha e o ator Daniel Arm, juntos, na Rua da Arte, uma junção artistas experientes e jovens que
fez da Rua da Arte um evento para todos!


O grupo "Sem Foco" composto por alunos do OFICENA, na "Rua da Arte"
garantiu o diálogo entre gerações da arte de rua, embora novo ainda, é um grupo
que veio pra ficar.







... A temporada de verão é muito fértil em Cabo Frio, devido à enorme presença de turistas na cidade, momento oportuno para os grupos se organizarem. Fazer dinheiro para investir em material básico para se apresentar na rua. Figurinos austeros, pouco cenário e maquiagem, além, claro, de mostrar um outro rosto da cidade, que costuma ser "sugada até o caroço" por um turista que encontra na cidade apenas a cultura dos grandes shows de praia, com destaque para "bandas de axé". A presença do teatro de rua, pode oferecer um pouco mais, talvez uma guinada em relação ao turismo cultural na cidade; além de oferecer oportunidade para os artistas locais, que sofrem com a falta de emprego e renda do setor artístico, historicamente voltado para uma ação muito mais diletante do que profissional.
O profissionalismo do teatro pode ser um grande sopro de esperança para os jovens que sonham em fazer uma carreira artística, num país de pouquíssima oportunidade para quem está começando. Em Cabo Frio, devido à sua forte tradição voluntária dos artistas que fazem teatro, o TEATRO DE RUA, promete trazer novas luzes para a linguagem artística além de oferecer a possibilidade de trabalho justo e honrado para quem se arvora neste complexo universo da arte teatral.
SEJAM TODOS BEM VINDOS.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

COMENTÁRIO SOBRE O FESQ 13 - Por Jiddu Saldanha.

O FESQ 13, foi um acontecimento especial e diferenciado, dentro da estrutura dos últimos FESQS. Este, de 2015, primou pela reinvenção de sua própria estrutura, tanto artística, quanto logística.

O Bate Papo do FESQ é um momento onde os grupos podem refletir melhor sobre suas cenas e definir novos rumos para sua
linguagem.
Um evento cada vez mais  profissional e complexo, exige muito dos produtores e das equipes constituídas, quer sejam, contratados, voluntários ou convidados.
Dentre as formas de reinvenção do FESQ, destaco o apresentador, Rodrigo Rodrigues, que entrou em cena mais arejado, com uma gama de novos personagens e segurou a peteca do começo ao fim. Dessa vez, além de construir novos olhares sobre suas personagens, esteve mais enxuto no palco, e interagiu na medida certa de sua irreverência característica.
Outro momento de reinvenção foi a forma vigorosa como a produção investiu no teatro de rua, não só na abertura de portas para grupos locais de forma planejada, mas também, por criar uma organização mais eficiente e mais visível para toda a cidade.
O Teatro Municipal de Cabo Frio, está cada vez menor, para abraçar um evento de tamanha importância. O FESQ merecia mais espaço para se expandir, mas a produção o fez de forma criativa; ao transformar o FESQ BAR num ambiente onde a festa, definitivamente, se torna um momento para além do mero consumo, ocupado, definitivamente pela expressão artística. 
Este ano, a presença do coletivo "La Vai Maria", deu, definitivamente ao território do FESQ BAR, uma aura de espaço totalmente tomado por artistas e pela arte.

SOBRE A CURADORIA
Cabo Frio ficou com uma fatia suficiente na participação competitiva, dois grupos, (Trupe Andarilhos e Creche na Coxia); mas houve inovação na participação de grupos convidados locais e da região, além da presença de um dos grandes nomes do teatro brasileiro, Guti Fraga.
A extensão do grupo "Nós do Morro", situado em Saquarema, com seu espetáculo "O Rapé" foi um grande acerto, além da presença da peça "Vanice no País da Armadilhas", contemplando nomes de peso de São Pedro da Aldeia, como a atriz Rafaela Solano e o diretor Marcelo Tosta.
A presença do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, fazendo a abertura do primeiro dia e apresentações na rua e, também, a participação do OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, com a peça "O Inspetor Geral", foi, sem dúvida, uma cartada positiva, na estratégia de inserção de novos artistas locais, no complexo tabuleiro artístico da cidade.

SOBRE O JÚRI
Todo Júri é sempre polêmico. Historicamente, foram raras as vezes em que a opinião do Júri, coincidiu com a visão do público e dos artistas envolvidos na parte competitiva do evento. Mas uma coisa que sempre procuro orientar, nos debates, é que um Júri, composto por 3 convidados, se movimenta num complexo tabuleiro de xadrez, revelando sempre sua própria tendência.
Na visão do público, "tal peça é melhor e pronto". Já, na visão do Júri, existem configurações estéticas que vão, de forma natural ou planejada, classificando os trabalhos em tendências e possibilidades possíveis de intensos debates.
Hoje em dia, todos nós sabemos que teatro não é uma coisa só, e sim, uma configuração artística complexa onde se misturam escolas diferenciadas, níveis contrastantes e fusão de linguagens que podem surpreender, tornando a cabeça do Júri, totalmente focada no debate para conseguir, não só, contemplar o melhor, mas também as tendências apresentadas no evento como um todo.

COMENTÁRIO SOBRE OS TRABALHOS PREMIADOS

MEU NOME É ERNESTO - Grupo Primitivos
Melhor atriz
Melhor esquete
Nem sempre uma cena consegue agradar o público e o júri.  "Meu Nome é Ernesto" conseguiu esse feito. Levou os prêmios de melhor esquete, e melhor atriz para Jéssica Menkel. Deixou o público extasiado e impressionado com o desempenho tanto do elenco, quanto da caracterização.
Através de uma pesquisa rigorosa, a equipe desta cena, conseguiu dar vitalidade a personagens que passaram fragilidade e vigor, um verdadeiro desafio, pois, não é fácil para atores jovens, interpretar personagens de idade avançada.

CHÃO DE PEQUENOS - Cia Negra de Teatro
Melhor direção.
Melhor esquete
Trazendo um teatro engajado e ao mesmo tempo contemporâneo, a Cia Negra de Teatro, recebeu os prêmios de melhor direção, para Thiago Gambogi. Além de ser uma das três contempladas com o prêmio de melhor esquete.
A cena, construída de forma quase haicaística, primou pela economia de signos. Evitou lugares comuns e se apropriou de forma inteligente, dos elementos formais da linguagem teatral e da dança-teatro, mesclando o discurso da compaixão e do inconformismo, com a forte energia criativa de um elenco preparado e um diretor de mão segura.
A cena variou entre a encenação e a performance, se fazendo valer de elementos como o teatro invisível, que é de profunda reflexão política. A surpresa foi ver os atores fazendo performance na escadaria do teatro de forma inesperada e que causou grande comoção no público. Convenceu o Júri.

O VELHINHO E A MORTE - Creche na Coxia
Melhor esquete
Melhor figurino
"O Velhinho e a Morte", traz um grupo coeso e vigoroso em cena, fazendo um tipo de teatro que exige uma partitura corporal afinada e ativa, além de grande concentração do elenco.
A peça tinha um ritmo impecável, com encaixes que proporcionou grande prazer ao público e, também, ao Júri, que a premiou com MELHOR FIGURINO e MELHOR ESQUETE.

A TERRÍVEL PLANÍCIE DE KENÓTITA - Coletivo Areia de Comer
Melhor ator
Melhor esquete júri popular.
Com excelente desempenho em cena, o ator Matheus Macena, ganhador do prêmio de melhor ator, foi quase uma unanimidade entre público e júri. Não foram poucos os entusiastas que o saudaram como merecedor do prêmio. Sua movimentação de cena, com riquíssima gramática corporal e uma voz soberba, trouxe-lhe, no FESQ, um belo momento de sua carreira.
A cena, muito bem construída, fez combinar cenário, figurino e iluminação, além, claro, de um belíssimo momento, onde a poeta Elvira, de Cabo Frio, de forma sutil fez uma inteiração com Matheus Macena, ao colocar no tapete de livros de seu personagem, o livro que fora escrito por ela. A cena, deixou o público surpreso e, ao mesmo tempo, se inseriu no tempo poético do espetáculo. Coisas assim, só se vê uma vez na vida. Neste momento, Matheus mostrou sua personalidade ao transformar, pela mágica de sua interpretação, o momento de intervenção, em pura poesia. Ganhou o espetáculo. Este acontecimento ficará gravado para sempre, na memória afetiva do FESQ.

GOLDEN GATE BRIDGE - Grupo Suicidas Teatrais
Melhor texto
Melhor concepção cenográfica
Comédia que mistura absurdo ao romantismo, com uma forte dose de niilismo, é impressionante a eficiência do texto, que valeu, para Ygor Cosso, uma premiação de MELHOR TEXTO. Trabalho original e divertido.
Levou também o prêmio de melhor cenografia, para Marcela Rica e Ygor Cosso; solução inteligente para reconstruir a ideia da famosa Golden Gate. O cenário, parecia uma escultura que dava uma bela possibilidade de triangulação para os atores que o fizeram, o tempo todo, em plano alto e com muita competência. Foram reconhecidos pelo Júri, que percebeu a sofisticação de uma comédia inteligente e eficiente, no palco.

VALKÍRIA - GRUPO TEATRALHA
Prêmio Especial do Júri
O Grupo TEATRALHA, impressionou pela presença e engajamento no FESQ, compareceu em todos os debates e não perdia nenhuma apresentação, tanto dos colegas, como da programação extra do evento. O tempo todo, participando das ações e marcando presença nos debates, foi, aos poucos, impondo sua militância artística.
A esquete "Walkíria" foi provocante em diversos aspectos, pois, além de constituir num imenso desafio à atriz Larissa Gonçalves, que tinha de correr o tempo todo em cena, enquanto dava o texto, criando ótima interface com o trabalho autoral do próprio Jô Bilac, que o escreveu, como um exercício de linguagem, sugerindo uma forma diferente de carpintaria dramatúrgica.

* Jiddu Saldanha é coordenador dos debates do FESQ.

domingo, 9 de agosto de 2015

Um ano de TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.

Um ano depois da montagem de sua primeira peça,"Ditadura", um texto de Nathally Amariá e direção de Lauren Christie, Nathally e Keren-Hapuk, o TCC se afirma como grupo e prepara sua nova montagem teatral; a peça "Balaco de Baco" que discute a condição do ator no atual contexto da vida artística do País. Aproveitando o fluxo de construção do grupo, para afirmar seu conceito de "coletivo que não é coletivo".  Sim, o grupo é um coletivo, mas diferentemente dos coletivos tradicionais onde a maioria dos participantes apenas "emprestam o nome" para fazer parte, enquanto dois ou três trabalham, de fato, no TCC - Teatro Cabofriense de comédia, essa relação é inversamente proporcional, o grupo se construiu de forma coletiva mas tem metas que se inspiram na confiança para fazer mudar de mãos, quando necessário, uma atividade que precisa ser resolvida com urgência. Com isso, o grupo se livra da inércia, uma praga que ronda todos os coletivos baseados, exclusivamente e equivocadamente, no afeto.
Sim, existe afeto no TCC, as pessoas se curtem se gostam, andam juntos, mas se o assunto for trabalho, o foco é a produção e a construção do OFÍCIO. E é essa consciência que faz do grupo, um espaço para o crescimento profissional.

Ainda em formação mas já com uma agenda e uma rotina firmada, 
o TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, decidiu levar
o teatro a sério. Para isso, vem buscando parcerias e ampliando 
sua agenda de trabalho.
Em busca de conhecimento e sedimentação de um OFÍCIO.

É no OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio, que os jovens do TCC buscam seu aprendizado e formação como artistas que estão conhecendo o complexo oficio por trás da arte do ator. Mais do que isso, o grupo que compõe o TCC, tem afinidade com o estudo e deixa claro, em suas ações dentro ou fora do curso, que o teatro é sua razão maior para estar no mundo. 
Em 2014, o grupo estudou Técnicas de Butoh, com Thomaz de Aquino, ator e estudioso de Fortaleza - CE, e em 2015 no final de Julho, o TCC foi convidado para fazer parte da vivência "En La barca encontros", onde puderam fazer, com Bruno Peixoto e Anna Fernanda, um mergulho na arte da "lapidação de cenas teatrais", através da vivência e criação de um espetáculo enquanto a troca artística era feita em tempo real.
No dia 13 de Setembro de 2014, uma OFICINA de Butoh, 
umsonho realizado com o professor Thomáz de Aquino, 
dacidade de Fortaleza - CE
Durante os anos de 2014 e 2015, o grupo não parou de produzir. Ensaiou a cena "Eu só liguei pra dizer que te amo" fazendo a primeira apresentação oficial no Espaço Aroeira, iniciando a prática de fazer teatro em espaços diferenciados e não apenas na casa de espetáculos da cidade de Cabo Frio, único teatro da cidade e com uma agenda completamente lotada, tendo que responder à demanda artística da cidade, que não para.
Nos dias 17, 18, 30 e 31 de Janeiro de 2015, o grupo estreou sua primeira peça longa, "Piquenique no Front", de Fernando Arrabal, com direção de Jiddu Saldanha e um elenco formado por Guilherme Costa, posteriormente substituído por Danilo Tavares que somou aos demais atores participantes: Sarah Fortes, Gustavo Vieira, Beatriz Ebecken, Gustavo Vieira e Nathally Amariá.

Kéren-Hapuk e Sarah Fortes, ensaio musical e carinho.
Foto: Manuela Ellon
TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, completa um ano lançando seu novo espetáculo no, dia 23 de agosto, no Teatro Municipal.

                     BALACO DE BACO

            Domingo, dia 23 de agosto, às 20h. a peça "BALACO DE BACO", encenada pelo TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, estará em cartaz no Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb, em Cabo Frio. Neste trabalho, o grupo reúne seus participantes que se dedicam ao grupo a um ano. Além de atores, contrarregras e produção; o grupo é formado por dramaturgos, músicos, atores e maquiadores, o que facilita um trabalho intenso de criação.
            Dirigido por Jiddu Saldanha, é um espetáculo que: "fala de um grupo teatral que descobre, uma pauta vaga, numa casa de espetáculos e,  aproveita para o mostrar seu repertório às pressas, já que a data está em cima da hora. Sem dinheiro para divulgar e pagar o elenco; o grupo corre como um desesperado para fazer o que pode e tentar ganhar um dinheiro da bilheteria para pagar um figurinista que fugiu para o Rio de Janeiro". Só existe uma saída, mostrar as cenas curtas que o grupo vinha ensaiando sem motivo".
            O TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, iniciou sua atividade artística em agosto de 2014, mês que completa um ano de atividade. Fez sua primeira participação pública, com a peça "Ditadura". Seu repertório nasceu da participação intensa em eventos consagrados ao teatro local: Fest Solos, FESQ, e Cenas do OFICENA.
            Posteriormente, o TCC, fez sua primeira montagem de rua, com a peça "Piquenique no Front", de Fernando Arrabal e direção de Jiddu Saldanha. O grupo é formado por Nathally Amariá, Gustavo Vieira, Celso Guimarães, Sarah Fortes, Beatriz Ebecken, Keren-Hapuk, Matheus Neves, Danilo Tavares, Jean Monteiro, Henrique Selani, Duda Machado, Anna Alves e Gabriel Rodrigues Neto.
            O espetáculo "Balaco de Baco" reúne todo o potencial possível do TCC, com atividades assinadas individualmente, pelos talentos do grupo, mas também, e principalmente, com a parceira firmada para o intenso mergulho no fazer teatral. Num certo sentido, o grupo se articula como um coletivo ao mesmo tempo que estimula cada participante a dar o seu melhor, a serviço do espetáculo.

SERVIÇO:
 
ESPETÁCULO: "Balaco de Baco"
LOCAL: Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb
DATA: 23 de agosto - 2015
HORA: 20h.
ENDEREÇO: Rua Aníbal do Vale S/N. Centro - Cabo Frio / RJ
Ingressos: R$ 5,00 - meia e R$ 10,00 inteira.
Comemoração de 1 ano de TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.
ELENCO: Nathally Amariá, Gustavo Vieira, Celso Guimarães, Sarah Fortes, Beatriz Ebecken, Keren-Hapuk, Matheus Neves.

Ficha Técnica

TEXTO - Núcleo de Dramaturgia do TCC
DIREÇÃO - Jiddu Saldanha
DIREÇÃO ASSISTENTE - Nathally Amariá
DIREÇÃO MUSICAL - Kéren-Hapuk
FIGURINOS - Gabriel Rodrigues e o grupo.
DESIGN GRÁFICO - Gustavo Vieira
MAQUIAGEM - Beatriz Ebecken
FOTOS - Manuela Ellon e Pedro Brandoff
CONSULTORIA CÊNICA - Bruno Peixoto e Anna Fernanda
ILUMINAÇÃO - Wagner Cabral e Anngley Medeiros
CONTRA REGRA - Jean Monteiro
EQUIPE DE APOIO - Henrique Selani, Jean Monteiro, Danilo Tavares e Duda Machado
ELENCO: Nathally Amariá, Gustavo Vieira, Celso Guimarães, Sarah Fortes, Beatriz Ebecken, Keren-Hapuk, Matheus Neves.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

TCC - Projeto de Circulação Local.

Domingo, agora, dia 05 de Julho, às 20h. a peça "Piquenique no Front", encenada pelo TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, estará se apresentando no ESPAÇO GARAGEM, sede do grupo Creche na Coxia. Será o primeiro passo em direção à circulação pelos espaços independentes que já existem a muito tempo e servem para local de ensaio de grupos da cidade.

No Teatro Municipal de Cabo Frio, a 20ª Apresentação do espetáculo "Piquenique no Front", abriu a perspectiva de levar
um espetáculo de rua para o palco, aproveitamento de um equipamento cultural público para um grupo independente.


Próximo a completar um ano, o TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, busca sua afirmação na cidade de Cabo Frio, através de ações simbólicas que vão culminar numa possível "libertação" das amarras do teatro local, que, para sobreviver, depende de um circuito restrito ao Teatro Municipal de Cabo Frio, insuficiente para uma cidade que já ultrapassa os 200 mil habitantes.
Desde que se apresentou no Espaço Aroeira (Ogiva), com a peça "Eu só Liguei pra dizer que te amo", texto de Jiddu Saldanha, em Janeiro deste ano (2015), o grupo vem discutindo alternativas para mostrar seu trabalho de forma independente. Foi assim que nasceu o projeto do "Piquenique no Front", do dramaturgo espanhol, Fernando Arrabal, já com um formato para  ruas e praças. O resultado foi positivo. Foram, até agora, 23 apresentações nas praças da cidade e uma apresentação no Teatro Municipal. A próxima apresentaçãom "Piquenique no Front" conta com a participação dos atores: Danilo Tavares, Beatriz Ebecken, Nathally Amariá, Kéren-Happuk, Celso Guimarães, Sarah Fortes, Duda Machado e Gustavo Vieira.
Com um quadro de artistas, quase todos em início de carreira, o TCC pretende ser um grupo com formação de repertório e pesquisa teatral variada, embora tenha em seu nome a palavra comédia, entendemos comédia, aqui, como uma forma expressiva de levar a arte em todos os seus estilos. Não somos um grupo fechado no gênero humor, mas buscamos a profundidade da "comédia humana", um exercício quase psicanalítico de mergulhar na alma humana e extrair dela o que tem de mais profundo e risível.

SERVIÇO: 
ESPETÁCULO: "Piquenique no Front"
LOCAL: Espaço Garagem
DATA: 05 de Julho - 2015
HORA: 20h.
ENDEREÇO: Rua Américo Ferreira da Silva N. 08, Parque Burle (atrás da UPA - Proximidades da escola Canto dos Pássaros) -

INGRESSOS: R$ 5,00 - meia e R$ 10,00 inteira.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Fest Solos se afirma em Cabo Frio


Foram mais de 70 artistas envolvidos, em diversas funções, num evento que trouxe ótimas energias para a cidade de Cabo Frio - RJ.

Seguindo uma tradição mundial do teatro e ao contrário do que muita gente pensa, o solo não é a afirmação da solidão e sim um exercício do protagonismo do ator. Com este espírito, podemos dizer que o evento encontrou em Cabo Frio uma ressonância mais que esperada. Foram mais de 70 artistas envolvidos, em diversas funções, num evento que trouxe ótimas energias para a cidade.
Depois de tudo o que batalhamos, ainda encontramos forças para fazer uma ótima reunião de avaliação com a equipe, coordenada por Yuri Vasconcellos, que deu o tom ao trabalho e direcionou diversas ações para o próximo ano, onde realizaremos a terceira mostra fesTSolos. A gratidão a todos os participantes e o desejo de que o teatro possa seguir adiante, em nossa região, com gente nova e antiga, com gerações intermediárias e muita cumplicidade para seguir construindo uma identidade forte e comprometida com as gerações futuras.
GRATIDÃO A TODOS,
Jiddu Saldanha.